Arquitetura, Da Segregação a Composição: COR!

Obra sensacional de Ana Elisa Egreja

Estudo sobre teoria da cor que fiz no Mackenzie entre 2008-09. Como não terminei pretendo continuar agora na Escola da Cidade.


Introdução

O presente trabalho é parte de uma pesquisa mais ampla do grupo Qualiarq. (Qualidade Ambiental e Arquitetura) que tem por objetivo pesquisar qualidade do ambiente urbano construído em seus aspectos socioculturais e psicológicos.

Croqui do arquiteto argentino Clorindo Tesla para a Camara dos deputados de La Pampa

Composição cromática, um tema que por si só inspira poesia. Se é poesia, busca-se uma harmonia. E dessa harmonia nasce um trabalho complexo por questões culturais, psicológicas e físicas dentre outras. Mas a cor na arquitetura parece ser uma poesia a parte que muitas vezes é preferível deixá-lo de lado. Daí nasce um problema. O tema cor é na maioria das vezes um estudo delicado sobre o assunto ou quando, subdividido em inúmeros estudos.

Analisar a cor de forma teórica que a leva a tantos caminhos alguns ainda sem respostas. Há também uma lacuna nas escolas de design, arte e arquitetura. Muitos arquitetos se obstem do uso da cor por falta conhecimento ou um conhecimento superficial, então fica mais fácil para cores “neutras” reinarem para dar lugar à composição das formas, ditando que esse não é apenas o caminho mais seguro, mas às vezes o único

O que torna o uso da cor um assunto de difícil acesso a ponto de ser tabu, mau gosto? Será que simplesmente deixá-lo na natureza, pois, apenas lá a cor é “bela”. Será que estudá-lo como fez Leonardo Davinci, Newton, Goethe ou Paul Klee nos ajudaria a ter mais domínio em sua harmonização, que é um dos motivos do seu “desuso”? Como definir uma harmonização?  Para a colorista e arquiteta Elizabeth Wey a harmonização pode ser compreendida ao observar a natureza. Como estamos em uma cidade onde percebemos uma leve graduação de cinza, fica um pouco difícil olharmos para o concreto e encontrar um púrpura, a menos que tenha sido pintado, o que para alguns arquitetos seria um sacrilégio. “Um “design“ particularmente atraente entre todos os sistemas foi feito por Paul Klee para seus estudantes na Bauhaus. Ele o chamou de Cânone da Totalidade Cromática” (ARNHEIM, 1997, p.336).

Trabalho feito pela Osiarte

Enjoar, palavra tão ouvida pelos que preferem não se meter com cor. Mas, será que o “beginho”, cor dita neutra, as pessoas não enjoam por nem chegarem a gostar. Será que ser indiferente é o caminho certo para não enjoar?

A cor é uma segunda arquitetura, pensa determinados arquitetos, que requer um trabalho tão árduo quanto o objeto tridimensional. Um trabalho de composição que nasce antes, durante ou depois da obra. Para alguns arquitetos como Luís Barragan a cor representa a cultura de um povo, no caso o mexicano. Mas parece serem poucos os arquitetos que têm a cor como elemento tão primordial quanto a obra.

O objetivo principal é pesquisar as principais correntes teóricas de estudo da cor.  Algumas delas imprescindíveis para compreensão como de Issac Newton, Leonardo Davinci ou Goethe. Teóricos contemporâneos recorrem à Teoria das Cores e/ou Óptica – ou um Tratado sobre a Reflexão, a Refração e as Cores da Luz. A principal questão levantada por esse estudo é a harmonização, orientação e domínio sobre a composição cromática. Além da cor, a arte.      Se para alguns arquitetos a forma tornar-se poesia, o que dirá se usarmos as tantas nuances numa obra e até mesmo juntá-la a outras expressões artísticas?

Quando Lúcio Costa, que contava com Oscar Niemeyer e Jorge Moreira em sua equipe, pensou num painel  para o palácio Gustavo Capanema(RJ), convidou Cândido Portinari. Portinari pediu ao amigo Paulo Rossi Osir que executasse os desenhos. Este chamou seus amigos Alfredo Volpi e Mário Zanine, nascendo assim a Osiarte.

A Osiarte foi um ateliê criado especialmente para atender esse pedido. A azulejaria mesmo com a influência portuguesa é um estilo pouco difundido no Brasil, e nesse sentido o ateliê foi pioneiro. Alfredo Volpi era o “chefe” solucionando problemas plásticos e técnicos. O trabalho era coletivo não existindo nem mesmo paternidade sobre a obra. Segundo a mestranda Izabel Rocha o trabalho foi decisivo para obra de Volpi. Recentemente uma amostra desse trabalho foi exposta em São Paulo. 150 peças que não deram certo e estavam num sítio de um amigo de Osir. Desenhos de Burle Marx, influência de Picasso… Podemos encontrar esse trabalho na Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte, 1944, e o painel da Escola Municipal do Conjunto Habitacional do Pedregulho, no Rio, 1951.

Percebemos a importância que arquitetos como Oscar Niemeyer ou Lúcio Costa dava para as artes, fazendo uso da azulejaria arte tão difundida em Portugal.

Projeto de Legorreta, do livro Legorreta + Legorreta

Daí temos outra questão: será que artistas plásticos poderão servir de referência para arquitetura? Antoní Gaudi nos mostra que sim, Oscar Niemayer sempre se lembrou de artistas plásticos em sua “poesia”. Parece que retornamos a tal composição, à composição arquitetura e arte, que nos leva à cultura de um povo. Tentar abordar a mais variada compreensão sobre o tema. Chegar mais próximo possível de um “equilíbrio” na composição e utilização desse elemento como parte integrante da obra, do conjunto. O estudo que variadas formas de composição se faz necessário frente ao ininterrupto avanço das cores ditas neutras ou “híbridas”.

