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Bom dia tristeza

Hoje, comemoram-se 105 anos de nascimento do criador de um trem que não existiu. Embora tenha existido… Falamos de João Rubinato, nascido em Valinhos, em 1910, de família pobre. É ele o autor do grande sucesso do repertório nacional “Trem das Onze”. Embora, na verdade, o autor seja Adoniran Barbosa, morto em São Paulo, em 1982.

João adotou o nome artístico de Adoniran, quando começou a fazer sucesso, em 1935. Em 1965, compôs “Trem das Onze”, uma de suas obras mais marcantes. O trem existiu, ou é só letra de samba?

Sim, o Trem da Cantareira, que inspirou a música, correu por ruas da São Paulo antiga por mais de um século. Chegava ao Jaçanã, na zona norte. “Moro em Jaçanã…”

Mas o Trem das Onze não existiu. “Se eu perder esse trem, que sai agora às onze horas…” Não havia partidas com esse horário.

Adoniran de fato pegava o trem, mas não para chegar em casa. Naquela época, aí por 1955, um dos vários fazeres artísticos em que estava metido era o de ator. No Jaçanã, construíra-se o primeiro estúdio de filmagens da cidade, a Companhia Cinematográfica Maristela.

Na “Hollywood do Jaçanã”, como a chamavam, um dos astros de filmes como A Pensão de Dona Estela era aquele curioso músico de nariz marcante e voz rouquenha.

Em anos mais recentes, um jornalista perguntou a Adoniran porque pusera o Jaçanã na letra de “Trem das Onze”. “Porque eu precisava de uma rima, e Jaçanã rima com manhã”, foi a resposta. “…Só amanhã de manhã.”

Isto não deve ser visto como desamor pelo bairro. Num dia de 1966, Adoniran desceu de um carro, em frente à Estação do Jaçanã. Era o convidado especial para uma cerimônia triste. A estação seria demolida. O convidado não chegou de trem, porque os trilhos haviam sido retirados um ano antes.

Na plataforma da estação, misturou seus sucessos. Pôs-se a cantar: “Cada táuba que caía, doía no coração.” Trecho, como se sabe, de “Saudosa Maloca”. O episódio é contado por um ex-passageiro do trem, Silvio Bittencourt, criador da Associação Memória Museu do Jaçanã.

Na roupa dos passageiros, furinhos feitos por fagulhas

Sílvio embarcava naquela mesma estação, nos anos 1950, para chegar ao trabalho, no centro. A Maria Fumaça corria, se é possível dizer assim, em trilhos de bitola pequena, de 60 cm. Puxava três vagõezinhos de madeira, com bancos fixos, como os dos bondes. Sempre cheio, ia a 50 quilômetros por hora, no plano. Nas subidas, bufava a 15 por hora.

Nesses trechos, Sílvio pulava de um vagão e subia em outro. Assim enganava o picotador, e não pagava passagem. Ia bem arrumado, geralmente um terno azul, e gravata. Quando descia do trem, no centro, sempre havia alguém para gozar: “Ô Cantareira”. Uma pessoa com um terno todo cheio de furinhos feitos por fagulhas, só podia ter descido do Trem da Cantareira.

As fagulhas lançadas pela chaminé da Maria Fumaça eram um problema também para as donas de casa, com quintais situados ao longo da estrada. A roupa estendida nos varais ficava como os ternos de Silvo Bittencourt.

Perto do Jaçanã, havia um pontilhão muito estreito. O picotador alertava os passageiros, que tinham a mania de viajar com cabeça, braços, para fora do trem. “O picotador gritava ‘olha a cabeça’”, relembrou Sílvio. “Se não tomassem cuidado, a cabeça ficava e o corpo seguia para o Jaçanã.”

Entregou marmitas, foi varredor, tecelão, pintor…

Trem, ferrovia, sempre estiveram na memória de Adoniran Barbosa. Quando era o menino João Rubinato, encontrou seu primeiro trabalho em uma ferrovia. Isso foi em Valinhos, região de Campinas, onde nasceu, sétimo da prole de um casal de imigrantes italianos. Para ajudar a família, trabalhava nos vagões de carga.

Estudar? Só à força. Assim, entregou marmitas, foi varredor, e em 1924, aos 14 anos, chegou a Santo André, na Grande São Paulo. Tecelão, pintor, encanador, serralheiro, mascate, garçom – não se fixou em nada. No Liceu de Artes e Ofícios, em São Paulo, aprendeu a ser ajustador mecânico. Só aprendeu.

Em entrevista, contou que resolveu mascatear meias e retalhos pelas ruas – mas desistiu. “Nunca aprendi a fazer negócio. Comprava um par de meia por dez mil réis, vendia por oito, para acabar logo com a mercadoria e me mandar pra casa. Não dava pé, nem meia, muito menos lucro”.

Adoniran_BarbosaNo entanto compunha umas músicas. Fim de semana, estava na Rádio Cruzeiro do Sul, em São Paulo. “Aos sábados, tinha a hora do calouro. Cismei e todo sábado me arriscava. Era só eu começar e lá vinha o congo. Mas eu não desistia. Um sábado, o homem do congo devia de está distraído e consegui chegar até o fim num samba do Noel, o ‘Filosofia’.” Saiu de lá contatado.

