Citação
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Woody Allen e Scarlett Johansson por J.R. Duran

“Não é que eu tenha medo da morte, mas simplesmente não quero estar aqui quando isso acontecer”

“A melhor coisa que podem lhe dizer na vida não é ‘te amo’, mas sim ‘é benigno’”

“O sexo sem amor é uma experiência vazia. Mas, como experiência vazia, é uma das melhores”

Woody_Allen (1)“Odeio a realidade, mas é o único lugar onde se pode comer um bom filé”

“Tenho interesse pelo futuro, pois é o lugar onde passarei o resto da minha vida”

“Em Beverly Hills o lixo não é recolhido, mas transformado em televisão”

“A vocação do político profissional é fazer de cada solução um problema”

High Quality Wallpaper

“Prefiro a ciência à religião. Se tiver de escolher entre Deus e um ar-condicionado, fico com o ar”

“O medo é o meu companheiro mais fiel. Nunca me enganou para ficar com outra pessoa”

“Sei que não mereço o [prêmio] Príncipe das Astúrias, mas também não mereço o diabetes de que sofro”

“Não acredito que haja vida no além, mas, por via das dúvidas, troquei a roupa de baixo”

“Se os seres humanos tivessem dois cérebros, com certeza faríamos besteiras em dobro”

“A vantagem de ser inteligente é que se pode fingir ser um idiota, enquanto o contrário é impossível”

“Quando um médico erra, a melhor coisa é enterrar o assunto”

“De onde viemos? Para onde vamos? Há alguma tarifa especial para grupos?”

Categoria: Sereias, Vanuccia não é Ariel Sobre: Cinema, vídeo e audiovisual

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Sobre: Cinema, vídeo e audiovisual

Woody Allen

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Nota

Luís Filipe Goulart de Andrade (Rio de Janeiro, 6 de abril de 1933  — São Paulo, 23 de agosto de 2016)

Goulart de Andrade e a TV 80: anarquia no ar

Morre Goulart de Andrade; relembre os 61 anos de carreira do ícone do jornalismo

Categoria: Fogus Factus Sobre: Assuntos relacionados ao Brasil e Mundo

Categoria: Fogus Factus
Sobre: Assuntos relacionados ao Brasil e Mundo

Goulart de Andrade

Um dos grandes problemas brasileiros: Interpretação de Texto

A Rio 2016 é racista

rafa ouro A Rio 2016 é racista
Racismo não é que os negros brasileiros têm menos saneamento. Menos casa própria. Menos acesso à saúde, hospital, creche. Nem que são menos alfabetizados, que vivem menos, que vivem pior que os brancos. Racismo não é que os negros são minoria nas universidades, nas redações, no shopping, nos restaurantes. Ou minoria nas novelas, nos telejornais, no público que frequenta os programas de auditório.
Não estão nos palcos dos teatros, são poucos nas paradas de sucesso. Não apresentam talk shows. Há pouquíssimos negros nas gerências e direções das empresas. E no comando da Polícia Militar, Civil, Federal. Não há negros entre os bilionários brasileiros. E não se vê negros nos ministérios, nas secretarias, autarquias, ou nos altos cargos do judiciário.
Mas nada disso é racismo. Não gera indignação. Não é tema pra campanha de candidato nenhum. Não repercute nas redes sociais. Isso é normal. É o dia a dia. Não, racismo é quando eu escrevo a seguinte frase: “Medalha de ouro para uma negra favelada ajuda as negras faveladas em exatamente nada.”
Por esse comentário no Twitter, inspirado pela vitória de Rafaela Silva no judô, fui chamado de racista por várias pessoas. Outras também me “xingaram” de gay, homem, branco etc. Muito comum a crítica de que não posso escrever sobre mulheres negras porque não sou mulher nem negra, o que é além de surreal.
Mas nem todo mundo entendeu assim.
Ana Luisa, leitora atenta, escreveu no Facebook sobre o assunto: “aquele post de racista não tem nada. Ao contrário. É uma crítica a um poder público omisso, que quase nada faz para quem é pobre e negro, e a uma sociedade preconceituosa e hipócrita que relega aos próprios negros o conselho de seguir o exemplo de esforço pessoal de uma moça negra que é destaque hoje. Mas é exceção entre uma massa de negras que não tiveram sua condição melhorada por ninguém. E nem ganharam o respeito da classe média anos atrás, lá com aquela medalha de ouro da judoca Edinanci (cujo nome, aliás, caiu no ostracismo). Incrível o tanto de gente que não entendeu, ou fingiu que não entendeu, o seu post.”
Toda essa gente que não entendeu, ou fingiu que não entendeu, não pesa tanto pra mim quanto uma única pessoa ter compreendido tão bem minha intenção quanto Ana Luisa.
Costumo dizer que o Brasil é um problema de interpretação de texto. Também costumo dizer que é inútil tentar entender os outros, e mais ainda tentar mudar os outros. Não dá para mudar a opinião de quem concluiu por esta frase que sou racista. Nem vou tentar. Então sou racista. E não sou racista. Entendeu? Assim é o novo mundo da comunicação.
Esse problema de deficiência de compreensão (ou mesmo de indignação simplista e automática) se tornou uma patologia. Dois exemplos pessoais. Estou respondendo a um processo que pede uma indenização financeira bem grande, por um texto que publiquei aqui no blog. Perdi em primeira instância, estamos recorrendo. A decisão do juiz é baseada no que dei a entender, não no que efetivamente escrevi. É um problema da legislação brasileira, que é dúbia, porque interpretação é sempre subjetiva.
Outro exemplo, mais engraçado, de ontem. Fiz também no Twitter uma piada infantil, daquelas tipo revista Recreio: “O que esse Phelps faz de tão importante? Nada.” Pois não é que tem gente me xingando, achando que é uma crítica ao nadador americano? Quando até uma bobagem dessas ofende, está claro que qualquer coisa (mas qualquer coisa mesmo) pode gerar repercussão negativa. Como qualquer coisa pode querer dizer o seu contrário, decidi por um título bem explícito e escandaloso para este texto: “A Rio 2016 é racista”.
Sutileza tem hora. Veja: o caminho natural para quem escreve profissionalmente, neste ambiente, é a autocensura e a autopromoção. Ou, caminho contrário e desafiador, apostar na inteligência de poucos. Ser mais mais ambíguo, denso, ambicioso. E muito, muito seletivo. É uma alternativa que me seduz – para daqui a pouco.
Para hoje, sobra ser tão agressivo quanto Rafaela Silva. De fato a medalha de ouro para ela não ajuda em nada as negras faveladas, ou, se você preferir, as afrodescendentes moradoras de comunidades. O que mudará a vida dos milhões de Rafaelas que não chegaram e nunca chegarão a nenhum pódio é dinheiro.
Investir R$ 38 bilhões dos nossos impostos nos Jogos Olímpicos, e não em melhorar a vida dos brasileiros mais pobres – a maioria negros, a maioria favelados – é uma das maiores injustiças já cometidas nesse país. E isso sim é que é racismo.

