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É tarde, mas em tempo

No dia 10 de junho João Gilberto completou 85 anos. Fecho o livro Passa lá em casa com a música de Vinicius de Moraes, Manhã de carnaval, na interpretação magistral de João Gilberto.

Vivendo no Copacabana Palace, João Gilberto trabalha em novo projeto

João Gilberto comemora seus 85 anos em silêncio e cercado de expectativa

Álbum inédito de João Gilberto com Stan Getz sai no exterior

No dia 7 de junho, três dias antes de completar 85 anos, João Gilberto ganhou um terrível presente de aniversário.

A 9ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro acolheu um recurso da EMI, impetrado pelo advogado recém-contratado, Rodrigo Fux, e determinou que fosse refeito o laudo pericial que avaliou em R$ 170 milhões o que a gravadora deveria pagar ao pai da Bossa Nova.

Este valor corresponderia a um percentual de 24% de tudo o que a EMI faturou com as vendas das obras de João desde 1964.

Em dezembro, o STJ deu ganho de causa a João Gilberto nesta pendência que dura 25 anos. Em resumo, João terá que esperar um pouco mais.

Para mim, João Gilberto é o cantor mais singular de nosso tempo. Um verdadeiro criador. Sua curiosa habilidade de cantar sem vibratos e seu impecável senso rítmico o fazem único – Stan Getz

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30 anos sem o sambista Nelson Cavaquinho, poeta do juízo final

Nos sambas do compositor desfilam letras sobre desamores, despedidas e morte

Nelson Cavaquinho morreu no dia 18 de Fevereiro de 1986

O músico em documentário de Leon Hirszman, de 1969 Divulgação

O músico em documentário de Leon Hirszman, de 1969 Divulgação

30 anos atrás Nelson Cavaquinho desaparecia (dessa vez em definitivo) pela segunda vez na vida. Apesar de seus dois sumiços – ou de suas duas mortes, como provavelmente ele gostaria – sua figura continua sendo enigmática. Morreu em 1986, aos 74 anos, no Rio de Janeiro, mas sua voz rouca, suas músicas sombrias – que falam de desamores, despedidas e morte – ainda desnorteiam: não há em Nelson nenhum resquício do estereótipo do samba como uma música alegre, feita para agradar.

A primeira vez em que Nelson Cavaquinho desapareceu foi pouco antes da década de 1950. Nascido em 1911, fez sucesso até a metade do século passado quando a época áurea do samba (marcada por figuras como Carmem Miranda, Dalva de Oliveira e Dorival Caymmi) acabou. Ele e seu amigo Cartola, compositor de clássicos, como O Mundo é Um Moinho e As Rosas Não Falam, passaram anos de ostracismo artístico. Até que no início de 1960 foram redescobertos pela classe média carioca que buscava novos ares nos velhos morros cariocas.

Quando voltou, Nelson Cavaquinho já abandonara o cavaquinho que tinha lhe rendido o apelido na juventude. Seu instrumento agora era o violão, que ele tocou de forma única. Saído diretamente de um túnel do tempo, ele recendia há uma época passada, esquecida – ou que ao menos queria se esquecer. Se o Brasil se profissionalizava, Nelson era o símbolo do improviso, do amadorismo. Se éramos o país do futuro, ele era nosso passado de pé no chão. “Muito mais do que arcaico, Nelson parece ter nascido extemporâneo, na contramão da ‘promessa de felicidade’. É desse patamar que Nelson e Cartola compõem, esquecidos, mas também preservados”, escreveu no artigo Rugas, o artista plástico e ensaísta Nuno Ramos.

No entanto, ao contrário de Cartola que se fixou como um dos maiores sambistas brasileiros, Nelson Cavaquinho também é lembrado, mas em segundo plano. É que junto ao seu nome não é possível usar qualquer adjetivo que proponha sutileza ou conforto. Enquanto Cartola oferecia respostas e conselhos em suas músicas – Preste atenção, querida/ Embora eu saiba que estás resolvida/ Em cada esquina cai um pouco a tua vida/ Em pouco tempo não serás mais o que és –, Nelson oferecia incômodo puro e simples.

Em Nelson Cavaquinho, sambista e poeta, tudo remete ao final. Se, por exemplo, fala em folhas, lembra-se das secas. No Carnaval não há confete ou purpurina, mas partida para sabe-se lá quando voltar. E até sua barriga, na gíria cômica inventada por ele próprio, vira um cemitério de frango. Se o samba é muitas vezes um gênero que desconhece autores, confundindo-os nas coletâneas em que intérpretes desfilam pout-pourris recheados de clássicos, Nelson Cavaquinho é inconfundível.

Suas letras são sombrias, sua voz é rasgada, esculpida pelo excesso de álcool e tabaco barato. O modo como toca violão, usando apenas o polegar e o dedo mínimo, é dissonante, forte. Em um de seus sambas mais famosos, Nelson ordena: Tire o seu sorriso do caminho/ Que eu quero passar com a minha dor. Em outro, anuncia: É o Juízo Final, a história do bem e do mal/ Quero ter olhos pra ver, a maldade desaparecer. E, num terceiro, pede: Me dê as flores em vida/ O carinho, a mão amiga/ Para aliviar meus ais/ Depois que eu me chamar saudade/ Não preciso de vaidade/ Quero preces e nada mais.

Suas letras são sombrias, sua voz é rasgada, esculpida pelo excesso de álcool e tabaco barato. O modo como toca violão, usando apenas o polegar e o dedo mínimo, é dissonante, forte.

Nenhuma história poderia ser mais Nelson Cavaquinho do que a do próprio Nelson Cavaquinho. Obcecado pelo final, ele viu seu fim ainda em vida e depois voltou só para lembrar os brasileiros, empolgados pela invenção da bossa-nova, pela vida dourada da zona sul carioca, do barro de que também eram feitos. Seu estilo, como escreveu Ramos, era uma espécie de anti-João Gilberto. Enquanto um busca o minimalismo, a sutileza, o outro escancarava as dores de se estar vivo. Ainda segundo o ensaísta, há no sambista o desejo e a recusa do moderno, coisa que caracteriza quase tudo o que o Brasil almeja ser. “Em Nelson, a vida é o que é, num certo sentido, aquilo que sempre foi. Por isso, não carrega ansiedade nem projeto. Parece tão desejável quanto a morte”.

E, contudo, apesar de ser provavelmente o sambista que mais escreveu sobre o fim, a imagem que talvez melhor defina sua personalidade é a do mito que diz que ele próprio, Nelson Cavaquinho, tremia de medo ao pensar em seu juízo final. Conta-se que ele passou uma madrugada inteira atrasando o relógio: a ideia era que, desse modo, ele poderia enganar a morte. Sabe-se hoje que a tática não deu certo, mas Nelson, de um jeito ou de outro, ao mexer nos ponteiros, conseguiu permanecer parado no tempo, dentro do passado de onde veio. E, por isso mesmo, é hoje uma ponte para o que o Brasil foi e deixou de ser.

