Memórias Póstumas de Cosma e Damiâna

0,,17000547-EX,00

Centro histórico de São Paulo

O Homem teme o Tempo, mas o Tempo teme as Pirâmides

Quem não se lembra de uma das mais marcantes cenas de Drácula, quando o navio que traz o vampiro chega com o comandante morto, preso ao leme? Um cão enorme que pula na água e some em Londres? O trecho que narra a vigem do conde para Inglaterra é uma das passagens mais assustadoras do livro e as adaptações para o cinema não deixam por menos.

o navio que traz o vampiro chega com o comandante morto, preso ao leme? Um cão enorme que pula na água e some em Londres - Tela de David Lane

O navio que traz o vampiro chega com o comandante morto, preso ao leme. Um cão enorme que pula na água e some em Londres. – Tela de David Lane

A forma que o autor conta a historia é um ponto bastante interessante. Em forma de diário os personagens Jonathan Harker, Mina ou Arthur Holmwood, narram seu encontro e desencontro com o vampiro. Essas narrativas, de pontos de vista diferentes, dão vida ao personagem maligno.

O menos vampiresco das personagens de Passa lá em casa, Leandro César, e a quele que homenageia Drácula

O menos vampiresco das personagens de Passa lá em casa, Leandro César, e a quele que homenageia Drácula – Imagem de Nick Gentry

O menos vampiresco dos personagens de Passa lá em casa é justamente o que faz uma homenagem a Drácula, o jornalista Leandro César Fiaschi.

O personagem Nicolas tem um amigo, até aí sem novidades. Acontece que eu queria um amigo que fosse o oposto de um empresário que leva uma vida pacata sem grandes novidades. Mais um que mora num condomínio fechado, tem uma irmã e pretensões socialistas. Durante um tempo fiquei matutando sobre esse amigo que não acontecia. Por fim conversando com um colega de faculdade perguntei sobre as férias dele. O cara passou as férias a la Indiana Jones. Viajou pelo Egito, Marrocos e outros lugares diferentes de nossa cultura. Lembro que na época estava havendo as manifestações no Egito e o lugar estava meio perigoso. Ele visitou outros lugares do continente africano e o Oriente Médio. Era uma semente a germinar. O tempo passou e apenas uma fração do personagem estava em minha mente quando me deparei com uma reportagem de uma espécie de navio-condomínio. Pois era tudo que eu esperava, e assim o personagem se formou em mim com moradia, profissão e a aparência física que roubei de um amigo, Leandro César.

Os apartamentos vão desde duplex a unidades com um dormitório. Também há cabines para um publico flutuante. - Tela de Nancy Loughlin

Os apartamentos vão desde duplex a unidades com um dormitório. Também há cabines para um público flutuante. – Tela de Nancy Loughlin

O navio que me surpreendeu foi o Magellan. A proposta era simples, compre um apartamento e passe a vida sobre os oceanos. Mas vamos aos números, afinal luxo sem expressões quantitativas não é digno. Esse endereço único passara por 300 portos, mais 150 países dentre locais como Cannes, Veneza, Istambul, Caribe…

Além de ter uma marina retrátil onde o morador pode ir mar afora com lanchas, barcos e jet-skis há piscinas externas e internas cascatas d ‘ água e jardins internos forjando um clima tropical. Há um telescópio com um astrônomo a bordo. Quatro restaurantes cinco estrelas, cassino, nightclub teatro e heliporto. Salas de conferencia, supermercados, lojas, quadra de tênis, minigolfe, spa, salas de ginasticas e muitos outros atrativos, enfim uma pequena cidade flutuante.

Os apartamentos vão desde duplex a unidades com um dormitório. Também há cabines para um publico flutuante.

Outros navios-condomínios foram construídos seguindo esse modelo.

Eis que meu personagem encontra-se perfeitamente instalado em um. Repórter-fotográfico que faz matérias para revistas de turismo não poderia estar em um lugar melhor.

De e-mail a e-mail

Estruturalmente, Drácula, é um romance epistolar, ou seja, contada como uma série de cartas, entradas de diário, registros de bordo etc.

Bram Stoker publicou seu romance "Drácula" em maio de 1897, estruturando-o como um romance epistolar, escrito a partir de uma série de cartas, relatos, diários pessoais, reportagens de jornais, registros de bordo, etc. A solução narrativa do autor foi brilhante: narrar a história a partir dos diários e memorandos de seus protagonistas, com isso as confissões e desesperos dos envolvidos na trama vão dando forma ao perigo, que só muito depois se torna completamente evidente. Ele nos apresenta também os costumes, tradições e a cultura da Inglaterra vitoriana e o a reação dos britânicos com relação ao que vem do estrangeiro, personificado através do medo arquetipiano da figura do vampiro. Nesse sentido, a realidade do racionalismo britânico entra em choque com o sobrenatural, explicitado através das figuras opostas de Drácula e de Van Helsing, ambos estrangeiros e pertencentes a sociedades estranhas aos costumes britânicos. A atmosfera gótica é o pilar do romance: a maior parte da história se passa na Inglaterra, berço da civilização industrial e para onde o Conde se dirige com o intuito secreto de conquistar o mundo, o que é apenas sublimado ao longo da narrativa. Quando o conhecimento científico encontra seu limite para lidar com os fatos, resta o conhecimento popular. É desse conhecimento que Van Helsing tira os procedimentos necessários para acabar com o vampiro. As dicotomias entre as figuras do bem e do mal são figuradas nos personagens humanos e nos vampiros. O único contato entre os universos é a sensualidade e o erotismo. O medo de vampiros é anterior à publicação da obra de Stoker, tendo já aparecido em 1819, na obra "O Vampiro", de autoria de John Polidori (1795-1821), contemporâneo de Mary Shelley e de Lorde Byron, entretanto, a propagação do mito e do medo e a inspiração para milhares de outras fabulações sobre vampirismo, deve-se, e muito, ao romance Drácula. O personagem principal, que é apresentado indiretamente através das narrativas dos demais personagens, pode ter sido inspirado na vida do príncipe Vlad Tepes, cuja crueldade e prazer em ver a agonia de suas vítimas contribuíram para que Bram Stoker criasse um ser tão perverso. Quando foi publicado em 1897, Drácula não foi um best-seller imediato, embora as críticas fossem extremamente favoráveis, classificando classificou Bram Stoker como sendo superior a Mary Shelley e Edgar Allan Poe. O romance tornou-se mais significativo para os leitores modernos do que foi para os leitores contemporâneos do autor, atingindo seu grande status lendário clássico ao longo do século 20, quando as versões cinematográficas apareceram. No entanto, alguns fãs da época vitoriana o descreveram como a sensação da temporada e o romance de gelar o sangue do século. Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, escreveu a Stoker, afirmando, Escrevo-lhe para dizer o quanto eu gostei de ler 'Drácula'. A história de "Drácula" tem sido a base de incontáveis filmes e peças, ópera, balé, graphic novels e inúmeras outras mídias, sendo que o número de filmes que incluem referências a Drácula direta ou indiretamente chega a mais de 649 adaptações. A primeira adaptação para os palcos, encenada em 18 de maio de 1897, foi escrita e dirigida pelo próprio Bram Stoker e encenada uma única vez em Londres. A primeira adaptação para o cinema ocorreu em 1922 e envolveu uma questão judicial entre o diretor do filme e o espólio de Bram Stoker. F. W. Murnau, o diretor do filme, lançou a história com o título "Nosferatu: Uma sinfonia de horror", apenas alterando o nome do protagonista (de Drácula para Orlok) e transferindo o local da trama da Inglaterra para a Alemanha. O espólio de Stoker venceu a batalha judicial, sendo que todas as cópias existentes de "Nosferatu" deveriam ter sido destruídas, entretanto um pequeno número de cópias sobreviveu até os dias de hoje, sendo considerado um clássico do cinema de terror. Contudo, a versão mais conhecida e famosa da história de Drácula foi realizada pela Universal em 1931, estrelada por Bela Lugosi e dirigida por Tod Browning. Imagem: Florina Kendrick, Monica Bellucci, Michaela Bercu, as noivas de Drácula de Bram Stoker filme de Francis For Copolla

Bram Stoker publicou seu romance “Drácula” em maio de 1897, estruturando-o como um romance epistolar, escrito a partir de uma série de cartas, relatos, diários pessoais, reportagens de jornais, registros de bordo, etc. A solução narrativa do autor foi brilhante: narrar a história a partir dos diários e memorandos de seus protagonistas, com isso as confissões e desesperos dos envolvidos na trama vão dando forma ao perigo, que só muito depois se torna completamente evidente. Ele nos apresenta também os costumes, tradições e a cultura da Inglaterra vitoriana e o a reação dos britânicos com relação ao que vem do estrangeiro, personificado através do medo arquetipiano da figura do vampiro. Nesse sentido, a realidade do racionalismo britânico entra em choque com o sobrenatural, explicitado através das figuras opostas de Drácula e de Van Helsing, ambos estrangeiros e pertencentes a sociedades estranhas aos costumes britânicos. A atmosfera gótica é o pilar do romance: a maior parte da história se passa na Inglaterra, berço da civilização industrial e para onde o Conde se dirige com o intuito secreto de conquistar o mundo, o que é apenas sublimado ao longo da narrativa. Quando o conhecimento científico encontra seu limite para lidar com os fatos, resta o conhecimento popular. É desse conhecimento que Van Helsing tira os procedimentos necessários para acabar com o vampiro. As dicotomias entre as figuras do bem e do mal são figuradas nos personagens humanos e nos vampiros. O único contato entre os universos é a sensualidade e o erotismo. O medo de vampiros é anterior à publicação da obra de Stoker, tendo já aparecido em 1819, na obra “O Vampiro”, de autoria de John Polidori (1795-1821), contemporâneo de Mary Shelley e de Lorde Byron, entretanto, a propagação do mito e do medo e a inspiração para milhares de outras fabulações sobre vampirismo, deve-se, e muito, ao romance Drácula. O personagem principal, que é apresentado indiretamente através das narrativas dos demais personagens, pode ter sido inspirado na vida do príncipe Vlad Tepes, cuja crueldade e prazer em ver a agonia de suas vítimas contribuíram para que Bram Stoker criasse um ser tão perverso. Quando foi publicado em 1897, Drácula não foi um best-seller imediato, embora as críticas fossem extremamente favoráveis, classificando classificou Bram Stoker como sendo superior a Mary Shelley e Edgar Allan Poe. O romance tornou-se mais significativo para os leitores modernos do que foi para os leitores contemporâneos do autor, atingindo seu grande status lendário clássico ao longo do século 20, quando as versões cinematográficas apareceram. No entanto, alguns fãs da época vitoriana o descreveram como a sensação da temporada e o romance de gelar o sangue do século. Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, escreveu a Stoker, afirmando, Escrevo-lhe para dizer o quanto eu gostei de ler ‘Drácula’.
A história de “Drácula” tem sido a base de incontáveis filmes e peças, ópera, balé, graphic novels e inúmeras outras mídias, sendo que o número de filmes que incluem referências a Drácula direta ou indiretamente chega a mais de 649 adaptações. A primeira adaptação para os palcos, encenada em 18 de maio de 1897, foi escrita e dirigida pelo próprio Bram Stoker e encenada uma única vez em Londres. A primeira adaptação para o cinema ocorreu em 1922 e envolveu uma questão judicial entre o diretor do filme e o espólio de Bram Stoker. F. W. Murnau, o diretor do filme, lançou a história com o título “Nosferatu: Uma sinfonia de horror”, apenas alterando o nome do protagonista (de Drácula para Orlok) e transferindo o local da trama da Inglaterra para a Alemanha. O espólio de Stoker venceu a batalha judicial, sendo que todas as cópias existentes de “Nosferatu” deveriam ter sido destruídas, entretanto um pequeno número de cópias sobreviveu até os dias de hoje, sendo considerado um clássico do cinema de terror. Contudo, a versão mais conhecida e famosa da história de Drácula foi realizada pela Universal em 1931, estrelada por Bela Lugosi e dirigida por Tod Browning.
Imagem: Florina Kendrick, Monica Bellucci, Michaela Bercu, as noivas de Drácula de Bram Stoker filme de Francis For Coppola