Categoria: Vai ser pra mim Sobre: Textos de outros autores ou autor convidado Textos de André Forastieri Imagem em destaque: Tingatinga - Tingatinga (também escrito Tinga-tinga ou Tinga Tinga) é um estilo de pintura que se desenvolveu na segunda metade do século 20 na Oyster Bay área em Dar es Salaam ( Tanzânia ) e mais tarde se espalhou para mais África Oriental. Tingatinga pinturas são uma das formas mais amplamente representados de arte turística orientada na Tanzânia, Quénia e países vizinhos. O gênero é nomeado após seu fundador, pintor tanzaniano Edward Said Tingatinga.

Categoria: Vai ser pra mim
Sobre: Textos de outros autores ou autor convidado
Textos de André Forastieri
Imagem em destaque: Thomas Allen

Nota

Morreu nessa terça-feira, 16 de agosto Elke Maravilha.

Elke Maravilha, nome artístico de Elke Georgievna Grunnupp (Leningrado, 22 de fevereiro de 1945 — Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2016), foi uma manequim, modelo, jurada, apresentadora e atriz nascida na Rússia com cidadania alemã radicada no Brasil - Foto de David Zingg

Elke Maravilha, nome artístico de Elke Georgievna Grunnupp (Leningrado, 22 de fevereiro de 1945 — Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2016), foi uma manequim, modelo, jurada, apresentadora e atriz nascida na Rússia com cidadania alemã radicada no Brasil – Foto de David Zingg

Categoria: Lactofantasy Sobre: Mulheres peladas e vestidas Fotos em destaque: Elke Maravilha nos anos 60

Categoria: Lactofantasy
Sobre: Mulheres peladas e vestidas
Fotos em destaque: Elke Maravilha nos anos 60

Muitas vidas cabem em Elke Maravilha

Elke Maravilha foi muito mais do que a sua cabecinha imagina…

10 Curiosidades sobre Elke Maravilha que você nem imaginava

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Elke Maravilha

Dartagnan e os Três Mosqueteiros – Episódios de 1 – 5

Como já havia escrito, Dartagnan e os Três Mosqueteiros é um dos meus desenhos favoritos. Abaixo os cinco primeiros episódios dessa série incrível. Vamos nos divertir juntos?

Categoria: KiSuco Sobre: Gibis, HQ, Mangás, Desenhos animados, Programas infantis, Brinquedos Link: Dartacão e os três mosqueteiros

Categoria: KiSuco
Sobre: Gibis, HQ, Mangás, Desenhos animados, Programas infantis, Brinquedos
Link: Dartacão e os três mosqueteiros

Isenção de IPTU a templos custa 22 creches por ano em São Paulo

A Prefeitura de São Paulo deixa de arrecadar com o IPTU de templos religiosos –todos beneficiários de imunidade tributária– cerca de R$ 110 milhões por ano. Esse montante, calculado pela Folha a partir do cadastro de imóveis, seria suficiente para construir um hospital ou 22 creches. A prefeitura recolhe cerca de R$ 6,5 bilhões com o imposto.pastores ricos

Além do IPTU, templos têm isenção de outros tributos, como o ISS (sobre serviços). A imunidade fiscal de IPTU é prevista na Constituição desde 1946 e, atualmente, o tema é debatido no Congresso.

A bancada religiosa na Câmara quer ampliar a isenção de IPTU para todo o país, incluindo o caso de imóveis alugados pelas entidades religiosas – na capital paulistana, isso já é realidade para os 5.734 templos da cidade. Há também grupos contrários, que defendem o fim de todas as isenções aos templos.

O valor de R$ 110 milhões calculado pela Folha considera o imposto que seria cobrado dos templos com base no valor dos imóveis e nas alíquotas básicas do IPTU e não inclui características dos terrenos que podem influenciar o valor final.

5723117686_b78dcd17e2_bSegundo a estimativa da prefeitura, a isenção fiscal aos templos está na casa dos R$ 90 milhões. Para efeito de comparação, um hospital com cerca de 250 leitos em construção em Parelheiros (zona sul) tem custo estimado de R$ 148 milhões. Na educação, os R$ 110 milhões poderiam erguer 22 creches.

Maior local de culto da cidade em área construída, com 75.948 m², o Templo de Salomão, da Igreja Universal, teria IPTU anual de cerca de R$ 3 milhões por ano.

Cercado de polêmica desde sua inauguração em 2014, o local ainda não tem alvará definitivo. Sem isenção até o momento, o templo consta como devedor de R$ 7,6 milhões em IPTU. Segundo a Universal, a imunidade está em análise pela prefeitura.

Na lista de entidades religiosas com mais templos, também aparece a Universal, como a 14ª maior proprietária de locais de culto, com 21. A colocação se deve ao fato de, ao contrário de outras evangélicas, a Universal adotar a prática de alugar os locais onde faz seus cultos. Amparada por lei municipal, não paga IPTU desses imóveis.

A igreja mais beneficiada pelo não pagamento de tributos é a Católica. Segundo o levantamento, ela tem 730 imóveis cadastrados como templos na cidade –renderiam R$ 17 milhões ao ano em IPTU.

Igrejas picaretas estão matando o rádio no Brasil

DEBATE NO CONGRESSO

Ligado à Universal, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) é autor de uma Proposta de Emenda à Constituição que tramita para garantir a imunidade a entidades religiosas que alugam imóveis em todo o país. Lá, a Comissão de Direitos Humanos debate uma proposta popular –cujo relator é o próprio Crivella– que vai no sentido inverso: quer o fim de toda imunidade.

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Para o presidente da Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), Daniel Sottomaior, é difícil haver mudança na Constituição devido à influência religiosa na política. Para ele, a imunidade atenta contra o Estado laico.

Questionada, a Arquidiocese de SP da Igreja Católica disse que “reafirma seu compromisso de colaboração a São Paulo, onde atua desde a sua fundação na assistência social, na educação, na promoção humana e na defesa dos mais pobres”.

A Universal disse defender o Estado laico, mas afirmou que a imunidade tributária “apenas assegura esse livre exercício dos cultos sem a interferência de governos”. A assessoria de Fernando Haddad (PT) não respondeu qual é a opinião do prefeito sobre a renúncia fiscal.

