Barbara

Em maio de 1977, dois anos antes de sua morte, escrevia Barbara Hutton, aos cuidados da firma de advocacia que a

representava em NY, Cahill, Gordon Reindel, manifestando interesse em me encontrar com ela para debatermos a

possibilidade de eu escrever sua biografia. Para ser bem franco tinha poucas esperanças relativas ao sucesso do projeto e mais reduzidas ainda quanto a perspectiva de um encontro pessoal, para não mencionar a série de entrevistas que eu sabia serem essenciais à qualquer tipo de biografia significativa. Tudo era contrário ao empreendimento. Eu era conhecido – na

Devo entoar uma canção de extase Todos o esperam de mim; Devo rir Encher o mundo de alegria É o que esperam de mim. Pois que o diabo levem a todos E as suas expectativas, De mim só ouvirão Lamentos Barbara Hutton

Devo entoar uma canção de êxtase
Todos o esperam de mim;
Devo rir
Encher o mundo de alegria
É o que esperam de mim.
Pois que o diabo levem a todos
E as suas expectativas,
De mim só ouvirão
Lamentos
Barbara Hutton

medida em que me conheciam – como escritor de resenhas e biografias literárias, algo bem distante dos círculos do Jet-set

que Bárbara Hutton havia habitado. Uma fonte confiável me informara também que ela já não aparecia em público, estava inválida e vivia semi-reclusa na suíte do 10º andar do hotel Beverly Wilshire em Beverly Hills. Ademais a anos não tinha contato com representante da imprensa em entrevista prolongada. Quais seriam, nesse caso, as chances de consentir numa conversa num pretenso biógrafo? Os únicos aspectos da minha abordagem que pareciam oferecer um pálido raio de esperança eram o tom direto da minha indagação inicial, e um estreito volume de poesias que eu tinha escrito há vários anos e enviei num envelope separado. Bárbara era, de certo modo, poetisa, uma vez que havia publicado dois volumes diversos. Foi evidentemente a minha poesia, e não a usada sugestão da biografia, que provocou uma resposta. Uma coisa levou a outra. No final de 1978 não só havia conseguido uma série de entrevistas, como também tomara conhecimento de um grande volume das lembranças de Bárbara Hutton – um apanhado de velhos jornais e revistas, poesias (publicadas e inéditas), cadernos de notas, fragmentos de papel, desenhos, fotos e correspondências. Os escritos de Bárbara, embora não organizados em ordem cronológica, ou particularmente literários, constituíam, ainda assim, um vigoroso documento pessoal, um doido aglomerado de palavras de amor, casamento, sexo, infância, riqueza, caridade, angústia e amizade. Daí emergiu um quadro da sua vida particular, que parecia bem mais revelador do que a brilhante imagem elaborada pelo público e baseada em cinquenta anos de sensacionais insinuações da imprensa. O mérito maior dos escritos de Bárbara é a atenção ao detalhe, à reconstituição de episódios, cenas e conversas que poderiam de outro modo perder-se definitivamente. Tais reflexões, unidas às minhas entrevistas com Bárbara e outras pessoas que a conheceram, constituem a estrutura básica desse livro. Na medida em que é possível escrever a biografia definitiva de Bárbara Hutton pode-se dizer que, na verdade, ela escreveu a sua.

C. David Haymann

New York City

Janeiro de 1984

Imagem em destaque: Cara Delevingne usa colar da coleção que a Lavin fez inspirada em Barbara Hutton

Imagem em destaque: Cara Delevingne usa colar da coleção que a Lavin fez inspirada em Barbara Hutton

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