Em um dos primeiros e-mails ele conta sobre algumas pessoas que conheceu e a emoção de estar sempre no mar - Imagem de Louis Wain

Em um dos primeiros e-mails ele conta sobre algumas pessoas que conheceu e a emoção de estar sempre no mar – Imagem de Louis Wain

Conheci um ex-cônsul americano, fizemos amizade. Ele conhece quase todo o globo. É formado em paleontologia com especialização em paleoclimatologia. Tb é cientista político e poliglota! - Obra de Camille Rose Garcia

Conheci um ex-cônsul americano, fizemos amizade. Ele conhece quase todo o globo. É formado em paleontologia com especialização em paleoclimatologia. Tb é cientista político e poliglota!Obra de Camille Rose Garcia

Na forma que apresento a narrativa de Leandro. Como disse, ele é um dos principais amigos de Nicolas e sabemos o que se passa em sua vida por meio dos e-mails que eles trocam. Essa é uma pequena homenagem minha a esse romance romântico tão simbólico e popular da literatura mundial. Em duas passagens Nicolas vai de encontro ao amigo que em uma passagem visita Nicolas que passa por uma situação dolorida.

Em um dos primeiros e-mails ele conta sobre algumas pessoas que conheceu e a emoção de estar sempre no mar.

Conheci um ex-cônsul americano, fizemos amizade. Ele conhece quase todo o globo. É formado em paleontologia com especialização em paleoclimatologia. Tb é cientista político e poliglota! o cara é duca. A maioria das pessoas q moram ou viajam no navio são velhos. A transição é constante q nem da para conhecer as td mundo.

Postarei textos que não estão no livro Passa lá em casa com a Personagem Leandro César Fianchi - Imagem de Maja Wronska

Postarei textos que não estão no livro Passa lá em casa com o personagem Leandro César Fiaschi – Imagem de Maja Wronska

Tem gente q comprou ap aqui e ainda ñ embarcou. outros embarcam e depois vão embora. Tem um casal de lésbicas d terceira idade q algumas pessoas apelidaram de Gertrude e Alice[1]. vi as fotos das duas, as verdadeiras q eram amigas de Pablo Picasso, e as daqui são um pouco + bonitas, mas feiosas mesmo assim. Deu p/ entender?”

[1] Gertrude Stein (3 de fevereiro de 1874, Pittsburgh, EUA – 27 de julho de 1946, Paris, França) foi uma escritora, poeta e feminista estadunidense. Tinha um apreciável círculo de amigos, como Pablo Picasso, Matisse, Georges Braque, Derain, Juan Gris, Apollinaire, Francis Picabia, Ezra Pound, Ernest Hemingway e James Joyce, isso apenas pra citar alguns. Alice B. Toklas, sua secretária e companheira durante vinte e cinco anos;

Para Leandro a segurança, é como na maioria das vezes, o ponto central de sua escolha apesar de camuflar a tendência ao luxo. Porém nada na vida é como sempre se planeja. Ele acaba visualizando um mundo que deveria estar encoberto pelo cenário que o navio conduz. - Terry Border

Para Leandro a segurança, é como na maioria das vezes, o ponto central de sua escolha apesar de camuflar a tendência ao luxo. Porém nada na vida é como sempre se planeja. Ele acaba visualizando um mundo que deveria estar encoberto pelo cenário que o navio conduz. – Terry Border

O texto completo sobre o desenvolvimento da personagem você pode ler aqui.

Fanfiction

Ligado a inúmeros aparelhos ele não tinha mais consciência - Obra de Satre Satuelke

A última narrativa com Leandro no livro Passa lá em casa, ele se encontra no Egito em um dia estranho 11 do 11 de 2011. – Obra de Satre Satuelke

A última narrativa com Leandro ele se encontra no Egito em um dia estranho 11 do 11 de 2011. Lá mais uma vez ouve falar em Atlântida e Nicolas mais uma vez se encontra com ele.

Esse dia o Black Sabbath anuncia sua volta com os membros originais.

Abaixo um trecho do livro Passa lá em casa onde Leandro manda um e-mail para seu amigo Nicolas.


Para: nick_ albuquerque_nico@***.com.br

Assunto: O homem teme o Tempo, mas o Tempo teme as pirâmides

O prédio do museu é horroroso em estilo neoclássico, acho... será uma praga arquitetônica? - Simon Schubert

O prédio do museu é horroroso em estilo neoclássico, acho… será uma praga arquitetônica?Simon Schubert

Nicolas desculpe a demora em responder, antes d entrar num assunto impossível vou descrever minha visita ao Egito. Como vc sabe sempre pensei no Egito de forma apaixonada ou mesmo fanática. Porém preferi esperar essa paixão diminuir com o passar do tempo p/ visitá-lo de forma clara. Chegou a hora e estou tranquilo, mas algo q aconteceu levou minha existência p/ longe do que era ate dias atrás…

Estivemos em Sharm El Sheikh durante duas semanas antes de virmos p/ o Cairo. Um grande paraíso, onde praticamos mergulho. Meu interesse foi mais histórico, pois estou meio farto de paraísos. Pegamos um avião p/ o monte Sinai. Qnd era pequeno ouvi dizer q ainda hoje se escuta vozes e é um lugar suscetível a terremotos. Ñ ouvi nd ou presenciei algo anormal…

No museu do Cairo lembrei d vc ao ver ataúde de Ra-Ur talhado em formas geométricas, alem claro do tesouro d Tutancâmon. O espaldar do trono é de tirar o fôlego, o sarcófago me deu arrepios em saber q o cara tava lá td esse tempo… o prédio do museu é horroroso em estilo neoclássico, acho… será uma praga arquitetônica? Como usei o plural estou c/ o casal lesbico, Clementine e Julie.

Estivemos em Luxor, deixei Gizé p/ depois, onde lembrei novamente d vc. Tenho passe livre, pois as duas mulheres são cientistas, visitamos a tumba d Ramsés eu vi, advinha, carpideiras.

Leandro sempre termina seus e-mail com a frase: Já volto…


Note que algumas palavras estão abreviadas, sem acento, como costumamos fazer em mensagens informais com nossos amigos. Essa será a estrutura que usarei para lhes apresentar a fanfic Memórias Póstumas de Cosma e Damiâna e algum tema específico. Desde que terminei o livro em 2013 pensava em dar continuidade as aventuras Leandro César Fiaschi pelo mundo. Um novo grupo de personagens e personagens que já fazem parte da história estarão nas viagens de navio.

Já volto... - Obra de Edward Hopper

Já volto… – Obra de Edward Hopper

Categoria: Memórias póstumas de Cosma e Damiana Sobre: Textos que escrevi, escrevo e outros textos Imagem em destaque: O Okinawa Churaumi Aquarium (沖縄美ら海 Okinawa Churaumi Suizokukan ? ) Está localizado dentro do Parque Expo Oceano em Okinawa, Japão . Ele recebeu seu visitante 20000000 em 30 de março de 2010 [3] e é membro da Associação Japonesa de Zoos e Aquários (JAZA). Foi o maior aquário do mundo, até que foi superado pela Georgia Aquarium em 2005.

Categoria: Memórias póstumas de Cosma e Damiana
Sobre: Textos que escrevi, escrevo e outros textos
Imagem em destaque: O Okinawa Churaumi Aquarium (沖縄美ら海 Okinawa Churaumi Suizokukan ? ) Está localizado dentro do Parque Expo Oceano em Okinawa, Japão . Ele recebeu seu visitante 20000000 em 30 de março de 2010 [3] e é membro da Associação Japonesa de Zoos e Aquários (JAZA). Foi o maior aquário do mundo, até que foi superado pela Georgia Aquarium em 2005.

Anúncios

A maior aventura polar completa um século

1

Ernest Henry Shackleton (Kilkea, condado de Kildare, 15 de fevereiro de 1874 — Geórgia do Sul, 5 de janeiro de 1922) foi um explorador polar que liderou três expedições britânicas à Antártida, e uma das principais figuras do período conhecido como Idade Heroica da Exploração da Antártida.

Uma das grandes aventuras da humanidade está completando 100 anos: a Expedição Imperial Transantártica de Sir Ernest Shackleton.

Shackleton (1874-1922) liderou três expedições britânicas à Antártica, mas foi a última, iniciada em dezembro de 1914 e encerrada em agosto de 1916, que o tornou uma lenda da exploração polar. Foi o maior fracasso da vida de Shackleton – e também seu maior triunfo.

A meta da Expedição Imperial Transantártica era ambiciosa: cruzar o continente antártico, por terra, de oeste para leste.

2

A tripulação completa do Endurance, menos o fotógrafo Frank Hurley, claro

Em 5 de dezembro de 1914, Shackleton e 27 tripulantes deixaram a Ilha Geórgia do Sul a bordo do veleiro Endurance, de 144 pés (44 metros), construído na Noruega especialmente para a missão.

Em 18 de janeiro de 1915, um dia antes de chegar ao ponto da Baía de Vahsel onde a equipe deveria desembarcar, o Endurance ficou preso no gelo. Imobilizado num imenso platô congelado, o barco ficou vagando pelo mar de Weddel por mais de nove meses, até que, em 27 de outubro de 1915, foi esmagado pelas placas de gelo.

3Shackleton e sua tripulação abandonaram o navio. Pouco menos de um mês depois, em 21 de novembro, testemunharam, horrorizados, o Endurance afundando para sempre no gelo. Pelos cinco meses seguintes, a tripulação morou em barracas no banco de gelo, comendo carne de foca e esperando que o gelo se abrisse para que pudessem navegar em três botes salva-vidas rumo a qualquer lugar habitado.