Categoria: Fogus Factus Sobre: Assuntos relacionados ao Brasil e Mundo

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Memórias Póstumas de Cosma e Damiâna

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Centro histórico de São Paulo

O Homem teme o Tempo, mas o Tempo teme as Pirâmides

Quem não se lembra de uma das mais marcantes cenas de Drácula, quando o navio que traz o vampiro chega com o comandante morto, preso ao leme? Um cão enorme que pula na água e some em Londres? O trecho que narra a vigem do conde para Inglaterra é uma das passagens mais assustadoras do livro e as adaptações para o cinema não deixam por menos.

o navio que traz o vampiro chega com o comandante morto, preso ao leme? Um cão enorme que pula na água e some em Londres - Tela de David Lane

O navio que traz o vampiro chega com o comandante morto, preso ao leme. Um cão enorme que pula na água e some em Londres. – Tela de David Lane

A forma que o autor conta a historia é um ponto bastante interessante. Em forma de diário os personagens Jonathan Harker, Mina ou Arthur Holmwood, narram seu encontro e desencontro com o vampiro. Essas narrativas, de pontos de vista diferentes, dão vida ao personagem maligno.

O menos vampiresco das personagens de Passa lá em casa, Leandro César, e a quele que homenageia Drácula

O menos vampiresco das personagens de Passa lá em casa, Leandro César, e a quele que homenageia Drácula – Imagem de Nick Gentry

O menos vampiresco dos personagens de Passa lá em casa é justamente o que faz uma homenagem a Drácula, o jornalista Leandro César Fiaschi.

O personagem Nicolas tem um amigo, até aí sem novidades. Acontece que eu queria um amigo que fosse o oposto de um empresário que leva uma vida pacata sem grandes novidades. Mais um que mora num condomínio fechado, tem uma irmã e pretensões socialistas. Durante um tempo fiquei matutando sobre esse amigo que não acontecia. Por fim conversando com um colega de faculdade perguntei sobre as férias dele. O cara passou as férias a la Indiana Jones. Viajou pelo Egito, Marrocos e outros lugares diferentes de nossa cultura. Lembro que na época estava havendo as manifestações no Egito e o lugar estava meio perigoso. Ele visitou outros lugares do continente africano e o Oriente Médio. Era uma semente a germinar. O tempo passou e apenas uma fração do personagem estava em minha mente quando me deparei com uma reportagem de uma espécie de navio-condomínio. Pois era tudo que eu esperava, e assim o personagem se formou em mim com moradia, profissão e a aparência física que roubei de um amigo, Leandro César.

Os apartamentos vão desde duplex a unidades com um dormitório. Também há cabines para um publico flutuante. - Tela de Nancy Loughlin

Os apartamentos vão desde duplex a unidades com um dormitório. Também há cabines para um público flutuante. – Tela de Nancy Loughlin

O navio que me surpreendeu foi o Magellan. A proposta era simples, compre um apartamento e passe a vida sobre os oceanos. Mas vamos aos números, afinal luxo sem expressões quantitativas não é digno. Esse endereço único passara por 300 portos, mais 150 países dentre locais como Cannes, Veneza, Istambul, Caribe…

Além de ter uma marina retrátil onde o morador pode ir mar afora com lanchas, barcos e jet-skis há piscinas externas e internas cascatas d ‘ água e jardins internos forjando um clima tropical. Há um telescópio com um astrônomo a bordo. Quatro restaurantes cinco estrelas, cassino, nightclub teatro e heliporto. Salas de conferencia, supermercados, lojas, quadra de tênis, minigolfe, spa, salas de ginasticas e muitos outros atrativos, enfim uma pequena cidade flutuante.

Os apartamentos vão desde duplex a unidades com um dormitório. Também há cabines para um publico flutuante.

Outros navios-condomínios foram construídos seguindo esse modelo.

Eis que meu personagem encontra-se perfeitamente instalado em um. Repórter-fotográfico que faz matérias para revistas de turismo não poderia estar em um lugar melhor.

De e-mail a e-mail

Estruturalmente, Drácula, é um romance epistolar, ou seja, contada como uma série de cartas, entradas de diário, registros de bordo etc.

Bram Stoker publicou seu romance "Drácula" em maio de 1897, estruturando-o como um romance epistolar, escrito a partir de uma série de cartas, relatos, diários pessoais, reportagens de jornais, registros de bordo, etc. A solução narrativa do autor foi brilhante: narrar a história a partir dos diários e memorandos de seus protagonistas, com isso as confissões e desesperos dos envolvidos na trama vão dando forma ao perigo, que só muito depois se torna completamente evidente. Ele nos apresenta também os costumes, tradições e a cultura da Inglaterra vitoriana e o a reação dos britânicos com relação ao que vem do estrangeiro, personificado através do medo arquetipiano da figura do vampiro. Nesse sentido, a realidade do racionalismo britânico entra em choque com o sobrenatural, explicitado através das figuras opostas de Drácula e de Van Helsing, ambos estrangeiros e pertencentes a sociedades estranhas aos costumes britânicos. A atmosfera gótica é o pilar do romance: a maior parte da história se passa na Inglaterra, berço da civilização industrial e para onde o Conde se dirige com o intuito secreto de conquistar o mundo, o que é apenas sublimado ao longo da narrativa. Quando o conhecimento científico encontra seu limite para lidar com os fatos, resta o conhecimento popular. É desse conhecimento que Van Helsing tira os procedimentos necessários para acabar com o vampiro. As dicotomias entre as figuras do bem e do mal são figuradas nos personagens humanos e nos vampiros. O único contato entre os universos é a sensualidade e o erotismo. O medo de vampiros é anterior à publicação da obra de Stoker, tendo já aparecido em 1819, na obra "O Vampiro", de autoria de John Polidori (1795-1821), contemporâneo de Mary Shelley e de Lorde Byron, entretanto, a propagação do mito e do medo e a inspiração para milhares de outras fabulações sobre vampirismo, deve-se, e muito, ao romance Drácula. O personagem principal, que é apresentado indiretamente através das narrativas dos demais personagens, pode ter sido inspirado na vida do príncipe Vlad Tepes, cuja crueldade e prazer em ver a agonia de suas vítimas contribuíram para que Bram Stoker criasse um ser tão perverso. Quando foi publicado em 1897, Drácula não foi um best-seller imediato, embora as críticas fossem extremamente favoráveis, classificando classificou Bram Stoker como sendo superior a Mary Shelley e Edgar Allan Poe. O romance tornou-se mais significativo para os leitores modernos do que foi para os leitores contemporâneos do autor, atingindo seu grande status lendário clássico ao longo do século 20, quando as versões cinematográficas apareceram. No entanto, alguns fãs da época vitoriana o descreveram como a sensação da temporada e o romance de gelar o sangue do século. Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, escreveu a Stoker, afirmando, Escrevo-lhe para dizer o quanto eu gostei de ler 'Drácula'. A história de "Drácula" tem sido a base de incontáveis filmes e peças, ópera, balé, graphic novels e inúmeras outras mídias, sendo que o número de filmes que incluem referências a Drácula direta ou indiretamente chega a mais de 649 adaptações. A primeira adaptação para os palcos, encenada em 18 de maio de 1897, foi escrita e dirigida pelo próprio Bram Stoker e encenada uma única vez em Londres. A primeira adaptação para o cinema ocorreu em 1922 e envolveu uma questão judicial entre o diretor do filme e o espólio de Bram Stoker. F. W. Murnau, o diretor do filme, lançou a história com o título "Nosferatu: Uma sinfonia de horror", apenas alterando o nome do protagonista (de Drácula para Orlok) e transferindo o local da trama da Inglaterra para a Alemanha. O espólio de Stoker venceu a batalha judicial, sendo que todas as cópias existentes de "Nosferatu" deveriam ter sido destruídas, entretanto um pequeno número de cópias sobreviveu até os dias de hoje, sendo considerado um clássico do cinema de terror. Contudo, a versão mais conhecida e famosa da história de Drácula foi realizada pela Universal em 1931, estrelada por Bela Lugosi e dirigida por Tod Browning. Imagem: Florina Kendrick, Monica Bellucci, Michaela Bercu, as noivas de Drácula de Bram Stoker filme de Francis For Copolla