Pedrosa (1985) em seu livro Da cor à cor inexistente diz: “Mesmo em nossos dias, quando se festeja a negação da beleza como única forma artística válida e até mesmo é declarada sua morte, surgem novos caminhos para a arte contemporânea, e as leis essenciais que regeram as produções renascentistas voltaram tona. Voltam e voltarão sempre, em qualquer época em que se deseje pintar, porque são leis essenciais de pintura e não apenas elementos da técnica pictória”.

Objetivo Específico: após um estudo teórico para um estudo de campo. Por que determinado morador escolheu tal cor para o imóvel? Pesquisar as causas, gosto pessoal, em conjunto, era a tinta mais barata, sabendo que determinadas nuances variam muito de preço, era moda? Não queria chamar atenção, queria chamar atenção? Estudar, pesquisar no ambiente urbano em especial um bairro de periferia, onde os moradores constroem a casa da forma que pode financeiramente ou como bem entendem. Pode-se falar em intuição, preferência, modismo…

Vitrais da estação Pinacoteca, decorados com obra da artista Beatriz Milhazes, foto de Alex Almeida para Folha Imagem. 2008

Referencial Teórico: “os nomes dos três pioneiros da teoria da cor podem ser responsáveis pelos três principais componentes do processo a ser explicado. Newton descreveu as cores como devidas às propriedades dos raios que compõem as fontes luminosas; Goethe proclamou a contribuição dos meios físicos e superfícies encontradas pela luz quando ela viaja de sua fonte aos olhos do observador; e Shopenhauer anteviu numa teoria de imaginação, embora estranhamente profética, a função das respostas da retinianas dos olhos” (ARNHEIM, 1997, p.328).

Os já mencionados Newton e Goethe tinham um estudo primoroso sobre óptica. No caso de Goethe relata um fenômeno já conhecido por outros estudiosos, e mesmo por meio de experiências não conseguiu. Em 19 de junho de 1799 no final da tarde ao passear com um amigo ele o presenciou.

Segundo o historiador, José Meco, esta é uma das obras mais monumentais da azulejaria portuguesa. Encontra-se na Avenida Infante Santo, Portugal. O painel é de autoria da artista Maria Keil – 1959.

Associar a cor com a psicologia caminho natural e comprovado. Pfister (1951) em seu livro “O teste das pirâmides coloridas” analisa o ser humano a partir de 24 tons de cores em jogos lúdicos. A arquiteta e pesquisadora Lilian Ried Miller Barros (2006), pode confirmar em seu centro de estudos e pesquisas sobre cores, em São Paulo o Universo da Cor. “Hoje conforme demonstraram os estudos de Pfister e Lüsher, entre outros pesquisadores da área de psicologia, sabemos que a preferência por determinadas cores revelam muito sobre nosso estado de ânimo, que pode ou não se relacionar a um momento pelo qual passamos, indicando predisposições e comportamentos” (BARROS, 2006, p. 80). Outro livro indispensável para compreensão do estudo da cor é A Psicodinâmica das cores, de Modesto Farina que será uma das referências.

A preferência da cor por determinado individuo, pode revelar um comportamento, pode variar dependendo da luz e como e codificada pela retina. Como reter algo aparentemente abstrato?

“Para o nosso presente propósito devemos nos referir a dois princípios subjacentes da ótica, da fisiologia e da psicologia das várias teorias de cor, a saber, as cores primárias e as complementares. Muita confusão tem-se ‘perpetuado devido ao termo ”primárias”, que têm sido aplicado a dois conceitos totalmente diferentes. Deve-se fazer uma distinção nítida entre primárias geradoras e primárias fundadoras. As primárias geradoras referem-se aos processos pelos quais as cores acontecem; as primárias fundamentais são os elementos dos uma psicologia da visão criadora (ARNHEIM, 1997).

Djavan – Matizes, Luanda Records. 2007

A arte: ”… preferência tem pouco a ver com arte. ‘ Que destino miserável para um pintor que gosta de louras’, disse certa vez Picasso a Cristian Zervos, ‘ter de deixar de colocá-las num quadro (ARNHEIM, 1997, p. 361).

Assim como a humanidade necessita da língua para comunicação precisamos da arte como meio de expressão algo que a princípio parece óbvio. Mas quais os artistas que vem a nossa mente, ou melhor, quantos no momento que nos referimos a ela? Quantas vezes vislumbramos a união da arte com a arquitetura e como ela traduz a cultura e necessidade de um povo?  

“A primeira vista, os quadros de Beatriz Milhazes parecem existir numa dimensão puramente estética: explosões de cores e formas finas em si mesmas, cujo elemento narrativo está totalmente ausente. Quando pinta, porem, a artista carioca tem sempre em mente historias: historias simples, encenadas na tela, poeticamente, pelos acordes cromáticos, pelas formas que seguem, nascem umas das outras, aparentemente sem solução de continuidade” (MILHAZES e RENNÓ, 2003, p.72).

Fatores culturais nos levam naturalmente quando se fala de um povo brasileiro lembra-se de miscigenação. O português que aqui chegou encontrou alguém que aqui já existia e residia da África seqüestrou o negro para aqui morar. Será pesquisada literatura sobre o tema.

“Somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra”, tendo contra nós outro clima e outra paisagem. E, além disso, descendíamos de dois países bem pouco europeus, Portugal e Espanha, que eram destacados amantes do personalismo, chegando as raias da anarquia, avessos à instituições solidárias, o que levava à frouxidão da estrutura social e à falta da hierarquia organizada. Desafio para colossos que, entretanto, repousa nos ombros estreitos de todos nós. Ao comentar o destino que previa para os integralistas, uma força política nos anos trinta, foi lapidar e profético ao dizer que eles, como qualquer outro partido que representava interesses ou de ideologia, se estiolariam, pois “a tradição brasileira nunca deixou funcionar os verdadeiros partidos de oposição”.