4Em 9 de abril de 1916, finalmente, o gelo se abriu. Enfrentando ondas de dez metros e ventos de 100 quilômetros por hora no Mar de Weddel, os três botes – batizados com os nomes de financiadores da expedição, James Caird, Dudley Docker e Stancomb Wills – conseguiram chegar à inóspita Ilha Elephant. Foi a primeira vez em 497 dias que pisavam em terra firme.

Para se ter uma ideia da insanidade que era enfrentar um mar daqueles numa casquinha de noz, aqui vai a imagem de um cargueiro cruzando a Passagem de Drake

Para se ter uma ideia da insanidade que era enfrentar um mar daqueles numa casquinha de noz, aqui vai a imagem de um cargueiro cruzando a Passagem de Drake

Mas a parte mais arriscada da missão ainda estava por vir: Shackleton deixou 22 homens na Ilha Elephant e rumou com outros cinco no pequeno barco James Caird até a Ilha Geórgia do Sul, enfrentando frio de 20 graus negativos, ondas de vinte metros e ventos de 200 quilômetros por hora em um dos mares mais traiçoeiros do mundo, próximo à Passagem de Drake. Foto a direita:

Uma foto do barco James Caird

Foto do barco James Caird

Em maio de 1916, o James Caird chegou finalmente à Ilha Geórgia do Sul. Mas Shackleton e seus homens precisaram atravessar a ilha a pé, numa travessia inédita e tão perigosa que só foi realizada novamente em 1955, por uma equipe de alpinistas britânicos. Quando finalmente chegaram à estação baleeira de Stromness – barbados, imundos, fracos e com as roupas em farrapos – pareciam, segundo relatos, uma assombração. E assim que Shackleton se identificou, alguns marinheiros devem ter pensado estar diante de fantasmas, já que a tripulação do Endurance fora dada como morta.

Depois de alguns dias de descanso, Shackleton começou a organizar o resgate de sua tripulação. Ele pediu ao governo inglês um navio propício para enfrentar o Mar de Weddel, mas nenhum estaria disponível até outubro (é bom lembrar que isso tudo aconteceu em meio à Primeira Guerra Mundial). A solução foi pedir emprestado ao governo chileno o Yelcho, um barco a vapor de 120 pés (37 metros) que fazia a manutenção de faróis.

Às 13h10 do dia 30 de agosto de 1916, mais de quatro meses depois de abandonar 22 homens de sua tripulação, Shackleton chegou com o Yelcho à Ilha Elephant e os resgatou. Todos os 28 tripulantes do Endurance voltaram vivos.

Em 1959, o escritor e jornalista norte-americano Alfred Lansing lançou “A Incrível Viagem de Shackleton”, livro em que relata, por meio de diários e entrevistas com sobreviventes, os detalhes da Expedição Imperial Transantártica e dos quase dois anos de luta pela sobrevivência na área mais inóspita do planeta. É um dos melhores livros de aventura que já li. Recomendo demais.

Ponto selvagem, Elefante Island, o local onde o acampamento foi feito após o local de desembarque inicial foi identificada como inadequada

Ilha Elephant, o local onde o acampamento foi feito após o local de desembarque inicial foi identificada como inadequada

P.S.: O leitor Peçanha enviou um link que traz as fotos que Frank Hurley tirou da expedição de Shackleton. É sensacional. Confira aqui.

Do blog "Leu esse, Carol? A Incrível Viagem de Shackleton

Do blog “Leu esse, Carol? A Incrível Viagem de Shackleton

Categoria: Vai ser pra mim Sobre: Textos de outros autores Sobre o autor: André Barcinski nasceu em 1968. Foi colunista e crítico da Folha de S. Paulo. Escreveu quatro livros e dirigiu dois filmes. Produz e dirige os programas de TV “O Estranho Mundo de Zé do Caixão” e “Nasi Noite Adentro”, no Canal Brasil. Ganhou o prêmio Jabuti de melhor livro de não-ficção por "Barulho - Uma Viagem ao Underground do Rock Americano" (1992) e o Prêmio do Júri do Festival de Cinema de Sundance (EUA) pelo documentário "Maldito" (1998), sobre o cineasta José Mojica Marins Imagem em destaque: Voltando ao navio depois de uma excursão

Categoria: Vai ser pra mim
Sobre: Textos de outros autores
Sobre o autor: André Barcinski nasceu em 1968. Foi colunista e crítico da Folha de S. Paulo. Escreveu quatro livros e dirigiu dois filmes. Produz e dirige os programas de TV “O Estranho Mundo de Zé do Caixão” e “Nasi Noite Adentro”, no Canal Brasil.
Ganhou o prêmio Jabuti de melhor livro de não-ficção por “Barulho – Uma Viagem ao Underground do Rock Americano” (1992) e o Prêmio do Júri do Festival de Cinema de Sundance (EUA) pelo documentário “Maldito” (1998), sobre o cineasta José Mojica Marins
Imagem em destaque: Voltando ao navio depois de uma excursão

“O condomínio torna a cidade mais desigual. É preciso inibi-lo”

Urbanista fala sobre política de mobilidade e os desafios que a cidade deixa para próxima gestão

Geraldo Moura, doutor em urbanismo pela USP RAFAEL RONCATO

Geraldo Moura, doutor em urbanismo pela USP Foto: RAFAEL RONCATO

Os trilhos do metrô não chegam a toda São Paulo e, quando chegam, perdem a oportunidade de levar uma de suas principais vocações: desenvolvimento urbano em áreas periféricas. Segundo o urbanista Geraldo Moura, há várias explicações para isso, mas uma das principais é que o sistema metroviário não está sendo pensado para responder a pergunta “que cidade queremos?”, mas apenas para reforçar lógicas já estabelecidas. Doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade São Paulo, Moura fala sobre transporte, desenvolvimento urbano e os principais desafios do próximo prefeito de São Paulo do ponto de vista urbanístico. Leia os destaques da entrevista ao EL PAÍS abaixo.

Parque Ibirapuera - Sao Paulo. Foto incrível de Thiago Leite

Parque Ibirapuera – Sao Paulo.
Foto incrível de Thiago Leite

Pergunta. Em outubro temos eleições municipais. Transporte sobre trilhos é uma atribuição da administração estadual, mas levando em conta que mobilidade é uma das principais questões de São Paulo, quais serão os desafios de um próximo prefeito?

Resposta. Em minha opinião, são sete pontos que devem ser levados em consideração. 1) Trazer “cidade” para regiões dormitórios. Implantação de equipamentos de transporte, com equipamentos integrados nas regiões de estações de metrô e corredores de ônibus é fundamental. 2) Trazer gente de volta para o centro. É garantir acesso para que a pessoa possa morar perto das oportunidades. 3) Inibir a cidade murada. É incentivar a proliferação de espaços de convívio, principalmente de convívio entre diferentes. 4) Impedir a proliferação dos condomínios. O condomínio dificulta a continuidade das infraestruturas, principalmente de transporte, e faz com que os bairros fiquem “monossociais”, que uma camada social fique cada vez mais distante da outra, o que torna a cidade mais desigual. É preciso inibi-lo. 5) Tirar espaço de carros. É dar, claramente, cada vez mais espaço para ônibus e meios não motorizados.

P. Antes de você completar a lista, já é possível dizer que muitos desses pontos coincidem com medidas tomadas por Fernando Haddad. Apesar disso… A popularidade dele não é boa. Aliás, tudo indica que ele terá muitas dificuldades para se reeleger.116865915.pEBRV7go

R. Sim, mas não estou falando da disputa política pequena, mas de cidade. Acredito que esse é um preço pago pelos governantes que ousaram enfrentar a questão. Em Bogotá, com o prefeito Enrique Peñalosa, que nunca poderia ser chamado de esquerda, aconteceu algo semelhante. Ele fez o que era preciso, transformou a cidade em uma referência para a mobilidade, e não se reelegeu. [Depois de 12 anos, Peñalosa foi eleito novamente agora]. Acho que justamente por ter acertado, a atual Prefeitura de São Paulo pode ter se inviabilizado eleitoralmente.

P. E por que isso acontece?

“Justamente por ter acertado, a atual Prefeitura de São Paulo pode ter se inviabilizado eleitoralmente”

R. Porque mudar a cidade requer mexer em questões estabelecidas. A questão das bicicletas é exemplar disso. Ela não é só um modo de mobilidade, mas um jeito de fazer essa repactuação do espaço público. É claro que ao longo do processo tem sofrimento: a bicicleta vai, obviamente, acabar se tornando perversa em algumas situações para o pedestre, além de tomar parte do espaço anteriormente destinado aos veículos, e isso vai gerar reclamações. É um processo conflituoso, mas necessário se queremos falar de mobilidade. E, mais uma vez, não dá pra falar de transporte sem falar de cidade, de espaço. Nunca é demais lembrar o Milton Santos: “o espaço é formado por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá”.

P. E quais são os outros dois pontos da lista de sete?

R. Vamos lá. 6) Induzir uma cidade mais compacta. O que significa impedir a proliferação de periferias cada vez mais distantes. 7) Vincular adensamento com infraestrutura de transporte. Ou seja, é adensar áreas que ficam perto dos eixos de mobilidade, como metrô e corredores de ônibus. É curioso notar que isso também começou a ser feito pela atual gestão. O novo Plano Diretor da cidade prevê que haja adensamento habitacional nos principais eixos de transporte.

P. Ou seja, apesar da Prefeitura não ser responsável pelo metrô, quando falamos em mobilidade, falamos de outras questões. Certo?

R. Sim e é por isso que mobilidade não se resume a uma questão técnica, que fazer metrô não pode ser apenas uma discussão tecnológica, como tem sido muitas vezes. Não dá pra falar de transporte e não falar de planejamento urbano. São Paulo tem uma região metropolitana da ordem de 20 milhões de habitantes. As oportunidades, contudo, estão extremamente centralizadas. Isso é fruto de uma lógica em que as pessoas vivem longe e tem que se deslocar muitos quilômetros para trabalhar. O que é preciso é levar cidade para onde só tem gente morando. E qual é um modo de fazer isso? Construir metrô, transporte, mas isso não basta. Junto com o metrô, é necessário pensar equipamentos que façam as pessoas quererem se mudar para perto das estações. É levar escola, emprego, faculdade, lazer e garantir também que pessoas alijadas pela lógica do mercado imobiliário possam morar nas imediações de maneira adequada. Ou seja, o grande problema de quando falamos em transporte é que ele é pensado sozinho. Não dá para fazer assim, o planejamento tem que vir todo junto.

Participação de investimentos no metrô paulista GERALDO MOURA

Participação de investimentos no metrô paulista GERALDO MOURA

P. Se fosse de responsabilidade da prefeitura, você acredita que o sistema metroviário paulistano teria mais sucesso?

R. O Metrô não se limita a uma cidade, é um transporte metropolitano, por isso, mais do que a questão de se é uma responsabilidade do Estado ou da Prefeitura, a verdade é que no Brasil temos carência de entidades metropolitanas. Os comitês que gerenciam as bacias hidrográficas são, talvez, um exemplo mais próximo de como a questão deveria ser trabalhada. É um desafio, porque às vezes, em uma única mancha urbana, você tem oito, dez prefeituras de partidos diferentes. Só que a existência dessa entidade facilitaria muito, porque o Governo estadual não entende nada da relação urbana do poder local. E a questão fundamental quando falamos de transporte, mais do que qual tecnologia usar, é que tipo de cidade nós queremos.