Isso aconteceu em 1933. Dois anos depois, João Rubinato ganhou um prêmio com uma marchinha, “Dona Boa”. Livrou-se do João, “onde já se viu um sambista com nome de João?” e do Rubinato. Adoniran era o nome de um amigo, e Barbosa de um grande cantor. Bastou-lhe juntar os dois.

Os carros já não respeitavam mais os trens

Na cidade, o trenzinho da Cantareira cumpria seu papel. Surgira em 1894, e sua primeira missão fora levar materiais à Serra da Cantareira. Ali seria construído um reservatório de água para abastecer a cidade. Um ano depois, os passageiros chegariam a esse aprazível lugar, nos fins de semana, com suas cestas de piquenique.

O trem partia da Estação Tamanduateí, no Pari, que ficava na margem esquerda do rio, onde hoje passa a Avenida do Estado. Seguia para o Norte, atravessava o Tietê e ia em frente – mais ou menos como agora faz o metrô. Em certo ponto, um ramal derivava à direita, para chegar ao Jaçanã, que se chamava Guapira, e a Guarulhos.

O cenário oferecido nas janelas eram os arredores bucólicos da São Paulo de 1,6 milhão de habitantes. Em uma chácara de flores, a de seus avós, Antonio de Castro via o trem passar e se encantava. Em 1947, ele próprio comandava uma Maria Fumaça, das pequenas.

Na década de 1950, construiu-se a linha com bitola de 1 m. As Marias-Fumaça agora eram maiores, puxavam cinco vagões. Mas não podiam correr mais do que os 50 quilômetros por hora das locomotivas pequenas.

“As estações eram perto uma da outra”, lembra Antonio. “A gente saía de uma e começava a correr, e já estava chegando na seguinte.” Além disso, havia o trânsito. Os carros não respeitavam o trem. No cruzamento com ruas movimentadas de Santana, como Ataliba Leonel, Alfredo Pujol, o trem vinha apitando, com o farol aceso, “e os carros continuavam passando”.

“Um dia bati num carro, num cruzamento da Avenida Cruzeiro do Sul, e o motorista morreu. Quando estava chegando, ele entrou na minha frente, não deu tempo de parar.” O carro era de fora: tinha placa de uma cidade do Paraná.

Só havia uma linha, para ir e voltar. O trem ia de uma estação à outra. Aqui, num segundo trilho, outro trem esperava. Quando um passava, o outro saía.

Os maquinistas só avançavam depois de receber um bastão, o staff, com a ordem escrita de que seguissem até a a estação seguinte. Vinha escrito: linha livre.

Os chefes de estação continuavam atentos. Falavam entre si por Código Morse. Mais tarde, surgiu uma novidade: telefone a manivela.

Teve sucesso como humorista, mas o talento para a música prevaleceu

“Pelo telefone” dá samba? Sim, mas esse era um samba antigo até para Adoniran Barbosa. Ele compunha e cantava, mas uma outra veia, a humorística, abriu-lhe o caminho. Na Rádio Record, onde foi parar em 1941, viveu personagens de grande sucesso, como o motorista Perna Fina. Mais adiante foi o Charutinho, de História das Malocas, sucesso de mais de dez anos.

O talento para a música, no entanto, prevaleceu. Gravou “Saudosa Maloca” e “Samba do Arnesto”, mais tarde transformados em grande sucesso pelos Demônios da Garoa. “Trem das Onze” venceu o concurso de músicas de carnaval, no Quarto Centenário do Rio, em 1965. Mas só aos 63 anos, em 1973, quando gravou seu primeiro long play, Adoniran alcançou na mídia o reconhecimento pleno de seu valor, e a consagração.

O aniversário de setenta anos, em 1980, foi comemorado com um dia inteiro de festas no Bexiga, bairro onde morou e que amava. Lá estavam Elis Regina, Clara Nunes, Djavan, MPB-4, entre outros grandes. Em 1982 Elis Regina gravou com ele “Tiro ao Álvaro”, outro sucesso de Adoniran. No dia 23 de novembro desse mesmo ano, aos 72 anos, o coração de João Rubinato deixou de bater.

***

Jaçanã é um pássaro ribeirinho de peito avermelhado. Havia muitas dessas aves no Guapira, um bairro com mata exuberante das bordas da zona norte. Em 1930, quando resolveu-se mudar o nome primitivo, dado pelos índios, a escolha foi justamente o nome do Jaçanã.

Por aquela época, grandes porções de terra foram loteadas, o que daria origem a um bairro de classe média. Hoje, é um distrito com quase 100 mil habitantes. Em uma de suas praças, a Comendador Alberto de Souza, ficava a estação de trem. Numa das travessas da praça, está sua memória.

É a Associação Museu Memória do Jaçanã, fundada há 27 anos (em 1983) por um de seus moradores, Sílvio Bittencourt. O museu é singelo, mas tem preciosidades como o chapéu usado por Adoniran Barbosa. Lá, Adoniran ainda canta, o Trem da Cantareira corre e a história do Jaçanã palpita.

