Ex Libris

Carmen MirandaUma História do Mundo.

Vulcões entraram em erupção.

Oceanos ferveram.

O universo estava uma confusão.

Então veio o cachorro[1]


[1] Snoopy – Charles Schulz;

Em Novembro de 1936 sai nos EUA as tirinhas de Mickey e os 7 Fantasmas com desenho de Floyd Gottfredson e roteiro de Ted Osborne. No ano seguinte é lançado o curta-metragem Lonesome Ghosts. Walt Disney

O link é fantasmassolitarios, e aqui o filme que inspirou o nome:

Corrida maluca

Todo ano, em West Sussex, na Inglaterra, acontece o Goodwood Festival Of Speed, no qual os personagens da Corrida Maluca ganham vida. Willian Hanna e Joseph Barbera

Eu me interessei pela arte musical pelos 13 anos – eu via todas aquelas garotas – eu tinha um cérebro de 13 anos, agora eu tenho um cérebro de 15 anos! Lemmy Kilmister

Eu me interessei pela arte musical pelos 13 anos – eu via todas aquelas garotas – eu tinha um cérebro de 13 anos, agora eu tenho um cérebro de 15 anos!
Lemmy Kilmister

Passa lá em casa veio a existir depois de ler até a página 40 um livro vampiresco. Estava no trem e era noitinha. Enfim, um lugar perfeito para se ausentar e transferir o medo para o sobrenatural. E não o medo do dia a dia. Então até a página 40 confirmou o que desconfiava.

Tenho tendência ao modelo clássico de vampiros. Nem me refiro a Bela Lugosi, Christopher Lee, menos ainda a Max Schreck. Refiro-me a três textos de horror do final do século XIX:

Drácula de Bram Stoker;

A morte amorosa de Théophile Gautier;

Carmilla de Joseph Sheridan Le Fanu.

Em minha mente, o vampiro clássico estava formado. Lembrando que Carmilla (1872) e A morte amorosa (1836) vieram antes de Drácula (1897).

Dois vampiros femininos antes de Drácula? Por que esquecidas, sendo A morte amorosa um dos textos “o mais famoso e o mais perfeito (talvez até perfeito demais, como frequentemente ocorre em Gautier)”, segundo Ítalo Calvino? Carmilla é uma das principais influencias de Bram Stoker para caracterizar definitivamente, ou quase, a imagem do vampiro. Porém, caiu no esquecimento logo que Drácula “criou vida” e se tornou um sucesso.

Outra questão.

Muito se fala sobre a influência de Vlad III sobre a obra do irlandês esquecendo que tão importante quanto esse príncipe da Valáquia, conhecido como o empalador, foi Erzsébet Báthory, conhecida como a Condessa de sangue. Ela torturou e matou de forma cruel mais de 650 mulheres na Transilvânia no século XVI. Dois genocidas conhecidos dos apreciadores do romantismo, cultura gótica, Idade Média…

Filme inspirado em Carmilla, e tem ainda João Gordo na versão dublada

Filme inspirado em Carmilla, e tem ainda João Gordo na versão dublada

Italo Calvino, importante filólogo italiano, em analisa ao texto de Théophile Gautier fala de sua perfeição estrutural, pudera, não a toa reconhecido como um dos primeiros parnasianos. O texto de Sheridan Le Fanu não fica atrás, onde sua obra, alem de ter uma vampira como personagem principal, há uma forte conotação lésbica no texto. Pior cego é aquele que não quer enxergar. Mesmo com defeitos na narrativa, Drácula é quem alcança e recebe estrelato definitivo levando Carmilla e Clarimonde ao ostracismo.

Sobre essa analise da literatura fantástica, transcrevo partes do texto de Sofia Geboorte:

“A evolução no comportamento da sociedade e consequentemente na visão masculina sobre a mulher, mudou ao mesmo tempo em que a literatura fantástica adaptava suas vampiras. Para compreender melhor essa evolução do mito podemos citar Todorov:

A evolução segue aqui um ritmo muito diferente: toda obra modifica o conjunto das possibilidades; cada novo exemplo modifica à espécie. Poderia dizer-se que estamos frente a uma língua na qual tudo o que é enunciado torna-se àgramatical no momento de sua enunciação.  (TODOROV, 1981, p.6)”

“Esses novos exemplos que modificam a espécie, são exatamente os mesmos que influenciam a sociedade e a literatura, em especial a fantástica. No caso do vampiro temos o mito literário que acompanhou as novas ideias filosóficas, como os

vampiros de Anne Rice que se ligaram em partes ao existencialismo de Sartre, e às novas teorias da psicanálise de Freud.

Devemos ressaltar neste ponto que assim como a literatura de um modo geral representa a sociedade, a literatura fantástica, sempre será uma expressão máxima da metafísica humana, pois através dela podemos identificar as metáforas da sociedade”.

Texto na integra aqui.

Poster do filme Nsferatu de 1922. Baseado na obra de Bram Stoker, quando o filme foi lançado a viuva do escritor entrou na justiça para destruir a obra. Friedrich Wilhelm Murnau conseguiu salvar uma cópia mandando por um amigo para os EUA

Poster do filme Nosferatu de 1922.
Baseado na obra de Bram Stoker, quando o filme foi lançado a viúva do escritor entrou na justiça para destruir a obra. Friedrich Wilhelm Murnau conseguiu salvar uma cópia mandando por um amigo para os EUA

Temos assim uma substituição do feminino para o masculino na literatura fantástica em especial a de vampiros. Adaptada a uma sociedade patriarcal.

Em A morte amorosa, vemos uma vampira seduzir o padre no dia de sua ordenação. Já em Carmilla sugere uma atração sexual de caráter lésbico, e para muitos críticos o melhor do século XIX.

Pois na composição das personagens femininas busquei algo entre Carmilla e a cortesã Clarimonde, por favor não me levem a mal, jamais me comparando a tais mestres. Sem pensar na imagem da vampira folheava um livro sobre Leonardo da Vinci me deparei com a pintura da amante de Ludovico Sforza, Lucrezia Crivelli, conhecida como La Belle Ferroniere. Ferroniere por conta do acessório usado na cabeça da modelo.

