Barney’s Angels

Dia 7 de Março completou 30 anos do lançamento da música Blue Monday do New Order. Impossível pensar na década de 80, sem a batida de um som que fez e ainda faz, parte do inconsciente popular.

A história do New Order é conhecida por uma ampla maioria de pessoas. Primeiro Joy Division, banda pôs-punk, liderada pelo atormentado vocalista e letrista Ian Curtis. Em18 de maio de 1980 após assistir o filme Stroszeck de Werner Herzog, diretor preferido de Ian, ele se enforca ao som de The idiot de Iggy Pop.

A partir disso a banda buscou uma nova sonoridade e não apenas tornar-se uma banda de apoio para um novo vocalista. Os integrantes remanescentes viajaram para Nova York e realizaram alguns shows em pequenos clubes. Em busca de uma nova sonoridade, cada integrante se encarregava do vocal, testando plateias diferentes.

New Order

New Order

Bernard Sumner explica em entrevista cedida a Max Dax em 2012:

“Nova York foi o lugar onde a nossa visão tomou forma. Mas por outro lado, ainda queríamos ser uma banda ao vivo, por isso tivemos de redefinir o papel do baixo, da guitarra e meu canto também. Nós tivemos que pensar em uma maneira que poderíamos usar os nossos sintetizadores no palco”.

Bernard Sumner assume o vocal e se torna o principal compositor da banda. Chamam a namorada de Stephen Morris para tocar teclado e guitarra. A banda precisava de um novo nome. Joy Division foi inspirado no livro The house of dolls de Karol Cetinsky lançado na década de 50. Conta a história de judias que eram usadas como escravas sexuais dos nazistas. Ian Curtis era apaixonado por tudo que diz respeito ao nazismo.

Ian Curtis, o segundo da esquerda para direita

Ian Curtis, o segundo da esquerda para direita

Sobre a ideia do nome Sumner explica como caíram no mesmo tema:

“Essa é uma história engraçada. Assim, muitas pessoas pensaram que nós éramos nazistas por causa do nome Joy Division. Em certo momento, estávamos cansados de ouvir as mesmas perguntas, várias vezes. Então estávamos realmente ansiosos para procurar um novo nome que fosse completamente neutro e não tivesse qualquer conotação nazista. Todos nós viemos com um monte de nomes, mas todos eram lixos. Então um dia o nosso gerente Rob Gretton veio para os ensaios e acenou uma cópia do The Guardian sobre sua cabeça. Ele começou a ler para nós um artigo sobre a ascensão e queda de Pol Pot e o Khmer Vermelho no Camboja e como a derrota do príncipe Sihanouk deu lugar a uma “nova ordem”. Ele releu as palavras “nova ordem” e disse: “Aqui temos.” O que mais gostei foi que ele parecia tão neutro”.

Porém:

“Nenhum de nós sabiamos da conotação nazista contida nesta simples frase. Quando anunciamos o nome, todos os jornalistas referiam-se a nova ordem proposta por Hitler, quando escreviam sobre a banda. Mas aí já era tarde demais para mudarmos novamente. É claro que ninguém acreditou em nós por causa do Joy Division”.

Em 1981 lançam o álbum The Moviment. Mas a virada aconteceu em 1983 com o lançamento do single de 12 polegadas Blue Monday. Vendeu mais de 3 milhões de copias. Peter Hook certa vez afirmou que não fazia ideia do quanto o New Order poderia ter faturado com essa música. Música composta ainda na época do Joy Divion. [1]

“Naturalmente, ocorre um reposicionamento de temas, em relação à antiga banda. Apesar de encontrarmos algum teor melancólico em algumas letras, não é nada que se compare às do Joy Division”.[2]

A voz, passa a ser mais um instrumento, ao estilo do Kraftwerk.

Capa do single, Blue Monday lançado no Japão

Capa do single, Blue Monday lançado no Japão

“Vamos ser honestos – ‘Blue Monday’ não fora composta em um vácuo. Ela pode ter influenciado a dance e o rock por décadas, mas vasculhou os arquivos atrás de muita ‘inspiração’ pra ela própria. Aquele som perfurante de baixo, pra começar, fora uma tentativa de emular as pulsações de Giorgio Moroder em ‘Our Love’, de Donna Summer. Excelente trabalho. ficou indistinguível. A trilha rítmica também – é uma simbiose de ’Dirty Talk’, dos pós-disco italianos Klein+MBO, um disco que chamou a atenção de todos os membros do New Order quando ouviram a Hewan Clarke tocando no Hacienda, e o refrão é chupado de ‘Uranium’, do Kraftwerk”.

Mas a genialidade está em pegar elementos isolados e outros truques aprendidos por osmose e os transformar em algo que pareça novo. Quando as pessoas ouviram ‘Blue Monday’, elas não saíram dizendo, “Bem, isso é meio Klein+MBO, e essa parte é puro Bobby O” – elas diziam, “O que diabos é ISSO?” A faixa alimentou as cenas nas quais havia penetrado, pegando emprestado do movimento electro que nos dera Juan Atkins, Derrick May e Kevin Saunderson e tornando-se um pilar essencial do Techno de Detroit do qual o trio acabaria virando pioneiro. Até hoje, Saunderson ainda encontra espaço para ‘Blue Monday’ em seus sets como DJ”.[3]

Para ver a matéria na integra NME.

A primeira vez que a banda esteve no Brasil, foi na turnê do Technique de 1988, álbum favorito dessa que vos escreve. Em 2006 eles retornaram ao país na turnê do disco Waiting for the siren’s call de 2005. Thiago Ney disserta sobre o show aqui.

Após a turnê desse disco, Peter Hook anuncia, o fim da banda. Desmentindo o baixista, a banda retorna com Gillian Gilbert, que tinha se afastado do grupo em 2001 para cuidar da filha doente, retorno este, ocorrido em 2007. Iniciasse assim, uma acirrada disputa judicial, seguida de acusações entre os atuais integrantes e Peter Hook. Entrevista com o baixista aqui.

Da esquerda para direita, Stephen Morris, Peter Hook, Bernard Sumner e Gillian Gilbert

Da esquerda para direita, Stephen Morris, Peter Hook, Bernard Sumner e Gillian Gilbert

Muitos subestimam a importância do New Order para o rock, sem levar em consideração, o contexto artístico da época e seu entorno. Pensar na música pop da década de 80 e sua influência nas décadas seguintes, já lhes confere um patamar de honra entre os grandes.

Sobre ser um pioneiro, Bernard Sumner diz:

“Foi fácil ser um pioneiro trinta anos atrás. Agora se tornou muito difícil”.

Barney’s Angels é o nome do fã clube dedicado a Bernard Sumner…


[1] 24 hour party people – A festa nunca termina filme baseado na biografia de Tony Wilson fundador da Factory e da boate Haçienda;

[2] Joy Division New Order: Nada é mera coincidência de Helena Uehara;

[3] Matthew Horton

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Subculture Sobre: Rock e música Pop

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Subcategoria: Subculture
Sobre: Rock e música Pop

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