P. Como assim?

R. De todas as estruturas da cidade, as de transporte são as que mais induzem o crescimento do território. Quando o Metrô vai fazer uma linha nova, ele trabalha com a pesquisa Origem e Destino. Ele pergunta para as pessoas de onde elas vêm e para onde vão. A partir daí, estabelece o traçado. Tudo certo? Não. Porque você reforça a lógica, presente no desenho de avenidas da cidade, que é muito anterior ao metrô, de morar longe e trabalhar no centro. A pesquisa Origem e Destino só reforça isso, logo, o traçado do metrô também. Chega uma hora que essa dinâmica de deslocamentos fica inviável. É só entrar na Sé, às 17h30 da tarde, e ver o que acontece. “Por que o Metrô fala uma coisa e faz outra? Ele sempre defendeu que o sistema metroviário é um indutor de crescimento, de planejamento urbano, mas isso nunca aconteceu de fato”

P. Qual é a alternativa?

R. É quebrar essa lógica que chamamos de “radiocêntrica”. E isso não pode partir apenas de uma questão técnica, mas de se perguntar que cidade nós queremos. Toda nova linha de metrô deveria vir com medidas de planejamento territorial. São Paulo é um dos lugares do mundo em que as pessoas mais se deslocam da periferia para o centro, do centro para a periferia, para trabalhar. Por isso não dá para tratar a questão do transporte público como uma questão estritamente técnica.

P. O Metrô não tem levado desenvolvimento urbano para a cidade?

R. A questão aqui, que é a mesma que eu coloquei na minha tese, é: por que o Metrô fala uma coisa e faz outra? Ele sempre defendeu que o sistema metroviário é um indutor de crescimento, de planejamento urbano, mas isso nunca aconteceu de fato.

P. Nem na construção da Linha 3 – Vermelha, que vai até Itaquera, na zona leste da cidade?

Luiza no Copan por Autumn Sonnichsen

Luiza no Copan por Autumn Sonnichsen

R. Ali isso esteve próximo de acontecer, mas vamos fazer alguns recortes históricos para responder isso. Na época da construção da Linha 1 – Azul, o primeiro trajeto da cidade, já se sabia que o traçado mais carente e importante era o Leste-Oeste, mas o Norte-Sul foi privilegiado na construção da linha, sob a justificativa que a região leste era atendida pela RFFSA – atual CPTM. Mas, um dos motivos centrais parece ser claro: havia espaço para o mercado imobiliário expandir na ponta sul da cidade. E qual é o sentido de construir a Linha 2 – Verde na Avenida Paulista? Ela operou durante anos só naquele trecho, sem ligação com outras linhas. A Linha 3 – Vermelha, por sua vez, que é a segunda a ser construída na cidade, além de fazer a ligação necessária (Leste-Oeste), também tinha um plano de desenvolvimento, com planejamento habitacionais, áreas de interesse, etc.

P. E o que deu errado?

São Paulo sob a lente de Autumn Sonnichsen

São Paulo sob a lente de Autumn Sonnichsen

R. Foi um problema institucional. Até a construção da Linha 3 – Vermelha, na década de 1970, a responsabilidade era, em maior parte, da Prefeitura. Naquela época, contudo, ele passa para o âmbito estadual, que tem maior poder de investimento. No caminho, perdeu-se a preocupação de planejamento urbanístico quando o assunto é metrô. Por isso, eu falava sobre uma entidade metropolitana que conseguisse juntar visões diferentes. “É simbólico que o trajeto mais novo da cidade, a Linha 4 – Amarela, tenha começado a operar justamente na Faria Lima e que seu trecho que iria um pouco mais longe não foi entregue até hoje”

P. E em que pé estamos hoje?

Mais Autumn Sonnichsen, mais São Paulo

Mais Autumn Sonnichsen, mais São Paulo

R. Continuando a digressão histórica, é simbólico que o trajeto mais novo da cidade, a Linha 4 – Amarela, tenha começado a operar justamente na Faria Lima e que seu trecho que iria um pouco mais longe não foi entregue até hoje. Por volta dos anos 1990, houve um momento em que o Metrô, já fora do âmbito da Prefeitura, perdeu completamente a preocupação com a cidade. E isso vem muito na esteira de uma lógica neoliberal de iniciativa privada. A linha com a iniciativa privada, como é o caso da amarela, tem dois problemas: o que é vantajoso para o mercado em termos de deslocamento? Que as pessoas peguem muito trem e o use para pequenos deslocamentos. Isso significa mais lucro. Só que o metrô é sistêmico. Se a pessoa tem que fazer 28 trocas de trens para ir do ponto B ao X, ela pagará só uma passagem e na lógica do mercado isso é péssimo. Quer dizer, tanto faz quem opera a linha: se é iniciativa privada ou pública. Mas algumas questões tem que ser respeitadas e a prática vem mostrando que elas não são.

P. Comparativamente com outros países do mundo, inclusive da América Latina, São Paulo perde feio em quilometragem de metrô. Mas em relação a outras cidades brasileiras, ganha. Por que a falta de trilhos nas grandes cidades é uma problema nacional?

R. É uma pergunta com várias respostas. Uma delas é a opção rodoviarista que foi feita, pela primeira vez, lá em 1930. É só lembrar que o lema do Washington Luís era “governar é abrir estradas”. Em 1956, o Juscelino Kubitscheck aprofundou isso ao trazer a indústria automotiva. Depois, os militares foram ainda mais fundo e acentuaram essa tendência. Duas outras coisas explicam. A primeira é que o investimento ferroviário inicial é maior do que o rodoviário e, apesar de ao longo prazo os custos de manutenção caírem, o investimento não funciona para o timing eleitoral. A segunda questão, fundamental, é que a capilaridade do sistema rodoviário te permite um mercado imobiliário muito maior e sem controle. É bem aí que se perde o debate. Vamos pensar: se você abrir uma ferrovia, o crescimento ficará condicionado aos arredores das estações. Se você fizer uma rodovia, a mancha urbana pode se estender em qualquer ponto. O que é melhor para o mercado imobiliário?

Categoria: Pilares de Criação Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas, Urbanismo Fonte: El País Imagem em destaque: Projeto para CPTM União de Vila Nova do escritório Edson Bassi em parceria com o arquiteto Tetsuro Hori

Categoria: Pilares de Criação
Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam
Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas, Urbanismo
Fonte: El País
Imagem em destaque: Projeto para CPTM União de Vila Nova do escritório Edson Bassi em parceria com o arquiteto Tetsuro Hori

Dartagnan e os Três Mosqueteiros

Um dos meus desenhos favoritos. Em breve todos os episódios estarão no blog. Enquanto isso a gente escuta e mata a saudade da trilha sonora original no Brasil:

D’Artacan y los Tres Mosqueperros ou Wanwan Sanjushi (ワンワン三銃士), Dartacão e os Três Moscãoteiros, em Portugal, ou D’Artagnan e os Três Mosqueteiros, no Brasil, é uma série de animação baseada no livro Os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas mas com um caráter cômico. Os personagens são representados por animais (na maioria cães).

A série foi produzida pelos estúdios da BRB Internacional S.A. (Espanha) e realizada pela Nippon Animation (Japão), e estreou em 1981 no Japão na Espanha no ano seguinte. Em 1984, a série estreou na França com os nomes: Les Trois Mousquetaires ou normalmente D’Artagnan et les Trois Mousquetaires. Em 1985, a série estreou no Reino Unido com o nome de Dogtanian and The Three Muskehounds.

cftv14391Ficha técnica

LP

LP

  • Série de TV: 26 episódios de 25 minutos
  • Ano de produção: 1981
  • Criador: Claudio Biern Boyd
  • Diretor: Luis Ballester, Taku Sugiyama, Shigeo Koshi
  • Roteiro: Claudio Biern Boyd, Manuel Peiró, Taku Sugiyama
  • Desenho: José Luis Rodriguez, Lorenzo Ballester, Shuishi Seki
  • Animação: Shuishi Seki, Takao Kogawa
  • Música: Guido de Angelis, Maurizio de Angelis, Katsuhisa Hattori
  • Intérprete: Popitos, Maron Kusaka
  • Produção: BRB Internacional S.A., Televisión Española ( TVE )
  • Realização: Nippon Animation, TBS

História

dart25

A coleção da 1° e única temporada

A história conta a trajetória de Dartacão, desde sua infância na Gasconha, França. Ele vai para Paris para tentar se tornar um Moscãoteiro do Rei, e vive aventuras com seus amigos Arãomis, Mordos e Dogos, conhecidos como os Três Moscãoteiros, além de um romance com Julieta, camareira da rainha.

Continuação

Continuação, produzida em 1990 pela BRB Internacional e Thames Television, chamada O Retorno de d'Artagnan, onde d'Artagnan e Juliette vivem em Paris com seus dois filhos. Baseada na terceira parte do romance O Visconde de Bragelonne, O Homem da Máscara de Ferro, também de Dumas.

Continuação, produzida em 1990 pela BRB Internacional e Thames Television, chamada O Retorno de d’Artagnan, onde d’Artagnan e Juliette vivem em Paris com seus dois filhos. Baseada na terceira parte do romance O Visconde de Bragelonne, O Homem da Máscara de Ferro, também de Dumas.

Há uma continuação, produzida em 1990 pela BRB Internacional e Thames Television, chamada O Retorno de d’Artagnan, onde d’Artagnan e Juliette vivem em Paris com seus dois filhos. Baseada na terceira parte do romance O Visconde de Bragelonne, O Homem da Máscara de Ferro, também de Dumas.

A diferença é que a continuação não foi co-produzida no Japão pela Nippon Animation, e sim em Taiwan pela Wang Film Production (por razões de copyright, os direitos do desenho fora do Japão pertencem à BRB Internacional).

Também há um filme que é um resumo da segunda temporada, que, no Brasil, foi lançado em DVD com o título de Lord Dog, Um Cão a Serviço do Rei.

digitalizar0003No Brasil

Foi exibido em 1984 pela TV Manchete, no programa Clube da Criança apresentado pela Xuxa. No LP do programa foi incluída a versão brasileira do tema, com um arranjo diferente do apresentado na série de TV.