Fotografia de Lucas Braga

O bairro de Guaianases, extremo zona leste, será pesquisado no referente a relação de cor e cultura. A região era habitada pelos Guaianás que também habitaram o Paraná. No início do século XX já não existiam mais na região.

Exemplos na arquitetura, nas artes plásticas e em outras expressões artísticas, serão usados para ilustrar ou exemplificar o tema abordado. Não prenderemos a cor a arquitetura, em conceitos particulares, exceto pelo mais amplo. Tão importante quanto o estudo teórico das cores, artes e cultura é o estudo visual. Vamos a ele.

Método

Numa primeira etapa, pesquisar conceitos a partir de leituras programadas de textos de livros, periódicos, trabalhos acadêmicos e sites (endereços eletrônicos).

Temas a serem abordados na pesquisa teórica:

  • Teoria da cor psicologia;
  • Óptica Fisiológica;
  • Óptica Física;
  • Óptica Física – química;
  • Pesquisa de campo: Elaborar um questionário para os moradores submeter ao Comitê de Ética em pesquisa da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
  • Escolher o bairro, selecionar critério para escolha de casas;
  • Na pesquisa de campo, alem do questionário, as casas serão fotografada e cada unidade responderá a um questionário (igual para todos os moradores das casas selecionadas);
  • Discussão sobre os dados coletados onde haverá uma analise comparativa com a pesquisa teórica.
  • A região também será estudada nos seus aspectos históricos e o artesanato que segundo Lina Bo Bardi é arte pura, pois vem da necessidade do individuo sendo acima de tudo funcional
Azulejaria dos artistas plásticos Cris Conde e de seu marido Beto Figueiredo

“Ninguém nega que as cores carregam intensa expressividade, mas ninguém sabe como tal expressividade ocorre. Admite-se, é amplamente aceito que a expressividade ocorre. Admite-se, é amplamente aceito que a expressividade se baseia na associação. Diz-se que o vermelho é excitante porque nos faz lembrar fogo, sangue e revolução. O verde suscita os pensamentos restauradores da natureza, e o azul é refrescante como a água. Mas a teoria da associação não é, neste caso, mais esclarecedora do que em outras áreas. O efeito da cor é demasiadamente direto e espontâneo para ser apenas o produto de uma interpretação ligada ao que se percebe pelo conhecimento”. (ARNHEIM, 1997 p. 358). A associação da cor com um elemento natural, ou quando lhe é conferido uma simbologia pode adquirir significados dos mais diversos

“O condomínio torna a cidade mais desigual. É preciso inibi-lo”

Urbanista fala sobre política de mobilidade e os desafios que a cidade deixa para próxima gestão

Geraldo Moura, doutor em urbanismo pela USP RAFAEL RONCATO

Geraldo Moura, doutor em urbanismo pela USP Foto: RAFAEL RONCATO

Os trilhos do metrô não chegam a toda São Paulo e, quando chegam, perdem a oportunidade de levar uma de suas principais vocações: desenvolvimento urbano em áreas periféricas. Segundo o urbanista Geraldo Moura, há várias explicações para isso, mas uma das principais é que o sistema metroviário não está sendo pensado para responder a pergunta “que cidade queremos?”, mas apenas para reforçar lógicas já estabelecidas. Doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade São Paulo, Moura fala sobre transporte, desenvolvimento urbano e os principais desafios do próximo prefeito de São Paulo do ponto de vista urbanístico. Leia os destaques da entrevista ao EL PAÍS abaixo.

Parque Ibirapuera - Sao Paulo. Foto incrível de Thiago Leite

Parque Ibirapuera – Sao Paulo.
Foto incrível de Thiago Leite

Pergunta. Em outubro temos eleições municipais. Transporte sobre trilhos é uma atribuição da administração estadual, mas levando em conta que mobilidade é uma das principais questões de São Paulo, quais serão os desafios de um próximo prefeito?

Resposta. Em minha opinião, são sete pontos que devem ser levados em consideração. 1) Trazer “cidade” para regiões dormitórios. Implantação de equipamentos de transporte, com equipamentos integrados nas regiões de estações de metrô e corredores de ônibus é fundamental. 2) Trazer gente de volta para o centro. É garantir acesso para que a pessoa possa morar perto das oportunidades. 3) Inibir a cidade murada. É incentivar a proliferação de espaços de convívio, principalmente de convívio entre diferentes. 4) Impedir a proliferação dos condomínios. O condomínio dificulta a continuidade das infraestruturas, principalmente de transporte, e faz com que os bairros fiquem “monossociais”, que uma camada social fique cada vez mais distante da outra, o que torna a cidade mais desigual. É preciso inibi-lo. 5) Tirar espaço de carros. É dar, claramente, cada vez mais espaço para ônibus e meios não motorizados.

P. Antes de você completar a lista, já é possível dizer que muitos desses pontos coincidem com medidas tomadas por Fernando Haddad. Apesar disso… A popularidade dele não é boa. Aliás, tudo indica que ele terá muitas dificuldades para se reeleger.116865915.pEBRV7go

R. Sim, mas não estou falando da disputa política pequena, mas de cidade. Acredito que esse é um preço pago pelos governantes que ousaram enfrentar a questão. Em Bogotá, com o prefeito Enrique Peñalosa, que nunca poderia ser chamado de esquerda, aconteceu algo semelhante. Ele fez o que era preciso, transformou a cidade em uma referência para a mobilidade, e não se reelegeu. [Depois de 12 anos, Peñalosa foi eleito novamente agora]. Acho que justamente por ter acertado, a atual Prefeitura de São Paulo pode ter se inviabilizado eleitoralmente.

