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Em outubro de 2009 depois da tentativa fracassada em ler um romance vampiresco fui desafiada pela minha irmã mais nova, K. Luthién Farias a escrever um livro melhor. Foi quando juntei algumas notas, observações e desenhos que vinha acumulando nos 2 anos anteriores. Era minha ideia em fazer um livro sobre um grande amigo que infelizmente desenvolvera linfoma. Fazíamos faculdade de arquitetura na mesma sala e quis homenageá-lo com um livro. Alexandre Augusto Martins foi uma das almas mais bondosas, generosas, de caráter excepcional, justo, alegre, inteligente que conheci ao longo de minha vida. E olha que o que eu mais conheci na vida foram pessoas com tais características. Tempos antes tinha lido uma matéria sobre morar em um condomínio de luxo sobre um shopping e ri muito. A segurança era coisa para o FBI, as lojas chiquérrimas, as madames bizarras, os homens de negócios caricatos, as crianças enjoadas e os cães parecendo tapete escovado. Ora, no ano de 2009 também era aniversário de nascimento de Carmen Miranda uma de minhas cantoras favoritas. Naquele ano se estivesse viva seria 100 anos.

No ano anterior estava em projeto 4 e tínhamos que desenvolver uma casa para uma família que deveríamos criar. Nasce assim a seguinte família:

Biografia da cantora de radio e seus filhos drags queen Cosma e Damiana

Elvira de Oliveira Prudêncio: é fumante, ex-cantora de rádio e pesquisadora na área de música para uma grande gravadora, foi quem construiu a casa e tem por empregada Aurélia;

Adamastor de Oliveira Prudêncio: irmão gêmeo é advogado e é a drag-queen Damiana;

Ananias de Oliveira Prudêncio: irmão gêmeo dubla desenhos animados e drag-queen Cosma; 

Elizete Prudêncio: irmã de Elizete, dançarina de ventre, morou um tempo em Marrocos. Quando sua irmã Elvira, os gêmeos e seu irmão Élcio foram visita-la, resolveu voltar para o Brasil com eles. Trabalha com a irmã na pesquisa. É budista;

Élcio Prudêncio: é fumante, irmão mais velho das duas e paraplégico por poliomielite. Professor aposentado de filosofia pela USP. Costumava praticar corrida com cadeira de roda junto a Cosma. Foram proibidos de frequentar a estação Barra Funda do metro por atropelarem um usuário. No caso a arquiteta Jordana;

Nasce assim a personagem Augusto Geronimo Martins. Lembro que Geronimo veio depois de assistir o TFG de Leandro Gomes, ele tem Geronimo no sobrenome. Perguntei ao Alexandre se ele gostava da ideia. Ele aprovou.

Para homenagear Carmen Miranda e um pouco da música brasileira, Augusto decide fazer uma peça onde seus amigos de infância, Ananias e Adamastor irão representar a Cantora.

Em 2013 finalmente acabei. Depois de muita leitura, pesquisa, filmes, música, desenhos animados, gibis, HQs, o livro ficou pronto. Inúmeros personagens desfilam por mais de 900 páginas. É um livro de aventura, entretenimento, crítica, arquitetura, música, fantasia. Nesse ano em março fiz esse blog para ser suporte para quando o livro fosse publicado.

Minha irmã leu. Perguntei a ela se meu livro de vampiros ficou melhor.

Para acessar a página do livro na Amazon clique aqui.

Resumo:

Após comprar um apartamento em um condomínio de alto luxo, construído sobre um shopping, Augusto não satisfeito contrata uma arquiteta. Pensando que o estilo do edifício é neoclássico, pede a ela que a decoração siga a mesma linguagem. Porém suas preocupações logo são substituídas por uma peça e um imprevisto.

A peça de teatro é em homenagem a sua musa, Carmen Miranda. Para tal chama seus amigos de infância, Levy, Adamastor e Ananias. Levy é dono de uma produtora de filmes pornô. Ananias e Adamastor são ator-dublador desenhos animados e advogado, respectivamente. Ambos são as drags queens Cosma e Damiana, na noite paulista e interpretaram Carmen Miranda e Maria do Carmo.

O imprevisto Augusto terá que lidar de forma amarga, junto as mulheres que ama e com um pouco de humor.

Para os filhos, Abigail, design de joias e Nicolas, empresário dono de uma funerária de luxo, Bartolomeu tem um terrível segredo. Durante muito tempo ele os observava de perto e chegava à conclusão de que estavam fora de perigo. Dá a cada um uma unidade no luxuosos condomínio, que pela segurança, considera um lugar ideal.

Leandro César considera que o lugar ideal é um condomínio sobre o mar. Em outras palavras um navio. Com apartamentos, restaurantes, teatro, casas de show, as surpresas em sua maioria são boas e caras. Na maioria das vezes…

Infelizmente para Lucrezia o passado a persegue. Médica na Santa Casa, ela tem em seu apartamento todo o inferno que a cerca há muito tempo. Buscando a paz sem jamais encontra-la, persegue de maneira instintiva uma das moradoras. Talvez nela encontre o que procura.

Frente ao Rio Pinheiros, da cobertura Zípora vê um falso estilo neoclássico de um edifício que se ergue sobre um shopping center. Ela traz trancada em um baú o passado, uma mulher que no curso natural da vida deveria estar morta a mais de 3 mil anos. Ela sorri para Zípora, ela é sua amante.