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Chico Buarque: “A música brasileira não exclui, assimila”

Chico Buarque, “um sujeito magro e tímido, simples e sorridente”. / LUIZ MAXIMIANO

Há apenas uma coisa mais difícil de encontrar do que alguém que fale mal de Chico Buarque no Brasil: uma mulher que não seja apaixonada por ele. Olhos fascinantes de uma cor estranha entre verde, azul e cinza são uma lenda nacional. Suas canções, por si só, já fazem parte da história, da herança e da identidade diária de um povo. Por isso, é um pouco intimidante se aproximar do edifício de um bairro nobre do Rio de Janeiro, onde o cantor mora, e subir no elevador imaginando o que te espera atrás da porta. O que se encontra é um sujeito magro e tímido, simples e sorridente, que esperava sentado sozinho em uma cadeira e assim que vê o recém-chegado o convida para um café que acabou de fazer. A sala de estar de Chico, aberta em três paredes de vidro com vista para várias praias do Rio, goza de uma paisagem deslumbrante nesta bela tarde ensolarada e iluminada de fim de verão. Ao fundo, em um canto, há um violão e um piano, ao lado de uma enorme foto na qual Chico aparece ao lado de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, dois dos lendários criadores da bossa nova.

Sobre uma mesa repousa o novo romance do artista, O Irmão Alemão (Companhia das Letras). Nele, Chico (1944) narra seu choque ao saber, já adulto e de forma inesperada, que seu pai, o famoso historiador Sérgio Buarque de Hollanda, teve um filho na Alemanha, em 1930, quando era correspondente em Berlim para um jornal brasileiro. Nem Chico sabia até então que tinha um irmão na Alemanha, nem esse irmão alemão jamais soube que era parente de um dos cantores mais famosos do Brasil já que morreu, em 1981, ignorando quase tudo sobre seu pai biológico. O escritor disfarça um pouco os fatos, mas nas páginas do romance desfila a São Paulo dos anos sessenta e setenta, menos gigante e desumana do que a atual, e sua própria juventude um pouco desregrada. Também emerge a ditadura sinistra, à qual Chico se opôs desde o início e que o levou a buscar o exílio, em 1969. Mas, acima de tudo, revela a casa da família, repleta de cima a baixo com livros de seu progenitor. Era um pai amável, mas distante, carinhoso, mas distraído, e um pouco ausente, sempre imerso em leituras intermináveis e envolto em uma nuvem de fumaça de um cigarro continuamente aceso. No romance, o protagonista, um sósia do próprio Chico, enquanto folheia um dos livros da imensa biblioteca do pai, nota um envelope perdido entre as páginas que guarda uma velha carta em alemão, que lhe dá pistas sobre aquele irmão que nunca conheceu. Na verdade, a descoberta não foi tão literária.

Pergunta. Quando soube que tinha um irmão?

Resposta. Soube exatamente em 1967, quando tinha 23 anos. Lembro-me muito bem, inclusive há uma foto desse dia. Vinicius de Moraes, Tom Jobim e eu fomos visitar o poeta Manuel Bandeira, que já estava muito velhinho, em sua casa no Rio. E, então, falando disso e daquilo, Bandeira perguntou por meu pai, de quem era muito amigo: “Como o Sérgio está? Ah, quanto tempo não o vejo, vivemos tantas coisas juntos… Foi para a Alemanha, teve aquele filho…”. E aí soltou isso.

P. O que você fez?

O cantor e escritor Chico Buarque. / LUIZ MAXIMIANO

R. Então lhe disse: “Mas que filho?”. E aí o Vinicius respondeu: “Mas você não sabia disso, do filho?”. E eu: “Não”. Eu não sabia nada. Era um segredo de família. Depois daquele dia, falei com meus irmãos e com meu pai. Falei com o meu pai, sim, mas sempre havia uma barreira na hora de perguntar a ele. Escrevendo este novo livro me questionei por que não perguntei mais. Mas havia um receio, um impedimento. Não é que meu pai tenha me proibido de perguntar sobre a questão do filho, mas me sentia um pouco desconfortável sobre o assunto. Em relação à minha mãe e ao meu pai.

P. E isso se tornou uma obsessão ao longo dos anos? Porque você continuou investigando, principalmente após a morte de seu pai, em 1982. Até mesmo a editora que iria publicar o livro, a Companhia das Letras, contratou dois detetives para ajudá-lo na investigação.

R. Não, não, não eram detetives [risos]. Eram historiadores. Um deles era um brasileiro que, por acaso, estava na Alemanha quando comecei a escrever o livro, há três anos. É verdade que foi contratado pela editora. Ele conhecia um documentalista alemão especializado em imigração alemã no estado de Santa Catarina. Eles descobriram que meu irmão, na verdade, se chamava Sérgio Günther e havia sido adotado por uma família quando pequeno. A verdade é que, quando comecei a escrever o livro, tinha muito pouca informação. Mas nem precisava. Nem sequer pretendia encontrá-lo. A história não ia por aí. Mas aconteceu que, enquanto escrevia, um dos meus irmãos, que vive no apartamento da minha mãe, que morreu há cinco anos, encontrou em uma gaveta alguns documentos que tinham dados para puxar o fio. Eu tinha 50 páginas do livro, que deixei como estavam. Mas a realidade se intrometeu na redação para sempre.

P. A história que o senhor narra no romance é boa, mas a realidade na qual se apoia também.

R. Sim, deveria escrever outro livro, porque, no final, o romance acaba competindo com a história real, que é muito impressionante.

É verdade. Através desses documentos, Chico tomou conhecimento de duas coisas: que seu pai havia solicitado às autoridades alemãs que enviassem seu filho fornecendo a documentação necessária ou, pelo menos, conseguir que ele recebesse uma pensão que prometia enviar. A segunda é que a mãe biológica tinha decidido, em meio à convulsão enfrentada pela Alemanha da época, entregar o menino ao Estado para que fosse adotado. Uma carta enviada a seu pai, em 1934, pela Secretaria da Infância e Juventude de Berlim (e que terminava com um rigoroso “Heil Hitler!”) pedia a Sérgio Buarque de Hollanda que, para que seu filho fosse adotado pela família alemã Günther, que estava interessada na criança, deveria encaminhar o mais rapidamente possível certificados que comprovassem a religião católica do pai. Chico, ao ler a carta, imaginou, com assombro e espanto, que as autoridades alemãs exigiam isso para que ficasse evidente que o pequeno Sérgio não tinha sangue judeu nas veias. Caso contrário, em vez de uma família qualquer, ele poderia ter sido transferido para um campo de concentração. Os historiadores finalmente conseguiram, em 2013, identificar o irmão, Sérgio Günther, que morreu em 1981, e localizar sua ex-esposa, filha e neta. Poucos meses depois, Chico viajava a Berlim para conhecer a outra parte de sua família e saber mais sobre seu meio-irmão.