Também foi exibido no SBT durante o Programa do Bozo e Domingo no Parque.imagem971

Personagens da série

  • Dartacão/d’Artagnan
  • Athos: Mosqueteiro do rei
  • Porthos: Mosqueteiro do rei
  • Aramis: Mosqueteiro do rei
  • Senhor de Treville: Capitão dos Mosqueteiros
  • Juliette: Camareira da rainha (Constance Bonancieux, de Dumas)
  • PomPom: Rato que morava na casa de Juliette
  • Sr. Bonancieux: Tio de Juliette
  • Cardeal Richelieu: Primeiro Ministro da França
  • Conde Rochefort: Aliado de Richelieu
  • Widimer: Capitão da Guarda do Cardeal.
  • Milady: Aliada de Richelieu

Elenco de dublagem

  • d’Artagnan: Carlos Marques (Speed Racer) – 1a vozDARTACAN-3D-933x1024
  • d’Artagnan: Cleonir dos Santos – 2a voz
  • Juliette: Nair Amorim (Wanda – Os Padrinhos Mágicos)
  • Athos: Orlando Drummond (interpretou o Seu Peru do programa Escolinha do Professor Raimundo)
  • Porthos: João Turelli
  • Cardeal Richelieu: Sílvio Navas (Bender – Futurama )
  • Cardeal Richelieu: Marcelo Pissardini (Juan Carlos Bodoque – 31 Minutos)
  • Conde Rocheford (Bigode Negro ): João Jaci ( Dudu – Popeye)
  • Pai do d’Artagnan: Isaac Bardavid (Esqueleto – He-Man)
  • Narrador: Márcio Seixas (Batman – Batman: The Animated Series, Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites)
  • Direção: Mário Monjardim (Prefeito Peru Gluglu – O Galinho Chicken Little)
  • Estúdios: Herbert Richers, Mastersound

Citações

Cena em que Cardeal Richelieu fica magoado de raiva por Widimer ter falhado:DARTACAOO

  • Cardeal Richelieu: Como se atreve a se apresentar a mim depois de lutar feito um ridículo? ( Olha para Widimer. ) Você desonrou o nome da Guarda do Cardeal Richelieu, seu falso capitão!
  • Widimer ( para Richelieu ): Eminência, eu imploro que me perdoe! Isso nunca mais voltará a acontecer…
  • Cardeal Richelieu ( quase não deixando Widimer falar ): Já chega de promessas! Eu me vingarei dessa ofensa! Você é mesmo inútil! E agora saia da minha frente! ( Grita. ) SAIA DAQUI!!!
  • Widimer ( saindo ): Sim, eminência.

Na luta entre Dartacão e François:

  • François ( jogando terra no Dartacão que puxa sua camisa ): Tome isto! ( assustado ) Você… você pensa que é o quê? ( Reage e bate no Dartacão com a espada de madeira. ) Então você está pensando que você é nobre?

    Categoria: KiSuco Sobre: Gibis, HQ, Mangás, Desenhos animados, Programas infantis, Brinquedos

    Categoria: KiSuco
    Sobre: Gibis, HQ, Mangás, Desenhos animados, Programas infantis, Brinquedos

A História do Black Sabbath

Black Sabbath

Black Sabbath

Sempre, nos primórdios de algum importante acontecimento histórico, é muito difícil se imaginar o impacto real que aquilo terá ou deixará de ter para os eventos subsequentes, e para todas as gerações futuras – algumas coisas são simplesmente efêmeras; outras, nem tanto, relativamente; e outras ainda, nos confiscam uma atenção e uma emoção desmedidas, que terminam por fazer-nos entender, freqüentemente muitos anos ou décadas depois, como a história estava se fazendo ali, naquele instante mágico, sem ninguém perceber. Assim, com certeza, as hordas e tribos de milhões de adolescentes, adultos ou coroas, disseminadas ao redor do mundo todo, podem muitas vezes se esquecer, ou não se dar conta, de certas situações e fatores que levaram o gênero musical que eles tanto curtem – o rock pesado, carinhosamente apelidado de “rock pauleira”, por muitos – a atravessar o limbo das idéias fantásticas e irrealizáveis, para chegar aos aparelhos de som e toca-discos de todo o mundo despejando decibéis incríveis de criatividade e energia sobre tímpanos e mentes incrédulas com tal invenção! Como reza a velho clichê: pode ser que muitos já tivessem passeado por tal praia, e molhado os pés nesse mar vigoroso – Cream, Jimi Hendrix, Blue Cheer, e muitos mais. Mas nada faria tal experiência sair tão assombrosa e envolvente quanto as reminiscências sujas e rebeldes de quatro garotos recém-saídos de uma das mais entediantes e lúgubres cidades industriais do norte da Inglaterra… E é o que constataremos aqui.

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Sabra Cadabra Sobre: Heavy Metal Autor do texto: Denio Alves

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Sabra Cadabra
Sobre: Heavy Metal
Autor do texto: Denio Alves

Kristen Stewart para Elle, Cara Delevingne para a Vogue…

Que a atriz Kristen Stewart estava se relacionando com mulheres já sabíamos. Agora finalmente ela fala sobre o assunto com tranquilidade, mesma atitude que tomou Cara Delevingne há um ano. As especulações que Cara estava namorando mulheres começou com sua amizade com Rita Ora entre 2012 e 2013. Em julho de 2015 Cara revelou mais sobre seu namoro com a cantora St. Vicente para a Vogue americana que começou no final de 2014, mesmo ano que namorou a atriz Michelle Rodriguez. Um ano depois Kristen fez o mesmo para a Elle britânica de setembro revelando seu amor a Alicia Cargile. Nesse meio tempo foi fotografada namorando a cantora e atriz francesa Soko e Stella Maxwell, ex de Miley Cyrus.

Cara Delevingne

Vogue americana, julho de 2015

Vogue americana, julho de 2015

“Acho que estar apaixonada pela minha namorada é um dos maiores motivos pelos quais estou me sentindo tão feliz com quem eu sou hoje em dia”, afirmou. “E é realmente um milagre que essas palavras tenham saído da minha boca.”

“Levou muito tempo para eu aceitar a ideia, até que, aos 20 anos, eu me apaixonasse por uma garota e reconhecesse que eu tinha de aceitar isso”,

“Mas é só com homens que eu tenho sonhos eróticos. Tive um duas noites atrás em que fui para o banco de trás de uma van com um cara, e tinha um monte de amigos dele ali, e eu praticamente pulei sobre ele.”

“As mulheres são o que me inspira completamente, e elas também têm sido o que me jogou para baixo. Apenas as mulheres me feriram, a começar pela minha mãe.”

“Se um dia eu encontrar um cara por quem me apaixone, gostaria de me casar e de ter filhos. Isso me assusta mortalmente, porque acho que sou bem louca, e eu sempre fico preocupada de o cara cair fora uma vez que ele realmente me conhecer de verdade.”

Saudades desse casal

Saudades desse casal

Para o jornal The New York Times, a modelo britânica se defendeu de algumas pessoas que dentro da própria Vogue falaram que sua bissexualidade seria apenas uma fase temporária.

“Minha sexualidade não é uma fase. Eu sou quem eu sou”, afirmou ela.

Após a publicação, a ativista Julie Rodriguez, criou uma petição, que já está com mais de 21 mil assinaturas, pedindo para que a editora-chefe da Vogue, Anna Wintout, se retrate com a comunidade LGBT, pois a matéria teria reforçado estereótipos.

Durante a resposta a toda essa polêmica, Cara afirmou que ficou lisonjeada com a petição e as pessoas que saíram em sua defesa, mas acredita que não houve maldade por parte do autor.

Vogue UK setembro de 2016

Vogue UK setembro de 2016

Ainda revelou à “Vogue UK setembro de 2016” que está mais apaixonada do que nunca — e ainda comentou a sua sexualidade. Atualmente comprometida com a cantora St. Vincent, ela também já namorou meninos.

“Estou obviamente apaixonada, então se as pessoas quiserem me chamar de gay, ótimo. Os pais dela (St Vincent) têm nos apoiado tanto. Mas somos todos líquidos — nós mudamos, crescemos”, comentou a atriz de 23 anos, que ainda revelou como mudou sua própria postura ao longo dos anos em relação à sexualidade.

“Quando era criança, usava gay como se fosse uma palavra ruim, como em ‘isso é tão gay’. Todos os meus amigos faziam isso”, admitiu ela, que não deixou de destacar o amor que sente por St. Vincent.

“Estou completamente apaixonada… Antes, nem sabia o que era amor — amor de verdade. Eu não entendia a profundidade da coisa. Eu sempre pensei que era você contra o mundo. Agora eu sei que o sentido da vida é o amor. Seja amor por você, pelo mundo ou pelo seu parceiro”, contou.

The chameleonic Cara Delevingne is more than just a series of pretty faces

Detector de mamilos?

Além de vaginas serem incríveis, Cara ainda tem um “detector de mamilos”.

“Eu aposto que qualquer um que esteja com uma camiseta, eu consigo achar o mamilo – na hora! Eu tenho tipo um detector de mamilo”, diz ela.

A atriz então foi desafiada por suas colegas e fez o teste não somente nos seios da Margot Robbie e da Karen Fukuhara, elenco do filme Esquadrão suicida, como também no da jornalista que estava fazendo a entrevista com as musas do filme dos maiores vilões dos quadrinhos.

Durante uma entrevista à Vogue, perguntaram à modelo: “Se o Instagram fosse uma pessoa, o que lhe dirias?”. Ela respondeu: “Porque não posso mostrar os meus mamilos?”, rematou.

Na mesma conversa a modelo confessou que tem uma espécie de obsessão por mamilos e que mesmo com t-shirt ela consegue sempre “detetá-los”.

Kristen Stewart

Elle UK, setembro de 2016

Elle UK, setembro de 2016

“Estou tão apaixonada pela minha namorada. Nós brigamos e voltamos algumas vezes, mas agora é como se… Finalmente eu posso sentir de novo.”

“Quando saía com rapazes escondia tudo porque sentia que banalizavam tudo que tinha a ver com a minha vida privada e não gostava daquilo”, explicou. “Via que faziam quadrinhos sobre mim e pensava: ‘estão fazendo da minha relação algo que não é verdade. Não gosto disso”, acrescenta. No entanto, a grande mudança aconteceu quando teve seu primeiro encontro com uma mulher. “Mudou tudo quando comecei a sair com garotas. Percebi que se escondesse isso era como estar envergonhada do que tinha. Então comecei a me mostrar mais em público. Abri minha vida e sou muito mais feliz”, diz.

A primeira a confirmar a bissexualidade de Stewart foi sua própria mãe. “Por que não é aceitável que agora tenha uma namorada? Ela está feliz. É minha filha e sabe que vou aceitar suas escolhas. Conheci a nova namorada de Kristen e gostei dela”, disse Jules ao The Sunday Mirror.

“Por mais que eu queira me proteger, não quer dizer que preciso esconder”, conta. “Encontrei um lugar onde me sinto confortável.”

Em outubro de 2016 Kristen teve um breve relacionamento com St. Vicente.

 

Categoria: Cunnilingues Sobre: LGBT, Gêneros, identidade sexual

Categoria: Cunnilingues
Sobre: LGBT, Gêneros, identidade sexual

Vinil: quais são os dez discos mais valiosos do mundo?