Muito se especulo sobre a identidade da retratada, pensou até mesmo ser Beatrice d’Este mulher de Ludovico ou Isabel de Aragão. Porém tudo leva a crer que seja Lucrezia Crivelli, pois é sabido que Da Vinci a pintou. Com esse rosto e a expressão… Ah! A expressão. Aí está minha vampira. Sobre a história de Beatrice d’Este uma resumida rápida. Apesar de muito se falar de sua irmã Isabela d’Este, Beatrice foi celebrada como uma das mais belas e cultas princesas do renascimento. gifMorreu aos 21 anos, desgostosa de um marido infiel que engravidou a amante ao mesmo tempo de tê-la engravidado. Morreu horas depois de dar a luz. Claro que a história que conto é pura ficção onde em apenas alguns momentos me aproximo do cenário do ducado de Milão. Afinal é uma história de vampiros, e vampiros não existem.

Na verdade existem no mundo inteiro, no leste europeu onde é o primeiro lugar que nossa imaginação corre para visualizar vampiros imortalizado por escritores irlandeses, Bram Stoker e Sheridan. Lá temos Upiercza, Ustrel, Vorkolaka, Nelapsi, Kukudhi ou Lugat, Mahr… Grécia: Vrykolaskas, Callicantzaros, Lâmia… Africa: Adze, Asasabonsam, Obayifo… Nas Américas: Cihuatetico, El Cuero, Tlahuelpuchi… oie_Jm21h9IKnW7kNos países árabes: Algul, Ghouls… Na Índia: Baital, Bhutas, Bramahparush, Churel, Rakshasas… No Oriente asiático: Mauri, Penanggalan, Pontianak, Aswang, Chiang-shih. No Brasil conhecido no nordeste como Encourado saiba mais aqui

Mas falar de Leonardo Da Vinci é chover no molhado. Na verdade meu problema não vem de Leonardo e sim leva a ele numa regressão.

Tudo começa com Augusto comprando um apartamento, até então sem novidades, mesmo quando dito cujo é construído sobre um shopping com segurança de presídio. O problema é que foi vendido como neoclássico. Daí você pensa, muitos o são. oie_tVhJ619H2KZBEle contrata uma arquiteta um tanto rebelde que decide decora-lo ao pé da letra. Não bastando, a vizinha de Augusto vem diretamente do renascimento. Pior, é vampira.

No casa de Zípora, ela é uma Ghul-I-Beaban, uma vampira canibal de cemitério. É minha vampira oriental. Augusto também acaba conhecendo a dita cuja. Conhece também uma sereia, etc…

Em 2007 li uma matéria sobre edifícios de luxo construído sobre o shopping. Escrevi 5 linhas para um futuro livro que seria uma observação negativa sobre o problema. Depois guardei. passa la em casa-leiaNesse mesmo ano fiz um exercício de projeto onde criei uma família pouco convencional com drags queens, uma ex-cantora de rádio, uma dançarina do ventre, um irmão sociólogo aposentado e cadeirante. Tudo isso sem esquecer Carmen Miranda.

O fato é, eu tinha uma imagem de vampiros que minha irmã achou por bem repensar. Que tudo poderia ser uma “licença poética”. Ela me deu uma “licença poética” que não consegui passar da página 40. Quando cheguei em casa, pelo trem da CPTM, disse que não queria saber daquela “licença poética”. Ela me encarou e perguntou:

Você faz melhor?

Não acho que o tema vampiro está na moda, acredito que ele nunca saiu de moda.

Busquei as cinco linhas sobre o tal condomínio e o projeto de arquitetura da faculdade com minhas drag queens. Isso foi em Outubro de 2009…

ROTEIRO DO BLOG

The Nightmare Before Christmas - Disney

The Nightmare Before Christmas

PÁGINAS

Ao lado de home temos as páginas do blog totalizando 11. Delas estão ligadas outras tantas paginas. Elas referem-se diretamente ao livro Passa lá em casa.

Augusto na Casa de Vênus: é em alusão a suíte que Jordâna vai decorar para uma das tias de Augusto, tendo em mente uma casa na Pompeia. A página trata-se das mulheres que serviram de inspiração para as personagens do livro. São nove musas mais Safo, nove artistas mais Cássia Eller. Lucrezia Crivelli, Beatrice d’Este, Carmen Miranda, Maysa, Anna Nicole Smith, Savannah, Greta Garbo, Marilyn Monroe e Barbara Hutton. Nesse caso, Lucrezia Crivelli e Beatrice d’Este aparecem na página Luz Halógena. Então temos 8 mulheres.

Dois irmãos, uma lenda: Penso que esses dois personagens, dos quais não nomeio, é um “presente” para o leitor. Aquela busca na qual nunca saberemos as respostas com exatidão;

Capas e resumos: como o nome diz, refere-se a primeiro momento sobre a publicação em plataformas de autopublicação, e o que virá depois em uma editora;

Fantasmas solitários: Eis um ponto importante que é o próprio endereço do site. De onde veio a inspiração para construção da personalidade de Augusto, personagem do livro Passa lá em casa;

Gatos, por companhia: Principalmente aqueles que fazem companhia para Augusto. A questão mítica que tais animais carrega, além do tratamento oposto ao do oriente dado a esses animais singulares no ocidente. Se você gosta desses bichos, vem pra e se aconchega;

Luz Halógena: Para Abigail, uma das personagens, poucas pessoas merecem estar sob a mira de refletores. Leonardo da Vinci mereceria? Pequena biografia sobre ele e as musas que imortalizou;

O Clássico: Como o nome diz, o clássico Greco-romano que é a base do mundo ocidental, mas acima de tudo, qual a função dele no mundo contemporâneo;

Passa lá em casa aos poucos: Escolhi alguns trechos do livro para o visitante;

Patylândia – Morar mais por muito mais: Morar mais por menos é o nome de uma “feira” onde arquitetos e decoradores fazem luxo com mixaria. Vou discorrer sobre a inspiração para criar algumas das casas das personagens do livro;

Saudações em três partes: A história de introdução dos três volumes da obra;

Vampiras: Yvian não é Carmilla: Detalhes sobre as personagens fantásticas do livro, vampiras, sereias, deusas, fadas;

Mais mistérios

A Máquina de Mistérios

CATEGORIAS, QUE EU CHAMO DE ÚNICA PAISAGEM

Ailuros: Palavra grega para gato, há 3 deles na obra, Miautralha, Nervoso e Cotonete, os principais;

Cunnilingues: LGBT – A palavra Cunnilingues refere-se prática de sexo oral que consiste na estimulação da genitália feminina com a língua e boca, principalmente o clitóris e a entrada da vagina. Em Portugal, esta prática é vulgarmente conhecida como minete;

