O ritual – 1° Parte: Karina Bacchi

DA ÉPOCA QUE FUI ESTAGIARIA DA NEZA CÉSAR EM 2005

Hall da suíte de Karina

Hall da suíte de Karina

Atendi o telefone e do outro lado da linha uma voz rouca dizia que o lustre tinha caído e quebrado. Karina Bacchi queria falar com Neza César, que não estava no escritório no momento. O trabalho no apartamento da atriz no Rio de Janeiro estava acabando. O imóvel de 320m² localizado na Barra da Tijuca, foi o segundo imóvel de Karina Bacchi do qual Neza fez mais uma de suas composições.

Para esse apartamento Neza buscou nas cores fechadas (beaujolais e o berinjela) o amadurecimento da atriz. “São cores que, junto do cinza e do verde-escuro, transformaram-se em novos neutros”, opina a designer. Para contrastar usou o turquesa.

Nesse apartamento foi feito um ritual vastu vidya, com a presença de um shaman. Praticante do hinduísmo e tendo Sathya Sai Baba como guru, Neza prioriza a purificação da morada por meio dessa filosofia que é anterior ao feng shui. Nesse trabalho é observada a mistura de estilos, estampas e cores, algo que Neza César faz como total maestria. Karina Bacchi diz que viu essa tendência em Londres, cidade que Neza morou durante alguns anos.

Repaginando clássicos do design, como a poltrona Egg do dinamarquês Arne Jacobsen, Neza consegue imprimir sua personalidade em cada peça. Boa parte dos tecidos veio de Londres, como o adamasco da sala de jantar. Outra design lembrada foi Tricia Guild, além de uma artista nova formada em arquitetura pelo Mackenzie, Calu Fontes. Com as peças da ceramista, Neza fez um patchwork na cozinha muito antes de virar moda.

Design de Neza César, apartamento de Karian Bacchi

Design de Neza César, apartamento de Karian Bacchi

Sala:

O equilíbrio da cor, branco!

O equilíbrio da cor, branco!

Num giro pela sala, a textura e a cor se fazem presentes - Foto do meio Evelyn Muller

Num giro pela sala, a textura e a cor se fazem presentes – Foto do meio Evelyn Muller

Listras, adamascados e florais se mesclam no living sem causar confusão visual. O motivo? O rosa, o fúcsia e o azul amarram a decoração - Primeira foto de Evelyn Muller

Listras, adamascados e florais se mesclam no living sem causar confusão visual. O motivo? O rosa, o fúcsia e o azul amarram a decoração – Primeira foto de Evelyn Muller

Sala de jantar e copa

Flores

Flores

A sala de jantar com tela de autoria de Isabelle Tuchband. Particularmente não gosto do trabalho dela, mas Neza adora - Foto de Evelyn Muller

A sala de jantar com tela de autoria de Isabelle Tuchband. Particularmente não gosto do trabalho dela, mas Neza adora – Foto de Evelyn Muller

A sala de jantar anuncia a copa em tom turquesa. Neza Cesar, forma um canto quente na cozinha de tom frio, embora vibrante. 'Cruzar' as cores dos ambientes é um recurso de efeito. Colocado na cozinha azul, o móvel pintado de beaujolais, mesmo tom do living, promove coerência cromática - Fotos: Evelyn Muller

A sala de jantar anuncia a copa em tom turquesa. Neza Cesar, forma um canto quente na cozinha de tom frio, embora vibrante. ‘Cruzar’ as cores dos ambientes é um recurso de efeito. Colocado na cozinha azul, o móvel pintado de beaujolais, mesmo tom do living, promove
coerência cromática – Fotos: Evelyn Muller

Vista geral a partir da copa e uma harmonia colorida. Poltronas e mesas Saarinen

Vista geral a partir da copa e uma harmonia colorida. Poltronas e mesas Saarinen

Cozinha:

Mais uma vez o branco é convocado. Uma cozinha pode ser branca e ainda assim reservar surpresas. Observe o patchwork de azulejos decorados, na parede, e o tapete formado por pastilhas coloridas

Mais uma vez o branco é convocado. Uma cozinha pode ser branca e ainda assim reservar surpresas. Observe o patchwork de azulejos decorados, na parede, e o tapete formado por pastilhas coloridas

Detalhe do patchwork da artista Calu Fontes

Detalhe do patchwork da artista Calu Fontes

Dormitório:

Vista do dormitório da atriz e apresentadora

Vista do dormitório da atriz e apresentadora

Em tom aconchegante, quente e romântico

Em tom aconchegante, quente e romântico

Próximo trabalho? O apartamento de Denise Fraga…

No livro Passa lá em casa, Nicolas contrata Neza César para trabalhar no lay out de sua empresa, uma funerária de luxo.