P. E soube que seu irmão tinha sido um cantor…

R. Sim, ficou bem conhecido na Alemanha Oriental como cantor e apresentador de televisão. Quando soube que tinha sido cantor, senti uma emoção forte. E sabe, quando ouvi um de seus álbuns percebi que tinha a voz grave do meu pai. Porque meu pai gostava muito de cantar. E soava igual.

P. Tinham mais coisas em comum?

R. Ambos morreram de câncer de pulmão. Meu pai fumava muito. Quando conheci a família do meu irmão, sua viúva (uma de suas viúvas, porque ele se casou mais de uma vez) me disse que Sérgio Günther arrancava o filtro dos cigarros que fumava. Exatamente como meu pai. Coisas assim que arrepiam. Todo mundo lá me disse que minha música A Banda havia sido traduzida ao alemão e era bem conhecida na Alemanha Oriental, com uma letra muito diferente e um pouco absurda, na verdade. Portanto, não é estranho que meu irmão tenha realmente me ouvido cantar. É uma maneira de ter me conhecido um pouco, certo?

P. Alguma vez teve curiosidade de saber quem era seu pai biológico?

R. Sua viúva me disse que, em um determinado momento, sim, que perguntou na Embaixada brasileira, mas na época a Alemanha Oriental era um país muito fechado, com poucas possibilidades de conseguir informação.

P. No livro, o protagonista, parecido com o senhor, rouba carros para se divertir. O senhor fazia a mesma coisa?

R. Sim. Ia com um grupo de adolescentes do bairro, eram os tempos de James Dean, rock and roll, de uma juventude um pouco rebelde. Por isso que nosso esporte era roubar carros, circular com eles pela cidade e depois deixá-los no fim do mundo. Fui para a cadeia por isso uma vez. A polícia me deu uma surra. Bom, mas isso já havia contado. Eu mesmo disse antes que descobrissem. Tive sorte porque no dia que me prenderam meus pais não estavam em casa, estavam viajando, e foi minha irmã que me buscou. Eu então era bastante…, enfim, dei muito trabalho para minha família.

P. Ao mesmo tempo, era muito bom leitor, certo?

R. Sim, é verdade. Foi também uma maneira de me aproximar de meu pai, que passou a vida entre livros. Eu diria que, antes de ser músico, queria ser escritor. Até que a música apareceu na minha vida e embarquei nela. Mas não abandonei a ideia de me dedicar à literatura. Nos anos setenta, publiquei meu primeiro romance, nos oitenta, o segundo. Desde então alterno as duas coisas. Quando faço uma, não faço a outra, porque me consomem muito. Quando estou escrevendo nem sequer ouço música.

P. Mas são atividades assim tão diferentes?

R. Para mim, sim. Muito. E ainda assim minha escrita é muito influenciada por minha música. Talvez algo se perca nas traduções, mas meus textos tentam carregar algum ritmo musical. Além disso, tenho que alternar as duas coisas porque, pelo menos no Brasil, é muito difícil para um escritor viver apenas de literatura. Os escritores trabalham como funcionários públicos, professores, jornalistas… E tudo isso está tão longe da literatura quanto da música. O fato de ser jornalista, por exemplo, não lhe dá a habilidade de escrever literatura, acredito.

P. Comenta-se que cada vez escreve mais e compõe menos.

R. Componho menos do que aos 20. É normal. A música popular é mais uma arte da juventude, com o tempo você vai perdendo, não sei, não o interesse, mas ela já não flui com a abundância daqueles primeiros anos. Tenho que me esforçar mais, procurar mais, é mais difícil. No começo você tem um milhão de ideias, tudo em torno serve para fazer uma canção. Depois vai ficando mais insípido, menos inspirador.

P. Ainda acredita que o melhor de um show é quando acaba?

R. [Risos] Eu realmente não gosto muito de fazer shows não, mas tenho de fazer. Quando lanço um novo disco, me dá vontade de sair por aí e cantar em público. Além disso, com isso depois posso passar dois anos escrevendo. Caso contrário, iria à falência.

P. Por que a música popular brasileira é tão conhecida e a literatura não?

R. Pode ser porque seja pior, mas acho que não. É verdade, por exemplo, que a Argentina é um povo mais literário do que o brasileiro. E os escritores brasileiros também jogam com uma desvantagem, porque o português é mais desconhecido. E a riqueza musical brasileira é facilmente exportável, não precisa de tradução.

P. Por outro lado, por que a música brasileira é tão aceita, tão apreciada?

R. Porque, principalmente depois da bossa nova, tem a influência negra, é filha do samba, mas com um toque de jazz, um toque harmônico. E também tem influência dos grandes compositores da música clássica. Veja: Tom Jobim, nosso grande mestre, era um conhecedor profundo de Chopin e Debussy, dos impressionistas, entre muitos outros. E tudo isso está em nossa música, misturado, junto com os boleros cubanos e os ritmos mexicanos. O Brasil não exclui, assimila. O resultado foi complexo, rico e único.

P. Como era esse mundo? Como era conviver com Jobim, Vinicius?

R. Ah! Eles… eram acima de tudo grandes amigos. Olhe aquela foto, estou com os dois. Eu realmente comecei a me emocionar de verdade com a música, a decidir fazer canções a sério depois da canção Chega de Saudade, composta por Tom Jobim e Vinicius e interpretada por João Gilberto. Eu os tinha em um altar. Já conhecia Vinicius porque era amigo do meu pai, mas, para mim, era como falar com um monumento. Por isso, a primeira vez que vim ao Rio para conversar com Tom Jobim, imagine, era um sonho. Com o tempo se tornaram meus amigos, meus parceiros, fiz muitas canções com eles, fui aceito nesse seleto grupo da música popular brasileira.

P. Foi Tom Jobim que disse que o Brasil não era um país para amadores, correto?

R. Sim, e assino embaixo. É um país único, fruto da colonização portuguesa, com emigrantes de todo o mundo, italianos, alemães, árabes, japoneses, com a marca dos escravos trazidos à força… E com origens indígenas antes disso tudo. Tudo isso está presente agora. Em São Paulo, sem ir muito longe, você pode procurar nomes indígenas em muitas ruas. Essas circunstâncias criam um país único.

P. O senhor sempre teve uma posição política clara e explícita. Se opôs à ditadura e apoiou Lula e Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores.

R. Sempre me perguntam quando há eleições. Eu tomo partido e não tenho qualquer problema em declarar isso. Sempre apoiei o PT, agora a Dilma Rousseff e antes o Lula. Apesar de não ser membro do partido, de ter minhas desavenças e de votar em outros candidatos e outros partidos em eleições locais. Mas sempre soube que o problema deste país é a miséria, a desigualdade. O PT não resolveu tudo, mas conseguiu atenuar. Isso é inegável. O PT tem melhorado as condições de vida da população mais pobre.