Adoniram Barbosa, o eterno bamba do samba paulista faz 105 anos


No final da década de 50 Adoniram ligou para Vinicius de Moraes com uma melodia na cabeça. Vinicius fez a letra e assim nasceu Bom dia tristeza. E ninguém com mais propriedade que Maysa para interpretá-la.

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Augusto de sapato novo Sobre: Música brasileira - MPB Texto publicado no 50 Anos de Textos Imagem em destaque: Demônios da garoa

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Augusto de sapato novo
Sobre: Música brasileira – MPB
Texto publicado no 50 Anos de Textos
Imagem em destaque: Demônios da garoa

New Order: ouça “Restless”, do primeiro CD em uma década

A faixa é o primeiro single do vindouro disco do grupo, ”Music Complete”, que chegará às lojas em setembro. Com lançamento bancado pela gravadora independente Mute, o disco será o primeiro do grupo sem Peter Hook, que deixou a banda em 2007. Por sua vez, ”Restless” repete a pegada eletrônica oitentista da banda e corre sérios riscos de bombas nas pistas de dança e paradas de sucesso.

O primeiro single do álbum, foi divulgado pela banda hoje, e pode ser apreciado no stream mais abaixo.

Foto de Nick Wilson

Foto de Nick Wilson

O CD de 11 faixas não somente marca o retorno de GILLIAN GILBERT, mas também traz contribuições de três convidados bastante ilustres. IGGY POP aparece na faixa ‘Straw Dog’, BRANDON FLOWERS do THE KILLERS em ‘Superheated’ e LA ROUX em ‘Tutti Frutti’, ‘People On The High Line’ e ‘Plastic’.

Segundo entrevista que Gillian Gilbert deu a Folha, a banda tocará no Brasil em 2016.

Sempre bom ouvir a voz de Bernard Summer.

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Subculture Sobre: Rock e música Pop

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Subculture
Sobre: Rock e música Pop

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Black Sabbath: More addictive than heroin or pussy

Black Sabbath: More addictive than heroin or pussy

A citação acima, de Al Jourgensen, está no disco tributo ao Black Sabbath Nativity in Black de 1994, e abre um trecho do Livro Passa lá em casa. 

INFORMAÇÃO aqui

Atrações: Ministry
Capacidade: 3200 pessoas
Ar-condicionado
Acesso à deficientes.

Informações e compra de ingressos

SETORES PREÇOS
PISTA 1º Lote (meia-entrada) R$ 100,00
PISTA 2º Lote (meia-entrada) R$ 120.00
PISTA 3º Lote (meia-entrada) R$ 140.00
MEZANINO (meia-entrada) R$ 160.00
CAMAROTE (meia-entrada) R$ 200.00

Vendas
As vendas de ingressos iniciam-se a partir do dia 08 de Outubro.

Online
Vendas online somente pela Ticket 360 – https://www.ticket360.com.br/evento/3478/ministry.
* Sujeito a taxa de serviço.
Call- center: (11) 2027-0777

Pontos de venda

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Sabra Cadabra Sobre: Heavy Metal

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Sabra Cadabra
Sobre: Heavy Metal

Bilheteria Oficial Ticket 360 (Sem Taxa de Serviço)
Av. Francisco Matarazzo, 694 – 05001-000, Água Branca – São Paulo – SP
Horário de Funcionamento: das 11:00 às 19:00.

PARANOID DISCOS –LOJAS 306/315
End.: Rua Vinte e Quatro de Maio, 62 – República – Centro – São Paulo.
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 10h às 18h30. Sábados, das 10h às 18h.
Forma de pagamento: SOMENTE DINHEIRO * sem taxa de conveniência

MUTILATION RECORDS – LOJA 370
End.: Rua Vinte e Quatro de Maio, 62 – República – Centro – São Paulo.
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 10h às 18h30. Sábados, das 10h às 18h.
Forma de pagamento: SOMENTE DINHEIRO * sem taxa de conveniência

Consulte demais pontos de venda no link: https://www.ticket360.com.br/ponto-de-venda

Já ouviu Carmen Miranda hoje? Parte 2

Pelé, Santos Dumont, Tom Jobim, dom Pedro 2º, Carmen Miranda, Machado de Assis. Estas são as únicas figuras brasileiras comparáveis a Oscar Niemeyer em matéria de importância histórica e influência nos destinos da humanidade. O arquiteto mais famoso do Brasil foi um mestre em desenhar curvas no concreto armado e levou poesia à paisagem das grandes cidades a partir da década de 1930. Sua extensa carreira foi laureada em 1988 com um Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura, na única vez em que o prêmio foi dividido (no caso, com o norte-americano Gordon Bunshaft).

Pelé, Santos Dumont, Tom Jobim, dom Pedro 2º, Carmen Miranda, Machado de Assis. Estas são as únicas figuras brasileiras comparáveis a Oscar Niemeyer em matéria de importância histórica e influência nos destinos da humanidade. O arquiteto mais famoso do Brasil foi um mestre em desenhar curvas no concreto armado e levou poesia à paisagem das grandes cidades a partir da década de 1930. Sua extensa carreira foi laureada em 1988 com um Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura, na única vez em que o prêmio foi dividido (no caso, com o norte-americano Gordon Bunshaft).