Categoria: Gardênia, a essência da flor Subcategoria: Fernanda Machado de Farias Sobre: Trabalhos que realizei na área de arquitetura

Categoria: Gardênia, a essência da flor
Subcategoria: Fernanda Machado de Farias
Sobre: Trabalhos que realizei na área de arquitetura

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Ignorância e falta de educação são as marcas de uma geração de adolescentes

Por Regis Tadeu | Na Mira do Regis Clique aqui e leia a matéria no blog do jornalista

Caso você não o conheça, vou apresentá-lo. O pianista André Mehmari é um dos maiores pianistas do Brasil atualmente, um músico/arranjador/compositor/multiinstrumentista que tem como principal qualidade, além de sua técnica primorosa, o trânsito fácil e livre que consegue estabelecer entre os universos da música erudita e da música popular brasileira e o jazz. Ele chegou a vencer um Prêmio Visa de MPB Instrumental e vários concursos de composição erudita, já tocou ao lado de grandes cantoras como Ná Ozzetti e Mônica Salmaso, e tem seis discos lançados, todos excelentes.

Bem, feitas as apresentações, vamos ao motivo que me levou a escrever a respeito dele hoje, mais precisamente, a uma terrível experiência pela qual ele passou e que dá bem a medida dos tempos em que vivemos hoje. Peço permissão para colocar abaixo o texto que ele escreveu em sua página no Facebook. Leia com atenção, por favor…

“Há uns dias participei como convidado especial de um projeto musical educacional, para jovens de escolas públicas, de 10 a 12 anos, aqui perto de São Paulo. Levaram uma ótima banda, fizeram um roteiro bem bolado e caprichado com atores de primeira, e na segunda parte, a pedido da produção, entrei no palco, feliz da vida para falar de (Ernesto) Nazareth e anunciar as canções que se seguiriam.

Ao som de berros e injustificáveis vaias irracionais, ouvi toda sorte de grosseria: ‘sai daí, filho da puta!’ ‘Vai tomar no …!’, Vai se f….!’

Fiquei um tanto cabisbaixo, mas segui quase firme. Com muito orgulho, falei um pouco desta música. Acompanhado por um supermúsico amigo – o percussionista e compositor Caito Marcondes -, toquei desconcentrado e ainda estupefato uma suíte de maxixes ‘nazarethianos’ abraçando uma ária de opera. É, eu queria falar para eles desta coisa bonita da Musica, de não ter fronteiras, a não ser na cabeça de medíocres e preconceituosos.

Mas a fronteira ali estava tão antes de qualquer pensamento, de qualquer diálogo. Tudo tão aquém de qualquer desenvolvimento, que abaixei a cabeça e levei mecanicamente a apresentação até o final, acreditando que se tocasse para um único par de ouvidos férteis naquela plateia de 600 jovens pessoas já teria valido meu esforço, minha confiança na vida.

Sei bem que educação é sempre desafio e que o Brasil encontra-se muito longe de ter estrutura e pessoal adequado.

Meu apelo aqui fica para os pais, que acreditam que a educação de um filho se dá na escola. Ela se dá principalmente em casa, neste nível fundamental da formação do caráter de um ser humano. Não coloquem filhos no mundo se não estão aptos e dispostos a dar uma formação cuidadosa e apaixonada a estes novos seres.

E estou farto deste discurso politicamente ‘soft-new-age-correto’ e praticamente inefetivo, de aceitar tudo e botar panos quentes em tudo que um jovem faz e diz. Acredito que ele tem consciência de seus atos e cabe aos mais experientes apontar problemas, olhar esta turma como nossos semelhantes que, em poucos anos, estarão ocupando importantes cargos e funções.

Educação é invariavelmente feita com amor e dedicação e estas são responsabilidades primordiais dos pais, depois da escola e da experiência. De qualquer maneira agradeço a oportunidade de tocar para aqueles jovens, mesmo tendo sofrido agressões que me ofenderam. Sei que aqueles que ouviram saberão me agradecer no futuro. E estarei plenamente recompensado e tranquilo!”