Bram Stoker publicou seu romance “Drácula” em maio de 1897, estruturando-o como um romance epistolar, escrito a partir de uma série de cartas, relatos, diários pessoais, reportagens de jornais, registros de bordo, etc. A solução narrativa do autor foi brilhante: narrar a história a partir dos diários e memorandos de seus protagonistas, com isso as confissões e desesperos dos envolvidos na trama vão dando forma ao perigo, que só muito depois se torna completamente evidente. Ele nos apresenta também os costumes, tradições e a cultura da Inglaterra vitoriana e o a reação dos britânicos com relação ao que vem do estrangeiro, personificado através do medo arquetipiano da figura do vampiro. Nesse sentido, a realidade do racionalismo britânico entra em choque com o sobrenatural, explicitado através das figuras opostas de Drácula e de Van Helsing, ambos estrangeiros e pertencentes a sociedades estranhas aos costumes britânicos. A atmosfera gótica é o pilar do romance: a maior parte da história se passa na Inglaterra, berço da civilização industrial e para onde o Conde se dirige com o intuito secreto de conquistar o mundo, o que é apenas sublimado ao longo da narrativa. Quando o conhecimento científico encontra seu limite para lidar com os fatos, resta o conhecimento popular. É desse conhecimento que Van Helsing tira os procedimentos necessários para acabar com o vampiro. As dicotomias entre as figuras do bem e do mal são figuradas nos personagens humanos e nos vampiros. O único contato entre os universos é a sensualidade e o erotismo. O medo de vampiros é anterior à publicação da obra de Stoker, tendo já aparecido em 1819, na obra “O Vampiro”, de autoria de John Polidori (1795-1821), contemporâneo de Mary Shelley e de Lorde Byron, entretanto, a propagação do mito e do medo e a inspiração para milhares de outras fabulações sobre vampirismo, deve-se, e muito, ao romance Drácula. O personagem principal, que é apresentado indiretamente através das narrativas dos demais personagens, pode ter sido inspirado na vida do príncipe Vlad Tepes, cuja crueldade e prazer em ver a agonia de suas vítimas contribuíram para que Bram Stoker criasse um ser tão perverso. Quando foi publicado em 1897, Drácula não foi um best-seller imediato, embora as críticas fossem extremamente favoráveis, classificando classificou Bram Stoker como sendo superior a Mary Shelley e Edgar Allan Poe. O romance tornou-se mais significativo para os leitores modernos do que foi para os leitores contemporâneos do autor, atingindo seu grande status lendário clássico ao longo do século 20, quando as versões cinematográficas apareceram. No entanto, alguns fãs da época vitoriana o descreveram como a sensação da temporada e o romance de gelar o sangue do século. Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, escreveu a Stoker, afirmando, Escrevo-lhe para dizer o quanto eu gostei de ler ‘Drácula’.
A história de “Drácula” tem sido a base de incontáveis filmes e peças, ópera, balé, graphic novels e inúmeras outras mídias, sendo que o número de filmes que incluem referências a Drácula direta ou indiretamente chega a mais de 649 adaptações. A primeira adaptação para os palcos, encenada em 18 de maio de 1897, foi escrita e dirigida pelo próprio Bram Stoker e encenada uma única vez em Londres. A primeira adaptação para o cinema ocorreu em 1922 e envolveu uma questão judicial entre o diretor do filme e o espólio de Bram Stoker. F. W. Murnau, o diretor do filme, lançou a história com o título “Nosferatu: Uma sinfonia de horror”, apenas alterando o nome do protagonista (de Drácula para Orlok) e transferindo o local da trama da Inglaterra para a Alemanha. O espólio de Stoker venceu a batalha judicial, sendo que todas as cópias existentes de “Nosferatu” deveriam ter sido destruídas, entretanto um pequeno número de cópias sobreviveu até os dias de hoje, sendo considerado um clássico do cinema de terror. Contudo, a versão mais conhecida e famosa da história de Drácula foi realizada pela Universal em 1931, estrelada por Bela Lugosi e dirigida por Tod Browning.
Imagem: Florina Kendrick, Monica Bellucci, Michaela Bercu, as noivas de Drácula de Bram Stoker filme de Francis For Coppola

Em um dos primeiros e-mails ele conta sobre algumas pessoas que conheceu e a emoção de estar sempre no mar - Imagem de Louis Wain

Em um dos primeiros e-mails ele conta sobre algumas pessoas que conheceu e a emoção de estar sempre no mar – Imagem de Louis Wain

Conheci um ex-cônsul americano, fizemos amizade. Ele conhece quase todo o globo. É formado em paleontologia com especialização em paleoclimatologia. Tb é cientista político e poliglota! - Obra de Camille Rose Garcia

Conheci um ex-cônsul americano, fizemos amizade. Ele conhece quase todo o globo. É formado em paleontologia com especialização em paleoclimatologia. Tb é cientista político e poliglota!Obra de Camille Rose Garcia

Na forma que apresento a narrativa de Leandro. Como disse, ele é um dos principais amigos de Nicolas e sabemos o que se passa em sua vida por meio dos e-mails que eles trocam. Essa é uma pequena homenagem minha a esse romance romântico tão simbólico e popular da literatura mundial. Em duas passagens Nicolas vai de encontro ao amigo que em uma passagem visita Nicolas que passa por uma situação dolorida.