Espaço Carmen Miranda: Música – Augusto, personagem principal do livro Passa lá em casa, tem em Carmen Miranda sua maior diva;

— Augusto de sapato novo: MPB – Vários cantores e compositores brasileiros, principalmente da primeira metade do século XX, são mencionados no livro Passa lá em casa. Augusto de sapato novo é em referencia ao chorinho “André de sapato novo”, de André Victor Corrêa (1888-1948);

— Sabra Cadabra: Heavy Metal – A música Sabra Cadabra do Black Sabbath é subtítulo de um trecho da história;
— Subculture: Rock – Há trechos da música Subculture do New Order no livro Passa lá em casa. Quando Lucrezia conhece Blushing Tusha numa festa na casa de Baby Love;

Ex Libris: Ex libris é uma expressão latina que significa, literalmente, “dos livros”. É empregada para determinar a propriedade de um livro. Portanto, ex libris é um complemento circunstancial de origem (ex + caso ablativo) que indica que tal livro é “propriedade de” ou “da biblioteca de”;

Fêmur de Nefilim: Bio e ciências naturais e especulativas – Uma das personagens acha um fêmur de nefilim em uma praia em Santa Monica, Califórnia;

Fogus Factus ou Bolha de Segurança: Fogo-fátuo (do latim i̅gnis fatuus) está indiretamente relacionado com o Dilúvio um dos temas do livro Passa lá em casa. Conta a lenda que o Boitatá foi criado na época do cataclismo para devorar os cadáveres. Lembrando que esse fenômeno físico é a inflamação espontânea do gás metano, resultante da decomposição de seres vivos. Bolha de Segurança é o subtítulo de primeiro volume de Passa lá em casa. Nessa categoria falaremos do Brasil e Mundo sem pretensão;

Gardênia, a essência da Flor: Alguns trabalhos e opiniões da família Farias – Flor de Gardênia, é o nome da empresa de Augusto, personagem principal do livro Passa lá em casa. Além de ser nome de uma música interpretada por Bienvenido Granda;

— A Música Segundo Henrique: Henrique toca violão desde os 8 anos de idade em teatros e pequenos espaços em Suzano. Seu repertório vai de chorinho, passando pela música clássica e rock clássico

— Fernanda Machado de Farias: Trabalhos feitos pela mesma na área de design de interior e arquitetura;

— K. Lúthien Farias: Trabalhos desenvolvidos por K. Lúthien Farias nas Artes visuais e no universo dos quadrinhos;

— Malu Farias: Textos do cotidiano;

Memórias Póstumas de Cosma e Damiana: Textos remanescentes do livro “Passa lá em casa”, textos escritos após, outros textos… Cosma e Damiana são duas drag queens interpretadas por Ananias ator dublador e Adamastor, advogado, respectivamente. Quando os gêmeos aceitam a proposta de Augusto para interpretar Maria do Carmo e Carmen Miranda no teatro, acabam aposentando as personagens da noite paulista;

KiSuco: Coisas da infância – desenhos animados, H.Q, gibis, mangás, animes;

Lactofantasy: Mulheres peladas… Também as vestidas… O universo feminino… – Esse é o título do último filme de Levy narrado na estória. Filme em homenagem aos “puffy nipples” ou “mamilos inchados”, onde Faye Reagan é atriz principal;

Pilares da Criação: Arquitetura, arte, cor e cultura – Pilares da criação é um aglomerado de poeira e gás na Nebulosa de

Águia situado à aproximadamente 7,000 anos luz da terra. Fotos recentes, sugere que a supernova explodiu à cerca de 6.000 anos e devastou as três colunas. Considerando a distância de 7,000 anos luz da terra, dentro de 1,000 anos a explosão será visível aqui na terra. Há uma pequena referencia no livro Passa lá em casa;

— De quando os arquitetos desenhavam: Comentário a respeito de arquitetura;

Bem vindo!

Bem vindo!

— O menos é mais, CHATO! Artes Ornamentais e outras formas de expressão artísticas;
— Telefones pretos: Teoria da cor – Pois se eles (os telefones) fossem coloridos, talvez soubéssemos mais sobre Greta Garbo. Afinal um de seus melhores amigos, Sam Green costuma gravar as longas conversas com ela pelo telefone;

Sereias, Vanuccia não é Ariel: Audiovisual – Um trocadilho entre o filme da Disney “A pequena sereia”, e Vanuccia, a sereia do livro Passa lá em casa;

Tia Evanilde: Literatura – Lembro que quando tinha uns 9 ou 10 anos, minha tia Evanilde me deu vários textos sobre astronomia para fazer resumo e quem sabe criar gosto pela leitura, pois deu certo;

Vai ser pra mim: Autor convidado – Trecho da música Rosinha de Heber de Bóscoli e Mário Martins (com Ciro Monteiro, Orlando Silva e Sílvio Caldas, 1941). Quando Augusto vai comer tapioca com suas três tias, no livro Passa lá em casa, eles estão ouvindo essa música.

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Meu filme favorito

Charle Chaplin afirma que Welles veio à sua casa com a ideia de fazer uma “série de documentários, um para o célebre assassino francês, O Barba Azul Landru”, que ele achava que seria uma peça dramática maravilhosa para Chaplin. Chaplin estava inicialmente interessado, pois isso lhe daria uma oportunidade para um papel mais dramático, além de poupar-lhe o trabalho de ter que escrever o filme ele mesmo. No entanto, Chaplin afirma que Welles explicou que o roteiro ainda não havia sido escrito e que ele queria a ajuda de Chaplin para fazê-lo. Como resultado, Chaplin abandonou o projeto de Welles. Muito pouco tempo depois, surgiu a ideia de que a história de Landru seria uma boa comédia. Chaplin então telefonou para Welles e disse que, embora sua nova ideia não tivesse nada a ver com o documentário proposto por Welles ou com Landru, ele estava disposto a pagar cinco mil dólares a Welles para “limpar tudo”. Após as negociações, Welles aceitou os termos que receberia um crédito de “story by”. Chaplin afirmou mais tarde que ele não teria insistido em nenhum crédito de tela se soubesse que Welles acabaria tentando levar crédito pela idéia.