Quem acompanha o que escrevo neste honrado espaço sabe bem o que penso a respeito desta molecada nos dias atuais. Para quem não sabe, vou repetir numa boa: salvo raríssimas exceções, toda uma geração de adolescentes brasileiros se transformou em uma manada de asnos!

É isto mesmo o que você acabou de ler. Sem tintas douradas ou palavras suaves. A realidade nua e crua é exatamente esta. Quem é pai ou mãe sabe exatamente o que quero dizer. Nos dias atuais, professores se transformaram em seres com nervos em frangalhos, com o espírito esgotado e abalado por terem que lidar com pequenos bucéfalos, precocemente empurrados para a vala da ignorância por causa do meio em que vivem, seja a família, os amigos e até mesmo a própria escola.

Meninos e meninas são capazes de sugar o bom humor de quem quer que seja, tão rapidamente quanto as palavras ásperas, os gritos e a violência verbal que emanam de suas bocas sujas e cérebros já necrosados. Conversando com professores, a opinião é unânime: sala de aula é hoje um lugar onde reina a insanidade. Capacidade de cognição e momentos de sensibilidade por parte destes adolescentes é visto como um autêntico milagre de natureza divina.

E quero deixar claro: isto não tem nada a ver com classe social e poder aquisitivo! Há uma horda de adolescentes cretinos milionários, ricos, pobres e miseráveis. A burrice e a falta de educação não fazem distinção.

O que aconteceu com o talentoso pianista André Mehmari em um teatro municipal de Campinas, mais precisamente no bairro da Vila Industrial, é sintomático da total falta de educação e bons modos de toda uma geração. Basta dar uma olhada no meu perfil do Twitter para ver a quantidade de ofensas pesadas – e que se multiplicam como moscas – toda vez que escrevo a respeito de ídolos musicais desta garotada sem cérebro. Palavrões cabeludíssimos escritos por meninas que sequer tiveram a sua primeira menstruação e meninos que nem conhecem o significado do termo “punheta”. Dá vontade de fazer vasectomia no dia seguinte…

Infelizmente, a escola não é mais capaz de propiciar aquela camada de civilização que complementava a educação familiar. Basta ver a quantidade de vídeos que inundam o You Tube com cenas de violência contra professores, colegas de classe e funcionários para sacar que toda uma geração de jovens já encara o seu semelhante como um rival, um adversário a ser derrotado de qualquer maneira, nem que seja preciso ir armado para as aulas. O fato de nenhum destes pequeninos monstros não reconhecer a autoridade no ambiente escolar é o retrato inequívoco da falta de autoridade dentro de casa. Não reconhecer isto é negar a existência de qualquer parâmetro de civilidade.

E há outro problema, tão sério quanto este: a superficialidade imediatista que vê sendo imposta a todos nós diariamente pelos meios de comunicação. Em um País que teoricamente prima pela “diversidade”, cada vez mais somos esbofeteados por estratégias de marketing desenfreadas, que tentam nos obrigar a tomar a cerveja “X”, vestir a roupa “Y” e comprar o carro “Z” para que ninguém se sinta… diferente! É o fim da picada!

Precisamos acabar com este papo de que “povo não gosta de cultura e arte”, que vem nivelando a programação das emissoras de TV e rádio a níveis abaixo do rasteiro. Temos que acabar com esta conversa de que “tudo é arte”, disseminada por pseudointelectuais de padaria, que defendem a ideia de que as classes menos favorecidas intelectualmente produzam a sua própria “cultura” e deixem de olhar para o passado ou para outras vertentes de informação e conhecimento. Para estes palhaços com pinta de sociólogos da PUC, tudo bem que isto resulte nos “Naldos”, “Lek Leks” e “quadradinhos de oito” da vida, pois é “cultura de um povo”. Cultura uma ova!

Ah, o nome do tal projeto do qual André participava chama-se Ouvir Para Crescer. Que ironia nauseante, não?

