André de sapato novo

O chorinho André de sapato novo nasceu de uma circunstancia bastante dolorida do compositor André Vitor Correia (Rio Bonito, RJ, 18/06/1888, Rio de janeiro, 4/03/1948).  Ele dançou em um baile com os tais sapatos novos que apertavam seus calos e fazia outros. Compositor. Saxofonista. Clarinetista. Funcionário da Imprensa Nacional. Solteiro, deixou um filho de nome Sebastião. Músico de prestígio, foi diretor de harmonia do rancho Ameno Resedá, em 1925. Em 1931, seu choro “Comigo é no beiço” foi gravado na Odeon pelo Trio T. B. T. Em 1936, dirigiu uma jazz

André Vitor Correia (Rio Bonito, RJ, 18/06/1888, Rio de janeiro, 4/03/1948)

André Vitor Correia (Rio Bonito, RJ, 18/06/1888, Rio de janeiro, 4/03/1948)

band, época em que trocou o clarinete pelo saxofone, passando a ser conhecido como André Saxofonista. Dentre suas composições, destaca-se o choro “André de sapato novo”, obra das mais populares no ambiente. No ano de falecimento desse musico e compositor, Almirante, que apresentava um programa de radio chamado O pessoal da velha guarda, tinha por convidado Pixinguinha e Benedito Lacerda. Nesse programa Almirante contou como nasceu uma das mais importantes musicas do cancioneiro brasileiro. Difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido essas notas.

Almirante:

“Poucas músicas terão o privilégio de poder ser identificadas por uma nota, hein? E entre estas poucas está o grande choro “André de Sapato Novo”. Basta que Pixinguinha extraia do seu saxofone este Mi grave para que todos reconheçam logo que música vem por aí. Aquele grave, como todos sabem, representa a parada que faz a todo momento o indivíduo que calça o sapato novo que lhe aperta o pé. O calo está gritando dentro do calçado, e o jeito é fazer umas paradas para ajeitar os dedos comprimidos. O choro “André de Sapato Novo” do saxofonista André Victor Corrêa, falecido recentemente, segura as agonias do autor num dia em que calçou um sapato novo. A execução estará a cargo de Benedito na flauta e Pixinguinha no saxofone. Cada nota assim (Pixinguinha toca um Mi 2) no saxofone do Pixinguinha representa uma daquelas paradas providenciais. Ouçam”.

Mas a melhor parte da história é a seguinte, uma linha no Wikipédia. Você pode pegar o artista mais chulé, de um EUA por exemplo, e dificilmente vai encontrar apenas uma linha escrita. Muitos dizem que esse portal não é de confiança, porém pode apenas ser o começo. Uma fina linha condutora para uma pesquisa maior e ampla. Por que não? Assim chegamos a conclusão da importância dos artistas brasileiros, de qualidade, para esse belo povo. Se não gostou da expressão “música de qualidade” leia o que este jornalista, Regis Tadeu fala sobre pseudointelectuais com suas “filosofias” Rede Globo.

Resumindo, nem eu e nem você saberemos mais que algumas linhas sobre esses músicos, especialmente aqueles da primeira metade do seculo XX.

O livro Passa lá em casa tenta lembrar um pouco desses artistas e digo: conseguir material para cita-los é tentar tirar coelhos de uma cartola sem fundo.

Deixo vocês com o trecho do livro que tem por subtitulo, uma ínfima homenagem a música, abaixo A música:

AUGUSTO DE SAPATO NOVO [1]

O Rei-concierge Mopir foi com Augusto perto do grande fosso. Chupavam um chica-bom. Um criado vinha atrás com uma bandeja em ouro, cravada de pedras preciosas e picolés. Os picolés eles devoravam um atrás do outro.

Viram, era um monte de crianças se debatendo sobre dragões de inúmeros tamanhos e tipos.

Pareciam em sua maioria ter seis anos não mais que oito. Todas albinas e muito parecidas. Os cabelos brancos escorridos secavam logo que emergiam.

Altamiro Aquino Carrilho foi um músico, compositor e flautista brasileiro. Altamiro gravou mais de cem discos, compôs cerca de duzentas canções, tendo se apresentado em mais de quarenta países difundindo o Choro brasileiro.

Altamiro Aquino Carrilho foi um músico, compositor e flautista brasileiro. Altamiro gravou mais de cem discos, compôs cerca de duzentas canções, tendo se apresentado em mais de quarenta países difundindo o Choro brasileiro.

— Meu súdito, elas são melhores que câmeras.

— Mas estão atacando dragões! Eles não são nossa proteção?

— Não quando são muitos. Chegue mais perto de uma delas.

Pela ponte caminharam passando por serpentes e animais inenarráveis. Uma criança caiu a seus pés.

— Rei, ela não tem pupila. É tudo branco.

— Chegue perto.

Filamentos brilhantes. A criança rosnou e se debateu. Fugiu e se precipitou para o lamaçal. Não dava para distinguir o sexo. Apenas alguns traços não as faziam iguais.

Voltaram para o grande salão do rei e nem as pedras de Aladim se comparavam com a riqueza daquele reino. Uma escrava postou-se ao lado de Augusto para abanar com uma longa pluma Augusto no recamier. O Rei-concierge era abanado por duas beldades.

— Qual a natureza das crianças?

— Crianças perversas que estão no limbo. Nem Padim Ciço[2] pode fazer algo por elas.

Que tipo de perversão teria uma criança? A gente vê sempre a tal pureza. Essas transmitiam uma visão fantasmagórica, infernal.

Augusto reclama:

— Com essa brisinha não tem como aplacar meu calor. Que tal o ar-condicionado?

— Meu caro e exigente súdito, pois lhe digo que seu calor é proveniente do que trás entre as pernas. Pegue a escrava e a conduza a seu bel-prazer a um dos cômodos. Seus canais estão obstruídos Augustinho. Nada que uma ou duas

trepadas não resolvam.

Sentiu vergonha e era verdade. Conduziu a escrava e foi.


[1] Referencia ao chorinho “André de sapato novo”, de André Victor Corrêa (1888-1948);

[2] Cícero Romão Batista (Crato, 24 de março de 1844 — Juazeiro do Norte, 20 de julho de 1934) foi um sacerdote católico brasileiro. Na devoção popular, é conhecido como Padre Cícero ou Padim Ciço. Carismático, obteve grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Ceará bem como do Nordeste;

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Augusto de sapato novo Sobre: Música brasileira - MPB

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Augusto de sapato novo
Sobre: Música brasileira – MPB

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