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Sobre: Cinema, vídeo e audiovisual
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Citação

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Woody Allen e Scarlett Johansson por J.R. Duran

“Não é que eu tenha medo da morte, mas simplesmente não quero estar aqui quando isso acontecer”

“A melhor coisa que podem lhe dizer na vida não é ‘te amo’, mas sim ‘é benigno’”

“O sexo sem amor é uma experiência vazia. Mas, como experiência vazia, é uma das melhores”

Woody_Allen (1)“Odeio a realidade, mas é o único lugar onde se pode comer um bom filé”

“Tenho interesse pelo futuro, pois é o lugar onde passarei o resto da minha vida”

“Em Beverly Hills o lixo não é recolhido, mas transformado em televisão”

“A vocação do político profissional é fazer de cada solução um problema”

High Quality Wallpaper

“Prefiro a ciência à religião. Se tiver de escolher entre Deus e um ar-condicionado, fico com o ar”

“O medo é o meu companheiro mais fiel. Nunca me enganou para ficar com outra pessoa”

“Sei que não mereço o [prêmio] Príncipe das Astúrias, mas também não mereço o diabetes de que sofro”

“Não acredito que haja vida no além, mas, por via das dúvidas, troquei a roupa de baixo”

“Se os seres humanos tivessem dois cérebros, com certeza faríamos besteiras em dobro”

“A vantagem de ser inteligente é que se pode fingir ser um idiota, enquanto o contrário é impossível”

“Quando um médico erra, a melhor coisa é enterrar o assunto”

“De onde viemos? Para onde vamos? Há alguma tarifa especial para grupos?”

Categoria: Sereias, Vanuccia não é Ariel Sobre: Cinema, vídeo e audiovisual

Categoria: Sereias, Vanuccia não é Ariel
Sobre: Cinema, vídeo e audiovisual

Woody Allen

Um dos grandes problemas brasileiros: Interpretação de Texto

A Rio 2016 é racista

rafa ouro A Rio 2016 é racista
Racismo não é que os negros brasileiros têm menos saneamento. Menos casa própria. Menos acesso à saúde, hospital, creche. Nem que são menos alfabetizados, que vivem menos, que vivem pior que os brancos. Racismo não é que os negros são minoria nas universidades, nas redações, no shopping, nos restaurantes. Ou minoria nas novelas, nos telejornais, no público que frequenta os programas de auditório.
Não estão nos palcos dos teatros, são poucos nas paradas de sucesso. Não apresentam talk shows. Há pouquíssimos negros nas gerências e direções das empresas. E no comando da Polícia Militar, Civil, Federal. Não há negros entre os bilionários brasileiros. E não se vê negros nos ministérios, nas secretarias, autarquias, ou nos altos cargos do judiciário.
Mas nada disso é racismo. Não gera indignação. Não é tema pra campanha de candidato nenhum. Não repercute nas redes sociais. Isso é normal. É o dia a dia. Não, racismo é quando eu escrevo a seguinte frase: “Medalha de ouro para uma negra favelada ajuda as negras faveladas em exatamente nada.”
Por esse comentário no Twitter, inspirado pela vitória de Rafaela Silva no judô, fui chamado de racista por várias pessoas. Outras também me “xingaram” de gay, homem, branco etc. Muito comum a crítica de que não posso escrever sobre mulheres negras porque não sou mulher nem negra, o que é além de surreal.
Mas nem todo mundo entendeu assim.
Ana Luisa, leitora atenta, escreveu no Facebook sobre o assunto: “aquele post de racista não tem nada. Ao contrário. É uma crítica a um poder público omisso, que quase nada faz para quem é pobre e negro, e a uma sociedade preconceituosa e hipócrita que relega aos próprios negros o conselho de seguir o exemplo de esforço pessoal de uma moça negra que é destaque hoje. Mas é exceção entre uma massa de negras que não tiveram sua condição melhorada por ninguém. E nem ganharam o respeito da classe média anos atrás, lá com aquela medalha de ouro da judoca Edinanci (cujo nome, aliás, caiu no ostracismo). Incrível o tanto de gente que não entendeu, ou fingiu que não entendeu, o seu post.”
Toda essa gente que não entendeu, ou fingiu que não entendeu, não pesa tanto pra mim quanto uma única pessoa ter compreendido tão bem minha intenção quanto Ana Luisa.
Costumo dizer que o Brasil é um problema de interpretação de texto. Também costumo dizer que é inútil tentar entender os outros, e mais ainda tentar mudar os outros. Não dá para mudar a opinião de quem concluiu por esta frase que sou racista. Nem vou tentar. Então sou racista. E não sou racista. Entendeu? Assim é o novo mundo da comunicação.
Esse problema de deficiência de compreensão (ou mesmo de indignação simplista e automática) se tornou uma patologia. Dois exemplos pessoais. Estou respondendo a um processo que pede uma indenização financeira bem grande, por um texto que publiquei aqui no blog. Perdi em primeira instância, estamos recorrendo. A decisão do juiz é baseada no que dei a entender, não no que efetivamente escrevi. É um problema da legislação brasileira, que é dúbia, porque interpretação é sempre subjetiva.
Outro exemplo, mais engraçado, de ontem. Fiz também no Twitter uma piada infantil, daquelas tipo revista Recreio: “O que esse Phelps faz de tão importante? Nada.” Pois não é que tem gente me xingando, achando que é uma crítica ao nadador americano? Quando até uma bobagem dessas ofende, está claro que qualquer coisa (mas qualquer coisa mesmo) pode gerar repercussão negativa. Como qualquer coisa pode querer dizer o seu contrário, decidi por um título bem explícito e escandaloso para este texto: “A Rio 2016 é racista”.
Sutileza tem hora. Veja: o caminho natural para quem escreve profissionalmente, neste ambiente, é a autocensura e a autopromoção. Ou, caminho contrário e desafiador, apostar na inteligência de poucos. Ser mais mais ambíguo, denso, ambicioso. E muito, muito seletivo. É uma alternativa que me seduz – para daqui a pouco.
Para hoje, sobra ser tão agressivo quanto Rafaela Silva. De fato a medalha de ouro para ela não ajuda em nada as negras faveladas, ou, se você preferir, as afrodescendentes moradoras de comunidades. O que mudará a vida dos milhões de Rafaelas que não chegaram e nunca chegarão a nenhum pódio é dinheiro.
Investir R$ 38 bilhões dos nossos impostos nos Jogos Olímpicos, e não em melhorar a vida dos brasileiros mais pobres – a maioria negros, a maioria favelados – é uma das maiores injustiças já cometidas nesse país. E isso sim é que é racismo.