Categoria: Vai ser pra mim Sobre: Textos de outros autores Sobre o autor: Regis Tadeu é crítico musical, jurado do Programa Raul Gil, colunista/produtor/apresentador do portal do Yahoo, produtor/apresentador dos programas Rock Brazuca e Agente 93 na Rádio USP FM e foi Diretor de Redação/Editor das revistas Cover Guitarra, Cover Baixo e Batera

Categoria: Vai ser pra mim
Sobre: Textos de outros autores
Sobre o autor: Regis Tadeu é crítico musical, jurado do Programa Raul Gil, colunista/produtor/apresentador do portal do Yahoo, produtor/apresentador dos programas Rock Brazuca e Agente 93 na Rádio USP FM e foi Diretor de Redação/Editor das revistas Cover Guitarra, Cover Baixo e Batera

Saudações a Cassandra Rios

“Senhorita Eudemônia, todos aqueles que quiseram se libertar do instinto pervertido foram bem sucedidos em nossas clinicas. Tornaram-se criaturas normais e muitos deles hoje possuem seu próprio lar e até filhos”. Trecho do livro Eudemônia de 1956. Essas palavras lembram algo?

Outro dia assisti uma das adaptações para o cinema de um livro de Cassandra Rios (1932-2002), fiquei chocada. Não pelo teor erótico, pois adoro um pornô e nivelo as trizes desse gênero como o de qualquer outro, a questão é, o Snoopy foi usado como objeto masturbatório. Ariella foi dirigido por John Herbert (1929 -2011) e estrelado por Nicole Puzzi, Herson Capri, John Herbert e Christiane Torloni em seu primeiro papel em longa metragem. Não achei o filme ruim, ao contrário gostei mais dele, em comparação a Toda nudez será castiga, adaptação feita por Arnaldo Jabor da obra de Nelson Rodrigues.

Capas dos livros de Cassandra Rios

Capas dos livros de Cassandra Rios

Falar da obra de Cassandra Rios é mais difícil que a censura em dizer sim ou não. Para Jorge Amado, era a melhor escritora do país, já Marcelo Rubens Paiva diz que, para entender Cassandra Rios devemos levar em consideração sua época e ambiente.

005-CASSANDRAEntão vamos para 1948, uma adolescente de 16 anos com um livro intitulado A volúpia do pecado. 1948? Ela tornou-se percursora da literatura homossexual brasileira. O primeiro romance de temática lésbica a alcançar repercussão nacional foi seu livro de estreia.  Cassandra Rios chegou a vender mais de 300 mil exemplares em 1 ano, um verdadeiro best seller para a época, feito alcançado décadas depois por Paulo Coelho. Segundo Adriane Piovezan “a homossexualidade só aparecia, na literatura do final do século XIX e na primeira metade do século XX associada a três tabus: o pecado, a patologia e o crime. Esses elementos não estão na narrativa de Cassandra; pelo contrario; aparecem como forma de repressão e (ou) preconceito que suas personagens enfrentam. Por isso, as minorias sexuais, que não eram sequer pensadas como tal no Brasil daquela época, perceberam naqueles livros uma oportunidade de terem retratados aspectos de seu cotidiano em uma obra literária”. Ver matéria completa aquianúncio-dos-livros-da-Cassandra-Rios

Uma questão abordada em uma das ultimas entrevistas de Cassandra Rios para a revista TPM é a pornografia. Afinal seu nome é automaticamente associado a pornografia. Há uma barreira e inúmeras teorias sobre onde termina o erótico e inicia o pornográfico. Para ser erótico ele precisa estar amparado em algumas premissas, um contexto, um texto explicativo, uma visão “poética” qualquer. O que se considera pornográfico é o ato pelo ato, sem preliminares. Mas eu pergunto, uma mulher pelada X difere em que de uma mulher pelada Y?  A Y tem duas xoxotas?

“Ah, prefiro obscena! É uma palavra bonita, sensual. “Pornográfica” já é outra coisa. Devia ser “porco-gráfica”! [Risos] Meus livros não são pornográficos. São livros de amor. Falam da atração que uma pessoa exerce sobre a outra. Há aquele processo de se interessar, de namorar” diz a escritora.

