Mansardas

O jovem Baco de (1884) de William-Adolphe Bouguereau

O jovem Baco de (1884) de William-Adolphe Bouguereau

Quando comecei escrever o livro Passa lá em casa sabia que tinha que fazer uma pesquisa sobre o neoclássico, um dos assuntos mais controversos da arquitetura contemporânea. Feito uma análise rápida percebi que não existe arquitetura realmente neoclássica, obviamente com raras exceções. O que vemos são edificações com alguns elementos clássicos mal conduzidos em espigões gigantes.

Carruagem desenhada por Percier e Fontaine para o Imperador Napoleão

Carruagem desenhada por Percier e Fontaine para o Imperador Napoleão

Agora o mais engraçado é quando tal elemento se resume a um telhado. Pois é, o cara te vende um edifício onde o “neoclássico” se resume a um telhado. Nesse pequeno estudo sobre a arquitetura e arte me deparei com algumas belezas, caricaturas, verdadeiros cenários no século XX, e erros muito mais que acertos.

desenho de Francisco Carballa

desenho de Francisco Carballa

Porem, vamos pensar na arquitetura neoclássica como ela é. Para isso devemos conduzir nosso olhar para um tempo especifico do mundo ocidental. Situamos o neoclássico entre o final do século XVIII e inicio do século XIX. Somos levados automaticamente para duas revoluções essenciais na historia: Revolução Francesa e Revolução Industrial. Eis o cenário que encontramos o neoclássico. Mas o que o neoclássico tem haver com essas revoluções? Na verdade não muito. A questão da arte esta ligada a um contexto, uma época. No caso a “redescoberta” de Pompeia e Herculano, e a campanha de Napoleão Bonaparte ao Egito. Aqui temos dois detalhes fundamentais para um retorno ao clássico e a incorporação de elementos egípcios, que foi chamado Estilo Império, umas das vertentes artísticas da época. Lendo sobre a iniciação artística de William-Adolphe Bouguereau (1825-1905) percebe a importância dessas descobertas para a arte. Durante seu aprendizado ele viajou para Itália onde teve contato direto com o renascimento. Em seus estudos fazia parte de seu currículo não apenas historia da arte, mas também arqueologia. Temos na obra de Thomas Hope clara influencia egípcia agregada ao clássico, aqui temos o Estilo Império que remete a Napoleão. Percier e Fontaine, dois dos mais importantes design da época, trabalhando para o imperador.

Teatro Municipal de São Paulo de arquitetura eclética. Foto: Daigo Oliva

Teatro Municipal de São Paulo de arquitetura eclética. Foto: Daigo Oliva

Quando comecei a estudar arquitetura foi feita mim uma pergunta sobre a questão do neoclássico. Não que a pergunta fosse assim especifica. Um vendedor de mapas no centro velho de São Paulo me questionou por que a arquitetura antes era bonita e agora é feia. Mostrou um edifício situado na Rua do Arouche. Não tem melhor lugar para levantar questões arquitetônicas. Estávamos a frente de um prédio de uns cinco andares em estilo eclético. Aquilo para ele é bonito. O que tinha a dizer a frente de algo realmente belo? Com frisos, detalhes, janelas verticais…

Avenida Paulista com o MASP de Lina Bo Bardi em primeiro plano

Avenida Paulista com o MASP de Lina Bo Bardi em primeiro plano

Disse que assim como ele identificou aquela obra como sendo algo do passado, cada obra deve responder a sua historia. E da historia atual tinha aqueles prédios modernistas que esse homem, que enquanto falava comigo sua dentadura dançava na boca, disse serem feias. Há prédios modernistas no centro velho de São Paulo, e estes anunciava não apenas uma saturação de estilo, mas de falta de espaço humano. Seria o Copan um prelúdio dessa mudança? O centro virou um novo centro na Avenida Paulista. Casarões vieram abaixo para dar espaço aos grandes arquitetos da escola modernista. É não estávamos longe de um Bratke, Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha, Vilanova Artigas…

Os chineses estão chegando na Brigadeiro Faria Lima. Pei Partnership Architects

Os chineses estão chegando na Brigadeiro Faria Lima. Pei Partnership Architects

Saturado uma Paulista ele migrou para região da Avenida Brigadeiro Farias. Lá foram e ainda são erguidas verdadeiras estufas de vidro a gosto contemporâneo. Haja ar-condicionado fodido para o sujeito não virar frango assado. Sobre essa arquitetura o jornalista Andre Barcinski se referiu como feia.

Talvez leigos saibam mais de arquitetura que muitos arquitetos, que parecem que fizeram o curso por correspondência.

Voltando ao neoclássico, alguns arquitetos argumentam que é “caboclo querendo ser europeu”, esquecendo que a arquitetura moderna não é uma corrente nascida no Brasil. Apesar de termos alguns dos mais importantes arquitetos modernistas do mundo, nascidos no Brasil.

O neoclássico hoje é tratado como foi o gótico na Idade Media, onde de forma pejorativa era chamada Idade das trevas. Eu me pergunto, o que se sabe do neoclássico e como ele é empregado hoje? Na verdade, não há como trazer o neoclássico para os nossos dias. A menos que haja outra Pompeia para escavar ou um Egito sendo tomado por um Imperador europeu. Agora espigão com telhadinho europeu em terras brasileiras não dá.

Avenida São João, São Paulo. Foto: Werner Haberkorn

Avenida São João, São Paulo. Foto: Werner Haberkorn

Categoria: Pilares de Criação Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas Imagem em destaque: Caricatura primorosa de Oscar Niemeyer por Fernandes

Categoria: Pilares de Criação
Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam
Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas
Imagem em destaque: Caricatura primorosa de Oscar Niemeyer por Fernandes

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