P. E por que isso acontece?

“Justamente por ter acertado, a atual Prefeitura de São Paulo pode ter se inviabilizado eleitoralmente”

R. Porque mudar a cidade requer mexer em questões estabelecidas. A questão das bicicletas é exemplar disso. Ela não é só um modo de mobilidade, mas um jeito de fazer essa repactuação do espaço público. É claro que ao longo do processo tem sofrimento: a bicicleta vai, obviamente, acabar se tornando perversa em algumas situações para o pedestre, além de tomar parte do espaço anteriormente destinado aos veículos, e isso vai gerar reclamações. É um processo conflituoso, mas necessário se queremos falar de mobilidade. E, mais uma vez, não dá pra falar de transporte sem falar de cidade, de espaço. Nunca é demais lembrar o Milton Santos: “o espaço é formado por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá”.

P. E quais são os outros dois pontos da lista de sete?

R. Vamos lá. 6) Induzir uma cidade mais compacta. O que significa impedir a proliferação de periferias cada vez mais distantes. 7) Vincular adensamento com infraestrutura de transporte. Ou seja, é adensar áreas que ficam perto dos eixos de mobilidade, como metrô e corredores de ônibus. É curioso notar que isso também começou a ser feito pela atual gestão. O novo Plano Diretor da cidade prevê que haja adensamento habitacional nos principais eixos de transporte.

P. Ou seja, apesar da Prefeitura não ser responsável pelo metrô, quando falamos em mobilidade, falamos de outras questões. Certo?

R. Sim e é por isso que mobilidade não se resume a uma questão técnica, que fazer metrô não pode ser apenas uma discussão tecnológica, como tem sido muitas vezes. Não dá pra falar de transporte e não falar de planejamento urbano. São Paulo tem uma região metropolitana da ordem de 20 milhões de habitantes. As oportunidades, contudo, estão extremamente centralizadas. Isso é fruto de uma lógica em que as pessoas vivem longe e tem que se deslocar muitos quilômetros para trabalhar. O que é preciso é levar cidade para onde só tem gente morando. E qual é um modo de fazer isso? Construir metrô, transporte, mas isso não basta. Junto com o metrô, é necessário pensar equipamentos que façam as pessoas quererem se mudar para perto das estações. É levar escola, emprego, faculdade, lazer e garantir também que pessoas alijadas pela lógica do mercado imobiliário possam morar nas imediações de maneira adequada. Ou seja, o grande problema de quando falamos em transporte é que ele é pensado sozinho. Não dá para fazer assim, o planejamento tem que vir todo junto.

Participação de investimentos no metrô paulista GERALDO MOURA

Participação de investimentos no metrô paulista GERALDO MOURA

P. Se fosse de responsabilidade da prefeitura, você acredita que o sistema metroviário paulistano teria mais sucesso?

R. O Metrô não se limita a uma cidade, é um transporte metropolitano, por isso, mais do que a questão de se é uma responsabilidade do Estado ou da Prefeitura, a verdade é que no Brasil temos carência de entidades metropolitanas. Os comitês que gerenciam as bacias hidrográficas são, talvez, um exemplo mais próximo de como a questão deveria ser trabalhada. É um desafio, porque às vezes, em uma única mancha urbana, você tem oito, dez prefeituras de partidos diferentes. Só que a existência dessa entidade facilitaria muito, porque o Governo estadual não entende nada da relação urbana do poder local. E a questão fundamental quando falamos de transporte, mais do que qual tecnologia usar, é que tipo de cidade nós queremos.

P. Como assim?

R. De todas as estruturas da cidade, as de transporte são as que mais induzem o crescimento do território. Quando o Metrô vai fazer uma linha nova, ele trabalha com a pesquisa Origem e Destino. Ele pergunta para as pessoas de onde elas vêm e para onde vão. A partir daí, estabelece o traçado. Tudo certo? Não. Porque você reforça a lógica, presente no desenho de avenidas da cidade, que é muito anterior ao metrô, de morar longe e trabalhar no centro. A pesquisa Origem e Destino só reforça isso, logo, o traçado do metrô também. Chega uma hora que essa dinâmica de deslocamentos fica inviável. É só entrar na Sé, às 17h30 da tarde, e ver o que acontece. “Por que o Metrô fala uma coisa e faz outra? Ele sempre defendeu que o sistema metroviário é um indutor de crescimento, de planejamento urbano, mas isso nunca aconteceu de fato”

P. Qual é a alternativa?

R. É quebrar essa lógica que chamamos de “radiocêntrica”. E isso não pode partir apenas de uma questão técnica, mas de se perguntar que cidade nós queremos. Toda nova linha de metrô deveria vir com medidas de planejamento territorial. São Paulo é um dos lugares do mundo em que as pessoas mais se deslocam da periferia para o centro, do centro para a periferia, para trabalhar. Por isso não dá para tratar a questão do transporte público como uma questão estritamente técnica.

P. O Metrô não tem levado desenvolvimento urbano para a cidade?

R. A questão aqui, que é a mesma que eu coloquei na minha tese, é: por que o Metrô fala uma coisa e faz outra? Ele sempre defendeu que o sistema metroviário é um indutor de crescimento, de planejamento urbano, mas isso nunca aconteceu de fato.

P. Nem na construção da Linha 3 – Vermelha, que vai até Itaquera, na zona leste da cidade?

Luiza no Copan por Autumn Sonnichsen

Luiza no Copan por Autumn Sonnichsen

R. Ali isso esteve próximo de acontecer, mas vamos fazer alguns recortes históricos para responder isso. Na época da construção da Linha 1 – Azul, o primeiro trajeto da cidade, já se sabia que o traçado mais carente e importante era o Leste-Oeste, mas o Norte-Sul foi privilegiado na construção da linha, sob a justificativa que a região leste era atendida pela RFFSA – atual CPTM. Mas, um dos motivos centrais parece ser claro: havia espaço para o mercado imobiliário expandir na ponta sul da cidade. E qual é o sentido de construir a Linha 2 – Verde na Avenida Paulista? Ela operou durante anos só naquele trecho, sem ligação com outras linhas. A Linha 3 – Vermelha, por sua vez, que é a segunda a ser construída na cidade, além de fazer a ligação necessária (Leste-Oeste), também tinha um plano de desenvolvimento, com planejamento habitacionais, áreas de interesse, etc.