Mas isso não é importante. Importante é o seguinte: Cassandra Rios escreveu quase cinquenta livros e não encontramos nem um décimo de sua obra reeditada. Foi em seu tempo, um dos escritores mais lidos no Brasil, levando em conta que vivemos num país de não leitores, para não dizer analfabetos funcionais. Como mencionei, foi pioneira em retratar o submundo gay. Em sua obra era recorrente fazer alusão a lugares e comportamentos típicos homossexuais. Em uma de suas obras faz referencia ao Ferro’s bar, que em seu livro ficou como Aços bar, frequentado por mulheres que amavam mulheres.Cópia de Cassandra Rios-vedetes

Cassandra Rios: A Safo de Perdizes – Entrevista com Hanna Korich

Mesmo levando em consideração as palavras de Waldenyr Caldas:

“Tanto Cassandra Rios como Adelaide Carraro tiveram todos os seus livros publicados censurados e impedidos de serem comercializados . Mas o recolhimento dessas obras pela censura federal não representava uma preocupação estética ou algo semelhante para com a cultura brasileira. Significava, isto sim, apenas um comportamento político do Estado. Essas apreensões deveram-se, fundamentalmente, ao fato de que essa literatura fere os valores da cultura afirmativa ao apresentar o corpo enquanto instrumento de prazer. Porém, é bom que se diga, não se trata propriamente do prazer; mas de um pseudoprazer, do prazer fetichizado. E “a proibição de oferecer o corpo no mercado, como instrumento de prazer, em vez de instrumento de trabalho, é uma das raízes sociais e psíquicas fundamentais da ideologia burguesa-patriarcal”. Assim, a sub-literatura, enquanto pseudoprazer, assume mais uma vez a função de engodo, do grande público, na medida em que passa a servir de “válvula de escape” aos instintos sexuais reprimidos em virtude da instrumentalização do corpo, imprescindível ao modo de produção capitalista”. 50 tons de cinza?

Mais capas de Cassandra Rios

Mais capas de Cassandra Rios

Entre lançar um livro ruim, repleto de clichês lésbicos e não publicar nada, qual a leitora lésbica prefere?

“A partir de 1990, a literatura homossexual feminina assume um perfil engajado, de afirmação positiva dessa minoria. Ao privilegiar protagonistas atraentes e bem sucedidas, acabam assim, enquadrando o lesbianismo nos padrões hegemônicos da sociedade, com seus valores heterossexuais e mercadológicos. Um discurso que pode ter boas intenções políticas, mas faz alusão a um mundo artificial, distante do cotidiano concreto dos homossexuais”, diz Adriane Piovezan.

O tempo passa e eles sumiram das prateleiras...

O tempo passa e eles sumiram das prateleiras…

Interessante mencionar a forma com que o homossexual deve ser apresentado numa obra. A diferença da obra de Cassandra Rios para a literatura gay feita hoje, não parte apenas de heterossexuais preocupados em vender uma história, mas o mais interessante é ver veículos feitos por homossexuais com pensamentos idealizados e irreais sobre o mundo gay. Basta verificarmos no site da editora Malagueta as inúmeras “preferências” sobre como deve ser um livro lésbico. Com finais felizes? Pensei que essa questão cabia apenas ao escritor, isso quando a literatura é vista como expressão artística e não mercadológica. Não sei o que seria apresentar personagens como pessoas e não como objetos (pornografia). Tá, sei que você tem uma teoria sobre isso.

Cassandra Riso foi boa escritora? Olha, há controvérsias  Digo que, sua obra é melhor do que a maioria dos livros com temática lésbica lançados nos últimos anos. Não é possível dizer que é alta literatura, mas não deixa de fazer um retrato comportamental da sociedade da época. O que o torna válido.

Ozzy Osbourne em show beneficente para angariar fundos para Gay & Lesbian Center

Slash e esposa em vídeo apoiando o casamento gay

Categoria: Cunnilingues Sobre: LGBT, Gêneros, identidade sexual

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Barney’s Angels

Dia 7 de Março completou 30 anos do lançamento da música Blue Monday do New Order. Impossível pensar na década de 80, sem a batida de um som que fez e ainda faz, parte do inconsciente popular.

A história do New Order é conhecida por uma ampla maioria de pessoas. Primeiro Joy Division, banda pôs-punk, liderada pelo atormentado vocalista e letrista Ian Curtis. Em18 de maio de 1980 após assistir o filme Stroszeck de Werner Herzog, diretor preferido de Ian, ele se enforca ao som de The idiot de Iggy Pop.

A partir disso a banda buscou uma nova sonoridade e não apenas tornar-se uma banda de apoio para um novo vocalista. Os integrantes remanescentes viajaram para Nova York e realizaram alguns shows em pequenos clubes. Em busca de uma nova sonoridade, cada integrante se encarregava do vocal, testando plateias diferentes.