Artigo de Monique Dolan e Sophia Hernandez, publicado no The Audio Files em dezembro de 2010, relata quais são os dez LPs mais valiosos do mundo, confira:

10º "I Can’t Believe", THE HORNETS Vendido por 25 mil dólares Motivo: Este é um album de doo-wop, duplo, de 78 rotações, lançado em 1953.

10º “I Can’t Believe”, THE HORNETS
Vendido por 25 mil dólares
Motivo: Este é um album de doo-wop, duplo, de 78 rotações, lançado em 1953.

9º "God Save the Queen", compacto de 1977 do SEX PISTOLS Vendido por 25 mil dólares Motivo: Durante a semana em que o Sex Pistols assinaram com a A&M Record, o famoso "God Save the Queen", de 45 rotações e 7 polegadas, foi gravado e lançado. Poucas cópias sobreviveram com as capas originais intactas.

9º “God Save the Queen”, compacto de 1977 do SEX PISTOLS
Vendido por 25 mil dólares
Motivo: Durante a semana em que o Sex Pistols assinaram com a A&M Record, o famoso “God Save the Queen”, de 45 rotações e 7 polegadas, foi gravado e lançado. Poucas cópias sobreviveram com as capas originais intactas.

8º "Introducing... The Beatles", THE BEATLES Vendido por 25 mil dólares Motivo: Variações diferentes da capa desse álbum tem sido incessamente falsificada, mas o que há de tão especial com o original? Na parte de trás consta o logotipo da Vee-Jay e duas faixas adicionais: “Love Me Do” e “P.S. I Love You”.

8º “Introducing… The Beatles”, THE BEATLES
Vendido por 25 mil dólares
Motivo: Variações diferentes da capa desse álbum tem sido incessamente falsificada, mas o que há de tão especial com o original? Na parte de trás consta o logotipo da Vee-Jay e duas faixas adicionais: “Love Me Do” e “P.S. I Love You”.

7º "Stay Away, Joe", álbum promocional, ELVIS PRESLEY Vendido por 25 mil dólares Motivo: este álbum promocional foi feito para ser tocado apenas nas rádios da época.

7º “Stay Away, Joe”, álbum promocional, ELVIS PRESLEY
Vendido por 25 mil dólares
Motivo: este álbum promocional foi feito para ser tocado apenas nas rádios da época.

6º "Velvet Undergound & Nico", VELVET UNDERGROUND & NICO Vendido por 25.200 dólares Motivo: Esta test pressing (N.t.: test pressing são as primeiras prensagens do vinil feitas para ver se a matriz está OK) original de Norman Dolph contém material gravado do Sceptor Studios. Ao que consta, são mixagens ou gravações diferentes do que consta no álbum de estreia da lendária banda.

6º “Velvet Undergound & Nico”, VELVET UNDERGROUND & NICO
Vendido por 25.200 dólares
Motivo: Esta test pressing (N.t.: test pressing são as primeiras prensagens do vinil feitas para ver se a matriz está OK) original de Norman Dolph contém material gravado do Sceptor Studios. Ao que consta, são mixagens ou gravações diferentes do que consta no álbum de estreia da lendária banda.

5º "Do I Love You?", FRANK WILSON Vendido por 30 mil dólares Motivo: Acredita-se que existam apenas 3 cópias deste compacto. Esta terceira cópia foi comprada em um leilão online pelo valor acima.

5º “Do I Love You?”, FRANK WILSON
Vendido por 30 mil dólares
Motivo: Acredita-se que existam apenas 3 cópias deste compacto. Esta terceira cópia foi comprada em um leilão online pelo valor acima.

4º "The Freewheelin’", BOB DYLAN Vendido por 35 mil dólares Motivo: Reprensagens desse disco trazem modificações nas músicas - inclusive quatro delas nunca mais saíram posteriormente. Apenas a edição original - supostamente destruída pela Columbia Records – inclui quatro músicas perdidas e apenas poucos exemplares desses sobraram no mundo.

4º “The Freewheelin’”, BOB DYLAN
Vendido por 35 mil dólares
Motivo: Reprensagens desse disco trazem modificações nas músicas – inclusive quatro delas nunca mais saíram posteriormente. Apenas a edição original – supostamente destruída pela Columbia Records – inclui quatro músicas perdidas e apenas poucos exemplares desses sobraram no mundo.

3º "Yesterday and Today", THE BEATLES Vendido por 38.500 dólares Motivo: Antes da Capitol Records substituir a capa desse álbum por uma foto saudável com toda a banda, o grupo posou sorrindo com aventais de açougueiro segurando bonecas desmontadas e carne crua. Não é à toa que esse é o álbum dos Beatles mais desejados de todos os tempos.

3º “Yesterday and Today”, THE BEATLES
Vendido por 38.500 dólares
Motivo: Antes da Capitol Records substituir a capa desse álbum por uma foto saudável com toda a banda, o grupo posou sorrindo com aventais de açougueiro segurando bonecas desmontadas e carne crua. Não é à toa que esse é o álbum dos Beatles mais desejados de todos os tempos

2º "That’ll Be the Day", THE QUARRYMEN (pré-BEATLES) Vendido por 180 mil dólares Motivo: Apenas uma cópia desse álbum de 78 rotações foi prensada, e em seguida passou por todos os membros da banda e amigos. Este exemplar foi, enfim, perdido, mas redescoberto por Duff Lowe, ex-amigo de escola do Sir. Paul McCartney

2º “That’ll Be the Day”, THE QUARRYMEN (pré-BEATLES)
Vendido por 180 mil dólares
Motivo: Apenas uma cópia desse álbum de 78 rotações foi prensada, e em seguida passou por todos os membros da banda e amigos. Este exemplar foi, enfim, perdido, mas redescoberto por Duff Lowe, ex-amigo de escola do Sir. Paul McCartney

1º "Double Fantasy" - JOHN LENNON & YOKO ONO Vendido por 525 mil dólares Motivo: John Lennon autografou esse exemplar apenas algumas horas antes de ser assassinado por Mark David Chapman

1º “Double Fantasy” – JOHN LENNON & YOKO ONO
Vendido por 525 mil dólares
Motivo: John Lennon autografou esse exemplar apenas algumas horas antes de ser assassinado por Mark David Chapman

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Subculture Sobre: Rock e música Pop Imagem em destaque: Autografo dado por John Lennon pouco antes de ser assassinado Fonte: Whiplash

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Subculture
Sobre: Rock e música Pop
Imagem em destaque: Autografo dado por John Lennon pouco antes de ser assassinado
Fonte: Whiplash

Kid Vinil – “Uns 10 mil vinis e mais uns 10 mil CDs!”

No anos 70, em Londres, Nos anos 80 com o Magazine, Na Tower Records, em Londres, Kid Vinil Xperience, Com Glenn Hughes, com Jô Soares, Com Chris Robinson (Black Crowes), Na Brasil 2000, Com Joey Ramone e com Ian Gillan

No anos 70 em Londres, nos anos 80 com o Magazine, na Tower Records, em Londres, Kid Vinil Xperience, com Glenn Hughes, com Jô Soares, com Chris Robinson (Black Crowes), na Brasil 2000, com Joey Ramone e com Ian Gillan

Kid Vinil é uma lenda. Músico, radialista, crítico musical, apresentador de TV, já fez de tudo no mundo da música. Mas o que pouca gente sabe é que Kid possui uma das coleções mais completas, abrangentes e impressionantes do Brasil. Nesta longa conversa Kid contou como surgiu a sua paixão pelo rock, apresentou a sua coleção e deu várias dicas de grupos que valem a pena conhecer. Então sente na cadeira, puxe o bloco de anotações e curta com a gente as histórias de Kid Vinil.

Kid Vinil, antes de mais nada eu gostaria de agradecer a você por esta entrevista. Para começar eu gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores.

Bem, meu nome verdadeiro é Antônio Carlos, mas sou mais conhecido como Kid Vinil. Tenho 51 anos, sou brasileiro, nascido em Cedral (SP). Comecei minha carreira como locutor de rádio em 1979 na extinta Excelsior FM. Fiz o primeiro programa de punk e new wawe do rock brasileiro. O apelido Kid Vinil aconteceu justamente nessa época e acabou sendo o nome do meu programa de rádio. Na época eu estava me formando em jornalismo. Paralelo à minha carreira radiofônica eu tinha minha banda, o Verminose, que tocava punk, rockabilly e new wave. Por volta de 83 mudamos o nome para Magazine e estouramos em todo país com os hits “Sou Boy” e “Tic Tic Nervoso”. O Magazine é uma versão mais new wave e mais pop do Verminose. A banda durou até 85, quando junto com o guitarrista André Christovan eu formei o Kid Vinil & Os Heróis do Brasil. Gravamos apenas um disco e o grupo acabou em 89. Nos anos noventa fiz um disco solo na RGE e reformamos o Magazine para shows, e em 2002 gravamos um cd da volta do Magazine pela Trama chamado “Na Honestidade”. Atualmente me apresento com a banda Kid Vinil Xperience, que toca um repertório bem variado, incluíndo os hits do Magazine, novas composições e algumas covers. Voltando à carreira radiofônica, já estive em quase todas as rádios rock de SP e fiz programas variados durante todos esses anos. Mais recentemente estava na Brasil 2000, onde cheguei até a cuidar da programação durante um ano e fiz diversos programas. Na TV apresentei no final da década de 80 o programa “Boca Livre” da TV Cultura, e nos anos noventa o “Som Pop”. Em 2000 apresentei na MTV o programa “Lado B”. Atualmente, além da banda sou DJ de festas de “rock alternativo” e festas temáticas de “anos 80”. Sei que já faz algum tempo, mas você lembra como foi o seu primeiro contato com a música e, mais especificamente, com o rock? Foi através da minha família. Meu pai é fã de Elvis e meu irmão dos Beatles. Foi assim que caí na vida.

Toda grande coleção tem o que eu chamo de o seu “ponto zero”, o seu marco inicial. Aquela hora em que nós, colecionadores, percebemos que somos diferentes dos nossos amigos, que apenas “consomem” música. A dedicação é maior, o investimento é maior, o cuidado com tudo é maior. Quando você percebeu que estava se transformado de um simples fã em um colecionador?

Acho que a partir do momento que eu comecei a ganhar uma grana para poder ter os discos que eu queria. Mas desde o inicio da década de setenta eu sonhava com isso. Guardava todos os trocados que eu tinha para comprar os LPs importados no Museu do Disco (loja lendária da década de 70 localizada no centro de SP)

Sacia a minha curiosidade: sei que a sua coleção é gigantesca, mas quantos álbuns no geral você possui?

Não sou um cara organizado que sai cadastrando e numerando seus discos, pois moro num apartamento pequeno e os discos ficam espalhados pela casa inteira, mas eu calculo, entre LPs, remixes e compactos de 7 polegadas, uns 10 mil vinis, e CDs também estou próximo de mais dez mil (originais).

Imaginei que seriam milhares, mas é realmente um acervo impressionante. Para dizer a verdade, o maior que já publicamos aqui na Collector´s Room. Entre todos estes itens, de quais grupos você possui mais material?