Uma equipe de cientistas busca pelo mundo provas e uma ligação consistente da existência de um dilúvio global. Seja no Mar Negro onde no passado fora um grande lago de água doce, em Gobero no Níger, estudando duas etnias distintas. Analisando o Bólido de Tollmann e a Corrente do Golfo Pérsico.

Lembrando os clássicos de vampiro como A morte amorosa de Théophile Gautier, Drácula de Bram Stoker e Carmilla de Joseph Sheridan Le Fanu. Não deixa de também de lançar um olhar cínico sobre a literatura de vampiros, a elite de um modo geral, a falta de memória do povo brasileiro e a descrição de um país claudicante, quase morto.

Categoria: Memórias póstumas de Cosma e Damiana Sobre: Textos que escrevi, escrevo e outros textos Imagem em destaque: Alexandre Augusto Martins

Categoria: Memórias póstumas de Cosma e Damiana
Sobre: Textos que escrevi, escrevo e outros textos
Imagem em destaque: Alexandre Augusto Martins

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Cunha se deu bem. E o Brasil, otário, se deu mal

Texto de André Forastieri, acesse na página do Autor aqui.

cunhadoido23 11 Cunha se deu bem. E o Brasil, otário, se deu mal
Cunha foi preso. É ladrão de galinha. Quis voar alto demais. Caiu rápido. Sua trajetória pode servir para a gente melhorar nosso país em duas coisas muito importantes. É duvidoso que isso aconteça.
A acusação mais clara e letal contra Cunha é ganhar propina nos esquemas da Petrobras e mandar para o exterior, para a Suíça. Quanto? Ninguém sabe. Falam de R$ 52 milhões na Suíça. Para quem chegou a presidente da Câmara, é dinheiro de pinga. Deve ter muito mais dinheiro em outros lugares.
Até porque só amador ainda tem dinheiro na Suíça. Os super ricos do mundo sabem faz tempo que é melhor colocar seu dinheiro desviado em outros paraísos fiscais. Segundo a organização não-governamental Global Financial Integrity (GFI), entre 2004 e 2013 os milionários brasileiros mandaram para o exterior ilegalmente uma média de U$ 22,6 bilhões por ano. Em português claro: setecentos e setenta bilhões de reais. Todo esse dinheiro foi para paraísos fiscais. Por quê? Porque era dinheiro ganho limpo no Brasil? Não, porque era dinheiro sujo. Os ricos brasileiros pagam pouquíssimo imposto. As grandes empresas brasileiras pagam pouquíssimo imposto. No Brasil o Caixa 2 é sempre a primeira opção, nunca a segunda.
A Suíça é um destino cada vez menos popular para recursos do crime, da corrupção, do narcotráfico, ou simplesmente dinheiro de Caixa 2, escamoteado por ricaços. Quem diz é o próprio Banco Central da Suíça. Segundo eles, no ano 2000, os correntistas brasileiras chegaram a ter US 6,2 bilhões depositados em bancos suíços. Em 2015, tinham “só” US 4,3 bilhões. Continua sendo muito dinheiro, mas é uma queda enorme. A razão é porque a Suíça vem sendo pressionada para aumentar a transparência financeira. Outros países seguem sem pressão nenhuma e viraram os destinos prioritários do dinheiro sujo do planeta.
A prisão de Cunha poderia ser um bom começo para o Brasil entrar a fundo na questão dessa dinheirama nossa que está no exterior. Afinal, é dinheiro que foi mandado ilegalmente para o exterior, sem pagar imposto, e deveria estar aqui sendo útil para a população. Esse dinheiro que o GFI identificou, R$ 770 bilhões, para pagar 28 anos de Bolsa Família, que em 2016 é um investimento de R$ 27 bilhões por ano. Ou, alternativamente, fazer uma revolução na nossa saúde, educação, segurança. Mexer com esse vespeiro é coisa que está bem longe da pauta da Justiça. Da Receita. E da Lava-Jato. Seria arrumar uma treta com a elite da elite, os 0,1% que de fato dão as cartas no Brasil.
A segunda maneira de fazer da prisão de Cunha algo importante é ser extremamente, brutalmente rigoroso com ele com os que o cercam. Apertar, apertar, apertar. Para forçar ele a abrir o bico sobre os grandes esquemas de corrupção, de todos os partidos. E para forçar ele a nos contar o que sabe sobre a movimentação que derrubou Dilma Rousseff. Sem a participação de Cunha, Temer jamais teria ascendido à presidência. É evidente que ele sabe de todas as negociações, todas as movimentações, todos os acordos que levaram ao impeachment. Mas se Cunha conta 10% do que sabe sobre a corrupção, ou 10% dos bastidores do impeachment, não fica pedra sobre pedra.
Essa seria a hora dos brasileiros, tanto os que foram a favor como os que foram contra o impeachment, se unirem com um objetivo maior. Que é fazer a prisão de Cunha representar uma grande mudança no nosso país. Sonhar é grátis… Infelizmente, e o brasileiro comum na rua sabe disso, a real é que Cunha tem 99% de chance de se dar bem.
O mais provável é que Eduardo Cunha fale pouco, entregue gente sem importância, pague algum dinheiro, pegue alguma cadeia. E só. Vamos continuar pagando de otários dos poderosos. Sem impacto no dinheiro sujo que os super ricos desviam para o exterior, sem impacto na corrupção institucionalizada, sem impacto no sistema político do Brasil, a prisão de Cunha será só um show de mídia, com cheiro de acordão. Uma história cheia

Categoria: Vai ser pra mim Sobre: Textos de outros autores ou autor convidado Textos de André Forastieri

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Textos de André Forastieri

de som e fúria, significando nada.