P. E o que deu errado?

São Paulo sob a lente de Autumn Sonnichsen

São Paulo sob a lente de Autumn Sonnichsen

R. Foi um problema institucional. Até a construção da Linha 3 – Vermelha, na década de 1970, a responsabilidade era, em maior parte, da Prefeitura. Naquela época, contudo, ele passa para o âmbito estadual, que tem maior poder de investimento. No caminho, perdeu-se a preocupação de planejamento urbanístico quando o assunto é metrô. Por isso, eu falava sobre uma entidade metropolitana que conseguisse juntar visões diferentes. “É simbólico que o trajeto mais novo da cidade, a Linha 4 – Amarela, tenha começado a operar justamente na Faria Lima e que seu trecho que iria um pouco mais longe não foi entregue até hoje”

P. E em que pé estamos hoje?

Mais Autumn Sonnichsen, mais São Paulo

Mais Autumn Sonnichsen, mais São Paulo

R. Continuando a digressão histórica, é simbólico que o trajeto mais novo da cidade, a Linha 4 – Amarela, tenha começado a operar justamente na Faria Lima e que seu trecho que iria um pouco mais longe não foi entregue até hoje. Por volta dos anos 1990, houve um momento em que o Metrô, já fora do âmbito da Prefeitura, perdeu completamente a preocupação com a cidade. E isso vem muito na esteira de uma lógica neoliberal de iniciativa privada. A linha com a iniciativa privada, como é o caso da amarela, tem dois problemas: o que é vantajoso para o mercado em termos de deslocamento? Que as pessoas peguem muito trem e o use para pequenos deslocamentos. Isso significa mais lucro. Só que o metrô é sistêmico. Se a pessoa tem que fazer 28 trocas de trens para ir do ponto B ao X, ela pagará só uma passagem e na lógica do mercado isso é péssimo. Quer dizer, tanto faz quem opera a linha: se é iniciativa privada ou pública. Mas algumas questões tem que ser respeitadas e a prática vem mostrando que elas não são.

P. Comparativamente com outros países do mundo, inclusive da América Latina, São Paulo perde feio em quilometragem de metrô. Mas em relação a outras cidades brasileiras, ganha. Por que a falta de trilhos nas grandes cidades é uma problema nacional?

R. É uma pergunta com várias respostas. Uma delas é a opção rodoviarista que foi feita, pela primeira vez, lá em 1930. É só lembrar que o lema do Washington Luís era “governar é abrir estradas”. Em 1956, o Juscelino Kubitscheck aprofundou isso ao trazer a indústria automotiva. Depois, os militares foram ainda mais fundo e acentuaram essa tendência. Duas outras coisas explicam. A primeira é que o investimento ferroviário inicial é maior do que o rodoviário e, apesar de ao longo prazo os custos de manutenção caírem, o investimento não funciona para o timing eleitoral. A segunda questão, fundamental, é que a capilaridade do sistema rodoviário te permite um mercado imobiliário muito maior e sem controle. É bem aí que se perde o debate. Vamos pensar: se você abrir uma ferrovia, o crescimento ficará condicionado aos arredores das estações. Se você fizer uma rodovia, a mancha urbana pode se estender em qualquer ponto. O que é melhor para o mercado imobiliário?

Categoria: Pilares de Criação Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas, Urbanismo Fonte: El País Imagem em destaque: Projeto para CPTM União de Vila Nova do escritório Edson Bassi em parceria com o arquiteto Tetsuro Hori

Categoria: Pilares de Criação
Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam
Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas, Urbanismo
Fonte: El País
Imagem em destaque: Projeto para CPTM União de Vila Nova do escritório Edson Bassi em parceria com o arquiteto Tetsuro Hori

Morre Zaha Hadid

Nascimento: 31 de outubro de 1950, Bagdá, Iraque
Falecimento: 31 de março de 2016

Getty

Zaha Hadid em frente a um de seus projetos com as curvas características de seu estilo

Zaha Hadid, a arquiteta mulher mais famosa do mundo, morreu nesta quinta-feira de um ataque cardíaco, deixando um legado de grandes projetos arquitetônicos globais, marcados por traços orgânicos e grandes curvas – e por uma dose de polêmica.

A britânico-iraquiana tinha 65 anos e estava sendo tratada de bronquite em um hospital em Miami (EUA).

Hadid criou o Parque Aquático da Olimpíada de Londres 2012 e seus projetos estão espalhados por países como Alemanha, Hong Kong e Azerbaijão.

No Brasil, a arquiteta criou em 2008 uma sandália plástica para a grife Melissa.

Em 2004, ela se tornou a primeira mulher a vencer o Prêmio Pritzker, considerado o “Nobel da arquitetura”.

Foi também a primeira mulher a receber, em fevereiro, a Medalha de Ouro do Instituto Real de Arquitetos Britânicos, em reconhecimento por sua obra.

“Hoje em dia vemos o tempo todo mais arquitetas estabelecidas. Mas isto não significa que seja fácil. Às vezes os desafios são imensos. Houve uma mudança tremenda nos últimos anos e vamos continuar com este progresso”, afirmou na ocasião.

Suas obras também despertavam polêmicas por muitas vezes terem custos elevados.

No ano passado, ela enfrentou críticas por conta de seu projeto futurístico para o estádio da Olimpíada de 2020 em Tóquio, orçado em US$ 2 bilhões. O projeto acabou sendo descartado pela organização do evento, que optou por um desenho mais simples.

Hadid se considerava uma “forasteira” por ser mulher, de origem estrangeira e de espírito inovador.

“Não sou contra o establishment por si só”, ela disse à BBC certa vez. “Só faço o que faço, e é isso.”

Onda

Entre os projetos criados por Zaha Hadid estão a Serpentine Sackler Gallery, em Londres, o Museu Riverside, em Glasgow, e a Ópera de Guangzhou, na China.