P. E como o senhor vê a situação atual?

R. Muito confusa, não há nenhuma maneira de saber o que vai acontecer nos próximos anos. A crise econômica é forte. É preciso tomar certas medidas impopulares. Ao mesmo tempo, a oposição é muito dura. E depois há uma onda de manifestações nas ruas que, na minha opinião, não têm um objetivo concreto ou claro. Entre aqueles que saem às ruas há de tudo, incluindo loucos pedindo um golpe militar. Outros querem acabar com o Partido dos Trabalhadores, querem enfraquecer o Governo para que, em 2018, o PT chegue desgastado nas eleições. O alvo não é a Dilma, mas o Lula; têm medo que Lula volte a se candidatar.

P. E, para terminar: como se vive sabendo que é o homem mais desejado do país?

R. Isso já faz muito tempo.

P. E continuam dizendo.

R. Não sei nada sobre isso. Sou tímido, um cidadão sério, um homem de família. Inventam histórias, criam lendas que não têm muito a ver com a realidade. Não sou o sedutor que comentam.

A entrevista termina e o cantor tenta chamar um táxi para o jornalista através de um aplicativo do celular. Mas não consegue. “Minha neta sabe, mas eu não aprendo”, explica. Observa o bonito entardecer e diz: “Eu o acompanho.” Coloca shorts, um boné que esconde o rosto e caminha, junto ao jornalista, rua abaixo pelo Rio de Janeiro, falando dos pais, dos livros, das famílias e da música.

Chico Buarque

Rio de Janeiro, 1944. Ele é filho do conhecido historiador Sérgio Buarque de Hollanda e da pintora e pianista Maria Amélia Cesário Alvim. Começou a estudar arquitetura, mas abandonou o curso depois de dois anos, quando sua carreira como compositor e intérprete começou a deslanchar. Em 1966, conseguiu seu primeiro grande sucesso com a canção A Banda. Desde então, não parou de compor obras-primas como Apesar de Você, Construção, O Que Será (À Flor da Pele) e Cálice. É considerado um dos grandes nomes da música popular brasileira, ao lado de Tom Jobim e João Gilberto, entre outros. Em paralelo, desenvolveu sua carreira como escritor e dramaturgo. O Irmão Alemão, publicado pela Companhia das Letras, é seu quinto romance.

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Bom dia tristeza

Hoje, comemoram-se 105 anos de nascimento do criador de um trem que não existiu. Embora tenha existido… Falamos de João Rubinato, nascido em Valinhos, em 1910, de família pobre. É ele o autor do grande sucesso do repertório nacional “Trem das Onze”. Embora, na verdade, o autor seja Adoniran Barbosa, morto em São Paulo, em 1982.

João adotou o nome artístico de Adoniran, quando começou a fazer sucesso, em 1935. Em 1965, compôs “Trem das Onze”, uma de suas obras mais marcantes. O trem existiu, ou é só letra de samba?

Sim, o Trem da Cantareira, que inspirou a música, correu por ruas da São Paulo antiga por mais de um século. Chegava ao Jaçanã, na zona norte. “Moro em Jaçanã…”

Mas o Trem das Onze não existiu. “Se eu perder esse trem, que sai agora às onze horas…” Não havia partidas com esse horário.

Adoniran de fato pegava o trem, mas não para chegar em casa. Naquela época, aí por 1955, um dos vários fazeres artísticos em que estava metido era o de ator. No Jaçanã, construíra-se o primeiro estúdio de filmagens da cidade, a Companhia Cinematográfica Maristela.

Na “Hollywood do Jaçanã”, como a chamavam, um dos astros de filmes como A Pensão de Dona Estela era aquele curioso músico de nariz marcante e voz rouquenha.

Em anos mais recentes, um jornalista perguntou a Adoniran porque pusera o Jaçanã na letra de “Trem das Onze”. “Porque eu precisava de uma rima, e Jaçanã rima com manhã”, foi a resposta. “…Só amanhã de manhã.”

Isto não deve ser visto como desamor pelo bairro. Num dia de 1966, Adoniran desceu de um carro, em frente à Estação do Jaçanã. Era o convidado especial para uma cerimônia triste. A estação seria demolida. O convidado não chegou de trem, porque os trilhos haviam sido retirados um ano antes.

Na plataforma da estação, misturou seus sucessos. Pôs-se a cantar: “Cada táuba que caía, doía no coração.” Trecho, como se sabe, de “Saudosa Maloca”. O episódio é contado por um ex-passageiro do trem, Silvio Bittencourt, criador da Associação Memória Museu do Jaçanã.

Na roupa dos passageiros, furinhos feitos por fagulhas

Sílvio embarcava naquela mesma estação, nos anos 1950, para chegar ao trabalho, no centro. A Maria Fumaça corria, se é possível dizer assim, em trilhos de bitola pequena, de 60 cm. Puxava três vagõezinhos de madeira, com bancos fixos, como os dos bondes. Sempre cheio, ia a 50 quilômetros por hora, no plano. Nas subidas, bufava a 15 por hora.

Nesses trechos, Sílvio pulava de um vagão e subia em outro. Assim enganava o picotador, e não pagava passagem. Ia bem arrumado, geralmente um terno azul, e gravata. Quando descia do trem, no centro, sempre havia alguém para gozar: “Ô Cantareira”. Uma pessoa com um terno todo cheio de furinhos feitos por fagulhas, só podia ter descido do Trem da Cantareira.

As fagulhas lançadas pela chaminé da Maria Fumaça eram um problema também para as donas de casa, com quintais situados ao longo da estrada. A roupa estendida nos varais ficava como os ternos de Silvo Bittencourt.

Perto do Jaçanã, havia um pontilhão muito estreito. O picotador alertava os passageiros, que tinham a mania de viajar com cabeça, braços, para fora do trem. “O picotador gritava ‘olha a cabeça’”, relembrou Sílvio. “Se não tomassem cuidado, a cabeça ficava e o corpo seguia para o Jaçanã.”

Entregou marmitas, foi varredor, tecelão, pintor…

Trem, ferrovia, sempre estiveram na memória de Adoniran Barbosa. Quando era o menino João Rubinato, encontrou seu primeiro trabalho em uma ferrovia. Isso foi em Valinhos, região de Campinas, onde nasceu, sétimo da prole de um casal de imigrantes italianos. Para ajudar a família, trabalhava nos vagões de carga.

Estudar? Só à força. Assim, entregou marmitas, foi varredor, e em 1924, aos 14 anos, chegou a Santo André, na Grande São Paulo. Tecelão, pintor, encanador, serralheiro, mascate, garçom – não se fixou em nada. No Liceu de Artes e Ofícios, em São Paulo, aprendeu a ser ajustador mecânico. Só aprendeu.

Em entrevista, contou que resolveu mascatear meias e retalhos pelas ruas – mas desistiu. “Nunca aprendi a fazer negócio. Comprava um par de meia por dez mil réis, vendia por oito, para acabar logo com a mercadoria e me mandar pra casa. Não dava pé, nem meia, muito menos lucro”.