Talvez de bandas mais famosas e que desfrutam de uma discografia grande, como Beatles e Rolling Stones, isso incluindo bootlegs, edições raras, etc.

Além dos CDs, vinis e DVDs, com certeza você possui diversos outros itens na sua coleção, certo?

Na verdade, devido ao tamanho do lugar onde moro, não daria para comportar mais coisas além do que mais gosto, que são meus vinis, CDs e DVDs. Tenho revistas de rock tipo Mojo, Record Collector, NME, Uncut e outras mais underground, mas não dá para colecionar, quando vejo que tá ocupando espaço eu me desfaço delas. Outras bugigangas relacionadas ao rock, acho que não, nunca me interessei em colecionar peças de museu, ou guitarra de alguém, prefiro o disco.

Imagino que as pessoas não começaram a chamar você de Kid Vinil à toa. Conta para nós qual é a origem e como surgiu este apelido.

Na verdade o apelido surgiu por causa do programa de rádio em 79. Eu tinha voltado de Londres e tinha visto toda aquela movimentação punk por lá, daí queria fazer o programa de rádio, então precisava de um apelido. Pensamos em “Kosmo Vinyl”, que era o nome do tour manager do The Clash, mas seria muita cara de pau roubar o nome do cara, daí fiz uma composição. Tinha um DJ da BBC Radio chamado Kid Jensen, então eu emprestei dos dois e criei o “Kid Vinil”, que por acaso ficou legal, pois eu era um aficcionado por vinil.

Eu costumo dizer que, apesar do amplo horizonte que a música nos proporciona, abrindo as nossas cabeças, o rock ainda é, sem dúvida, o estilo mais apaixonante que existe. Neste sentido, você consegue contar para gente como foi a sua história, a sua trajetória dentro do rock and roll?

Primeiro foi Elvis, Paul Anka e depois Beatles e Stones. Mais tarde, quando eu tinha meus 12 anos, comecei a ouvir Hendrix e Janis Joplin, aos quatorze Black Sabbath e Led Zeppelin, Slade, Alice Cooper, The Who, Neil Young e toda geração Woodstock. Aos dezoito conheci Frank Zappa, me aprofundei em Bob Dylan, Jefferson Airplane, Grateful Dead e toda a geração psicodélica californiana. Aos 20 anos comecei a me interessar por jazz rock e ouvir de Miles Davis a Chick Corea, Mahavishinu Orchestra e Weather Report. Mergulhei no rock progressivo do King Crimson, Emerson Lake & Palmer, Yes, Pink Floyd, Genesis e toda geração progressiva. Em 74, cansado de tudo isso, comecei a ouvir David Bowie, Lou Reed, Stooges, MC5, T. Rex e Patti Smith. Alguns anos depois caí de cabeça no punk e na new wave do Television, Blondie, Elvis Costello, Ramones, Clash, Vibrators, Pistols, etc. Daí vieram outras tendências, o pós punk do PIL e do Gang of Four, os anos oitenta de Siouxsie, Cure, U2, Joy Division, New Order, Echo, Smiths, etc. Nos anos noventa o grunge do Nirvana e Mudhoney e o britpop do Suede, Pulp, Blur e Oasis, até os dias de hoje, quando ouço Arctic Monkeys e gosto de verdade, como continuo gostando de Sonic Youth.

Vamos voltar um pouco no tempo então: qual foi o primeiro álbum que você comprou?

Aos onze anos de idade comprei a trilha do filme “Yellow Submarine” dos Beatles, porque vi o filme e adorei a trilha.

Qual o item que você considera o mais raro da sua coleção?

Hoje fica difícil especificar algum item raro, pois quase tudo sai em CD e o vinil acaba perdendo um pouco o seu valor. Mas tem coisas que mesmo tendo sido editadas em CD ainda valem em vinil, como os títulos lançados pelo selo inglês Vertigo durante o final dos anos 60 e começo dos 70. Um dos que eu considero precioso é uma banda chamada Dr Strangely Strange, o disco chama-se “Heavy Petting”, a capa foi feita pelo Roger Dean (que fazia as capas do Yes) e lutei para conseguir uma cópia no eBay, que me custou mais de 100 dólares.

Kid, todo colecionador sonha, ou já pensou, naquele dia em que vai chegar a uma loja e comprar todos, literalmente todos, os álbuns que tem vontade. Infelizmente, na vida real isso fica um pouco mais difícil (risos), mas a gente continua sonhando. Então, qual foi o maior número de álbuns que você comprou de uma única vez?

Isso foi há uns três anos atrás, quando eu trabalhava na Trama e na MTV. Viajei para Londres e fui num atacadista de discos raros da década de setenta principalmente (mas relançamentos em vinil). Tem um selo italiano chamado Akarma, que lança tudo em vinil e CD, eles devem ter uns 200 títulos no catálogo, lembro que comprei todos os LPs e os CDs.

Como jornalista, apresentador, músico e referência em rock, você recebe muito material de gravadoras e artistas, e com certeza muitos destes itens não são do seu gosto pessoal. Você guarda todo este material promocional, ou fica só com o que realmente curte e repassa o restante?

Realmente fico somente com aquilo que me interessa, apesar que as gravadoras já sabem do meu gosto musical e se preocupam em me mandar só as coisas de rock que sabem que eu gosto. Nunca me mandaram discos de axé ou samba, aaaargh…

Apesar de receber todo este material, você ainda continua comprando itens para a sua coleção? Se sim, quantos álbuns em média você compra por mês?

Hoje eu compro muito menos discos, geralmente compactos de 7 polegadas (o chamado compacto simples) pelo correio das bandas estreantes inglesas. Tudo que é banda na Inglaterra lança suas primeiras músicas em compacto de vinil. Além dos compactos às vezes compro algum CD que eu sei que não vai ser lançado aqui.

Qual o item que você tem mais ciúmes, tem um carinho especial e não venderia de jeito nenhum?

Eu tenho ciúme de todos os meus discos, jamais vendo ou me desfaço de qualquer um deles, não sei especificar um em especial.

Entre todos os itens que você possui, quais foram os que deram mais trabalho para conseguir?

Alguns itens eu entrei em leilões no eBay, como o “Yardbyrds Live” de 1968 (esse disco é considerado um embrião ao vivo do Led Zeppelin, pois tem Jimmy Page na guitarra), é bastante raro e custou para conseguir. Alguns títulos do selo Vertigo (Ramases, Still Life), os lançamentos limitados em vinil do selo Shadocks da Alemanha (esse selo chegou até a lançar coisas obscuras do rock brasileiro como Sound Factory, Geração Bendita, Paebiru, Bango). A minha coleção de vinis do Canned Heat, a minha banda favorita de blues psicodélico. Outra coleção de vinis que eu prezo muito e sofri para conseguir todos foi do grupo canadense The Guess Who, que era uma banda pop da década de sessenta e que nos anos setenta deu origem ao BTO (Bachman Turner Overdrive).

Apesar de tudo o que você possui, existem alguns álbuns que você deseja e ainda não conseguiu para a sua coleção?

Na verdade exitem alguns do selo Vertigo que me faltam, mas custam muito caro, como:

Manfred Mann – Chapter Tree – Volumes One & Two
Legend – Legend
Nirvana – Local Anesthetic (esse era o Nirvana progressivo)

Kid, você possui algum lugar específico para guardar a sua coleção? E, além disso, tem alguma dica de como conservar todos estes itens?

Como eu falei anteriormente, moro num minúsculo apartamento e meus discos estão espalhados em várias estantes, cada uma tem uma ordem que só eu entendo. Outra parte está em caixas e daí vira uma puta zona. Conservação também fica difícil pela quantidade, só evito local úmido e coloco sempre capinhas de plástico para protegê-los melhor. Limpeza no máximo uma flanela umedecida com água, simplesmente para tirar o pó.

Eu queria que você fizesse agora um top#5 com os itens do seu acervo que você mais curte.

Neil Young – On The Beach
Alice Cooper – Easy Action
Aphrodites Child – 666
The Faces – A Nod Is Good As Wink To A Blind Horse
Slade – Slade Alive

Tenho certeza de que você já fez esta lista, mas vou perguntar do mesmo jeito: para você, quais são os dez melhores álbuns de todos os tempos?

Beatles – White Album

Rolling Stones -Exile On Main Street

Sex Pistols – Never Mind The Bollocks, Here´s The Sex Pistols
The Clash – London Calling
The Smiths – The Queen Is Dead
David Bowie – Ziggy Stardust And The Spiders From Mars
Bob Dylan – Blonde On Blonde

Lou Reed – Berlin
Stone Roses – Stone Roses

Oasis – Definitely Maybe

Sonic Youth – Daydream Nation
Pixies – Surfer Rosa

Podem ser doze?

Podem sim. E atualmente, nos últimos dois, três anos, que grupos tem chamado a sua atenção? E mais, que grupos você tem ouvido atualmente e que destacaria para os nossos leitores?

– Bell Rays

– Dirtbombs
– Drive By Truckers
– Arcade Fire
– Hard Fi
– The Kooks
– Detroit Cobras
– Forward Russia
– Guillemots

– The Cirbs

– The Spinto Band
– The Rakes
– Wolfmother
– We Are Scientists
– The Pipettes
– The Editors
– Secret Machines
– Band Of Horses
– The Elected
– Islands

Certamente, no meio de todo este acervo, deve existir alguns itens que você olha e pensa “nossa, porque eu comprei este disco?”. Então, vamos lá: qual é o item mais estranho da sua coleção, e também que álbuns as pessoas ficariam surpresas em saber que você possui?

Meu gosto é bem variado, tenho blues, jazz, country, folk. Uma vez o Massari veio fazer uma matéria em minha casa para a MTV e viu um disco da dupla Sony & Cher e um da Cher e ele achou muito estranho eu gostar da Cher, mas na verdade eu curto a Cher na década de 60, antes dela fazer sucesso no cinema, quando ela cantava baladas como “I Got You Babe”, que mais tarde o UB40 regravou com a Chrissie Hynde dos Pretenders. Tenho coisas bizarras em vinil, como as trilhas dos filmes B do Russ Meyer.

A Collector´s Room tem apresentado diversas coleções imensas, verdadeiros acervos históricos, literalmente impressionantes. Qual a sua opinião a respeito destes fãs dedicados que possuem, na maioria das vezes, mais material do que os próprios integrantes dos grupos dos quais são fãs?

Nunca fui muito chegado em fanatismo, gosto de ter sim os discos mais importantes de um grupo ou artista, o resto eu dispenso, mas tudo bem, “cada louco com a sua mania”.

O rock já está aí há mais de cinquenta anos, e passou por diversas fases neste tempo todo. Sendo assim, eu gostaria que você indicasse aos nossos leitores os álbuns que você recomenda das décadas de sessenta até hoje.