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Quinze perguntas do jornalista e crítico cinematográfico Leon Cakoff à Dulce Damasceno de Brito sobre a personalidade de Carmen Miranda

Ela gostava de repetir algum provérbio em situações difíceis ou alegres? Não. Mas adorava contar piadas

Ela gostava de repetir algum provérbio em situações difíceis ou alegres?
Não. Mas adorava contar piadas “sujas”, mesmo nos momentos mais difíceis.

Usava muita giria? Alguns palavras especiais ou palavrões em português, inglês ou espanhol ou palavras por ela inventadas? Porra, puta merda, puta que pariu, caralho, filho da puta, é uma bosta, na batata, tá no papo, tô de saco cheio, chato pra burro, é uma foda, etc. Em ingles: shit, son of a bitch, fuck yourshelf, holly cow, go to hell, etc. Não usava espanhol, a não ser quando se juntava a sua amiga porto-riquenha, Chita Riviera.

Usava muita giria? Alguns palavras especiais ou palavrões em português, inglês ou espanhol ou palavras por ela inventadas?
Porra, puta merda, puta que pariu, caralho, filho da puta, é uma bosta, na batata, tá no papo, tô de saco cheio, chato pra burro, é uma foda, etc. Em ingles: shit, son of a bitch, fuck yourshelf, holly cow, go to hell, etc. Não usava espanhol, a não ser quando se juntava a sua amiga porto-riquenha, Chita Riviera.

Temperamento emocional, as variações e decorrências? Alegre e divertida e, de repente, lembrando-se do Brasil, amarga e decepcionada. Lamentava-se

Temperamento emocional, as variações e decorrências?
Alegre e divertida e, de repente, lembrando-se do Brasil, amarga e decepcionada. Lamentava-se “Afinal a Greta Garbo e a Ingrid Bergman levaram 20 anos para voltar a Suecia, sua patria natal, e interpretaram personagens inglesas, francesas e americanos e nunca forma criticadas por isso. E eu… Taxada de americanizada, quando nem me naturalizei aqui como Marlene Dietrich que é alemã… Eu não poderia passar o resto da vida só fazendo de brasileira nos filmes, mas ninguém entende isso.

Vícios? Remédios. Era hipocondríaca,

Vícios?
Remédios. Era hipocondríaca, “receitava” para os amigos – a gente chegava lá com dor de cabeça ou de estomago ela abria logo a celebre maleta preta dos remédios e trazia um comprimido. Álcool: uísque puro, enxaguado com água em seguida, ou scotch on the rocks. Quando bebia sentia-se muito sexy e beijava todo mundo especialmente os homens. Também fumava muito, mas com filtro e piteira.

Manias? Significado e interpretações dos sonhos. Exemplo:

Manias?
Significado e interpretações dos sonhos. Exemplo: “A noite passa, sonhei com um bebe lindo. Hoje não vou ter sorte em nada…” Ou: “Sonhei que estava fazendo cocô. Significa que hoje é meu dia de sorte, my lucky day! Vou telefonar à agência e assinar o contrato em Las Vegas!”

Preconceito? Nenhum. Nem racial, nem religioso. Apesar de muito católica casou com um judeu e se dava muito bem com os negros.

Preconceito?
Nenhum. Nem racial, nem religioso. Apesar de muito católica casou com um judeu e se dava muito bem com os negros.

Manias? Significado e interpretações dos sonhos. Exemplo:

Manias?
Significado e interpretações dos sonhos. Exemplo: “A noite passa, sonhei com um bebe lindo. Hoje não vou ter sorte em nada…” Ou: “Sonhei que estava fazendo cocô. Significa que hoje é meu dia de sorte, my lucky day! Vou telefonar à agência e assinar o contrato em Las Vegas!”

Discussões e opiniões politicas sobre a época vivida. Algum envolvimento emocional? Gostava de homens autoritários na política, mas não dos ditares, apesar de admirar Getúlio Vargas, seu grande fã e com que teve um rápido romance. Adorava o presidente Franklin Roosevelt ( para quem cantou na Casa Branca) e achava o regime democrático norte-americano o ideal do mundo.

Discussões e opiniões politicas sobre a época vivida. Algum envolvimento emocional?
Gostava de homens autoritários na política, mas não dos ditares, apesar de admirar Getúlio Vargas, seu grande fã e com que teve um rápido romance. Adorava o presidente Franklin Roosevelt ( para quem cantou na Casa Branca) e achava o regime democrático norte-americano o ideal do mundo.

Cores preferidas? Vermelho. Seguido do verde-amarelo, que respeitava muito por ser as cores de nossa bandeira. Gostava de cores alegres e berrantes.

Cores preferidas?
Vermelho. Seguido do verde-amarelo, que respeitava muito por ser as cores de nossa bandeira. Gostava de cores alegres e berrantes.