Categoria: Vai ser pra mim Sobre: Textos de outros autores ou autor convidado Textos de André Forastieri Imagem em destaque: Tingatinga - Tingatinga (também escrito Tinga-tinga ou Tinga Tinga) é um estilo de pintura que se desenvolveu na segunda metade do século 20 na Oyster Bay área em Dar es Salaam ( Tanzânia ) e mais tarde se espalhou para mais África Oriental. Tingatinga pinturas são uma das formas mais amplamente representados de arte turística orientada na Tanzânia, Quénia e países vizinhos. O gênero é nomeado após seu fundador, pintor tanzaniano Edward Said Tingatinga.

Categoria: Vai ser pra mim
Sobre: Textos de outros autores ou autor convidado
Textos de André Forastieri
Imagem em destaque: Thomas Allen

Nota

Morreu nessa terça-feira, 16 de agosto Elke Maravilha.

Elke Maravilha, nome artístico de Elke Georgievna Grunnupp (Leningrado, 22 de fevereiro de 1945 — Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2016), foi uma manequim, modelo, jurada, apresentadora e atriz nascida na Rússia com cidadania alemã radicada no Brasil - Foto de David Zingg

Elke Maravilha, nome artístico de Elke Georgievna Grunnupp (Leningrado, 22 de fevereiro de 1945 — Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2016), foi uma manequim, modelo, jurada, apresentadora e atriz nascida na Rússia com cidadania alemã radicada no Brasil – Foto de David Zingg

Categoria: Lactofantasy Sobre: Mulheres peladas e vestidas Fotos em destaque: Elke Maravilha nos anos 60

Categoria: Lactofantasy
Sobre: Mulheres peladas e vestidas
Fotos em destaque: Elke Maravilha nos anos 60

Muitas vidas cabem em Elke Maravilha

Elke Maravilha foi muito mais do que a sua cabecinha imagina…

10 Curiosidades sobre Elke Maravilha que você nem imaginava

Mais sobre Elke Maravilha

Elke Maravilha

Isenção de IPTU a templos custa 22 creches por ano em São Paulo

A Prefeitura de São Paulo deixa de arrecadar com o IPTU de templos religiosos –todos beneficiários de imunidade tributária– cerca de R$ 110 milhões por ano. Esse montante, calculado pela Folha a partir do cadastro de imóveis, seria suficiente para construir um hospital ou 22 creches. A prefeitura recolhe cerca de R$ 6,5 bilhões com o imposto.pastores ricos

Além do IPTU, templos têm isenção de outros tributos, como o ISS (sobre serviços). A imunidade fiscal de IPTU é prevista na Constituição desde 1946 e, atualmente, o tema é debatido no Congresso.

A bancada religiosa na Câmara quer ampliar a isenção de IPTU para todo o país, incluindo o caso de imóveis alugados pelas entidades religiosas – na capital paulistana, isso já é realidade para os 5.734 templos da cidade. Há também grupos contrários, que defendem o fim de todas as isenções aos templos.

O valor de R$ 110 milhões calculado pela Folha considera o imposto que seria cobrado dos templos com base no valor dos imóveis e nas alíquotas básicas do IPTU e não inclui características dos terrenos que podem influenciar o valor final.

5723117686_b78dcd17e2_bSegundo a estimativa da prefeitura, a isenção fiscal aos templos está na casa dos R$ 90 milhões. Para efeito de comparação, um hospital com cerca de 250 leitos em construção em Parelheiros (zona sul) tem custo estimado de R$ 148 milhões. Na educação, os R$ 110 milhões poderiam erguer 22 creches.

Maior local de culto da cidade em área construída, com 75.948 m², o Templo de Salomão, da Igreja Universal, teria IPTU anual de cerca de R$ 3 milhões por ano.

Cercado de polêmica desde sua inauguração em 2014, o local ainda não tem alvará definitivo. Sem isenção até o momento, o templo consta como devedor de R$ 7,6 milhões em IPTU. Segundo a Universal, a imunidade está em análise pela prefeitura.

Na lista de entidades religiosas com mais templos, também aparece a Universal, como a 14ª maior proprietária de locais de culto, com 21. A colocação se deve ao fato de, ao contrário de outras evangélicas, a Universal adotar a prática de alugar os locais onde faz seus cultos. Amparada por lei municipal, não paga IPTU desses imóveis.

A igreja mais beneficiada pelo não pagamento de tributos é a Católica. Segundo o levantamento, ela tem 730 imóveis cadastrados como templos na cidade –renderiam R$ 17 milhões ao ano em IPTU.

Igrejas picaretas estão matando o rádio no Brasil

DEBATE NO CONGRESSO

Ligado à Universal, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) é autor de uma Proposta de Emenda à Constituição que tramita para garantir a imunidade a entidades religiosas que alugam imóveis em todo o país. Lá, a Comissão de Direitos Humanos debate uma proposta popular –cujo relator é o próprio Crivella– que vai no sentido inverso: quer o fim de toda imunidade.

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Para o presidente da Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), Daniel Sottomaior, é difícil haver mudança na Constituição devido à influência religiosa na política. Para ele, a imunidade atenta contra o Estado laico.

Questionada, a Arquidiocese de SP da Igreja Católica disse que “reafirma seu compromisso de colaboração a São Paulo, onde atua desde a sua fundação na assistência social, na educação, na promoção humana e na defesa dos mais pobres”.

A Universal disse defender o Estado laico, mas afirmou que a imunidade tributária “apenas assegura esse livre exercício dos cultos sem a interferência de governos”. A assessoria de Fernando Haddad (PT) não respondeu qual é a opinião do prefeito sobre a renúncia fiscal.

Categoria: Fogus Factus Sobre: Assuntos relacionados ao Brasil e Mundo

Categoria: Fogus Factus
Sobre: Assuntos relacionados ao Brasil e Mundo

A maior aventura polar completa um século

1

Ernest Henry Shackleton (Kilkea, condado de Kildare, 15 de fevereiro de 1874 — Geórgia do Sul, 5 de janeiro de 1922) foi um explorador polar que liderou três expedições britânicas à Antártida, e uma das principais figuras do período conhecido como Idade Heroica da Exploração da Antártida.

Uma das grandes aventuras da humanidade está completando 100 anos: a Expedição Imperial Transantártica de Sir Ernest Shackleton.

Shackleton (1874-1922) liderou três expedições britânicas à Antártica, mas foi a última, iniciada em dezembro de 1914 e encerrada em agosto de 1916, que o tornou uma lenda da exploração polar. Foi o maior fracasso da vida de Shackleton – e também seu maior triunfo.

