Telefones coloridos

Estive pensando em pôr outras cores aqui – quer dizer, nos telefones. Só tenho telefones pretos. Vai me dar assunto para as noites, resolver as novas cores. Uso tão pouco o telefone que na verdade não tem importância. Mas cada ponto de cor é importante. Talvez eu usasse mais os telefones se fossem coloridos[1].

Greta Garbo numa foto antológica de Clarence Sinclair de 1931. Quando a atriz viu a montagem deu uma gargalhada.

Greta Garbo em uma foto antológica de Clarence Sinclair de 1931. Quando a atriz viu a montagem deu uma gargalhada.

Greta Garbo virou um mito ainda em vida e com apenas 36 anos de idade quando se aposentou e tornou-se reclusa. A frase sobre usar o telefone mostra um pouco disso. Viveu meio século assim. O básico que se sabe sobre Garbo está por aí em dicionários online, nasceu em 15 de Setembro de 1905 em Estocolmo, e morreu em 1990 em NY.

Fifi D'Orsay, uma das amantes de Greta Garbo, entre Cary Grant e sua primeira esposa, Virginia Cherril

Fifi D’Orsay, uma das amantes de Greta Garbo, entre Cary Grant e sua primeira esposa, Virginia Cherril

Quando Barry Paris se preparou para escrever sobre Greta Garbo ouviu dos amigos: Ao fim da pesquisa você vai odia-la. Aconteceu o oposto. Tanto que o livro chama apenas Garbo, e duas imagens da atriz, capa e contracapa.

Sobre o livro e o mito Garbo, Chico Lopes diz:

“Garbo foi vítima precisamente disso, em toda a sua vida. Foi vítima dessa idolatria que sufoca, que interroga desesperadamente, que quer entrar em todos os poros do idolatrado, não deixar um respiradouro para o ser humano, para a pessoa assustada e frágil que pode existir por debaixo do mito. Essa curiosidade sempre a apavorou”.

“É muito boa a parte do livro que cuida de sua infância, quando Paris a mostra como uma menina que parecia ter consciência de que era predestinada a ser uma rainha solitária e mostrava já um enorme medo da fama. Isso não parece charme nem teoria romanesca com fumaça de misticismo adequada à mitificação – Garbo parecia mesmo patologicamente sensível aos terrores da superexposição, e, mesmo com uma vaidade humanamente compreensível, nunca se reconciliou com os preços concretos e inevitáveis decorrentes da fama. Sofreu com essa situação mais que qualquer outra estrela que se conheça, pois foi a mais famosa de todas. Esse é seu maior enigma, e parece uma brincadeira particularmente cruel do Destino que uma mulher tão fóbica a essas coisas tenha se tornado a criatura mais famosa (e exposta) do planeta”.

Greta Garbo

Greta Garbo

O texto na integra pode ser lido aqui.

Ruy Castro em sua biografia sobre Carmen Miranda lembra que uma vez pediu autografo a cantora brasileira e recusou dar autografo a irmã de Carmen, Aurora. Detalhe, Garbo se recusava terminantemente a dar autografo. Em sua vida apenas uma vez cedeu ao que ela chamava de posição subserviente  Foi na Suécia, quando uma menina de 13 anos implorou e chegou até a desmaiar.

Voltando ao telefone, essa frase está na pagina 189 de Passa lá em casa, Greta Garbo costumava ficar horas no telefone com Sam Green, um de seus últimos amigos. A amizade azedou quando ela soube que ele grava todas as conversas para ouvi-las depois. Na verdade Garbo já estava no fim da vida e preferiu se isolar por completo em seus últimos anos.

Se os telefones fossem coloridos talvez soubéssemos um pouco mais desse que foi um dos maiores mitos do cinema.


[1] Greta Garbo

Categoria: Pilares da criação Subcategoria: Telefones pretos Sobre: Teoria e estudo da cor

Categoria: Pilares da criação
Subcategoria: Telefones pretos
Sobre: Teoria e estudo da cor

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