Observações ou críticas aos americanos e a engrenagem de Hollywood? Nenhuma crítica. Adorava o

Observações ou críticas aos americanos e a engrenagem de Hollywood?
Nenhuma crítica. Adorava o “star system” do qual fazia parte “por um milagre de Deus”, como dizia. Mesmo depois quando se tornou “free lancer” – Libertando-se do contrato a que estivera presa e obediente durante sete anos – gostava adulação que recebera como estrela da Fox. Como já havia chegado com nome feito (nos palcos da Broadway), não precisou lutar tanto em Hollywood para vencer (“o estrelato estrelato foi tão fácil para mim!”) e tinha pena das “starlets” ambiciosas que tinham que dormir com os produtores para conseguir algum papel nos filmes

Algum indicio de personalidade feminista? Sim e não. Gostava da mulher emancipada independente, considerando-se uma delas. Mas achava que uma mulher não é completa sem amor e o apoio de um homem. E vice-versa.

Algum indicio de personalidade feminista?
Sim e não. Gostava da mulher emancipada independente, considerando-se uma delas. Mas achava que uma mulher não é completa sem amor e o apoio de um homem. E vice-versa.

Opiniões sobre o sexo e a moral sexual. Supermoderna, liberal e compreensiva com relação a quaisquer tipos de casos amorosos, inclusive os homossexuais, mas no íntimo apegada ainda às convenções por motivos religiosos, respeitando muitíssimo o casamento

Opiniões sobre o sexo e a moral sexual.
Supermoderna, liberal e compreensiva com relação a quaisquer tipos de casos amorosos, inclusive os homossexuais, mas no íntimo apegada ainda às convenções por motivos religiosos, respeitando muitíssimo o casamento “de papel passado” (como fora o seu), que considerava ideal para solidificar o amor. Muito “sexy” e maliciosa.

Demonstrava alguma preocupação com as variações do seu carisma? Sim, por que embora realizada como artista, era um tanto insatisfeita consigo mesma e esforçava-se para fazer os shows cada vez melhor, ficando deprimida quando achava que não havia dado o máximo

Demonstrava alguma preocupação com as variações do seu carisma?
Sim, por que embora realizada como artista, era um tanto insatisfeita consigo mesma e esforçava-se para fazer os shows cada vez melhor, ficando deprimida quando achava que não havia dado o máximo

Alguma preocupação em investir seus lucros pensando no futuro? Não se preocupava com o futuro e nem com dinheiro. Seu marido e os empresários cuidavam disso. Certa vez no início de sua carreira em Hollywood investiu boa quantia em poços de petróleo e perdeu tudo. Desde então considerava-se uma péssima

Alguma preocupação em investir seus lucros pensando no futuro?
Não se preocupava com o futuro e nem com dinheiro. Seu marido e os empresários cuidavam disso. Certa vez no início de sua carreira em Hollywood investiu boa quantia em poços de petróleo e perdeu tudo. Desde então considerava-se uma péssima “business woman” e recusava a tomar conhecimento dos assuntos financeiros. Só queria saber quanto ganharia, pois orgulhava de ser uma das artistas estrangeiras mais bem pagas dos Estados Unidos

Passava-lhe pela cabeça que a sua imagem era usada como

Passava-lhe pela cabeça que a sua imagem era usada como “prova” da amizade dos americanos com o “exótico” universo latino?
Sabia disso, e francamente gostava da ideia. Dizia “se é verdade que me usam dessa maneira, então devo ser um bom instrumento porque, sendo brasileira, passei a frente das argentinas, colombianas, venezuelanas, mexicanas, peruanas, e porto-riquenhas que falam espanhol – o idioma oficial da América Latina – sendo o Brasil o único de língua portuguesa e, consequentemente, de comunicação mais limitada. É confortante saber que uma simples artista popular como eu possa ter sido usada como arma política. Mas, se não tivesse talento e este carisma que me atribuem, eu não teria sobrevivido, certo?”.

“Comparativamente, a síntese gráfica de suas formas arquitetônicas é semelhante à estilização técnica e gestual da cantora Carmen Miranda, que começou a fazer sucesso nos Estados Unidos exatamente enquanto Costa e Niemeyer construíram o Pavilhão do Brasil na Exposição Universal de 1939, em Nova York. Tanto nele quanto nela, percebe-se uma vocação original para comunicação de massa. Se a extravagancia algo kitsch de Carmen serviria, décadas mais tarde, de inspiração para o Tropicalismo na música popular, Niemeyer não escaparia de ficar associado a um regionalismo tropical, exótico e hedonista, que, no entanto não descreve o aspecto mais importante de sua obra”. - Guilherme Wisnik

“Comparativamente, a síntese gráfica de suas formas arquitetônicas é semelhante à estilização técnica e gestual da cantora Carmen Miranda, que começou a fazer sucesso nos Estados Unidos exatamente enquanto Costa e Niemeyer construíram o Pavilhão do Brasil na Exposição Universal de 1939, em Nova York. Tanto nele quanto nela, percebe-se uma vocação original para comunicação de massa. Se a extravagancia algo kitsch de Carmen serviria, décadas mais tarde, de inspiração para o Tropicalismo na música popular, Niemeyer não escaparia de ficar associado a um regionalismo tropical, exótico e hedonista, que, no entanto não descreve o aspecto mais importante de sua obra”. – Guilherme Wisnik