A meta da Expedição Imperial Transantártica era ambiciosa: cruzar o continente antártico, por terra, de oeste para leste.

2

A tripulação completa do Endurance, menos o fotógrafo Frank Hurley, claro

Em 5 de dezembro de 1914, Shackleton e 27 tripulantes deixaram a Ilha Geórgia do Sul a bordo do veleiro Endurance, de 144 pés (44 metros), construído na Noruega especialmente para a missão.

Em 18 de janeiro de 1915, um dia antes de chegar ao ponto da Baía de Vahsel onde a equipe deveria desembarcar, o Endurance ficou preso no gelo. Imobilizado num imenso platô congelado, o barco ficou vagando pelo mar de Weddel por mais de nove meses, até que, em 27 de outubro de 1915, foi esmagado pelas placas de gelo.

3Shackleton e sua tripulação abandonaram o navio. Pouco menos de um mês depois, em 21 de novembro, testemunharam, horrorizados, o Endurance afundando para sempre no gelo. Pelos cinco meses seguintes, a tripulação morou em barracas no banco de gelo, comendo carne de foca e esperando que o gelo se abrisse para que pudessem navegar em três botes salva-vidas rumo a qualquer lugar habitado.

4Em 9 de abril de 1916, finalmente, o gelo se abriu. Enfrentando ondas de dez metros e ventos de 100 quilômetros por hora no Mar de Weddel, os três botes – batizados com os nomes de financiadores da expedição, James Caird, Dudley Docker e Stancomb Wills – conseguiram chegar à inóspita Ilha Elephant. Foi a primeira vez em 497 dias que pisavam em terra firme.

Para se ter uma ideia da insanidade que era enfrentar um mar daqueles numa casquinha de noz, aqui vai a imagem de um cargueiro cruzando a Passagem de Drake

Para se ter uma ideia da insanidade que era enfrentar um mar daqueles numa casquinha de noz, aqui vai a imagem de um cargueiro cruzando a Passagem de Drake

Mas a parte mais arriscada da missão ainda estava por vir: Shackleton deixou 22 homens na Ilha Elephant e rumou com outros cinco no pequeno barco James Caird até a Ilha Geórgia do Sul, enfrentando frio de 20 graus negativos, ondas de vinte metros e ventos de 200 quilômetros por hora em um dos mares mais traiçoeiros do mundo, próximo à Passagem de Drake. Foto a direita:

Uma foto do barco James Caird

Foto do barco James Caird

Em maio de 1916, o James Caird chegou finalmente à Ilha Geórgia do Sul. Mas Shackleton e seus homens precisaram atravessar a ilha a pé, numa travessia inédita e tão perigosa que só foi realizada novamente em 1955, por uma equipe de alpinistas britânicos. Quando finalmente chegaram à estação baleeira de Stromness – barbados, imundos, fracos e com as roupas em farrapos – pareciam, segundo relatos, uma assombração. E assim que Shackleton se identificou, alguns marinheiros devem ter pensado estar diante de fantasmas, já que a tripulação do Endurance fora dada como morta.

Depois de alguns dias de descanso, Shackleton começou a organizar o resgate de sua tripulação. Ele pediu ao governo inglês um navio propício para enfrentar o Mar de Weddel, mas nenhum estaria disponível até outubro (é bom lembrar que isso tudo aconteceu em meio à Primeira Guerra Mundial). A solução foi pedir emprestado ao governo chileno o Yelcho, um barco a vapor de 120 pés (37 metros) que fazia a manutenção de faróis.

Às 13h10 do dia 30 de agosto de 1916, mais de quatro meses depois de abandonar 22 homens de sua tripulação, Shackleton chegou com o Yelcho à Ilha Elephant e os resgatou. Todos os 28 tripulantes do Endurance voltaram vivos.

Em 1959, o escritor e jornalista norte-americano Alfred Lansing lançou “A Incrível Viagem de Shackleton”, livro em que relata, por meio de diários e entrevistas com sobreviventes, os detalhes da Expedição Imperial Transantártica e dos quase dois anos de luta pela sobrevivência na área mais inóspita do planeta. É um dos melhores livros de aventura que já li. Recomendo demais.

Ponto selvagem, Elefante Island, o local onde o acampamento foi feito após o local de desembarque inicial foi identificada como inadequada

Ilha Elephant, o local onde o acampamento foi feito após o local de desembarque inicial foi identificada como inadequada

P.S.: O leitor Peçanha enviou um link que traz as fotos que Frank Hurley tirou da expedição de Shackleton. É sensacional. Confira aqui.

Do blog "Leu esse, Carol? A Incrível Viagem de Shackleton

Do blog “Leu esse, Carol? A Incrível Viagem de Shackleton

Categoria: Vai ser pra mim Sobre: Textos de outros autores Sobre o autor: André Barcinski nasceu em 1968. Foi colunista e crítico da Folha de S. Paulo. Escreveu quatro livros e dirigiu dois filmes. Produz e dirige os programas de TV “O Estranho Mundo de Zé do Caixão” e “Nasi Noite Adentro”, no Canal Brasil. Ganhou o prêmio Jabuti de melhor livro de não-ficção por "Barulho - Uma Viagem ao Underground do Rock Americano" (1992) e o Prêmio do Júri do Festival de Cinema de Sundance (EUA) pelo documentário "Maldito" (1998), sobre o cineasta José Mojica Marins Imagem em destaque: Voltando ao navio depois de uma excursão

Categoria: Vai ser pra mim
Sobre: Textos de outros autores
Sobre o autor: André Barcinski nasceu em 1968. Foi colunista e crítico da Folha de S. Paulo. Escreveu quatro livros e dirigiu dois filmes. Produz e dirige os programas de TV “O Estranho Mundo de Zé do Caixão” e “Nasi Noite Adentro”, no Canal Brasil.
Ganhou o prêmio Jabuti de melhor livro de não-ficção por “Barulho – Uma Viagem ao Underground do Rock Americano” (1992) e o Prêmio do Júri do Festival de Cinema de Sundance (EUA) pelo documentário “Maldito” (1998), sobre o cineasta José Mojica Marins
Imagem em destaque: Voltando ao navio depois de uma excursão

“O condomínio torna a cidade mais desigual. É preciso inibi-lo”

Urbanista fala sobre política de mobilidade e os desafios que a cidade deixa para próxima gestão

Geraldo Moura, doutor em urbanismo pela USP RAFAEL RONCATO

Geraldo Moura, doutor em urbanismo pela USP Foto: RAFAEL RONCATO

Os trilhos do metrô não chegam a toda São Paulo e, quando chegam, perdem a oportunidade de levar uma de suas principais vocações: desenvolvimento urbano em áreas periféricas. Segundo o urbanista Geraldo Moura, há várias explicações para isso, mas uma das principais é que o sistema metroviário não está sendo pensado para responder a pergunta “que cidade queremos?”, mas apenas para reforçar lógicas já estabelecidas. Doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade São Paulo, Moura fala sobre transporte, desenvolvimento urbano e os principais desafios do próximo prefeito de São Paulo do ponto de vista urbanístico. Leia os destaques da entrevista ao EL PAÍS abaixo.