Em um dos primeiros e-mails ele conta sobre algumas pessoas que conheceu e a emoção de estar sempre no mar.

Conheci um ex-cônsul americano, fizemos amizade. Ele conhece quase todo o globo. É formado em paleontologia com especialização em paleoclimatologia. Tb é cientista político e poliglota! o cara é duca. A maioria das pessoas q moram ou viajam no navio são velhos. A transição é constante q nem da para conhecer as td mundo.

Postarei textos que não estão no livro Passa lá em casa com a Personagem Leandro César Fianchi - Imagem de Maja Wronska

Postarei textos que não estão no livro Passa lá em casa com o personagem Leandro César Fiaschi – Imagem de Maja Wronska

Tem gente q comprou ap aqui e ainda ñ embarcou. outros embarcam e depois vão embora. Tem um casal de lésbicas d terceira idade q algumas pessoas apelidaram de Gertrude e Alice[1]. vi as fotos das duas, as verdadeiras q eram amigas de Pablo Picasso, e as daqui são um pouco + bonitas, mas feiosas mesmo assim. Deu p/ entender?”

[1] Gertrude Stein (3 de fevereiro de 1874, Pittsburgh, EUA – 27 de julho de 1946, Paris, França) foi uma escritora, poeta e feminista estadunidense. Tinha um apreciável círculo de amigos, como Pablo Picasso, Matisse, Georges Braque, Derain, Juan Gris, Apollinaire, Francis Picabia, Ezra Pound, Ernest Hemingway e James Joyce, isso apenas pra citar alguns. Alice B. Toklas, sua secretária e companheira durante vinte e cinco anos;

Para Leandro a segurança, é como na maioria das vezes, o ponto central de sua escolha apesar de camuflar a tendência ao luxo. Porém nada na vida é como sempre se planeja. Ele acaba visualizando um mundo que deveria estar encoberto pelo cenário que o navio conduz. - Terry Border

Para Leandro a segurança, é como na maioria das vezes, o ponto central de sua escolha apesar de camuflar a tendência ao luxo. Porém nada na vida é como sempre se planeja. Ele acaba visualizando um mundo que deveria estar encoberto pelo cenário que o navio conduz. – Terry Border

O texto completo sobre o desenvolvimento da personagem você pode ler aqui.

Fanfiction

Ligado a inúmeros aparelhos ele não tinha mais consciência - Obra de Satre Satuelke

A última narrativa com Leandro no livro Passa lá em casa, ele se encontra no Egito em um dia estranho 11 do 11 de 2011. – Obra de Satre Satuelke

A última narrativa com Leandro ele se encontra no Egito em um dia estranho 11 do 11 de 2011. Lá mais uma vez ouve falar em Atlântida e Nicolas mais uma vez se encontra com ele.

Esse dia o Black Sabbath anuncia sua volta com os membros originais.

Abaixo um trecho do livro Passa lá em casa onde Leandro manda um e-mail para seu amigo Nicolas.


Para: nick_ albuquerque_nico@***.com.br

Assunto: O homem teme o Tempo, mas o Tempo teme as pirâmides

O prédio do museu é horroroso em estilo neoclássico, acho... será uma praga arquitetônica? - Simon Schubert

O prédio do museu é horroroso em estilo neoclássico, acho… será uma praga arquitetônica?Simon Schubert

Nicolas desculpe a demora em responder, antes d entrar num assunto impossível vou descrever minha visita ao Egito. Como vc sabe sempre pensei no Egito de forma apaixonada ou mesmo fanática. Porém preferi esperar essa paixão diminuir com o passar do tempo p/ visitá-lo de forma clara. Chegou a hora e estou tranquilo, mas algo q aconteceu levou minha existência p/ longe do que era ate dias atrás…

Estivemos em Sharm El Sheikh durante duas semanas antes de virmos p/ o Cairo. Um grande paraíso, onde praticamos mergulho. Meu interesse foi mais histórico, pois estou meio farto de paraísos. Pegamos um avião p/ o monte Sinai. Qnd era pequeno ouvi dizer q ainda hoje se escuta vozes e é um lugar suscetível a terremotos. Ñ ouvi nd ou presenciei algo anormal…

No museu do Cairo lembrei d vc ao ver ataúde de Ra-Ur talhado em formas geométricas, alem claro do tesouro d Tutancâmon. O espaldar do trono é de tirar o fôlego, o sarcófago me deu arrepios em saber q o cara tava lá td esse tempo… o prédio do museu é horroroso em estilo neoclássico, acho… será uma praga arquitetônica? Como usei o plural estou c/ o casal lesbico, Clementine e Julie.

Estivemos em Luxor, deixei Gizé p/ depois, onde lembrei novamente d vc. Tenho passe livre, pois as duas mulheres são cientistas, visitamos a tumba d Ramsés eu vi, advinha, carpideiras.

Leandro sempre termina seus e-mail com a frase: Já volto…


Note que algumas palavras estão abreviadas, sem acento, como costumamos fazer em mensagens informais com nossos amigos. Essa será a estrutura que usarei para lhes apresentar a fanfic Memórias Póstumas de Cosma e Damiâna e algum tema específico. Desde que terminei o livro em 2013 pensava em dar continuidade as aventuras Leandro César Fiaschi pelo mundo. Um novo grupo de personagens e personagens que já fazem parte da história estarão nas viagens de navio.

Já volto... - Obra de Edward Hopper

Já volto… – Obra de Edward Hopper

Categoria: Memórias póstumas de Cosma e Damiana Sobre: Textos que escrevi, escrevo e outros textos Imagem em destaque: O Okinawa Churaumi Aquarium (沖縄美ら海 Okinawa Churaumi Suizokukan ? ) Está localizado dentro do Parque Expo Oceano em Okinawa, Japão . Ele recebeu seu visitante 20000000 em 30 de março de 2010 [3] e é membro da Associação Japonesa de Zoos e Aquários (JAZA). Foi o maior aquário do mundo, até que foi superado pela Georgia Aquarium em 2005.

Categoria: Memórias póstumas de Cosma e Damiana
Sobre: Textos que escrevi, escrevo e outros textos
Imagem em destaque: O Okinawa Churaumi Aquarium (沖縄美ら海 Okinawa Churaumi Suizokukan ? ) Está localizado dentro do Parque Expo Oceano em Okinawa, Japão . Ele recebeu seu visitante 20000000 em 30 de março de 2010 [3] e é membro da Associação Japonesa de Zoos e Aquários (JAZA). Foi o maior aquário do mundo, até que foi superado pela Georgia Aquarium em 2005.