A arquiteta conquistou duas vezes o prêmio Riba Stirling Prize, o prêmio britânico de arquitetura de maior prestígio. Em 2010 ela conquistou o prêmio pelo projeto do Museu Maxxi em Roma, ganhando novamente em 2011 pelo projeto da Evelyn Grace Academy em Brixton, Londres.

Nascida em Bagdá, ela estudou matemática na Universidade de Beirute antes de começar a carreira na Associação Arquitetônica de Londres.

Em 1979 Hadid abriu seu próprio escritório, o Zaha Hadid Architects.

O primeiro grande projeto foi a Estação de Bombeiros Vitra em Weila am Rhein, na Alemanha.

O Parque Aquático da Olimpíada de Londres, construído no leste da capital britânica, lembra uma onda e tem duas piscinas de 50 metros e uma piscina de mergulho. Depois de ter sido usado para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, o centro criado por Hadid foi aberto para o público em 2014.

“Adoro o Parque Aquático de Londres pois é perto de onde eu moro”, disse Hadid na época.

Veja abaixo alguns dos projetos da arquiteta.

Zaha Hadid Architects

Zaha Hadid foi reconhecida pela primeira vez ao ter seu projeto escolhido para o The Peak Leisure Club de Hong Kong, em 1983. Apesar de o projeto ter sido selecionado, o clube nunca foi construído. Era baseado em uma montanha de granito que devia se erguer acima do trânsito congestionado da cidade

RIBA

Seu primeiro projeto transformado em realidade foi a estação de bombeiros de Vitra na cidade de Weil am Rhein, na Alemanha. Foi construído em concreto reforçado dentro de um complexo de fábricas em 1993. Hadid o descreveu como um projeto abstrato que segue as linhas das lavouras e vinhedos próximos

O Maxxi, Museu de Artes do Século 21 em Roma, construído em 2009

RIBA

A arquiteta afirmou que o projeto do museu foi inspirado no movimento dos rios, pois o museu está localizado ao lado do rio Tibre

RIBA

As formas interconectadas dos muros de concreto também servem para dar estabilidade ao edifício, que está construído em um terreno suscetível a terremotos

RIBA

‘Adoro o Centro Aquático de Londers, pois está perto de onde eu moro’, disse Hadid. O centro foi criado para a Olimpíada de Londres em 2012 e o teto imita uma onda

Emma Lynch/BBC

Durante os jogos, o centro acomodava 17,5 mil cadeiras, mas a maioria foi retirada para economizar na calefação durante seu uso fora de ocasiões especiais

RIBA

O interior do Centro Heydar Aliyev, em Baku, no Azerbaijão, construído em 2012. São três edifícios conectados: uma biblioteca, um museu e uma sala de concertos

Hellene Binet

O projeto diferente foi baseado nos contornos de uma cordilheira, segundo Hadid

RIBA

Hadidi, que ganhou o prêmio Pritzker de Arquitetura em 2004 continuou inovando e foi muito elogiada pelo projeto da Ópera de Guangzhou, na China, de 2010

IWAN BAAN

O projeto da sala de ópera foi inspirado no rio Perla. O edifício está localizado em frente a este rio

RIBA/LUKE HAYES

O projeto da Sackler Gallery de Londres, um dos mais originais da arquiteta

Categoria: Pilares de Criação Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas Imagem em destaque: Um dos meus projetos favoritos de Zaha Hadid, The New Dance and Music Centre in The Hague

Categoria: Pilares de Criação
Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam
Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas
Imagem em destaque: Um dos meus projetos favoritos de Zaha Hadid, The New Dance and Music Centre in The Hague

Vídeo

O abismo da alma

“No fim das contas”, diz ele, “a fotografia tem de transmitir empatia pela humanidade. E eu sempre tentei ficar do lado da humanidade”.

Leia a matéria na integra aqui sobre o trabalho do fotografo Don McCullin

Categoria: Pilares da criação Subcategoria: Telefones pretos Sobre: Teoria e estudo da cor

Categoria: Pilares da criação
Subcategoria: Telefones pretos
Sobre: Teoria e estudo da cor

Galeria

A Cor e todas elas, o Branco

Esta galeria contém 50 imagens.

Há mais de 3 décadas acontece na província da China, Harbin o festival de gelo Harbin International Ice and Snow Sculpture Festival. Pedaços gigantescos de gelo são esculpidos e transportados pelo rio Songhua. Aproveitando as baixas temperaturas do mês de Janeiro … Continuar lendo

Um arquiteto nervoso

Porcelana Sèvres um dos elementos importantes no estilo Neoclássico. No livro Passa lá em casa, este é um dos elementos da decoração do apartamento de Augusto
Porcelana Sèvres um dos elementos importantes no estilo Neoclássico. No livro Passa lá em casa, este é um dos elementos da decoração do apartamento de Augusto

Estaria muito alem dos limites dos poderes de qualquer individuo tentar reunir ilustrações das inúmeras e tão diversas fases da arte ornamental. Seria um trabalho minimamente possível se empreendido por um governo e, mesmo assim, seria volumoso demais para ser útil de modo geral. Assim, tudo que me propus a fazer, ao formar a coleção que arrisquei chamar de Gramática do ornamento, foi selecionar os tipos mais proeminentes em alguns estilos intimamente ligados

Castelo di Sammezzano
Castelo di Sammezzano

uns com os outros e em que algumas regras gerais pareceram reinar independentemente das peculiaridades de cada um.

Eu me aventurei a desejar, a fazer uma justaposição imediata das muitas formas de beleza de cada estilo de ornamento, poder ajudar deter a infeliz tendência do nosso tempo de nos contentar com a copia, enquanto dure a moda, de forma peculiares a qualquer década passada sem tentar averiguar – e geralmente ignorando completamente – as circunstancias peculiares que tornaram um ornamento belo porque era apropriado e que revela outras deficiências ao ser transplantado, fracassando completamente.

