Maysa

Logo que me mudei para Guaianases soube que uma das minhas vizinhas chama-se Maysa. Nessa época poucas pessoas lembravam quem era Maysa, a cantora melancólica de olhos verdes. Comentei com ela sobre sua chara. Não lembro se ela já tinha ouvido falar da cantora. Os anos passaram e a Maysa casou e teve três filhos, primeiro duas meninas (não são gêmeas, apenas próximas em idade) e tempo depois um menino. Acho que a única coisa que as duas têm em comum são os olhos claros. Opostos, a Maysa de Guaianases tem quase sempre um sorriso, diferente da diva cantora que carrega a tristeza. É casada há quase 15 anos com um namorado da adolescência, tem uma mansidão que seria estranha a Maysa, a cantora. Mais estranho para mim era por que Jayme Monjardim que trabalha na Globo

Maysa se casou com Robson em Dezembro de 1995. Um dos casais mais fofos que conheço.

Maysa se casou com Robson em Dezembro de 1995.

não trazia a mãe para o conhecimento popular? Passara tanto tempo da morte dela, mais de 30 anos e eis que apareceram duas biografias sobre a cantora uma escrita por Eduardo Logullo e depois outra escrita por Lira Neto. Mesmo assim ainda era pouco para torná-la popular ou mesmo causar conhecimento e reconhecimento.

No final de 2008 estava frente a vitrine de uma livraria com uma parente e ela ficou irritada com a exposição que Maysa sofreria. Duas biografias, e aquela altura já sabíamos da minissérie. Jayme Monjardim faria a minissérie tirando sua mão do ostracismo. Espantei-me com o comentário da parenta. Primeiro, ela conhecia Maysa por meu intermédio, segundo, Maysa é uma artista e deve ser consumida até a última gota pelo publico brasileiro, é direito dela, é direito dele. Não é direito determinadas pessoas usarem a arte e cultura para enobrecimento próprio. Coisinhas do tipo: eu conheço ninguém mais conhece. Se virar popular, eu desprezo. Fico indignada com esse tipo de raciocínio onde pessoas que se acham intelectuais usam determinados elementos para se diferenciar dos outros, meras rales.

Esquecendo tal parenta e voltando a minha vizinha, ela enfim soube quem era Maysa. A força de sua personalidade, o quanto estava à frente de seu tempo, e do nosso também, a paixão de como vivia e administrava sua vida e obra. Nada se compara aqueles olhos de um mar não pacifico.

Há exatos 20 anos (1993) perguntei a minha vizinha se ela conhecia Maysa, agora ela conhece.

Imagem em destaque a pequena Maysa no colo da mãe, Tânia Mara.

Imagem em destaque a pequena Maysa no colo da mãe, Tânia Mara.

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