Adoniran_BarbosaNo entanto compunha umas músicas. Fim de semana, estava na Rádio Cruzeiro do Sul, em São Paulo. “Aos sábados, tinha a hora do calouro. Cismei e todo sábado me arriscava. Era só eu começar e lá vinha o congo. Mas eu não desistia. Um sábado, o homem do congo devia de está distraído e consegui chegar até o fim num samba do Noel, o ‘Filosofia’.” Saiu de lá contatado.

Isso aconteceu em 1933. Dois anos depois, João Rubinato ganhou um prêmio com uma marchinha, “Dona Boa”. Livrou-se do João, “onde já se viu um sambista com nome de João?” e do Rubinato. Adoniran era o nome de um amigo, e Barbosa de um grande cantor. Bastou-lhe juntar os dois.

Os carros já não respeitavam mais os trens

Na cidade, o trenzinho da Cantareira cumpria seu papel. Surgira em 1894, e sua primeira missão fora levar materiais à Serra da Cantareira. Ali seria construído um reservatório de água para abastecer a cidade. Um ano depois, os passageiros chegariam a esse aprazível lugar, nos fins de semana, com suas cestas de piquenique.

O trem partia da Estação Tamanduateí, no Pari, que ficava na margem esquerda do rio, onde hoje passa a Avenida do Estado. Seguia para o Norte, atravessava o Tietê e ia em frente – mais ou menos como agora faz o metrô. Em certo ponto, um ramal derivava à direita, para chegar ao Jaçanã, que se chamava Guapira, e a Guarulhos.

O cenário oferecido nas janelas eram os arredores bucólicos da São Paulo de 1,6 milhão de habitantes. Em uma chácara de flores, a de seus avós, Antonio de Castro via o trem passar e se encantava. Em 1947, ele próprio comandava uma Maria Fumaça, das pequenas.

Na década de 1950, construiu-se a linha com bitola de 1 m. As Marias-Fumaça agora eram maiores, puxavam cinco vagões. Mas não podiam correr mais do que os 50 quilômetros por hora das locomotivas pequenas.

“As estações eram perto uma da outra”, lembra Antonio. “A gente saía de uma e começava a correr, e já estava chegando na seguinte.” Além disso, havia o trânsito. Os carros não respeitavam o trem. No cruzamento com ruas movimentadas de Santana, como Ataliba Leonel, Alfredo Pujol, o trem vinha apitando, com o farol aceso, “e os carros continuavam passando”.

“Um dia bati num carro, num cruzamento da Avenida Cruzeiro do Sul, e o motorista morreu. Quando estava chegando, ele entrou na minha frente, não deu tempo de parar.” O carro era de fora: tinha placa de uma cidade do Paraná.

Só havia uma linha, para ir e voltar. O trem ia de uma estação à outra. Aqui, num segundo trilho, outro trem esperava. Quando um passava, o outro saía.

Os maquinistas só avançavam depois de receber um bastão, o staff, com a ordem escrita de que seguissem até a a estação seguinte. Vinha escrito: linha livre.

Os chefes de estação continuavam atentos. Falavam entre si por Código Morse. Mais tarde, surgiu uma novidade: telefone a manivela.

Teve sucesso como humorista, mas o talento para a música prevaleceu

“Pelo telefone” dá samba? Sim, mas esse era um samba antigo até para Adoniran Barbosa. Ele compunha e cantava, mas uma outra veia, a humorística, abriu-lhe o caminho. Na Rádio Record, onde foi parar em 1941, viveu personagens de grande sucesso, como o motorista Perna Fina. Mais adiante foi o Charutinho, de História das Malocas, sucesso de mais de dez anos.

O talento para a música, no entanto, prevaleceu. Gravou “Saudosa Maloca” e “Samba do Arnesto”, mais tarde transformados em grande sucesso pelos Demônios da Garoa. “Trem das Onze” venceu o concurso de músicas de carnaval, no Quarto Centenário do Rio, em 1965. Mas só aos 63 anos, em 1973, quando gravou seu primeiro long play, Adoniran alcançou na mídia o reconhecimento pleno de seu valor, e a consagração.

O aniversário de setenta anos, em 1980, foi comemorado com um dia inteiro de festas no Bexiga, bairro onde morou e que amava. Lá estavam Elis Regina, Clara Nunes, Djavan, MPB-4, entre outros grandes. Em 1982 Elis Regina gravou com ele “Tiro ao Álvaro”, outro sucesso de Adoniran. No dia 23 de novembro desse mesmo ano, aos 72 anos, o coração de João Rubinato deixou de bater.

***

Jaçanã é um pássaro ribeirinho de peito avermelhado. Havia muitas dessas aves no Guapira, um bairro com mata exuberante das bordas da zona norte. Em 1930, quando resolveu-se mudar o nome primitivo, dado pelos índios, a escolha foi justamente o nome do Jaçanã.

Por aquela época, grandes porções de terra foram loteadas, o que daria origem a um bairro de classe média. Hoje, é um distrito com quase 100 mil habitantes. Em uma de suas praças, a Comendador Alberto de Souza, ficava a estação de trem. Numa das travessas da praça, está sua memória.

É a Associação Museu Memória do Jaçanã, fundada há 27 anos (em 1983) por um de seus moradores, Sílvio Bittencourt. O museu é singelo, mas tem preciosidades como o chapéu usado por Adoniran Barbosa. Lá, Adoniran ainda canta, o Trem da Cantareira corre e a história do Jaçanã palpita.

Adoniram Barbosa, o eterno bamba do samba paulista faz 105 anos


No final da década de 50 Adoniram ligou para Vinicius de Moraes com uma melodia na cabeça. Vinicius fez a letra e assim nasceu Bom dia tristeza. E ninguém com mais propriedade que Maysa para interpretá-la.

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Augusto de sapato novo Sobre: Música brasileira - MPB Texto publicado no 50 Anos de Textos Imagem em destaque: Demônios da garoa

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Augusto de sapato novo
Sobre: Música brasileira – MPB
Texto publicado no 50 Anos de Textos
Imagem em destaque: Demônios da garoa

Já ouviu Carmen Miranda hoje? Parte 2

Pelé, Santos Dumont, Tom Jobim, dom Pedro 2º, Carmen Miranda, Machado de Assis. Estas são as únicas figuras brasileiras comparáveis a Oscar Niemeyer em matéria de importância histórica e influência nos destinos da humanidade. O arquiteto mais famoso do Brasil foi um mestre em desenhar curvas no concreto armado e levou poesia à paisagem das grandes cidades a partir da década de 1930. Sua extensa carreira foi laureada em 1988 com um Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura, na única vez em que o prêmio foi dividido (no caso, com o norte-americano Gordon Bunshaft).

Pelé, Santos Dumont, Tom Jobim, dom Pedro 2º, Carmen Miranda, Machado de Assis. Estas são as únicas figuras brasileiras comparáveis a Oscar Niemeyer em matéria de importância histórica e influência nos destinos da humanidade. O arquiteto mais famoso do Brasil foi um mestre em desenhar curvas no concreto armado e levou poesia à paisagem das grandes cidades a partir da década de 1930. Sua extensa carreira foi laureada em 1988 com um Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura, na única vez em que o prêmio foi dividido (no caso, com o norte-americano Gordon Bunshaft).

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Quinze perguntas do jornalista e crítico cinematográfico Leon Cakoff à Dulce Damasceno de Brito sobre a personalidade de Carmen Miranda

Ela gostava de repetir algum provérbio em situações difíceis ou alegres? Não. Mas adorava contar piadas

Ela gostava de repetir algum provérbio em situações difíceis ou alegres?
Não. Mas adorava contar piadas “sujas”, mesmo nos momentos mais difíceis.

Usava muita giria? Alguns palavras especiais ou palavrões em português, inglês ou espanhol ou palavras por ela inventadas? Porra, puta merda, puta que pariu, caralho, filho da puta, é uma bosta, na batata, tá no papo, tô de saco cheio, chato pra burro, é uma foda, etc. Em ingles: shit, son of a bitch, fuck yourshelf, holly cow, go to hell, etc. Não usava espanhol, a não ser quando se juntava a sua amiga porto-riquenha, Chita Riviera.

Usava muita giria? Alguns palavras especiais ou palavrões em português, inglês ou espanhol ou palavras por ela inventadas?
Porra, puta merda, puta que pariu, caralho, filho da puta, é uma bosta, na batata, tá no papo, tô de saco cheio, chato pra burro, é uma foda, etc. Em ingles: shit, son of a bitch, fuck yourshelf, holly cow, go to hell, etc. Não usava espanhol, a não ser quando se juntava a sua amiga porto-riquenha, Chita Riviera.

Temperamento emocional, as variações e decorrências? Alegre e divertida e, de repente, lembrando-se do Brasil, amarga e decepcionada. Lamentava-se

Temperamento emocional, as variações e decorrências?
Alegre e divertida e, de repente, lembrando-se do Brasil, amarga e decepcionada. Lamentava-se “Afinal a Greta Garbo e a Ingrid Bergman levaram 20 anos para voltar a Suecia, sua patria natal, e interpretaram personagens inglesas, francesas e americanos e nunca forma criticadas por isso. E eu… Taxada de americanizada, quando nem me naturalizei aqui como Marlene Dietrich que é alemã… Eu não poderia passar o resto da vida só fazendo de brasileira nos filmes, mas ninguém entende isso.

Vícios? Remédios. Era hipocondríaca,

Vícios?
Remédios. Era hipocondríaca, “receitava” para os amigos – a gente chegava lá com dor de cabeça ou de estomago ela abria logo a celebre maleta preta dos remédios e trazia um comprimido. Álcool: uísque puro, enxaguado com água em seguida, ou scotch on the rocks. Quando bebia sentia-se muito sexy e beijava todo mundo especialmente os homens. Também fumava muito, mas com filtro e piteira.

Manias? Significado e interpretações dos sonhos. Exemplo:

Manias?
Significado e interpretações dos sonhos. Exemplo: “A noite passa, sonhei com um bebe lindo. Hoje não vou ter sorte em nada…” Ou: “Sonhei que estava fazendo cocô. Significa que hoje é meu dia de sorte, my lucky day! Vou telefonar à agência e assinar o contrato em Las Vegas!”

Preconceito? Nenhum. Nem racial, nem religioso. Apesar de muito católica casou com um judeu e se dava muito bem com os negros.

Preconceito?
Nenhum. Nem racial, nem religioso. Apesar de muito católica casou com um judeu e se dava muito bem com os negros.

Manias? Significado e interpretações dos sonhos. Exemplo:

Manias?
Significado e interpretações dos sonhos. Exemplo: “A noite passa, sonhei com um bebe lindo. Hoje não vou ter sorte em nada…” Ou: “Sonhei que estava fazendo cocô. Significa que hoje é meu dia de sorte, my lucky day! Vou telefonar à agência e assinar o contrato em Las Vegas!”

Discussões e opiniões politicas sobre a época vivida. Algum envolvimento emocional? Gostava de homens autoritários na política, mas não dos ditares, apesar de admirar Getúlio Vargas, seu grande fã e com que teve um rápido romance. Adorava o presidente Franklin Roosevelt ( para quem cantou na Casa Branca) e achava o regime democrático norte-americano o ideal do mundo.

Discussões e opiniões politicas sobre a época vivida. Algum envolvimento emocional?
Gostava de homens autoritários na política, mas não dos ditares, apesar de admirar Getúlio Vargas, seu grande fã e com que teve um rápido romance. Adorava o presidente Franklin Roosevelt ( para quem cantou na Casa Branca) e achava o regime democrático norte-americano o ideal do mundo.

Cores preferidas? Vermelho. Seguido do verde-amarelo, que respeitava muito por ser as cores de nossa bandeira. Gostava de cores alegres e berrantes.

Cores preferidas?
Vermelho. Seguido do verde-amarelo, que respeitava muito por ser as cores de nossa bandeira. Gostava de cores alegres e berrantes.

Observações ou críticas aos americanos e a engrenagem de Hollywood? Nenhuma crítica. Adorava o

Observações ou críticas aos americanos e a engrenagem de Hollywood?
Nenhuma crítica. Adorava o “star system” do qual fazia parte “por um milagre de Deus”, como dizia. Mesmo depois quando se tornou “free lancer” – Libertando-se do contrato a que estivera presa e obediente durante sete anos – gostava adulação que recebera como estrela da Fox. Como já havia chegado com nome feito (nos palcos da Broadway), não precisou lutar tanto em Hollywood para vencer (“o estrelato estrelato foi tão fácil para mim!”) e tinha pena das “starlets” ambiciosas que tinham que dormir com os produtores para conseguir algum papel nos filmes

Algum indicio de personalidade feminista? Sim e não. Gostava da mulher emancipada independente, considerando-se uma delas. Mas achava que uma mulher não é completa sem amor e o apoio de um homem. E vice-versa.

Algum indicio de personalidade feminista?
Sim e não. Gostava da mulher emancipada independente, considerando-se uma delas. Mas achava que uma mulher não é completa sem amor e o apoio de um homem. E vice-versa.

Opiniões sobre o sexo e a moral sexual. Supermoderna, liberal e compreensiva com relação a quaisquer tipos de casos amorosos, inclusive os homossexuais, mas no íntimo apegada ainda às convenções por motivos religiosos, respeitando muitíssimo o casamento

Opiniões sobre o sexo e a moral sexual.
Supermoderna, liberal e compreensiva com relação a quaisquer tipos de casos amorosos, inclusive os homossexuais, mas no íntimo apegada ainda às convenções por motivos religiosos, respeitando muitíssimo o casamento “de papel passado” (como fora o seu), que considerava ideal para solidificar o amor. Muito “sexy” e maliciosa.