E mais que provável que o primeiro resultado de lançar para o mundo esta coleção seja o considerável aumento dessa tendência, e que muitos se contente em tomar emprestado do passado essas formas de beleza que ainda não tenham sido utilizadas ad nauseam. É meu desejo deter essa tendência e fazer despertar uma ambição mais nobre.

Se o estudante empenhar-se em pesquisar as idéias empregadas em tantas línguas diferentes, ele seguramente pode esperar encontrar uma formula de fluxo continuo em lugar de uma reserva parada e cheia até a metade.

Nos capítulos a seguir tentei estabelecer os seguintes fatos principais:

Primeiro: Sempre que um estilo de ornamento desperta admiração universal, ele esta invariavelmente de acordo com as leis que governam a distribuição da forma na natureza.

Aubusson
Aubusson

Segundo: Não importa quão variada sejam as manifestações em cumprimento dessas leis, as principais idéias que se baseiam são muito poucas.

Terceiro: que as modificações e desenvolvimentos ocorridos de um estilo para outro foram causados pelo descarte súbito de algum impedimento fixo que libera o pensamento por um tempo, até que a nova ideia, assim como a antiga, se torne novamente fixa, dando a luz, por sua vez, a novas invenções.

Porcelana de Sèvres
Porcelana de Sèvres

Ultimo: tentei mostrar, no vigésimo capitulo, que o progresso futuro da arte ornamental pode ser mais bem segurado enxertando na experiência do passado o conhecimento que possamos obter de um retorno a natureza para renovar a inspiração. Tentei elaborar teorias da arte, ou formar um estilo independente do passado, seria um ato de extrema

tolice. Seria, ao mesmo tempo reeitar as experiências e o conhecimento acumulado de milhares de anos. Ao contrario devemos considerar todos os trabalhos bem-sucedidos dos passado nossa herança, sem segui-los cegamente, mas apenas empregando-os como orientações para encontrar o verdadeiro caminho.

Ao encerrar o tema e finalmente submetê-lo ao julgamento do publico, estou totalmente ciente de que a coleção está longe da completude; existem diversas lacunas que cada artista pode, no entanto, prontamente preencher por conta própria. Meu principal objetivo, apresentar exemplo desses estilos lado a lado da melhor maneira para torná-los marcos ou apolos para o estudante em seu próprio caminho, foi, acredito cumprido.

Assim, resta-me oferecer meu reconhecimento a todos os amigos que gentilmente me auxiliaram nessa tarefa.

Na formação da coleção egípcia, recebi a ajuda bastante valiosa de J. Bonomi e de James Wild, que também contribuiu com os materiais para a coleção árabe; sua longa residência no Cairo lhe deu a oportunidade de formar uma coleção bastante grande de ornamentos cairotas, cuja a porção contida nesse trabalho não fornece nada além de uma ideia imperfeita, e espero que um dia ele se sinta estimulado a publicá-la de forma completa.

Azulejo da Quinta dos azulejos - Portugal
Azulejo da Quinta dos azulejos – Portugal

Devo a T. T. Bury a placa de vidro colorida. De C. J. Richardson obtive a parte principal dos materiais da coleção elisabetana; de J. B. Waring, os matérias da coleção bizantina, bem como o ensaio tão valioso sobre os ornamentos bizantinos e elisabetanos. Ao dispensar atenção especial aos ornamentos dos celtas, J. O. Westwood ajudou a formar a coleção desse povo e escreveu a tão impressionante historia e a exposição do estilo.

Trabalho de Owen Jones feito em Alhambra
Trabalho de Owen Jones feito em Alhambra

C. Dresser da Marlborough House, forneceu a interessante ilustração do numero 8 do vigésimo capitulo exibindo a organização geométrica das flores naturais.

Meu colega no Crystal Palace, M. Digby Wyatt, enriqueceu essa obra com artigos admiráveis sobre os ornamentos italianos e do período da Renascença.

Sempre que o material reunido de fontes publicadas, elas foram creditadas no corpo do trabalho.

O restante dos desenhos foi executado principalmente por meus discípulos Albert Warren e Charles Aubert, que com Stubbs, reduziram o tamanho dos desenhos originais e os prepararam para publicação.

O desenho sobre pedra de toda coleção foi confiado aos cuidados de Francis Bedford, que, com seus hábeis assistentes H. Fielding, W. R. Tymms, A. Warren e S. Sedgfield, com ajudas ocasionais, realizou as cem ilustrações em menos de um ano.

Devo agradecimentos especiais a Bedford pelo cuidado e pela preocupação por ele revelados, independente de toda consideração pessoal em realizar seu trabalho tão perfeitamente quanto o estagio avançado de que a cromolitografia exigiu; e sinto-me convencido de que seus valiosos serviços serão reconhecidos por todos aqueles que de alguma maneira, estão familiarizados com as dificuldades e incertezas do processo.

William Morris
William Morris

Os senhores Day e filho, editores executivos e, ao mesmo tempo, tipógrafos dessa obra, envidaram todos esforços para sua concretização, e, não obstante o cuidado necessário à sua execução dessa tarefa e a enorme quantidade de impressões a serem realizadas, os recursos de seus estabelecimentos permitiram a eles não apenas que o trabalho fosse oferecido com perfeita regularidade aos leitores, mas inclusive que fosse completado antes do prazo estabelecido.

Owen Jones

9 Argill Place, 15 de dezembro de 1856

Quando Owen Jones resolveu escrever A Gramática do ornamento, o fez por estar indignado com a mistura de estampas e símbolos usados pela burguesia sem qualquer critério ou conhecimento. Esse texto foi extraído do livro.