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Augusto de sapato novo Sobre: Música brasileira - MPB Texto do livro O ABC de Carmen Miranda de Dulce Damasceno de Brito Leon Cakoff, Alepo, 25 de junho de 1948 - São Paulo, 14 de outubro de 2011; Dulce Damasceno Brito, Casa Branca, 1926 — São Paulo, 9 de novembro de 2008; Imagem em destaque: Carmen Miranda entre Dorival Caymmi e Assis Valente

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Augusto de sapato novo
Sobre: Música brasileira – MPB
Texto do livro O ABC de Carmen Miranda de Dulce Damasceno de Brito
Leon Cakoff, Alepo, 25 de junho de 1948 – São Paulo, 14 de outubro de 2011;
Dulce Damasceno Brito, Casa Branca, 1926 — São Paulo, 9 de novembro de 2008;
Imagem em destaque: Carmen Miranda entre Dorival Caymmi e Assis Valente

Tapetum Lucidum – Hélcio Aguirra

Você está vivo

Todo meu respeito[1]


[1] A velha mistura – Golpe de Estado;

Pra quem não é perfeito Cheio de defeitos Você esta vivo Todo meu respeito Viver na ilusão, nessa ficção Cheio de luz, nessa escuridão Atrapalham sua oração Atrapalham seu beijo Todo seu desejo A velha mistura Te mata e te cura Te alegra e te deixa com medo A velha mistura te mata e te cura Acaba com você mais cedo Pra todos efeitos Esse seu jeito É também toda sua verdade Sua defesa, sua necessidade Deixar acontecer O que não aconteceu Porque? Cuspir no prato que comeu Procura conforto na hora do aborto Então um aplique a mais Quem sabe você se dá bem É um aplique a mais Compra de uma falsa paz Porque um aplique a mais Se o mundo roda, roda pra traz A Velha mistura - Golpe de Estado

Pra quem não é perfeito
Cheio de defeitos
Você esta vivo
Todo meu respeito
Viver na ilusão, nessa ficção
Cheio de luz, nessa escuridão
Atrapalham sua oração
Atrapalham seu beijo
Todo seu desejo
A velha mistura
Te mata e te cura
Te alegra e te deixa com medo
A velha mistura te mata e te cura
Acaba com você mais cedo
Pra todos efeitos
Esse seu jeito
É também toda sua verdade
Sua defesa, sua necessidade
Deixar acontecer
O que não aconteceu
Porque? Cuspir no prato que comeu
Procura conforto na hora do aborto
Então um aplique a mais
Quem sabe você se dá bem
É um aplique a mais
Compra de uma falsa paz
Porque um aplique a mais
Se o mundo roda, roda pra traz
A Velha mistura – Golpe de Estado

Uma das poucas bandas nacionais que aparecem no livro Passa lá em casa é justamente o Golpe de Estado. Nunca gostei de Legião Urbana e sempre achei, como a maioria dos críticos, que o Golpe não teve o lugar que merece na cena rocker brasileira. A principal trilha sonora é a música brasileira feita na primeira metade do século XX, leia-se: Carmen Miranda, Dorival Caymmi, Lupicínio Rodrigues, Nelson Gonçalves, com raras exceções. The Cure ali, Julian Casablancas acolá. Já tinha finalizado o livro, ou acreditei que tinha, quando ano passado depois de tanto tempo alguém teve a dignidade de tocar Golpe de Estado. Tinha esquecido ou estava inerte em minha mente, o quanto a banda é legal. Sempre gostei de pessoas que tem uma visão lucida do país em que vivemos, Ultraje a Rigor, Ira, Camisa de Vênus, Raul Seixas ou mesmo Cazuza, em doses moderadas é claro.

Mas voltando no dia em que ouvi A velha mistura corri para o livro e assinalei onde a frase ficaria bacana encabeçando um trecho do livro. O subtítulo desse trecho é: Tapetum lucidum 2[1].


[1] Tapetum lucidum, uma capa de células refletoras situadas por detrás da retina. Estas células refletem os raios de luz que não foram absorvidos no primeiro impacto, concedendo assim aos cones e aos bastonetes da retina uma segunda oportunidade. Estes também são os responsáveis de que os olhos dos gatos brilhem no escuro, já que qualquer pequena luz que recebam se reflete pela retina.

O texto narra aproximadamente o final ou inicio da década de 40. O lugar é uma praia em Santa Monica na Califórnia. Os personagens são Carmen Miranda, Cary Grant, Marilyn Monroe, Greta Garbo e o mordomo de minha vampira, Albert. Eles acabam se deparando com objetos inesperados encontrados nas águas.

Albert corria de braços abertos para as águas. Ele achou um fêmur.

Carmen corria de braços abertos para as águas. Ela achou uma caveira.