A maior aventura polar completa um século

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Ernest Henry Shackleton (Kilkea, condado de Kildare, 15 de fevereiro de 1874 — Geórgia do Sul, 5 de janeiro de 1922) foi um explorador polar que liderou três expedições britânicas à Antártida, e uma das principais figuras do período conhecido como Idade Heroica da Exploração da Antártida.

Uma das grandes aventuras da humanidade está completando 100 anos: a Expedição Imperial Transantártica de Sir Ernest Shackleton.

Shackleton (1874-1922) liderou três expedições britânicas à Antártica, mas foi a última, iniciada em dezembro de 1914 e encerrada em agosto de 1916, que o tornou uma lenda da exploração polar. Foi o maior fracasso da vida de Shackleton – e também seu maior triunfo.

A meta da Expedição Imperial Transantártica era ambiciosa: cruzar o continente antártico, por terra, de oeste para leste.

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A tripulação completa do Endurance, menos o fotógrafo Frank Hurley, claro

Em 5 de dezembro de 1914, Shackleton e 27 tripulantes deixaram a Ilha Geórgia do Sul a bordo do veleiro Endurance, de 144 pés (44 metros), construído na Noruega especialmente para a missão.

Em 18 de janeiro de 1915, um dia antes de chegar ao ponto da Baía de Vahsel onde a equipe deveria desembarcar, o Endurance ficou preso no gelo. Imobilizado num imenso platô congelado, o barco ficou vagando pelo mar de Weddel por mais de nove meses, até que, em 27 de outubro de 1915, foi esmagado pelas placas de gelo.

3Shackleton e sua tripulação abandonaram o navio. Pouco menos de um mês depois, em 21 de novembro, testemunharam, horrorizados, o Endurance afundando para sempre no gelo. Pelos cinco meses seguintes, a tripulação morou em barracas no banco de gelo, comendo carne de foca e esperando que o gelo se abrisse para que pudessem navegar em três botes salva-vidas rumo a qualquer lugar habitado.

4Em 9 de abril de 1916, finalmente, o gelo se abriu. Enfrentando ondas de dez metros e ventos de 100 quilômetros por hora no Mar de Weddel, os três botes – batizados com os nomes de financiadores da expedição, James Caird, Dudley Docker e Stancomb Wills – conseguiram chegar à inóspita Ilha Elephant. Foi a primeira vez em 497 dias que pisavam em terra firme.

Para se ter uma ideia da insanidade que era enfrentar um mar daqueles numa casquinha de noz, aqui vai a imagem de um cargueiro cruzando a Passagem de Drake

Para se ter uma ideia da insanidade que era enfrentar um mar daqueles numa casquinha de noz, aqui vai a imagem de um cargueiro cruzando a Passagem de Drake

Mas a parte mais arriscada da missão ainda estava por vir: Shackleton deixou 22 homens na Ilha Elephant e rumou com outros cinco no pequeno barco James Caird até a Ilha Geórgia do Sul, enfrentando frio de 20 graus negativos, ondas de vinte metros e ventos de 200 quilômetros por hora em um dos mares mais traiçoeiros do mundo, próximo à Passagem de Drake. Foto a direita:

Uma foto do barco James Caird

Foto do barco James Caird

Em maio de 1916, o James Caird chegou finalmente à Ilha Geórgia do Sul. Mas Shackleton e seus homens precisaram atravessar a ilha a pé, numa travessia inédita e tão perigosa que só foi realizada novamente em 1955, por uma equipe de alpinistas britânicos. Quando finalmente chegaram à estação baleeira de Stromness – barbados, imundos, fracos e com as roupas em farrapos – pareciam, segundo relatos, uma assombração. E assim que Shackleton se identificou, alguns marinheiros devem ter pensado estar diante de fantasmas, já que a tripulação do Endurance fora dada como morta.

Depois de alguns dias de descanso, Shackleton começou a organizar o resgate de sua tripulação. Ele pediu ao governo inglês um navio propício para enfrentar o Mar de Weddel, mas nenhum estaria disponível até outubro (é bom lembrar que isso tudo aconteceu em meio à Primeira Guerra Mundial). A solução foi pedir emprestado ao governo chileno o Yelcho, um barco a vapor de 120 pés (37 metros) que fazia a manutenção de faróis.

Às 13h10 do dia 30 de agosto de 1916, mais de quatro meses depois de abandonar 22 homens de sua tripulação, Shackleton chegou com o Yelcho à Ilha Elephant e os resgatou. Todos os 28 tripulantes do Endurance voltaram vivos.

Em 1959, o escritor e jornalista norte-americano Alfred Lansing lançou “A Incrível Viagem de Shackleton”, livro em que relata, por meio de diários e entrevistas com sobreviventes, os detalhes da Expedição Imperial Transantártica e dos quase dois anos de luta pela sobrevivência na área mais inóspita do planeta. É um dos melhores livros de aventura que já li. Recomendo demais.

Ponto selvagem, Elefante Island, o local onde o acampamento foi feito após o local de desembarque inicial foi identificada como inadequada

Ilha Elephant, o local onde o acampamento foi feito após o local de desembarque inicial foi identificada como inadequada

P.S.: O leitor Peçanha enviou um link que traz as fotos que Frank Hurley tirou da expedição de Shackleton. É sensacional. Confira aqui.

Do blog "Leu esse, Carol? A Incrível Viagem de Shackleton

Do blog “Leu esse, Carol? A Incrível Viagem de Shackleton

Categoria: Vai ser pra mim Sobre: Textos de outros autores Sobre o autor: André Barcinski nasceu em 1968. Foi colunista e crítico da Folha de S. Paulo. Escreveu quatro livros e dirigiu dois filmes. Produz e dirige os programas de TV “O Estranho Mundo de Zé do Caixão” e “Nasi Noite Adentro”, no Canal Brasil. Ganhou o prêmio Jabuti de melhor livro de não-ficção por "Barulho - Uma Viagem ao Underground do Rock Americano" (1992) e o Prêmio do Júri do Festival de Cinema de Sundance (EUA) pelo documentário "Maldito" (1998), sobre o cineasta José Mojica Marins Imagem em destaque: Voltando ao navio depois de uma excursão

Categoria: Vai ser pra mim
Sobre: Textos de outros autores
Sobre o autor: André Barcinski nasceu em 1968. Foi colunista e crítico da Folha de S. Paulo. Escreveu quatro livros e dirigiu dois filmes. Produz e dirige os programas de TV “O Estranho Mundo de Zé do Caixão” e “Nasi Noite Adentro”, no Canal Brasil.
Ganhou o prêmio Jabuti de melhor livro de não-ficção por “Barulho – Uma Viagem ao Underground do Rock Americano” (1992) e o Prêmio do Júri do Festival de Cinema de Sundance (EUA) pelo documentário “Maldito” (1998), sobre o cineasta José Mojica Marins
Imagem em destaque: Voltando ao navio depois de uma excursão