New Order

New Order

Bernard Sumner explica em entrevista cedida a Max Dax em 2012:

“Nova York foi o lugar onde a nossa visão tomou forma. Mas por outro lado, ainda queríamos ser uma banda ao vivo, por isso tivemos de redefinir o papel do baixo, da guitarra e meu canto também. Nós tivemos que pensar em uma maneira que poderíamos usar os nossos sintetizadores no palco”.

Bernard Sumner assume o vocal e se torna o principal compositor da banda. Chamam a namorada de Stephen Morris para tocar teclado e guitarra. A banda precisava de um novo nome. Joy Division foi inspirado no livro The house of dolls de Karol Cetinsky lançado na década de 50. Conta a história de judias que eram usadas como escravas sexuais dos nazistas. Ian Curtis era apaixonado por tudo que diz respeito ao nazismo.

Ian Curtis, o segundo da esquerda para direita

Ian Curtis, o segundo da esquerda para direita

Sobre a ideia do nome Sumner explica como caíram no mesmo tema:

“Essa é uma história engraçada. Assim, muitas pessoas pensaram que nós éramos nazistas por causa do nome Joy Division. Em certo momento, estávamos cansados de ouvir as mesmas perguntas, várias vezes. Então estávamos realmente ansiosos para procurar um novo nome que fosse completamente neutro e não tivesse qualquer conotação nazista. Todos nós viemos com um monte de nomes, mas todos eram lixos. Então um dia o nosso gerente Rob Gretton veio para os ensaios e acenou uma cópia do The Guardian sobre sua cabeça. Ele começou a ler para nós um artigo sobre a ascensão e queda de Pol Pot e o Khmer Vermelho no Camboja e como a derrota do príncipe Sihanouk deu lugar a uma “nova ordem”. Ele releu as palavras “nova ordem” e disse: “Aqui temos.” O que mais gostei foi que ele parecia tão neutro”.

Porém:

“Nenhum de nós sabiamos da conotação nazista contida nesta simples frase. Quando anunciamos o nome, todos os jornalistas referiam-se a nova ordem proposta por Hitler, quando escreviam sobre a banda. Mas aí já era tarde demais para mudarmos novamente. É claro que ninguém acreditou em nós por causa do Joy Division”.

Em 1981 lançam o álbum The Moviment. Mas a virada aconteceu em 1983 com o lançamento do single de 12 polegadas Blue Monday. Vendeu mais de 3 milhões de copias. Peter Hook certa vez afirmou que não fazia ideia do quanto o New Order poderia ter faturado com essa música. Música composta ainda na época do Joy Divion. [1]

“Naturalmente, ocorre um reposicionamento de temas, em relação à antiga banda. Apesar de encontrarmos algum teor melancólico em algumas letras, não é nada que se compare às do Joy Division”.[2]

A voz, passa a ser mais um instrumento, ao estilo do Kraftwerk.

Capa do single, Blue Monday lançado no Japão

Capa do single, Blue Monday lançado no Japão

“Vamos ser honestos – ‘Blue Monday’ não fora composta em um vácuo. Ela pode ter influenciado a dance e o rock por décadas, mas vasculhou os arquivos atrás de muita ‘inspiração’ pra ela própria. Aquele som perfurante de baixo, pra começar, fora uma tentativa de emular as pulsações de Giorgio Moroder em ‘Our Love’, de Donna Summer. Excelente trabalho. ficou indistinguível. A trilha rítmica também – é uma simbiose de ’Dirty Talk’, dos pós-disco italianos Klein+MBO, um disco que chamou a atenção de todos os membros do New Order quando ouviram a Hewan Clarke tocando no Hacienda, e o refrão é chupado de ‘Uranium’, do Kraftwerk”.

Mas a genialidade está em pegar elementos isolados e outros truques aprendidos por osmose e os transformar em algo que pareça novo. Quando as pessoas ouviram ‘Blue Monday’, elas não saíram dizendo, “Bem, isso é meio Klein+MBO, e essa parte é puro Bobby O” – elas diziam, “O que diabos é ISSO?” A faixa alimentou as cenas nas quais havia penetrado, pegando emprestado do movimento electro que nos dera Juan Atkins, Derrick May e Kevin Saunderson e tornando-se um pilar essencial do Techno de Detroit do qual o trio acabaria virando pioneiro. Até hoje, Saunderson ainda encontra espaço para ‘Blue Monday’ em seus sets como DJ”.[3]

Para ver a matéria na integra NME.