Parque Ibirapuera - Sao Paulo. Foto incrível de Thiago Leite

Parque Ibirapuera – Sao Paulo.
Foto incrível de Thiago Leite

Pergunta. Em outubro temos eleições municipais. Transporte sobre trilhos é uma atribuição da administração estadual, mas levando em conta que mobilidade é uma das principais questões de São Paulo, quais serão os desafios de um próximo prefeito?

Resposta. Em minha opinião, são sete pontos que devem ser levados em consideração. 1) Trazer “cidade” para regiões dormitórios. Implantação de equipamentos de transporte, com equipamentos integrados nas regiões de estações de metrô e corredores de ônibus é fundamental. 2) Trazer gente de volta para o centro. É garantir acesso para que a pessoa possa morar perto das oportunidades. 3) Inibir a cidade murada. É incentivar a proliferação de espaços de convívio, principalmente de convívio entre diferentes. 4) Impedir a proliferação dos condomínios. O condomínio dificulta a continuidade das infraestruturas, principalmente de transporte, e faz com que os bairros fiquem “monossociais”, que uma camada social fique cada vez mais distante da outra, o que torna a cidade mais desigual. É preciso inibi-lo. 5) Tirar espaço de carros. É dar, claramente, cada vez mais espaço para ônibus e meios não motorizados.

P. Antes de você completar a lista, já é possível dizer que muitos desses pontos coincidem com medidas tomadas por Fernando Haddad. Apesar disso… A popularidade dele não é boa. Aliás, tudo indica que ele terá muitas dificuldades para se reeleger.116865915.pEBRV7go

R. Sim, mas não estou falando da disputa política pequena, mas de cidade. Acredito que esse é um preço pago pelos governantes que ousaram enfrentar a questão. Em Bogotá, com o prefeito Enrique Peñalosa, que nunca poderia ser chamado de esquerda, aconteceu algo semelhante. Ele fez o que era preciso, transformou a cidade em uma referência para a mobilidade, e não se reelegeu. [Depois de 12 anos, Peñalosa foi eleito novamente agora]. Acho que justamente por ter acertado, a atual Prefeitura de São Paulo pode ter se inviabilizado eleitoralmente.

P. E por que isso acontece?

“Justamente por ter acertado, a atual Prefeitura de São Paulo pode ter se inviabilizado eleitoralmente”

R. Porque mudar a cidade requer mexer em questões estabelecidas. A questão das bicicletas é exemplar disso. Ela não é só um modo de mobilidade, mas um jeito de fazer essa repactuação do espaço público. É claro que ao longo do processo tem sofrimento: a bicicleta vai, obviamente, acabar se tornando perversa em algumas situações para o pedestre, além de tomar parte do espaço anteriormente destinado aos veículos, e isso vai gerar reclamações. É um processo conflituoso, mas necessário se queremos falar de mobilidade. E, mais uma vez, não dá pra falar de transporte sem falar de cidade, de espaço. Nunca é demais lembrar o Milton Santos: “o espaço é formado por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá”.

P. E quais são os outros dois pontos da lista de sete?

R. Vamos lá. 6) Induzir uma cidade mais compacta. O que significa impedir a proliferação de periferias cada vez mais distantes. 7) Vincular adensamento com infraestrutura de transporte. Ou seja, é adensar áreas que ficam perto dos eixos de mobilidade, como metrô e corredores de ônibus. É curioso notar que isso também começou a ser feito pela atual gestão. O novo Plano Diretor da cidade prevê que haja adensamento habitacional nos principais eixos de transporte.

P. Ou seja, apesar da Prefeitura não ser responsável pelo metrô, quando falamos em mobilidade, falamos de outras questões. Certo?

R. Sim e é por isso que mobilidade não se resume a uma questão técnica, que fazer metrô não pode ser apenas uma discussão tecnológica, como tem sido muitas vezes. Não dá pra falar de transporte e não falar de planejamento urbano. São Paulo tem uma região metropolitana da ordem de 20 milhões de habitantes. As oportunidades, contudo, estão extremamente centralizadas. Isso é fruto de uma lógica em que as pessoas vivem longe e tem que se deslocar muitos quilômetros para trabalhar. O que é preciso é levar cidade para onde só tem gente morando. E qual é um modo de fazer isso? Construir metrô, transporte, mas isso não basta. Junto com o metrô, é necessário pensar equipamentos que façam as pessoas quererem se mudar para perto das estações. É levar escola, emprego, faculdade, lazer e garantir também que pessoas alijadas pela lógica do mercado imobiliário possam morar nas imediações de maneira adequada. Ou seja, o grande problema de quando falamos em transporte é que ele é pensado sozinho. Não dá para fazer assim, o planejamento tem que vir todo junto.

Participação de investimentos no metrô paulista GERALDO MOURA

Participação de investimentos no metrô paulista GERALDO MOURA

P. Se fosse de responsabilidade da prefeitura, você acredita que o sistema metroviário paulistano teria mais sucesso?

R. O Metrô não se limita a uma cidade, é um transporte metropolitano, por isso, mais do que a questão de se é uma responsabilidade do Estado ou da Prefeitura, a verdade é que no Brasil temos carência de entidades metropolitanas. Os comitês que gerenciam as bacias hidrográficas são, talvez, um exemplo mais próximo de como a questão deveria ser trabalhada. É um desafio, porque às vezes, em uma única mancha urbana, você tem oito, dez prefeituras de partidos diferentes. Só que a existência dessa entidade facilitaria muito, porque o Governo estadual não entende nada da relação urbana do poder local. E a questão fundamental quando falamos de transporte, mais do que qual tecnologia usar, é que tipo de cidade nós queremos.