“O condomínio torna a cidade mais desigual. É preciso inibi-lo”

Urbanista fala sobre política de mobilidade e os desafios que a cidade deixa para próxima gestão

Geraldo Moura, doutor em urbanismo pela USP RAFAEL RONCATO

Geraldo Moura, doutor em urbanismo pela USP Foto: RAFAEL RONCATO

Os trilhos do metrô não chegam a toda São Paulo e, quando chegam, perdem a oportunidade de levar uma de suas principais vocações: desenvolvimento urbano em áreas periféricas. Segundo o urbanista Geraldo Moura, há várias explicações para isso, mas uma das principais é que o sistema metroviário não está sendo pensado para responder a pergunta “que cidade queremos?”, mas apenas para reforçar lógicas já estabelecidas. Doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade São Paulo, Moura fala sobre transporte, desenvolvimento urbano e os principais desafios do próximo prefeito de São Paulo do ponto de vista urbanístico. Leia os destaques da entrevista ao EL PAÍS abaixo.

Parque Ibirapuera - Sao Paulo. Foto incrível de Thiago Leite

Parque Ibirapuera – Sao Paulo.
Foto incrível de Thiago Leite

Pergunta. Em outubro temos eleições municipais. Transporte sobre trilhos é uma atribuição da administração estadual, mas levando em conta que mobilidade é uma das principais questões de São Paulo, quais serão os desafios de um próximo prefeito?

Resposta. Em minha opinião, são sete pontos que devem ser levados em consideração. 1) Trazer “cidade” para regiões dormitórios. Implantação de equipamentos de transporte, com equipamentos integrados nas regiões de estações de metrô e corredores de ônibus é fundamental. 2) Trazer gente de volta para o centro. É garantir acesso para que a pessoa possa morar perto das oportunidades. 3) Inibir a cidade murada. É incentivar a proliferação de espaços de convívio, principalmente de convívio entre diferentes. 4) Impedir a proliferação dos condomínios. O condomínio dificulta a continuidade das infraestruturas, principalmente de transporte, e faz com que os bairros fiquem “monossociais”, que uma camada social fique cada vez mais distante da outra, o que torna a cidade mais desigual. É preciso inibi-lo. 5) Tirar espaço de carros. É dar, claramente, cada vez mais espaço para ônibus e meios não motorizados.

P. Antes de você completar a lista, já é possível dizer que muitos desses pontos coincidem com medidas tomadas por Fernando Haddad. Apesar disso… A popularidade dele não é boa. Aliás, tudo indica que ele terá muitas dificuldades para se reeleger.116865915.pEBRV7go

R. Sim, mas não estou falando da disputa política pequena, mas de cidade. Acredito que esse é um preço pago pelos governantes que ousaram enfrentar a questão. Em Bogotá, com o prefeito Enrique Peñalosa, que nunca poderia ser chamado de esquerda, aconteceu algo semelhante. Ele fez o que era preciso, transformou a cidade em uma referência para a mobilidade, e não se reelegeu. [Depois de 12 anos, Peñalosa foi eleito novamente agora]. Acho que justamente por ter acertado, a atual Prefeitura de São Paulo pode ter se inviabilizado eleitoralmente.

P. E por que isso acontece?

“Justamente por ter acertado, a atual Prefeitura de São Paulo pode ter se inviabilizado eleitoralmente”

R. Porque mudar a cidade requer mexer em questões estabelecidas. A questão das bicicletas é exemplar disso. Ela não é só um modo de mobilidade, mas um jeito de fazer essa repactuação do espaço público. É claro que ao longo do processo tem sofrimento: a bicicleta vai, obviamente, acabar se tornando perversa em algumas situações para o pedestre, além de tomar parte do espaço anteriormente destinado aos veículos, e isso vai gerar reclamações. É um processo conflituoso, mas necessário se queremos falar de mobilidade. E, mais uma vez, não dá pra falar de transporte sem falar de cidade, de espaço. Nunca é demais lembrar o Milton Santos: “o espaço é formado por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá”.

P. E quais são os outros dois pontos da lista de sete?

R. Vamos lá. 6) Induzir uma cidade mais compacta. O que significa impedir a proliferação de periferias cada vez mais distantes. 7) Vincular adensamento com infraestrutura de transporte. Ou seja, é adensar áreas que ficam perto dos eixos de mobilidade, como metrô e corredores de ônibus. É curioso notar que isso também começou a ser feito pela atual gestão. O novo Plano Diretor da cidade prevê que haja adensamento habitacional nos principais eixos de transporte.

P. Ou seja, apesar da Prefeitura não ser responsável pelo metrô, quando falamos em mobilidade, falamos de outras questões. Certo?

R. Sim e é por isso que mobilidade não se resume a uma questão técnica, que fazer metrô não pode ser apenas uma discussão tecnológica, como tem sido muitas vezes. Não dá pra falar de transporte e não falar de planejamento urbano. São Paulo tem uma região metropolitana da ordem de 20 milhões de habitantes. As oportunidades, contudo, estão extremamente centralizadas. Isso é fruto de uma lógica em que as pessoas vivem longe e tem que se deslocar muitos quilômetros para trabalhar. O que é preciso é levar cidade para onde só tem gente morando. E qual é um modo de fazer isso? Construir metrô, transporte, mas isso não basta. Junto com o metrô, é necessário pensar equipamentos que façam as pessoas quererem se mudar para perto das estações. É levar escola, emprego, faculdade, lazer e garantir também que pessoas alijadas pela lógica do mercado imobiliário possam morar nas imediações de maneira adequada. Ou seja, o grande problema de quando falamos em transporte é que ele é pensado sozinho. Não dá para fazer assim, o planejamento tem que vir todo junto.

Participação de investimentos no metrô paulista GERALDO MOURA

Participação de investimentos no metrô paulista GERALDO MOURA

P. Se fosse de responsabilidade da prefeitura, você acredita que o sistema metroviário paulistano teria mais sucesso?

R. O Metrô não se limita a uma cidade, é um transporte metropolitano, por isso, mais do que a questão de se é uma responsabilidade do Estado ou da Prefeitura, a verdade é que no Brasil temos carência de entidades metropolitanas. Os comitês que gerenciam as bacias hidrográficas são, talvez, um exemplo mais próximo de como a questão deveria ser trabalhada. É um desafio, porque às vezes, em uma única mancha urbana, você tem oito, dez prefeituras de partidos diferentes. Só que a existência dessa entidade facilitaria muito, porque o Governo estadual não entende nada da relação urbana do poder local. E a questão fundamental quando falamos de transporte, mais do que qual tecnologia usar, é que tipo de cidade nós queremos.