Garbo não corria de braços abertos para as águas. Ela preferia ficar sozinha na areia. E por isso mesmo não achou nada.

O acontecimento não se resume num crânio ou fêmur e sim a quem pertenceu àqueles ossos, coisa que o zumbi Albert sabe ao olhar para proporções fora do normal.

Hélcio Aguirra 03 de Março de 1959 – 21 de Janeiro de 2014

Uma pequena homenagem!

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Sabra Cadabra Sobre: Heavy Metal

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Sabra Cadabra
Sobre: Heavy Metal

Lamento sertanejo

Dominguinhos é um dos autores de uma das mais belas composições da MPB (uso o termo MPB mesmo contraria a essa ideia, mas sim sabendo que ela existe. Então faremos uso dela), Lamento sertanejo composta em parceria com Gilberto Gil.

Por ser de lá

Do sertão, lá do cerrado

Lá do interior do mato
Da caatinga e do roçado
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigo
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado

Por ser de lá
Na certa, por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão, boiada caminhando à esmo

Dominguinhos é um dos autores de uma das mais belas composições da MPB, melhor, da música brasileira, Lamento sertanejo composta em parceria com Gilberto Gil. Particularmente prefiro a interpretação de do baiano.

O músico nasceu em Garahuns sertão de Pernambuco no dia 12 de Fevereiro de 1941 e morreu, no centro de um circo armado por seus parentes, no dia 23 de Julho em 2013 em São Paulo. A maioria não conhece o trabalho árduo e sólido construído por esse “descendente musical” de Luiz Gonzaga. Mesmo assim as informações que temos do músico são pífias.

Aos 9 anos de idade surpreendeu, o já reconhecido Luiz Gonzaga que o convidou para morar no Rio. Mudou-se com o pai e os irmãos quando estava com 13 anos. Recebeu de presente do padrinho uma sanfona e foi integrado a banda de Gonzaga.

Trecho do livro Passa lá em casa: O Rei-concierge enrolava um minúsculo cachinho de seu pixaim e lembrou que tinha que ligar para tia Socorro em Petrolina. Molhou o dedo com saliva, virou a página e anotou em sua caderneta.

Trecho do livro Passa lá em casa: O Rei-concierge enrolava um minúsculo cachinho de seu pixaim e lembrou que tinha que ligar para tia Socorro em Petrolina. Molhou o dedo com saliva, virou a página e anotou em sua caderneta.

“José Domingos de Morais, como foi batizado há 72 anos, fez história tanto pelo virtuosismo em seu instrumento – dominava o fole de oito baixos desde os seis anos de idade – quanto pelas grandes canções das quais foi autor ou coautor, como “Lamento Sertanejo” (com Gilberto Gil), ou “De Volta Pro Meu Aconchego” (com Nando Cordel). Era, para muitos, o parceiro ideal”. Daniel Setti. Para ler o texto do jornalista na integra, clique aqui.

Uma das ações movida por um de seus  filhos é sobre o local do enterro que não foi respeitada por sua ex-mulher. Dominguinhos foi enterrado no município de Paulista, Região Metropolitana do Recife. O filho mais velho do artista, entrou com um pedido de liminar para fazer a transferência do corpo para a cidade natal do sanfoneiro, Garanhuns, no Agreste do estado. Esse era seu desejo expresso em entrevistas com o músico.

O prefeito de Garanhuns, Izaías Régis, garante que está dando total apoio à ação de Mauro. “Há um ressentimento de todos os fãs de Dominguinhos, do País todo, porque enterraram ele em Paulista e não atenderam seu pedido. Não é a prefeitura que está entrando com a ação na justiça, mas estamos, sim, apoiando a atitude”, diz Izaías.

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Augusto de sapato novo Sobre: Música brasileira - MPB

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Augusto de sapato novo
Sobre: Música brasileira – MPB

André de sapato novo

O chorinho André de sapato novo nasceu de uma circunstancia bastante dolorida do compositor André Vitor Correia (Rio Bonito, RJ, 18/06/1888, Rio de janeiro, 4/03/1948).  Ele dançou em um baile com os tais sapatos novos que apertavam seus calos e fazia outros. Compositor. Saxofonista. Clarinetista. Funcionário da Imprensa Nacional. Solteiro, deixou um filho de nome Sebastião. Músico de prestígio, foi diretor de harmonia do rancho Ameno Resedá, em 1925. Em 1931, seu choro “Comigo é no beiço” foi gravado na Odeon pelo Trio T. B. T. Em 1936, dirigiu uma jazz

André Vitor Correia (Rio Bonito, RJ, 18/06/1888, Rio de janeiro, 4/03/1948)

André Vitor Correia (Rio Bonito, RJ, 18/06/1888, Rio de janeiro, 4/03/1948)

band, época em que trocou o clarinete pelo saxofone, passando a ser conhecido como André Saxofonista. Dentre suas composições, destaca-se o choro “André de sapato novo”, obra das mais populares no ambiente. No ano de falecimento desse musico e compositor, Almirante, que apresentava um programa de radio chamado O pessoal da velha guarda, tinha por convidado Pixinguinha e Benedito Lacerda. Nesse programa Almirante contou como nasceu uma das mais importantes musicas do cancioneiro brasileiro. Difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido essas notas.