Demonstrava alguma preocupação com as variações do seu carisma? Sim, por que embora realizada como artista, era um tanto insatisfeita consigo mesma e esforçava-se para fazer os shows cada vez melhor, ficando deprimida quando achava que não havia dado o máximo

Demonstrava alguma preocupação com as variações do seu carisma?
Sim, por que embora realizada como artista, era um tanto insatisfeita consigo mesma e esforçava-se para fazer os shows cada vez melhor, ficando deprimida quando achava que não havia dado o máximo

Alguma preocupação em investir seus lucros pensando no futuro? Não se preocupava com o futuro e nem com dinheiro. Seu marido e os empresários cuidavam disso. Certa vez no início de sua carreira em Hollywood investiu boa quantia em poços de petróleo e perdeu tudo. Desde então considerava-se uma péssima

Alguma preocupação em investir seus lucros pensando no futuro?
Não se preocupava com o futuro e nem com dinheiro. Seu marido e os empresários cuidavam disso. Certa vez no início de sua carreira em Hollywood investiu boa quantia em poços de petróleo e perdeu tudo. Desde então considerava-se uma péssima “business woman” e recusava a tomar conhecimento dos assuntos financeiros. Só queria saber quanto ganharia, pois orgulhava de ser uma das artistas estrangeiras mais bem pagas dos Estados Unidos

Passava-lhe pela cabeça que a sua imagem era usada como

Passava-lhe pela cabeça que a sua imagem era usada como “prova” da amizade dos americanos com o “exótico” universo latino?
Sabia disso, e francamente gostava da ideia. Dizia “se é verdade que me usam dessa maneira, então devo ser um bom instrumento porque, sendo brasileira, passei a frente das argentinas, colombianas, venezuelanas, mexicanas, peruanas, e porto-riquenhas que falam espanhol – o idioma oficial da América Latina – sendo o Brasil o único de língua portuguesa e, consequentemente, de comunicação mais limitada. É confortante saber que uma simples artista popular como eu possa ter sido usada como arma política. Mas, se não tivesse talento e este carisma que me atribuem, eu não teria sobrevivido, certo?”.

“Comparativamente, a síntese gráfica de suas formas arquitetônicas é semelhante à estilização técnica e gestual da cantora Carmen Miranda, que começou a fazer sucesso nos Estados Unidos exatamente enquanto Costa e Niemeyer construíram o Pavilhão do Brasil na Exposição Universal de 1939, em Nova York. Tanto nele quanto nela, percebe-se uma vocação original para comunicação de massa. Se a extravagancia algo kitsch de Carmen serviria, décadas mais tarde, de inspiração para o Tropicalismo na música popular, Niemeyer não escaparia de ficar associado a um regionalismo tropical, exótico e hedonista, que, no entanto não descreve o aspecto mais importante de sua obra”. - Guilherme Wisnik

“Comparativamente, a síntese gráfica de suas formas arquitetônicas é semelhante à estilização técnica e gestual da cantora Carmen Miranda, que começou a fazer sucesso nos Estados Unidos exatamente enquanto Costa e Niemeyer construíram o Pavilhão do Brasil na Exposição Universal de 1939, em Nova York. Tanto nele quanto nela, percebe-se uma vocação original para comunicação de massa. Se a extravagancia algo kitsch de Carmen serviria, décadas mais tarde, de inspiração para o Tropicalismo na música popular, Niemeyer não escaparia de ficar associado a um regionalismo tropical, exótico e hedonista, que, no entanto não descreve o aspecto mais importante de sua obra”. – Guilherme Wisnik

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Augusto de sapato novo Sobre: Música brasileira - MPB Texto do livro O ABC de Carmen Miranda de Dulce Damasceno de Brito Leon Cakoff, Alepo, 25 de junho de 1948 - São Paulo, 14 de outubro de 2011; Dulce Damasceno Brito, Casa Branca, 1926 — São Paulo, 9 de novembro de 2008; Imagem em destaque: Carmen Miranda entre Dorival Caymmi e Assis Valente

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Augusto de sapato novo
Sobre: Música brasileira – MPB
Texto do livro O ABC de Carmen Miranda de Dulce Damasceno de Brito
Leon Cakoff, Alepo, 25 de junho de 1948 – São Paulo, 14 de outubro de 2011;
Dulce Damasceno Brito, Casa Branca, 1926 — São Paulo, 9 de novembro de 2008;
Imagem em destaque: Carmen Miranda entre Dorival Caymmi e Assis Valente

Lamento sertanejo

Dominguinhos é um dos autores de uma das mais belas composições da MPB (uso o termo MPB mesmo contraria a essa ideia, mas sim sabendo que ela existe. Então faremos uso dela), Lamento sertanejo composta em parceria com Gilberto Gil.

Por ser de lá

Do sertão, lá do cerrado

Lá do interior do mato
Da caatinga e do roçado
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigo
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado

Por ser de lá
Na certa, por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão, boiada caminhando à esmo

Dominguinhos é um dos autores de uma das mais belas composições da MPB, melhor, da música brasileira, Lamento sertanejo composta em parceria com Gilberto Gil. Particularmente prefiro a interpretação de do baiano.

O músico nasceu em Garahuns sertão de Pernambuco no dia 12 de Fevereiro de 1941 e morreu, no centro de um circo armado por seus parentes, no dia 23 de Julho em 2013 em São Paulo. A maioria não conhece o trabalho árduo e sólido construído por esse “descendente musical” de Luiz Gonzaga. Mesmo assim as informações que temos do músico são pífias.

Aos 9 anos de idade surpreendeu, o já reconhecido Luiz Gonzaga que o convidou para morar no Rio. Mudou-se com o pai e os irmãos quando estava com 13 anos. Recebeu de presente do padrinho uma sanfona e foi integrado a banda de Gonzaga.

Trecho do livro Passa lá em casa: O Rei-concierge enrolava um minúsculo cachinho de seu pixaim e lembrou que tinha que ligar para tia Socorro em Petrolina. Molhou o dedo com saliva, virou a página e anotou em sua caderneta.

Trecho do livro Passa lá em casa: O Rei-concierge enrolava um minúsculo cachinho de seu pixaim e lembrou que tinha que ligar para tia Socorro em Petrolina. Molhou o dedo com saliva, virou a página e anotou em sua caderneta.

“José Domingos de Morais, como foi batizado há 72 anos, fez história tanto pelo virtuosismo em seu instrumento – dominava o fole de oito baixos desde os seis anos de idade – quanto pelas grandes canções das quais foi autor ou coautor, como “Lamento Sertanejo” (com Gilberto Gil), ou “De Volta Pro Meu Aconchego” (com Nando Cordel). Era, para muitos, o parceiro ideal”. Daniel Setti. Para ler o texto do jornalista na integra, clique aqui.

Uma das ações movida por um de seus  filhos é sobre o local do enterro que não foi respeitada por sua ex-mulher. Dominguinhos foi enterrado no município de Paulista, Região Metropolitana do Recife. O filho mais velho do artista, entrou com um pedido de liminar para fazer a transferência do corpo para a cidade natal do sanfoneiro, Garanhuns, no Agreste do estado. Esse era seu desejo expresso em entrevistas com o músico.