A primeira vez que a banda esteve no Brasil, foi na turnê do Technique de 1988, álbum favorito dessa que vos escreve. Em 2006 eles retornaram ao país na turnê do disco Waiting for the siren’s call de 2005. Thiago Ney disserta sobre o show aqui.

Após a turnê desse disco, Peter Hook anuncia, o fim da banda. Desmentindo o baixista, a banda retorna com Gillian Gilbert, que tinha se afastado do grupo em 2001 para cuidar da filha doente, retorno este, ocorrido em 2007. Iniciasse assim, uma acirrada disputa judicial, seguida de acusações entre os atuais integrantes e Peter Hook. Entrevista com o baixista aqui.

Da esquerda para direita, Stephen Morris, Peter Hook, Bernard Sumner e Gillian Gilbert

Da esquerda para direita, Stephen Morris, Peter Hook, Bernard Sumner e Gillian Gilbert

Muitos subestimam a importância do New Order para o rock, sem levar em consideração, o contexto artístico da época e seu entorno. Pensar na música pop da década de 80 e sua influência nas décadas seguintes, já lhes confere um patamar de honra entre os grandes.

Sobre ser um pioneiro, Bernard Sumner diz:

“Foi fácil ser um pioneiro trinta anos atrás. Agora se tornou muito difícil”.

Barney’s Angels é o nome do fã clube dedicado a Bernard Sumner…


[1] 24 hour party people – A festa nunca termina filme baseado na biografia de Tony Wilson fundador da Factory e da boate Haçienda;

[2] Joy Division New Order: Nada é mera coincidência de Helena Uehara;

[3] Matthew Horton

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Subculture Sobre: Rock e música Pop

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Sobre: Rock e música Pop

A versatilidade do vovô

Um senhor chines de 72 surpreendeu ao posar como modelo para as roupas femininas da loja da neta na China. Liu Xianping mostrou bom humor ao participar de uma campanha publicitária da loja Yuekou (link).

1Tudo começou com uma simples brincadeira quando ajudava a combinar roupas com a neta, que aproveitou a deixa e resolveu lança-lo ao mundo das top models!

1Ok,brincadeiras a parte, o senhor, que não é nenhuma Gisele ou Cindy, se tornou um sucesso na internet. E quando questionado sobre a campanha e o preconceito rebateu sobre o porque homens deveriam ser condenados por vestir roupa feminina.

2Agora só resta saber se ele virou um adepto do crossdressing!

Categoria: Cunnilingues Sobre: LGBT, Gêneros, identidade sexual

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Puff ou Pooh

Faz tempo.

Nem sei quanto tempo faz.

Uns 8 anos, mais ou menos.

Estava na casa de meu melhor amigo. Nos preparávamos para ver o filme do Tigrão. Era esse nosso maior defeito, assistir desenhos.

É só ler a sinopse

É só ler a sinopse

Pasmem, tínhamos na época, ele uns 25 eu uns 32, ele uma tatuagem do Demônio da Tasmânia no abdome, eu uma tatuagem do Snoopy nas costas. E nessa época vagabundávamos muito.

Quantas vezes fiz sessão desenho apenas com VHS do Snoopy na década de 90? De vários desenhos, sabia as falas de cor.

As décadas passaram…

Mesmo assim…

Acordávamos cedo para assistir e depois ainda conversar sobre. Em São Paulo, em pleno centro onde as pessoas fervilham aos nossos pés para trabalhar nadávamos contra correnteza. Não queríamos saber, não queríamos ver e nem tomar partido. Nossa estória era outra. Vivíamos num oásis ditando nossas regras.

Em total inércia, ficávamos na cama dias e dias conversando e assistindo desenhos, filmes e… Conversando, comendo, frequentado as boates gays mais fuleiras. O namorado desse meu amigo era o provedor da casa. Cuidava dele e de quem mais estivesse por perto. Quando buscava a paz que não tinha, corria para seu apartamento na Rua Aurora, uma kitch de uns 36 m². Eu e mais um monte. Tudo que nos cercava era barra pesada. O álcool, o sexo, a violência, as crianças fumando crack, a falta de dinheiro, as drogas, a solidão mal administrada, o ciúme doentio, as doenças, o amor e o ódio…

Então a gente ia para o quarto assistir desenho, para sala assistir desenho e tentar se agarrar a uma réstia da infância.