Anos 60
The Who – Sell Out
The Kinks – Face To Face
The Yardbyrds – Having A Rave Up
The Beatles – Revolver
The Rolling Stones – Their Satanic Majesties Request
Bob Dylan – Highway 61 Revisited
Jefferson Airplane – Surrealistic Pillow

Grateful Dead – Anthem Of The Sun

Frank Zappa – Freak Out!
Pink Floyd – The Piper At The Gates Of Dawn
The Velvet Undreground – The Velvet Underground
Led Zeppelin – Led Zeppelin I

Anos 70
Badfinger – No Dice
Black Sabbath – Master Of Reality

Lou Reed – Rock And Roll Animal

Alice Cooper – Killer
New York Dolls – New York Dolls
MC5 – Kick Out The Jams
Stooges – Stooges
Ramones – Ramones
Patti Smith – Horses
The Clash – The Clash
Sex Pistols – Never Mind The Bullocks
David Bowie – Aladin Sane

T. Rex – Electric Warrior
Roxy Music – Roxy Music

King Crimson – Starless And Bible Black

Anos 80
Elvis Costello – Get Happy
Devo – Freedom Of Choice
Dexys Midnight Runnes – Too Rye Ay
Joy Division – Closer
Gang Of Four – Solid Gold

Siouxsie And The Banshees – Kaleidoscope

The Cure – The Top

U2 -The Unforgetable Fire
Depeche Mode – Speak & Spell
Human League – Dare
Gary Numan – Telekon
Soft Cell – Non Stop Erotic Cabaret
PIL – The Flowers Of Romance

The Stranglers – La Folie

Xtc – English Settlement

Anos 90

Stone Roses – Stone Roses
Teenage Fanclub – Bandwagonesque
Nirvana – Nevermind
Mudhoney – Every Good Boy Deserves Fudge
Soundgarden – Badmotorfinger
Sonic Youth – Dirty

Pixies – Bossanova
The La´s – The La´s
Happy Mondays – Pills And Thrills And Bellyaches

Beastie Boys – Ill Comunication
Primal Scream- Screamadelica
Pulp – His And Hers
Smashing Pumpkins – Gish
Blur – Parklife
Oasis – What´s The Story Morning Glory
Super Furry Animals – Fuzzy Logic
Boo Radleys – Giant Steps
My Bloody Valentine – Loveless
Pavement – Slanted And Enchanted

Anos 00

Strokes – Is This It
Arcade Fire – Funeral
Interpol – Turn On The Bright Lights
Belle And Sebastian – Fold Your Hands Child, You Walk Like A Pesant
The Libertines – Up The Bracket
The Coral – The Coral
The Rakes – Capture/Release
Hard-Fi – Stars Of Cctv
The Ordinary Boys – Brassbound
Black Mountain – Black Mountain

Wolfmother – Wolfmother
Bloc Party – Silent Alarm
Ladytron – Witching Hour
Silver Jews – Tanglewood Numbers
The Magic Numbers – The Magic Numbers
Kaiser Chiefs – Employment
The Futureheads – The Futureheads
The Flaming Lips – At War With The Mystics
Mystery Jets – Making Dens
Editors – The Back Room
Maximo Park – A Certain Trigger

Eu me lembro que, quando comecei a ouvir música, em meados dos anos oitenta, me chamou a atenção aquele cara ruivo, gordinho e de bigode que liderava uma banda que cantava o hit “eu sou boy, eu sou boy, eu sou boy”. Como foi para você a experiência com o Magazine, transformando-se de jornalista em músico, indo para a frente das câmeras?

Foi um processo natural, pois a banda corria paralela à minha carreira no rádio e na TV. Acho que trabalhar com rádio ajudou bastante, pois aprendi a improvisar e de certa forma atuar foi um passo à frente.

É palpável a sua paixão pela música. A sua coleção é uma das mais respeitadas do Brasil. Qual é a sensação que você sente ao parar e olhar para todo este acervo reunido ao longo de todos estes anos?

Eu adoro essa minha coleção, cada disco tem uma história. É engraçado quando começo a olhar e procurar algum disco e vejo os outros e começo a lembrar como consegui, onde, em que circunstâncias. É um pedaço da minha vida.

Este amor pela música já fez você atuar em diversas áreas. Músico, jornalista, escritor, apresentador, radialista. Qual destas atividades te deu mais prazer?

Eu adoro fazer rádio, sempre gostei. Hoje estou fora do rádio, mas gostaria muito de voltar, pois as emissoras estão cada vez mais pobres em termos de programação.

Pode parecer um ranço meu, ou até mesmo imaturidade, mas eu não consigo ver na cena musical brasileira,

e estamos falando somente sobre rock, uma qualidade, uma variedade e uma riqueza musical tão grande, ou equivalente, às cenas inglesas e americanas, por exemplo. Você tem uma visão muito mais completa e abrangente que a minha, isso não se discute, mas o que eu queria saber é se você também sente isso em relação ao cenário rock and roll brasileiro, e a que atribui isso?

Hoje o rock brasileiro tenta sair desse marasmo que ele entrou nos anos noventa, algumas boas bandas estão se destacando até lá fora. Vocês sabem que o Cansei de Ser Sexy assinou com a Sub Pop, mas ainda é pouco. Gosto do Jumbo Elektro, Mombojó, da Karine Alexandrino, enfim existem algumas boas propostas espalhadas pelo país. Mas a maioria ainda está nessa de hardcore ruim, emocore e outras chatices que já encheram o saco. O conhecimento musical dessa nova geração é muito limitado infelizmente, porque eles não se interessam em pesquisar ou ir fundo na matéria. Uma pena!

Pessoas como nós, que já não tem mais vinte e poucos anos, estão órfãos de uma programação musical de qualidade na TV. A MTV possui uma programação totalmente “teen”, e é praticamente impossível para na frente da TV e assistí-la por muito tempo. Você não sente vontade de desenvolver algum programa para este público mais maduro, que possui um conhecimento musical e não consome qualquer coisa que a mídia apresenta?

Com certeza, vivo pensando nisso, mas está dificil viabilizar em alguma emissora de TV. O interesse deles sempre bate na breguice. Quando alguém acreditar e bancar uma proposta dessas eles vão ver que dá resultado. O dificil é convencer alguém. Eu tentei fazer isso na Brasil 2000, mas as pessoas viviam em outra realidade e não queriam saber de cultura musical, era um querendo derrubar o outro o tempo todo, briga de poder e nessas eu acabei caindo.

Como já falamos antes, você já realizou inúmeras coisas dentro da música. Apresentador, crítico, músico, radialista. Na boa, o nome Kid Vinyl é praticamente uma “lenda viva” na música brasileira. O que você ainda gostaria de realizar em relação à música?

Uma coisa parecida com o que eu disse acima, ter o controle “total” sobre a programação de uma rádio, ou ter um programa de TV decente, sem interferências comerciais.

Você já está há muito tempo trabalhando com música. Como você vê a evolução do cenário musical brasileiro nos últimos vinte, trinta anos, de praticamente insignificante na época do primeiro “Rock In Rio” (1985) ao estágio atual, com milhões de fãs, veículos, selos e lojas especializadas? O que você acha que está melhor ou pior agora, e o que ainda precisa melhorar?

Certas coisas melhoraram, como a estrutura de shows. As pessoas se organizaram, os selos independentes vieram com força maior, a internet ajuda, e muito. Mas o que decaiu bastante foi a qualidade musical nas rádios e na programação das emissoras de televisão. Até a TV a cabo, que seria uma alternativa, está parecida com a TV comercial, sem qualidade nenhuma e apostando em programas cada vez piores. Vide “American Idol” e “Top of The Pops”, por exemplo. Tiraram o fabuloso “Later” do Jools Holland e colocaram no lugar o “Top of the Pops” (e isso é só um exemplo).

O formato “single” é um dos proferidos dos coleiconadores, seja pela quantidade limitada com que são lançados, seja pelas versões e músicas inéditas que muitos possuem. Porque você acha que o “single” não vingou no Brasil?

O preço de um single na Inglaterra está entre uma e duas libras, assim como o 7 polegadas. Aqui queriam cobrar quase o preço do CD normal, nunca daria certo. Se o single vende na Inglaterra é porque ele é barato e atrativo (músicas inéditas, duas partes, DVD single, etc). O mercado brasileiro tá todo errado, a começar pelo preço do CD, que não precisava custar 40 reais. Na Inglaterra um CD custa 40 reais, nos EUA custa 12/15 dólares, mas lá os caras tem poder aquisitivo para pagar esse preço, aqui é roubo!!!

São Paulo constantemente é citada como uma das cidades mais desejadas pelos colecionadores, não só brasileiros, mas em todo o mundo. A que você atribui esta quantidade enorme de lojas, de sebos, a própria Galeria do Rock (que só existe aqui), voltadas totalmente para o público consumidor de música?

Muita música brasileira antiga (bossa nova, anos setenta, soul, etc) é procurada pelo mercado americano, japonês e europeu. A Galeria do Rock é um “oásis” na vida dos paulistanos, pois somos felizardos em termos um lugar como aquele para encontrar quase tudo que procuramos. Os sebos são importantes porque, como eu disse, com os preços exorbitantes nas lojas normais a única alternativa são os sebos, que vendem pela metade do preço ou até menos.

Eu sou um consumidor de música há mais de vinte anos. Durante todo este tempo tive contato com as mais diversas publicações, dezenas de pessoas que, de alguma maneira, estiveram ou ainda estão envolvidas com o rock e com o metal. Quem você considera referência no cenário atual, onde um leque muito maior de opções é colocado à disposição dos fãs de música?

Continuo lendo as revistas inglesas Record Collector, Mojo e Uncut. Das publicações independentes gosto das inglesas Artrocker, Plan B e Clash. A título de informação entro sempre nos sites:

http://www.nme.com
http://www.cmj.com

http://www.xfm.co.uk

http://www.bbc.co.uk/radio1 (programas Zane Lowe e Steve Lamaq)
http://www.woxy.com

Lojas que frequento os sites e compro pelo correio:

http://www.roughtrade.com
http://www.piccadillyrecords.com
http://www.othermusic.com
http://www.normanrecords.com

Nestes anos todos de trabalho e envolvimento com a música você conheceu muitas pessoas, viveu e presenciou diversas histórias interessantes. Eu gostaria que você nos dissesse quais foram os momentos mais gratificantes e inesquecíveis de todos estes anos dedicados à música.

Um dos últimos foi na Trama, quando lancei os CDs do Belle & Sebastian e depois vim conhecê-los quando vieram para o Free Jazz, e qual não foi minha surpresa quando eles lançaram o primeiro DVD e, quando eles mostraravam o Brasil, me colocaram anunciando eles na MTV, foi gratificante! Conhecer os caras do Teenage Fanclub (uma das minhas bandas favoritas dos anos noventa). Ter lançado todos os CDs do Frank Zappa pela Eldorado na década de 90. Ter assistido ao Clash ao vivo na tour do álbum “London Calling” e quase vinte anos depois entrevistar o Joe Strummer para o Lado B.

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Subculture Sobre: Rock e música Pop Fonte: Whiplash

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Subculture
Sobre: Rock e música Pop
Fonte: Whiplash