Reedição do clássico sobre design que no passado inspirou e formou grandes designers e arquitetos, de William Morris a Frank Lloyd Wright, acrescida de comentários atuais de Iain Zaczek. Considerado um dos livros mais influentes do século XIX, reúne cerca de 2.300 estampas coloridas originais, representando uma ampla gama de estilos ornamentais, da Grécia e Egito antigos à China imperial e à Inglaterra elisabetana. The Grammar of Ornament (A Gramática do Ornamento, 1856)
Categoria: Pilares da Criação  Subcategoria: O menos é mais, CHATO!  Sobre: Artes ornamentais e decorativas  Imagem em destaque: Porcelana japonesa do século XVIII
Categoria: Pilares da Criação
Subcategoria: O menos é mais, CHATO!
Sobre: Artes ornamentais e decorativas
Imagem em destaque: Porcelana japonesa do século XVIII

Mansardas

O jovem Baco de (1884) de William-Adolphe Bouguereau

O jovem Baco de (1884) de William-Adolphe Bouguereau

Quando comecei escrever o livro Passa lá em casa sabia que tinha que fazer uma pesquisa sobre o neoclássico, um dos assuntos mais controversos da arquitetura contemporânea. Feito uma análise rápida percebi que não existe arquitetura realmente neoclássica, obviamente com raras exceções. O que vemos são edificações com alguns elementos clássicos mal conduzidos em espigões gigantes.

Carruagem desenhada por Percier e Fontaine para o Imperador Napoleão

Carruagem desenhada por Percier e Fontaine para o Imperador Napoleão

Agora o mais engraçado é quando tal elemento se resume a um telhado. Pois é, o cara te vende um edifício onde o “neoclássico” se resume a um telhado. Nesse pequeno estudo sobre a arquitetura e arte me deparei com algumas belezas, caricaturas, verdadeiros cenários no século XX, e erros muito mais que acertos.

desenho de Francisco Carballa

desenho de Francisco Carballa

Porem, vamos pensar na arquitetura neoclássica como ela é. Para isso devemos conduzir nosso olhar para um tempo especifico do mundo ocidental. Situamos o neoclássico entre o final do século XVIII e inicio do século XIX. Somos levados automaticamente para duas revoluções essenciais na historia: Revolução Francesa e Revolução Industrial. Eis o cenário que encontramos o neoclássico. Mas o que o neoclássico tem haver com essas revoluções? Na verdade não muito. A questão da arte esta ligada a um contexto, uma época. No caso a “redescoberta” de Pompeia e Herculano, e a campanha de Napoleão Bonaparte ao Egito. Aqui temos dois detalhes fundamentais para um retorno ao clássico e a incorporação de elementos egípcios, que foi chamado Estilo Império, umas das vertentes artísticas da época. Lendo sobre a iniciação artística de William-Adolphe Bouguereau (1825-1905) percebe a importância dessas descobertas para a arte. Durante seu aprendizado ele viajou para Itália onde teve contato direto com o renascimento. Em seus estudos fazia parte de seu currículo não apenas historia da arte, mas também arqueologia. Temos na obra de Thomas Hope clara influencia egípcia agregada ao clássico, aqui temos o Estilo Império que remete a Napoleão. Percier e Fontaine, dois dos mais importantes design da época, trabalhando para o imperador.

Teatro Municipal de São Paulo de arquitetura eclética. Foto: Daigo Oliva

Teatro Municipal de São Paulo de arquitetura eclética. Foto: Daigo Oliva

Quando comecei a estudar arquitetura foi feita mim uma pergunta sobre a questão do neoclássico. Não que a pergunta fosse assim especifica. Um vendedor de mapas no centro velho de São Paulo me questionou por que a arquitetura antes era bonita e agora é feia. Mostrou um edifício situado na Rua do Arouche. Não tem melhor lugar para levantar questões arquitetônicas. Estávamos a frente de um prédio de uns cinco andares em estilo eclético. Aquilo para ele é bonito. O que tinha a dizer a frente de algo realmente belo? Com frisos, detalhes, janelas verticais…

Avenida Paulista com o MASP de Lina Bo Bardi em primeiro plano

Avenida Paulista com o MASP de Lina Bo Bardi em primeiro plano

Disse que assim como ele identificou aquela obra como sendo algo do passado, cada obra deve responder a sua historia. E da historia atual tinha aqueles prédios modernistas que esse homem, que enquanto falava comigo sua dentadura dançava na boca, disse serem feias. Há prédios modernistas no centro velho de São Paulo, e estes anunciava não apenas uma saturação de estilo, mas de falta de espaço humano. Seria o Copan um prelúdio dessa mudança? O centro virou um novo centro na Avenida Paulista. Casarões vieram abaixo para dar espaço aos grandes arquitetos da escola modernista. É não estávamos longe de um Bratke, Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha, Vilanova Artigas…

Os chineses estão chegando na Brigadeiro Faria Lima. Pei Partnership Architects

Os chineses estão chegando na Brigadeiro Faria Lima. Pei Partnership Architects

Saturado uma Paulista ele migrou para região da Avenida Brigadeiro Farias. Lá foram e ainda são erguidas verdadeiras estufas de vidro a gosto contemporâneo. Haja ar-condicionado fodido para o sujeito não virar frango assado. Sobre essa arquitetura o jornalista Andre Barcinski se referiu como feia.

Talvez leigos saibam mais de arquitetura que muitos arquitetos, que parecem que fizeram o curso por correspondência.

Voltando ao neoclássico, alguns arquitetos argumentam que é “caboclo querendo ser europeu”, esquecendo que a arquitetura moderna não é uma corrente nascida no Brasil. Apesar de termos alguns dos mais importantes arquitetos modernistas do mundo, nascidos no Brasil.

O neoclássico hoje é tratado como foi o gótico na Idade Media, onde de forma pejorativa era chamada Idade das trevas. Eu me pergunto, o que se sabe do neoclássico e como ele é empregado hoje? Na verdade, não há como trazer o neoclássico para os nossos dias. A menos que haja outra Pompeia para escavar ou um Egito sendo tomado por um Imperador europeu. Agora espigão com telhadinho europeu em terras brasileiras não dá.

Avenida São João, São Paulo. Foto: Werner Haberkorn

Avenida São João, São Paulo. