Ele estuda a desigualdade desde os anos 60 – e sabe como acabar com ela

Atkinson Ele estuda a desigualdade desde os anos 60 e sabe como acabar com ela (Como diminuir a desigualdade, parte 2)

Leia o texto no blog do autor aqui.

Tem muita gente falando de desigualdade social. E fazendo muito pouco. Falar é fácil. Agir é o que interessa. O Brasil tem tudo para liderar o planeta nisso. É nosso destino. Somos uma das maiores economias do planeta, com recessão e tudo. Mas a riqueza está quase toda concentrada em 0,5% da população. Esses nossos compatriotas super-ricos são os credores brasileiros da dívida brasileira. É quem está se dando bem com juros estratosféricos. Vão faturar firme em 2015. Pagam quase nada de impostos. São os únicos.
Não há como fazer o Brasil mais palatável para os 99,5% restantes sem reduzir os privilégios desses 0,5%. É assim aqui e em qualquer país. Justamente porque aqui a situação é tão insanamente injusta, a oportunidade é tão grande. Um pequeno enfrentamento fará uma enorme diferença.
Não se trata de crucificar os abonados nem santificar a pobreza. É só que o modelo concentrador de riqueza vem dando errado em todos os países. A formulinha de “austeridade” forçada, arrocho e tarifaço e desemprego, é o que levou a Grécia à beira do abismo. Não deu certo lá. Não deu certo na África, no leste Europeu, nos países da primavera Árabe… e não dará certo no Brasil.
Mas há alternativas à política econômica do FMI, que o governo do Brasil nos impõe neste momento? Claro. Muitas. Algumas utópicas nos limites da esquizofrenia. Outras bem pragmáticas.
Um exemplo de pauta prática está no novo livro de Anthony Atkinson, “Inequality: What Can Be Done”. É o maior especialista em desigualdade do mundo. Um senhor de 70 anos, formado em Cambridge, professor da London School of Economics, catedrático em Oxford. Atkinson estuda distribuição de renda desde os anos 60, quando Thomas Piketty usava fralda. Foi mentor de Piketty, aliás.
Por seu trabalho, Atkinson recebeu da coroa inglesa o título de “Sir”. É sempre citado como um dos nomes com grande chance de ganhar um Nobel de Economia. Vamos combinar que ele não é um amador abilolado. Nem um carbonário que pretende incendiar as instituições.
O livro de Atkinson não é trabalho acadêmico e não tem nada de impenetrável. Escreveu para ser lido por qualquer um. O foco é na situação do Reino Unido. Mas suas propostas podem ser adotadas no Brasil ou em qualquer lugar em que a população tenha culhões… e necessidade de mudança urgente.
O que podemos fazer hoje mesmo para criar um Brasil menos desigual? Mais próspero e pacífico? Que recompense a educação, a inovação, o risco? Como diminuir a diferença entre o rendimento do trabalhador e do empreendedor e o rendimento dos investimentos financeiros, responsável pelo abismo crescente entre a elite e os 99,5% restantes?
Atkinson elenca várias propostas. O livro exige tradução urgente para o português. Seleciono quatro:
– Hoje há um grande desequilíbrio de poder entre o capital e o trabalho, entre empregadores e trabalhadores / consumidores. Precisamos de políticas públicas que diminuam a influência do capital.
– Os impostos devem ser progressivos. Quem ganha mais, paga mais. Tony prega que o 1% de super-ricos deve ser taxado em 65% de sua renda. No Brasil eles pagam 6,5% e a classe média alta paga 27,5%.
– Além do imposto sobre a renda, é preciso criar um imposto anual sobre o patrimônio dos mais ricos.
– Criação de um programa de renda mínima universal para crianças (esse já existe no Brasil, e precisa ser muito ampliado e reforçado: o Bolsa-Família).
Sei, são bem arroz-com-feijão. Mas só essas quatro bastariam para fazer um Brasil completamente diferente do que temos. Outras idéias do livro são mais inovadoras. E algumas podem soar estrambóticas, para quem está anestesiado pelo discursinho mercenário dos fundamentalistas das finanças.
Quer um exemplo? Atkinson defende que a inovação tecnológica precisa ser direcionada pela sociedade, através de políticas públicas, para que auxilie a geração de empregos e não o contrário. Parece evidente, mas pela grita contra a proposta de regulamentação do Uber, deve soar como blasfêmia bolchevique para os discípulos do vale-tudo.
Se Atkinson soa radical demais para você, releia o currículo dele, uns parágrafos acima. É um acadêmico respeitadíssimo, um reformista. Radical é quem quer um mundo em que só o capital manda e obedece quem tem juízo.
E repare quem concorda com ele. No dia 14 de junho, o Fundo Monetário Internacional divulgou um estudo chamado Causes and Consequences of Inequality (Causas e Consequências da Desigualdade). Ele foi realizado pelos economistas do próprio FMI.
A principal conclusão: muitas das políticas promovidas pelo próprio FMI são danosas para os países. Exacerbam a desigualdade e prejudicam a produção, o consumo, o emprego.
O estudo defende que as políticas econômicas devem se concentrar em aumentar os salários e qualidade de vida dos 20% mais pobres da população. Aumentar a proteção dos trabalhadores. Estabelecer impostos progressivos (quem ganha mais, paga mais). E criar políticas públicas para reforçar a receita da classe média. O resumo deste estudo é: mais gente com dinheiro no bolso, mais gente consumindo, mais produção, mais emprego. Austeridade é bad for business…
Parece óbvio. E é mesmo. Vamos torcer para esses economistas do FMI não perderem o emprego – se Angela Merkel ler esse estudo, vão todos pra rua. O estudo defende o exato contrário do que a direção do próprio FMI pregou para a Grécia, e que o “mercado”, essa vingativa divindade sem rosto, prega para o Brasil.
É preciso inventar à toda velocidade um futuro promissor para a humanidade – um que dê conta de mais 3 bilhões de pessoas, que estão chegando nos próximos 40 anos, e mudanças climáticas brutais. Para isso precisaremos ir bem além das recomendações de Anthony Atkinson, um pensador do século 20. Vamos ter que desbravar os domínios da ficção-científica, embalados por visões fantásticas, embriagados de imaginação.
Mas primeiro há que lidar com nosso medíocre presente, e para dar conta dele não é preciso voar tão alto. Basta pressão social e coragem coletiva. Estratégia na geopolítica e lábia na negociação. Ver, julgar e agir sem vícios. Parece muito? Perto dos desafios das próximas décadas, é só um primeiro – e pequeno – passo.

Categoria: Vai ser pra mim Sobre: Textos de outros autores Autor: André Forastieri é jornalista desde 1988, empreendedor desde 1993 e crítico de cinema. Acaba de lançar o livro “O dia em que o Rock morreu”

Categoria: Vai ser pra mim
Sobre: Textos de outros autores
Autor: André Forastieri é jornalista desde 1988, empreendedor desde 1993 e crítico de cinema. Acaba de lançar o livro “O dia em que o Rock morreu”

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K de K7, fita cassete

walkmanQuem foi adolescente entre a década de 80 e 90 lembra bem das fitas cassetes. Lembra que para economizar as pilhas do walkman usávamos canetas presas aos dentes para rebobiná-las. E quando1 enroscava no aparelho de som? Eu ficava desesperada, era sempre a fita que mais gostava. Saia toda amassada, mastigada, um horror! Ainda conservo comigo algumas fitas cassetes. Umas das mais importantes que tenho é de uma entrevista que gravei da Cássia Eller apresentando o CD, LP e K7 Veneno Antimonotonia na extinta Musical FM. Outra é o Paulinho da Viola apresentando seus principais clássicos.

Saudade? Nenhuma. A saudade que tenho é de um tempo em que as pessoas realmente ouviam música e sabiam o que estavam ouvindo.

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Subculture Sobre: Rock e música Pop Imagens: Zim and Zou

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Subculture
Sobre: Rock e música Pop
Imagens: Zim and Zou

Uma longa jornada

A camada nebulosa também pode ser a chave para entender a cor vermelha da superfície de Plutão. Cientistas atmosféricos acreditam que partículas de metano presentes na atmosfera de Plutão são bombardeadas por raios ultravioleta, formando outros compostos como etileno e acetileno, que finalmente geram hidrocarbonetos de cor vermelha

A camada nebulosa também pode ser a chave para entender a cor vermelha da superfície de Plutão. Cientistas atmosféricos acreditam que partículas de metano presentes na atmosfera de Plutão são bombardeadas por raios ultravioleta, formando outros compostos como etileno e acetileno, que finalmente geram hidrocarbonetos de cor vermelha

Não sei se em algum momento desse blog falei de astronomia. Para mim não serve “antes tarde que nunca”, pois sim, era para já ter falado há muito sobre o tema. Se já falei, ótimo.

Vamos começar pequeno, por Plutão que é o único planeta do Sistema Solar que tem atmosfera, porém ela é altamente toxica.

O Planeta leva 248 dias terrestres para orbitar o Sol.

Enquanto na Terra a luz solar leva em média 8 minutos para chegar, ela leva 5 horas para chegar em Plutão.

Você não veria estrelas no céu de Plutão, ele é menor que a Lua e sua atmosfera chega a circunferência da Terra tornando o Planeta escuro.

No dia 14 de julho de 2015 às 7h49 horário de Brasília, como muitos sabem, a sonda New Horizons entrou na órbita do planetoide.

Amplie a imagem para ver o trageto de 9,5 anos da sonda New Horizons.

Na verdade Plutão faz parte de um sistema binário de planetas. Plutão e aquele que muitos acham ser seu satélite natural, no caso Caronte. Com tamanhos semelhantes os dois orbitam o mesmo centro gravitacional.

Ao longo de 10 anos o satélite Hubble descobriu 4 minúsculas “luas”, ou satélites naturais que orbita esse sistema binário – Styx, Nix, Kerberos e Hydra.

ilustracao com a visão a partir do Sol para Plutão e seus satélites. Fonte: Instituto SETI NASA

Ilustração com a visão a partir do Sol para Plutão e seus satélites. Fonte: Instituto SETI NASA

Segundo observações feitas a partir de fotografias, “Nix e Hydra parecem ter uma superfície brilhante como Caronte, enquanto Kerberos é muito mais escura, levantando questões sobre a forma como o sistema plutoniano foi formado”. Nessa pesquisa compara a formação de dois dos satélites a formação Terra-Lua. Uma das teorias sobre nosso Planeta é da colisão de um planeta na mesma orbita chamado Theia, ou como o estudo citado acima feito pelo  Instituto SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence) na Califórnia, de que um meteorito teria colidido com os planetas, no caso Terra e Plutão, e seus detritos formados os satélites, Nix-Hydra-Lua.

A Hipótese do grande impacto (em inglês Giant impact hypothesis ou Big Splash) é uma hipótese astronómica que postula a formação da Lua através do impacto de um planeta com aproximadamente o tamanho de Marte, conhecido como Theia

A Hipótese do grande impacto (em inglês Giant impact hypothesis ou Big Splash) é uma hipótese astronômica que postula a formação da Lua através do impacto de um planeta com aproximadamente o tamanho de Marte, conhecido como Theia

Tal sistema é percebido entre os satélites de Júpiter, Io, Europa e Ganimedes. Esse é um dos mistérios que a sonda New Horizons terá pela frente até para entendermos melhor a formação Terra-Lua. Essa é um dos fatores mais importantes da chegada da sonda a Plutão. Além de examinar sua composição, substancias químicas, atmosfera, enviará medições e fotos para a Terra que levarão ao menos 16 meses para chegar. Uma das primeiras informações a chegar é sobre o diâmetro do planeta que é maior do que se imaginava.

2.274 km de diâmetro? Corrigindo: diâmetro de 2.370 km

2.274 km de diâmetro? Corrigindo: diâmetro de 2.370 km

E o que a sonda leva a bordo?

Segundo a BBC leva:

Parte das cinzas de Clyde Tombaugh, que descobriu Plutão, em 1930, está a bordo da sonda

Parte das cinzas de Clyde Tombaugh, que descobriu Plutão, em 1930, está a bordo da sonda

Sete instrumentos que não apenas servem para investigar detalhes do planeta – como do que é feita a atmosfera -, mas também servem de backup caso haja falhas.

Além do mais, a sonda leva uma grande quantidade de “coisas inúteis”, segundo Jim Green, diretor de Ciências Planetária da Nasa.

A esposa de Walt Disney sugeriu uma mudança de nome, ele chamava Rover, para o recém descoberto de Plutão.

A esposa de Walt Disney sugeriu uma mudança de nome para o mascote do Mickey, ele chamava Rover, para o recém descoberto Plutão

Na lista, há coisas como um CD com o nome de 434 mil pessoas que responderam a um pedido de “Envie seu nome para Plutão”, além de algumas moedas e um selo americano de 1991 onde se lê “Plutão: ainda inexplorado”.

O mais curioso, no entanto, talvez seja uma urna com cinzas de Clyde Tombaugh, o homem que descobriu a existência de Plutão, há 85 anos.

Plutão é o mais luminoso dos planetas, desculpa por ainda usar a terminologia planeta, mas é assim que o vejo…

No dia 24 de julho a sonda enviou uma imagem mostrando o planeta-anão frente ao Sol e uma névoa se projetou 130 km acima de sua superfície, deixando os cientistas maravilhados. Outra descoberta é a longa cauda de plasma formada íons de nitrogênio o que não é novidade já que Marte e Vênus tem caudas plasmáticas assim como Júpiter e Netuno tem anéis. A cauda de Plutão pode se estender por 77.000 a 109.000 km segundo cientistas da Universidade de Colorado, EUA.

Setembro

O tempo de transmissão dos dados de Plutão até a Nasa, nos Estados Unidos, é de quatro horas e meia

O tempo de transmissão dos dados de Plutão até a Nasa, nos Estados Unidos, é de quatro horas e meia

New Horizons segue em destino da Rocha 2014 MU69 situada a 1600 milhões de quilômetros de Plutão. A Rocha está no Cinturão de Kuiper onde pela primeira vez uma nave irá explorar essa zona do Sistema Solar. Dentre uma série de 4 manobras para se chegar ao destino principal, e você pensou que fosse Plutão, um será escolhido entre outubro e novembro.

Os cientistas esperam que a Sonda New Horizons chegue ao seu real destino em 2019.

Categoria: Fêmur de Nefilim Sobre: Ciências naturais, Ciências especulativas Imagem em destaque: Hoje vendo umas fotos no site da NASA, essa foto me deu inspiração para esse post

Categoria: Fêmur de Nefilim
Sobre: Ciências naturais, Ciências especulativas
Imagem em destaque: Hoje vendo algumas fotos no site da NASA, essa foi uma das que me deu inspiração para esse post