Citação

A imprensa é tão poderosa no seu papel de construção de imagem que pode fazer um criminoso parecer que ele é a vítima e fazer a vítima parecer que ela é o criminoso. Esta é a imprensa, uma imprensa irresponsável. Se você não for cuidadoso, os jornais terão você odiando as pessoas que estão sendo oprimidas e amando as pessoas que estão fazendo a opressão.

Categoria: Fogus Factus Sobre: Assuntos relacionados ao Brasil e Mundo

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Malcom X

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Morre Zaha Hadid

Nascimento: 31 de outubro de 1950, Bagdá, Iraque
Falecimento: 31 de março de 2016
Getty

Zaha Hadid em frente a um de seus projetos com as curvas características de seu estilo

Zaha Hadid, a arquiteta mulher mais famosa do mundo, morreu nesta quinta-feira de um ataque cardíaco, deixando um legado de grandes projetos arquitetônicos globais, marcados por traços orgânicos e grandes curvas – e por uma dose de polêmica.

A britânico-iraquiana tinha 65 anos e estava sendo tratada de bronquite em um hospital em Miami (EUA).

Hadid criou o Parque Aquático da Olimpíada de Londres 2012 e seus projetos estão espalhados por países como Alemanha, Hong Kong e Azerbaijão.

No Brasil, a arquiteta criou em 2008 uma sandália plástica para a grife Melissa.

Em 2004, ela se tornou a primeira mulher a vencer o Prêmio Pritzker, considerado o “Nobel da arquitetura”.

Foi também a primeira mulher a receber, em fevereiro, a Medalha de Ouro do Instituto Real de Arquitetos Britânicos, em reconhecimento por sua obra.

“Hoje em dia vemos o tempo todo mais arquitetas estabelecidas. Mas isto não significa que seja fácil. Às vezes os desafios são imensos. Houve uma mudança tremenda nos últimos anos e vamos continuar com este progresso”, afirmou na ocasião.

Suas obras também despertavam polêmicas por muitas vezes terem custos elevados.

No ano passado, ela enfrentou críticas por conta de seu projeto futurístico para o estádio da Olimpíada de 2020 em Tóquio, orçado em US$ 2 bilhões. O projeto acabou sendo descartado pela organização do evento, que optou por um desenho mais simples.

Hadid se considerava uma “forasteira” por ser mulher, de origem estrangeira e de espírito inovador.

“Não sou contra o establishment por si só”, ela disse à BBC certa vez. “Só faço o que faço, e é isso.”

Onda

Entre os projetos criados por Zaha Hadid estão a Serpentine Sackler Gallery, em Londres, o Museu Riverside, em Glasgow, e a Ópera de Guangzhou, na China.

A arquiteta conquistou duas vezes o prêmio Riba Stirling Prize, o prêmio britânico de arquitetura de maior prestígio. Em 2010 ela conquistou o prêmio pelo projeto do Museu Maxxi em Roma, ganhando novamente em 2011 pelo projeto da Evelyn Grace Academy em Brixton, Londres.

Nascida em Bagdá, ela estudou matemática na Universidade de Beirute antes de começar a carreira na Associação Arquitetônica de Londres.

Em 1979 Hadid abriu seu próprio escritório, o Zaha Hadid Architects.

O primeiro grande projeto foi a Estação de Bombeiros Vitra em Weila am Rhein, na Alemanha.

O Parque Aquático da Olimpíada de Londres, construído no leste da capital britânica, lembra uma onda e tem duas piscinas de 50 metros e uma piscina de mergulho. Depois de ter sido usado para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, o centro criado por Hadid foi aberto para o público em 2014.

“Adoro o Parque Aquático de Londres pois é perto de onde eu moro”, disse Hadid na época.

Veja abaixo alguns dos projetos da arquiteta.