P. Como assim?

R. De todas as estruturas da cidade, as de transporte são as que mais induzem o crescimento do território. Quando o Metrô vai fazer uma linha nova, ele trabalha com a pesquisa Origem e Destino. Ele pergunta para as pessoas de onde elas vêm e para onde vão. A partir daí, estabelece o traçado. Tudo certo? Não. Porque você reforça a lógica, presente no desenho de avenidas da cidade, que é muito anterior ao metrô, de morar longe e trabalhar no centro. A pesquisa Origem e Destino só reforça isso, logo, o traçado do metrô também. Chega uma hora que essa dinâmica de deslocamentos fica inviável. É só entrar na Sé, às 17h30 da tarde, e ver o que acontece. “Por que o Metrô fala uma coisa e faz outra? Ele sempre defendeu que o sistema metroviário é um indutor de crescimento, de planejamento urbano, mas isso nunca aconteceu de fato”

P. Qual é a alternativa?

R. É quebrar essa lógica que chamamos de “radiocêntrica”. E isso não pode partir apenas de uma questão técnica, mas de se perguntar que cidade nós queremos. Toda nova linha de metrô deveria vir com medidas de planejamento territorial. São Paulo é um dos lugares do mundo em que as pessoas mais se deslocam da periferia para o centro, do centro para a periferia, para trabalhar. Por isso não dá para tratar a questão do transporte público como uma questão estritamente técnica.

P. O Metrô não tem levado desenvolvimento urbano para a cidade?

R. A questão aqui, que é a mesma que eu coloquei na minha tese, é: por que o Metrô fala uma coisa e faz outra? Ele sempre defendeu que o sistema metroviário é um indutor de crescimento, de planejamento urbano, mas isso nunca aconteceu de fato.

P. Nem na construção da Linha 3 – Vermelha, que vai até Itaquera, na zona leste da cidade?

Luiza no Copan por Autumn Sonnichsen

Luiza no Copan por Autumn Sonnichsen

R. Ali isso esteve próximo de acontecer, mas vamos fazer alguns recortes históricos para responder isso. Na época da construção da Linha 1 – Azul, o primeiro trajeto da cidade, já se sabia que o traçado mais carente e importante era o Leste-Oeste, mas o Norte-Sul foi privilegiado na construção da linha, sob a justificativa que a região leste era atendida pela RFFSA – atual CPTM. Mas, um dos motivos centrais parece ser claro: havia espaço para o mercado imobiliário expandir na ponta sul da cidade. E qual é o sentido de construir a Linha 2 – Verde na Avenida Paulista? Ela operou durante anos só naquele trecho, sem ligação com outras linhas. A Linha 3 – Vermelha, por sua vez, que é a segunda a ser construída na cidade, além de fazer a ligação necessária (Leste-Oeste), também tinha um plano de desenvolvimento, com planejamento habitacionais, áreas de interesse, etc.

P. E o que deu errado?

São Paulo sob a lente de Autumn Sonnichsen

São Paulo sob a lente de Autumn Sonnichsen

R. Foi um problema institucional. Até a construção da Linha 3 – Vermelha, na década de 1970, a responsabilidade era, em maior parte, da Prefeitura. Naquela época, contudo, ele passa para o âmbito estadual, que tem maior poder de investimento. No caminho, perdeu-se a preocupação de planejamento urbanístico quando o assunto é metrô. Por isso, eu falava sobre uma entidade metropolitana que conseguisse juntar visões diferentes. “É simbólico que o trajeto mais novo da cidade, a Linha 4 – Amarela, tenha começado a operar justamente na Faria Lima e que seu trecho que iria um pouco mais longe não foi entregue até hoje”

P. E em que pé estamos hoje?

Mais Autumn Sonnichsen, mais São Paulo

Mais Autumn Sonnichsen, mais São Paulo

R. Continuando a digressão histórica, é simbólico que o trajeto mais novo da cidade, a Linha 4 – Amarela, tenha começado a operar justamente na Faria Lima e que seu trecho que iria um pouco mais longe não foi entregue até hoje. Por volta dos anos 1990, houve um momento em que o Metrô, já fora do âmbito da Prefeitura, perdeu completamente a preocupação com a cidade. E isso vem muito na esteira de uma lógica neoliberal de iniciativa privada. A linha com a iniciativa privada, como é o caso da amarela, tem dois problemas: o que é vantajoso para o mercado em termos de deslocamento? Que as pessoas peguem muito trem e o use para pequenos deslocamentos. Isso significa mais lucro. Só que o metrô é sistêmico. Se a pessoa tem que fazer 28 trocas de trens para ir do ponto B ao X, ela pagará só uma passagem e na lógica do mercado isso é péssimo. Quer dizer, tanto faz quem opera a linha: se é iniciativa privada ou pública. Mas algumas questões tem que ser respeitadas e a prática vem mostrando que elas não são.

P. Comparativamente com outros países do mundo, inclusive da América Latina, São Paulo perde feio em quilometragem de metrô. Mas em relação a outras cidades brasileiras, ganha. Por que a falta de trilhos nas grandes cidades é uma problema nacional?

R. É uma pergunta com várias respostas. Uma delas é a opção rodoviarista que foi feita, pela primeira vez, lá em 1930. É só lembrar que o lema do Washington Luís era “governar é abrir estradas”. Em 1956, o Juscelino Kubitscheck aprofundou isso ao trazer a indústria automotiva. Depois, os militares foram ainda mais fundo e acentuaram essa tendência. Duas outras coisas explicam. A primeira é que o investimento ferroviário inicial é maior do que o rodoviário e, apesar de ao longo prazo os custos de manutenção caírem, o investimento não funciona para o timing eleitoral. A segunda questão, fundamental, é que a capilaridade do sistema rodoviário te permite um mercado imobiliário muito maior e sem controle. É bem aí que se perde o debate. Vamos pensar: se você abrir uma ferrovia, o crescimento ficará condicionado aos arredores das estações. Se você fizer uma rodovia, a mancha urbana pode se estender em qualquer ponto. O que é melhor para o mercado imobiliário?

Categoria: Pilares de Criação Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas, Urbanismo Fonte: El País Imagem em destaque: Projeto para CPTM União de Vila Nova do escritório Edson Bassi em parceria com o arquiteto Tetsuro Hori

Categoria: Pilares de Criação
Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam
Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas, Urbanismo
Fonte: El País
Imagem em destaque: Projeto para CPTM União de Vila Nova do escritório Edson Bassi em parceria com o arquiteto Tetsuro Hori