P. Como assim?

R. De todas as estruturas da cidade, as de transporte são as que mais induzem o crescimento do território. Quando o Metrô vai fazer uma linha nova, ele trabalha com a pesquisa Origem e Destino. Ele pergunta para as pessoas de onde elas vêm e para onde vão. A partir daí, estabelece o traçado. Tudo certo? Não. Porque você reforça a lógica, presente no desenho de avenidas da cidade, que é muito anterior ao metrô, de morar longe e trabalhar no centro. A pesquisa Origem e Destino só reforça isso, logo, o traçado do metrô também. Chega uma hora que essa dinâmica de deslocamentos fica inviável. É só entrar na Sé, às 17h30 da tarde, e ver o que acontece. “Por que o Metrô fala uma coisa e faz outra? Ele sempre defendeu que o sistema metroviário é um indutor de crescimento, de planejamento urbano, mas isso nunca aconteceu de fato”

P. Qual é a alternativa?

R. É quebrar essa lógica que chamamos de “radiocêntrica”. E isso não pode partir apenas de uma questão técnica, mas de se perguntar que cidade nós queremos. Toda nova linha de metrô deveria vir com medidas de planejamento territorial. São Paulo é um dos lugares do mundo em que as pessoas mais se deslocam da periferia para o centro, do centro para a periferia, para trabalhar. Por isso não dá para tratar a questão do transporte público como uma questão estritamente técnica.

P. O Metrô não tem levado desenvolvimento urbano para a cidade?

R. A questão aqui, que é a mesma que eu coloquei na minha tese, é: por que o Metrô fala uma coisa e faz outra? Ele sempre defendeu que o sistema metroviário é um indutor de crescimento, de planejamento urbano, mas isso nunca aconteceu de fato.

P. Nem na construção da Linha 3 – Vermelha, que vai até Itaquera, na zona leste da cidade?

Luiza no Copan por Autumn Sonnichsen

Luiza no Copan por Autumn Sonnichsen

R. Ali isso esteve próximo de acontecer, mas vamos fazer alguns recortes históricos para responder isso. Na época da construção da Linha 1 – Azul, o primeiro trajeto da cidade, já se sabia que o traçado mais carente e importante era o Leste-Oeste, mas o Norte-Sul foi privilegiado na construção da linha, sob a justificativa que a região leste era atendida pela RFFSA – atual CPTM. Mas, um dos motivos centrais parece ser claro: havia espaço para o mercado imobiliário expandir na ponta sul da cidade. E qual é o sentido de construir a Linha 2 – Verde na Avenida Paulista? Ela operou durante anos só naquele trecho, sem ligação com outras linhas. A Linha 3 – Vermelha, por sua vez, que é a segunda a ser construída na cidade, além de fazer a ligação necessária (Leste-Oeste), também tinha um plano de desenvolvimento, com planejamento habitacionais, áreas de interesse, etc.

P. E o que deu errado?

São Paulo sob a lente de Autumn Sonnichsen

São Paulo sob a lente de Autumn Sonnichsen

R. Foi um problema institucional. Até a construção da Linha 3 – Vermelha, na década de 1970, a responsabilidade era, em maior parte, da Prefeitura. Naquela época, contudo, ele passa para o âmbito estadual, que tem maior poder de investimento. No caminho, perdeu-se a preocupação de planejamento urbanístico quando o assunto é metrô. Por isso, eu falava sobre uma entidade metropolitana que conseguisse juntar visões diferentes. “É simbólico que o trajeto mais novo da cidade, a Linha 4 – Amarela, tenha começado a operar justamente na Faria Lima e que seu trecho que iria um pouco mais longe não foi entregue até hoje”

P. E em que pé estamos hoje?

Mais Autumn Sonnichsen, mais São Paulo

Mais Autumn Sonnichsen, mais São Paulo

R. Continuando a digressão histórica, é simbólico que o trajeto mais novo da cidade, a Linha 4 – Amarela, tenha começado a operar justamente na Faria Lima e que seu trecho que iria um pouco mais longe não foi entregue até hoje. Por volta dos anos 1990, houve um momento em que o Metrô, já fora do âmbito da Prefeitura, perdeu completamente a preocupação com a cidade. E isso vem muito na esteira de uma lógica neoliberal de iniciativa privada. A linha com a iniciativa privada, como é o caso da amarela, tem dois problemas: o que é vantajoso para o mercado em termos de deslocamento? Que as pessoas peguem muito trem e o use para pequenos deslocamentos. Isso significa mais lucro. Só que o metrô é sistêmico. Se a pessoa tem que fazer 28 trocas de trens para ir do ponto B ao X, ela pagará só uma passagem e na lógica do mercado isso é péssimo. Quer dizer, tanto faz quem opera a linha: se é iniciativa privada ou pública. Mas algumas questões tem que ser respeitadas e a prática vem mostrando que elas não são.

P. Comparativamente com outros países do mundo, inclusive da América Latina, São Paulo perde feio em quilometragem de metrô. Mas em relação a outras cidades brasileiras, ganha. Por que a falta de trilhos nas grandes cidades é uma problema nacional?

R. É uma pergunta com várias respostas. Uma delas é a opção rodoviarista que foi feita, pela primeira vez, lá em 1930. É só lembrar que o lema do Washington Luís era “governar é abrir estradas”. Em 1956, o Juscelino Kubitscheck aprofundou isso ao trazer a indústria automotiva. Depois, os militares foram ainda mais fundo e acentuaram essa tendência. Duas outras coisas explicam. A primeira é que o investimento ferroviário inicial é maior do que o rodoviário e, apesar de ao longo prazo os custos de manutenção caírem, o investimento não funciona para o timing eleitoral. A segunda questão, fundamental, é que a capilaridade do sistema rodoviário te permite um mercado imobiliário muito maior e sem controle. É bem aí que se perde o debate. Vamos pensar: se você abrir uma ferrovia, o crescimento ficará condicionado aos arredores das estações. Se você fizer uma rodovia, a mancha urbana pode se estender em qualquer ponto. O que é melhor para o mercado imobiliário?

Categoria: Pilares de Criação Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas, Urbanismo Fonte: El País Imagem em destaque: Projeto para CPTM União de Vila Nova do escritório Edson Bassi em parceria com o arquiteto Tetsuro Hori

Categoria: Pilares de Criação
Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam
Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas, Urbanismo
Fonte: El País
Imagem em destaque: Projeto para CPTM União de Vila Nova do escritório Edson Bassi em parceria com o arquiteto Tetsuro Hori