Zaha Hadid Architects

Zaha Hadid foi reconhecida pela primeira vez ao ter seu projeto escolhido para o The Peak Leisure Club de Hong Kong, em 1983. Apesar de o projeto ter sido selecionado, o clube nunca foi construído. Era baseado em uma montanha de granito que devia se erguer acima do trânsito congestionado da cidade

RIBA

Seu primeiro projeto transformado em realidade foi a estação de bombeiros de Vitra na cidade de Weil am Rhein, na Alemanha. Foi construído em concreto reforçado dentro de um complexo de fábricas em 1993. Hadid o descreveu como um projeto abstrato que segue as linhas das lavouras e vinhedos próximos

O Maxxi, Museu de Artes do Século 21 em Roma, construído em 2009

RIBA

A arquiteta afirmou que o projeto do museu foi inspirado no movimento dos rios, pois o museu está localizado ao lado do rio Tibre

RIBA

As formas interconectadas dos muros de concreto também servem para dar estabilidade ao edifício, que está construído em um terreno suscetível a terremotos

RIBA

‘Adoro o Centro Aquático de Londers, pois está perto de onde eu moro’, disse Hadid. O centro foi criado para a Olimpíada de Londres em 2012 e o teto imita uma onda

Emma Lynch/BBC

Durante os jogos, o centro acomodava 17,5 mil cadeiras, mas a maioria foi retirada para economizar na calefação durante seu uso fora de ocasiões especiais

RIBA

O interior do Centro Heydar Aliyev, em Baku, no Azerbaijão, construído em 2012. São três edifícios conectados: uma biblioteca, um museu e uma sala de concertos

Hellene Binet

O projeto diferente foi baseado nos contornos de uma cordilheira, segundo Hadid

RIBA

Hadidi, que ganhou o prêmio Pritzker de Arquitetura em 2004 continuou inovando e foi muito elogiada pelo projeto da Ópera de Guangzhou, na China, de 2010

IWAN BAAN

O projeto da sala de ópera foi inspirado no rio Perla. O edifício está localizado em frente a este rio

RIBA/LUKE HAYES

O projeto da Sackler Gallery de Londres, um dos mais originais da arquiteta

Categoria: Pilares de Criação Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas Imagem em destaque: Um dos meus projetos favoritos de Zaha Hadid, The New Dance and Music Centre in The Hague

Categoria: Pilares de Criação
Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam
Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas
Imagem em destaque: Um dos meus projetos favoritos de Zaha Hadid, The New Dance and Music Centre in The Hague

George Martin: a máquina do som

George Henry Martin foi um produtor musical, arranjador, compositor, engenheiro sonoro, músico e maestro britânico.

Nascimento: 3 de janeiro de 1926, Highbury, Londres, Reino Unido

Falecimento: 8 de março de 2016, Wiltshire, Reino Unido


Texto de André Barsinski.

1Se alguém pode ser considerado o “Quinto Beatle”, certamente foi George Martin, o produtor, arranjador, maestro e compositor que ajudou a banda a gravar algumas de suas melhores canções (leia aqui um texto que fiz na “Folha” sobre Martin, que morreu terça, aos 90 anos).

Martin foi um bruxo de estúdio, um gênio maluco que usou seu amplo conhecimento de música clássica, música de vanguarda, música eletrônica e experimentalismos dos mais variados para criar algumas das canções mais importantes da música pop. Aqui vão sete delas, que escolhi para a “Folha”:

“A Day in the Life” (1967)
Martin fez o que nenhum arranjador faz: pediu para sua orquestra de 40 músicos tocar caoticamente, cada músico em completa falta de sintonia com os colegas. Depois gravou essa bagunça quatro vezes e empilhou tudo em uma única faixa, dando a impressão de 160 instrumentos gritando em direções diferentes. Era a impressão de caos que a faixa pedia.

“Being for the Benefit of Mr. Kite” (1967)
Para obter a estranheza e ambientação de parque de diversões que John Lennon queria para essa música, Martin gravou cerca de 60 fragmentos de sons de órgão, mandou cortar as fitas em pedaços, jogou todas para o alto e colou tudo sem a menor preocupação com sequência.

“I Am the Walrus” (1967)
O coral de 16 pessoas foi instruído a cantar gritos e frases sem sentido, para adicionar ao clima anárquico da música de John Lennon.

“Tomorrow Never Knows” (1966)
Sons de gaivota, a voz de Lennon captada de um alto-falante de teclado e guitarras gravadas de trás para frente compõem a cacofonia psicodélica desse clássico. As “gaivotas”, na verdade, eram uma risada de Paul gravada de trás para frente.

“Strawberry Fields Forever” (1967)
A faixa foi gravada duas vezes, em versões de velocidades e tons diferentes. Martin juntou as duas, reduzindo a velocidade de uma delas.

“Eleanor Rigby” (1966)

Martin não só fez um brilhante arranjo de cordas, mas teve a ideia de colocar os microfones muito próximos dos violinos, violas e cellos —oito no total— para captar um som mais “duro” e realçar a angústia da canção mórbida de McCartney, certamente uma de suas letras mais tristes.

“Goldfinger” (1964)
George Martin produziu essa obra-prima —vjunto com o coautor da faixa, John Barryv — para o tema do filme “Goldfinger”, do agente James Bond. A vox é de Shirley Bassey e o guitarrista, não creditado, foi um jovem prodígio de 20 anos chamado Jimmy Page.

Tão importante quanto admirar pela enésima vez as bruxarias de estúdio de George Martin é entender o papel fundamental que ele teve na evolução do conceito de produtor musical.

Martin deu sorte de pegar uma banda jovem e talentosa num período – o início dos anos 60 – quando as tecnologias de gravação começavam a permitir voos criativos mais ambiciosos. Até surgirem gênios como Martin e Joe Meek na Inglaterra e Phil Spector e Brian Wilson nos Estados Unidos, o papel do produtor era, basicamente, captar o artista da mesma forma como ele soava ao vivo.

Mas Martin queria mais. Ele trabalhou anos na gravação de álbuns de comediantes como Peter Sellers e Spike Milligan, que vinham do rádio e adoravam experimentar com sons e efeitos. Quando encontrou Lennon e McCartney, dois gênios que sabiam ouvir conselhos, achou os parceiros perfeitos para engendrar uma mudança radical na forma de gravar discos.

Com os Beatles, Martin usou um arsenal vastíssimo de experimentações: manipulou a velocidade de fitas, gravou sons de trás pra frente, adicionou gravações de diálogos, testou diferentes tipos de microfones para diferentes objetivos, enfim, fez tudo que não estava no manual.

Eram outros tempos. Bandas ainda ganhavam a maior parte de seu dinheiro com a venda de discos. Não havia a facilidade de viagens aéreas e transporte global de hoje, e turnês não eram tão extensas.
Depois que os Beatles pararam de fazer turnês, em 1966, a banda e Martin mergulharam de cabeça nos experimentalismos sônicos que resultariam em álbuns clássicos como “Rubber Soul” (1965), “Revolver” (1966) e “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967). Do outro lado do Atlântico, Brian Wilson fez o mesmo: ficou no estúdio compondo e gravando “Pet Sounds” (1966), enquanto sua banda, os Beach Boys, tocava mundo afora.

O sucesso deu a Martin carta branca para fazer o que bem quisesse. É incrível pensar que o produtor da maior banda do mundo tinha liberdade total da gravadora para tentar coisas novas e transgressoras, e que os Beatles nunca se acomodaram e sempre buscaram novos caminhos.

Se a lógica de mercado fosse imposta a discos complexos como “Sgt. Pepper’s”, com suas músicas estranhas, orquestrações inusitadas e letras aparentemente sem sentido, o disco nunca teria saído daquela maneira. Felizmente, o fim dos anos 60 foi um período único na história do pop, em que gravadoras – as melhores, pelo menos – ainda não tentavam controlar totalmente seus artistas e confiavam em gente como George Martin.

‘Eles não eram muito bons’: por que George Martin foi o quinto Beatle

Categoria: Vai ser pra mim Sobre: Textos de outros autores Sobre o autor: André Barcinski nasceu em 1968. Foi colunista e crítico da Folha de S. Paulo. Escreveu quatro livros e dirigiu dois filmes. Produz e dirige os programas de TV “O Estranho Mundo de Zé do Caixão” e “Nasi Noite Adentro”, no Canal Brasil. Ganhou o prêmio Jabuti de melhor livro de não-ficção por "Barulho - Uma Viagem ao Underground do Rock Americano" (1992) e o Prêmio do Júri do Festival de Cinema de Sundance (EUA) pelo documentário "Maldito" (1998), sobre o cineasta José Mojica Marins

Categoria: Vai ser pra mim
Sobre: Textos de outros autores
Sobre o autor: André Barcinski nasceu em 1968. Foi colunista e crítico da Folha de S. Paulo. Escreveu quatro livros e dirigiu dois filmes. Produz e dirige os programas de TV “O Estranho Mundo de Zé do Caixão” e “Nasi Noite Adentro”, no Canal Brasil.
Ganhou o prêmio Jabuti de melhor livro de não-ficção por “Barulho – Uma Viagem ao Underground do Rock Americano” (1992) e o Prêmio do Júri do Festival de Cinema de Sundance (EUA) pelo documentário “Maldito” (1998), sobre o cineasta José Mojica Marins