Almirante:

“Poucas músicas terão o privilégio de poder ser identificadas por uma nota, hein? E entre estas poucas está o grande choro “André de Sapato Novo”. Basta que Pixinguinha extraia do seu saxofone este Mi grave para que todos reconheçam logo que música vem por aí. Aquele grave, como todos sabem, representa a parada que faz a todo momento o indivíduo que calça o sapato novo que lhe aperta o pé. O calo está gritando dentro do calçado, e o jeito é fazer umas paradas para ajeitar os dedos comprimidos. O choro “André de Sapato Novo” do saxofonista André Victor Corrêa, falecido recentemente, segura as agonias do autor num dia em que calçou um sapato novo. A execução estará a cargo de Benedito na flauta e Pixinguinha no saxofone. Cada nota assim (Pixinguinha toca um Mi 2) no saxofone do Pixinguinha representa uma daquelas paradas providenciais. Ouçam”.

Mas a melhor parte da história é a seguinte, uma linha no Wikipédia. Você pode pegar o artista mais chulé, de um EUA por exemplo, e dificilmente vai encontrar apenas uma linha escrita. Muitos dizem que esse portal não é de confiança, porém pode apenas ser o começo. Uma fina linha condutora para uma pesquisa maior e ampla. Por que não? Assim chegamos a conclusão da importância dos artistas brasileiros, de qualidade, para esse belo povo. Se não gostou da expressão “música de qualidade” leia o que este jornalista, Regis Tadeu fala sobre pseudointelectuais com suas “filosofias” Rede Globo.

Resumindo, nem eu e nem você saberemos mais que algumas linhas sobre esses músicos, especialmente aqueles da primeira metade do seculo XX.

O livro Passa lá em casa tenta lembrar um pouco desses artistas e digo: conseguir material para cita-los é tentar tirar coelhos de uma cartola sem fundo.

Deixo vocês com o trecho do livro que tem por subtitulo, uma ínfima homenagem a música, abaixo A música:

AUGUSTO DE SAPATO NOVO [1]

O Rei-concierge Mopir foi com Augusto perto do grande fosso. Chupavam um chica-bom. Um criado vinha atrás com uma bandeja em ouro, cravada de pedras preciosas e picolés. Os picolés eles devoravam um atrás do outro.

Viram, era um monte de crianças se debatendo sobre dragões de inúmeros tamanhos e tipos.

Pareciam em sua maioria ter seis anos não mais que oito. Todas albinas e muito parecidas. Os cabelos brancos escorridos secavam logo que emergiam.

Altamiro Aquino Carrilho foi um músico, compositor e flautista brasileiro. Altamiro gravou mais de cem discos, compôs cerca de duzentas canções, tendo se apresentado em mais de quarenta países difundindo o Choro brasileiro.

Altamiro Aquino Carrilho foi um músico, compositor e flautista brasileiro. Altamiro gravou mais de cem discos, compôs cerca de duzentas canções, tendo se apresentado em mais de quarenta países difundindo o Choro brasileiro.

— Meu súdito, elas são melhores que câmeras.

— Mas estão atacando dragões! Eles não são nossa proteção?

— Não quando são muitos. Chegue mais perto de uma delas.

Pela ponte caminharam passando por serpentes e animais inenarráveis. Uma criança caiu a seus pés.

— Rei, ela não tem pupila. É tudo branco.

— Chegue perto.

Filamentos brilhantes. A criança rosnou e se debateu. Fugiu e se precipitou para o lamaçal. Não dava para distinguir o sexo. Apenas alguns traços não as faziam iguais.

Voltaram para o grande salão do rei e nem as pedras de Aladim se comparavam com a riqueza daquele reino. Uma escrava postou-se ao lado de Augusto para abanar com uma longa pluma Augusto no recamier. O Rei-concierge era abanado por duas beldades.

— Qual a natureza das crianças?

— Crianças perversas que estão no limbo. Nem Padim Ciço[2] pode fazer algo por elas.

Que tipo de perversão teria uma criança? A gente vê sempre a tal pureza. Essas transmitiam uma visão fantasmagórica, infernal.

Augusto reclama:

— Com essa brisinha não tem como aplacar meu calor. Que tal o ar-condicionado?

— Meu caro e exigente súdito, pois lhe digo que seu calor é proveniente do que trás entre as pernas. Pegue a escrava e a conduza a seu bel-prazer a um dos cômodos. Seus canais estão obstruídos Augustinho. Nada que uma ou duas

trepadas não resolvam.

Sentiu vergonha e era verdade. Conduziu a escrava e foi.


[1] Referencia ao chorinho “André de sapato novo”, de André Victor Corrêa (1888-1948);

[2] Cícero Romão Batista (Crato, 24 de março de 1844 — Juazeiro do Norte, 20 de julho de 1934) foi um sacerdote católico brasileiro. Na devoção popular, é conhecido como Padre Cícero ou Padim Ciço. Carismático, obteve grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Ceará bem como do Nordeste;

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