Puff, sempre chamo Puff, afinal foi assim que conheci o ursinho quando devorava gibis. De todas as personagens Disney, este é o mais bucólico e que mais amansava a gente.

Contracapa de um caderno que comprei em 2003. Parte de um livro que escrevi na época está em suas folhas

Contracapa de um caderno que comprei em 2003. Parte de um livro que escrevi na época está em suas folhas

Sobre o nome real do personagem transcrevo a resposta de um internauta chamado Rafael G:

“Porque a tendência atual é a de manter os nomes originais dos personagens estrangeiros, opção mais econômica que traduzi-los – inclusive os logotipos. Assim, por exemplo, o super-homem passou a ser conhecido, a partir de algum tempo atrás, de Superman. E Pooh é o nome original do Ursinho Puff, embora muita gente tenha o conhecido assim e continue chamando-o assim. Começou depois da estréia de “Tigrão, o Filme”, que ajudou a tirar o personagem e sua turma do provável ostracismo em que eles estavam ameaçados de cair. Questões de economia, é bem melhor manter os nomes originais que traduzir tudo, não concorda?
Ah, sim: sabia que o Ursinho Pooh (ou Puff) não foi criado pela Disney? Ele é criação literária, do início do século XX, do escritor Alan Milne, inspirado numa ursa de um zoológico que seu filho alimentava. Mais tarde, a Disney comprou os direitos de adaptação das obras de Milne e o transformou em sucesso mundial – a série original é belíssima, principalmente porque os conceitos mantêm as ilustrações originais do livro de Milne”.

O desenho do Tigrão do qual esperávamos desde manhãzinha para assistir foi mais um golpe duro que entretenimento, não que isso fosse ruim. Ao contrário, por isso mesmo muito bom. Entenda, meu amigo ficou órfão de mãe aos 12 anos e de pai aos 17 anos, depois foi morar com um policial. Em resumo, a família dele era os amigos. Pois é justamente sobre essa questão que trata o filme.

Tigrão não tem família, sua família são seus amigos. Eu chorei, o Carlinhos, sei que também chorou, mas não tive coragem de olhar para o lado, ele era muito fechado em relação a sentimentos. A estória é mais ou menos assim:

Após constatar que ninguém pula como ele, resolve procurar alguém de sua espécie para brincar. Recebe cartas de supostos parentes que na verdade fora escrita por seus amigos para alegrá-lo, porém ele resolve ir atrás de sua família. Nessa aventura ele salva seus amigos que salvam ele.

Não faz tanto tempo assim quando prestei vestibular para arquitetura.

Ainda trabalhando com o Puff

Ainda trabalhando com o Puff

Em algumas faculdades é exigido além da prova com questões uma prava de habilidade. Normalmente uma prova de desenho. Lá estava eu numa dessas provas de desenho.

Pediram para eu desenhar uma cadeira, desenhei.

Pediram para eu desenhar uma pedra, desenhei.

Pediram para eu desenhar uma garrafa de vidro, desenhei.

Pediram para eu desenhar uma rosa e cheguei a conclusão que seria difícil. Uma rosa tem seu caule com espinhos, até aí…

Uma rosa tem folhas com dentinhos, sem muitos problemas, mas e o botão? Pétalas sobrepostas, se fechando ou se abrindo. Tentei vários desenhos e todos ficaram bem ruins. Uma rosa tem um design complexo e eu queria que ela ficasse linda, afinal era uma prova de admissão.

Sou louca por materiais escolares, principalmente aqueles dos desenhos que gosto. Eu tinha um lápis do Puff e entre ele e seus amigos varias rosas. Pensei porque não fazer a representação de uma rosa ao invés de uma rosa realista? Minha rosa surgiu diferente, assim como Puff e seus amigos, representações que ficam entre o real e os bichinhos de pelúcia. Hoje uso aquela rosa como logomarca de trabalho, se alguém disser que é infantil, peço que a pessoa sente pegue um lapis e desenhe uma rosa.

Meu amigo morreu em Agosto de 2010, um mês antes de completar 30 anos.

Eu continuo comprando material escolar com personagens que amo e assistindo desenho, agora com os meus sobrinhos.

Categoria: Gardênia, a essência da flor Subcategoria: Fernanda Machado de Farias Sobre: Trabalhos que realizei na área de arquitetura Em destaque desenho Winnie The Pooh de Alan Alexander Milne

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Em destaque desenho Winnie The Pooh de Alan Alexander Milne