O prefeito de Garanhuns, Izaías Régis, garante que está dando total apoio à ação de Mauro. “Há um ressentimento de todos os fãs de Dominguinhos, do País todo, porque enterraram ele em Paulista e não atenderam seu pedido. Não é a prefeitura que está entrando com a ação na justiça, mas estamos, sim, apoiando a atitude”, diz Izaías.

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Augusto de sapato novo Sobre: Música brasileira - MPB

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André de sapato novo

O chorinho André de sapato novo nasceu de uma circunstancia bastante dolorida do compositor André Vitor Correia (Rio Bonito, RJ, 18/06/1888, Rio de janeiro, 4/03/1948).  Ele dançou em um baile com os tais sapatos novos que apertavam seus calos e fazia outros. Compositor. Saxofonista. Clarinetista. Funcionário da Imprensa Nacional. Solteiro, deixou um filho de nome Sebastião. Músico de prestígio, foi diretor de harmonia do rancho Ameno Resedá, em 1925. Em 1931, seu choro “Comigo é no beiço” foi gravado na Odeon pelo Trio T. B. T. Em 1936, dirigiu uma jazz

André Vitor Correia (Rio Bonito, RJ, 18/06/1888, Rio de janeiro, 4/03/1948)

André Vitor Correia (Rio Bonito, RJ, 18/06/1888, Rio de janeiro, 4/03/1948)

band, época em que trocou o clarinete pelo saxofone, passando a ser conhecido como André Saxofonista. Dentre suas composições, destaca-se o choro “André de sapato novo”, obra das mais populares no ambiente. No ano de falecimento desse musico e compositor, Almirante, que apresentava um programa de radio chamado O pessoal da velha guarda, tinha por convidado Pixinguinha e Benedito Lacerda. Nesse programa Almirante contou como nasceu uma das mais importantes musicas do cancioneiro brasileiro. Difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido essas notas.

Almirante:

“Poucas músicas terão o privilégio de poder ser identificadas por uma nota, hein? E entre estas poucas está o grande choro “André de Sapato Novo”. Basta que Pixinguinha extraia do seu saxofone este Mi grave para que todos reconheçam logo que música vem por aí. Aquele grave, como todos sabem, representa a parada que faz a todo momento o indivíduo que calça o sapato novo que lhe aperta o pé. O calo está gritando dentro do calçado, e o jeito é fazer umas paradas para ajeitar os dedos comprimidos. O choro “André de Sapato Novo” do saxofonista André Victor Corrêa, falecido recentemente, segura as agonias do autor num dia em que calçou um sapato novo. A execução estará a cargo de Benedito na flauta e Pixinguinha no saxofone. Cada nota assim (Pixinguinha toca um Mi 2) no saxofone do Pixinguinha representa uma daquelas paradas providenciais. Ouçam”.

Mas a melhor parte da história é a seguinte, uma linha no Wikipédia. Você pode pegar o artista mais chulé, de um EUA por exemplo, e dificilmente vai encontrar apenas uma linha escrita. Muitos dizem que esse portal não é de confiança, porém pode apenas ser o começo. Uma fina linha condutora para uma pesquisa maior e ampla. Por que não? Assim chegamos a conclusão da importância dos artistas brasileiros, de qualidade, para esse belo povo. Se não gostou da expressão “música de qualidade” leia o que este jornalista, Regis Tadeu fala sobre pseudointelectuais com suas “filosofias” Rede Globo.

Resumindo, nem eu e nem você saberemos mais que algumas linhas sobre esses músicos, especialmente aqueles da primeira metade do seculo XX.

O livro Passa lá em casa tenta lembrar um pouco desses artistas e digo: conseguir material para cita-los é tentar tirar coelhos de uma cartola sem fundo.

Deixo vocês com o trecho do livro que tem por subtitulo, uma ínfima homenagem a música, abaixo A música:

AUGUSTO DE SAPATO NOVO [1]

O Rei-concierge Mopir foi com Augusto perto do grande fosso. Chupavam um chica-bom. Um criado vinha atrás com uma bandeja em ouro, cravada de pedras preciosas e picolés. Os picolés eles devoravam um atrás do outro.

Viram, era um monte de crianças se debatendo sobre dragões de inúmeros tamanhos e tipos.

Pareciam em sua maioria ter seis anos não mais que oito. Todas albinas e muito parecidas. Os cabelos brancos escorridos secavam logo que emergiam.

Altamiro Aquino Carrilho foi um músico, compositor e flautista brasileiro. Altamiro gravou mais de cem discos, compôs cerca de duzentas canções, tendo se apresentado em mais de quarenta países difundindo o Choro brasileiro.

Altamiro Aquino Carrilho foi um músico, compositor e flautista brasileiro. Altamiro gravou mais de cem discos, compôs cerca de duzentas canções, tendo se apresentado em mais de quarenta países difundindo o Choro brasileiro.

— Meu súdito, elas são melhores que câmeras.

— Mas estão atacando dragões! Eles não são nossa proteção?

— Não quando são muitos. Chegue mais perto de uma delas.

Pela ponte caminharam passando por serpentes e animais inenarráveis. Uma criança caiu a seus pés.

— Rei, ela não tem pupila. É tudo branco.

— Chegue perto.

Filamentos brilhantes. A criança rosnou e se debateu. Fugiu e se precipitou para o lamaçal. Não dava para distinguir o sexo. Apenas alguns traços não as faziam iguais.

Voltaram para o grande salão do rei e nem as pedras de Aladim se comparavam com a riqueza daquele reino. Uma escrava postou-se ao lado de Augusto para abanar com uma longa pluma Augusto no recamier. O Rei-concierge era abanado por duas beldades.

— Qual a natureza das crianças?

— Crianças perversas que estão no limbo. Nem Padim Ciço[2] pode fazer algo por elas.

Que tipo de perversão teria uma criança? A gente vê sempre a tal pureza. Essas transmitiam uma visão fantasmagórica, infernal.

Augusto reclama:

— Com essa brisinha não tem como aplacar meu calor. Que tal o ar-condicionado?

— Meu caro e exigente súdito, pois lhe digo que seu calor é proveniente do que trás entre as pernas. Pegue a escrava e a conduza a seu bel-prazer a um dos cômodos. Seus canais estão obstruídos Augustinho. Nada que uma ou duas

trepadas não resolvam.

Sentiu vergonha e era verdade. Conduziu a escrava e foi.


[1] Referencia ao chorinho “André de sapato novo”, de André Victor Corrêa (1888-1948);

[2] Cícero Romão Batista (Crato, 24 de março de 1844 — Juazeiro do Norte, 20 de julho de 1934) foi um sacerdote católico brasileiro. Na devoção popular, é conhecido como Padre Cícero ou Padim Ciço. Carismático, obteve grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Ceará bem como do Nordeste;

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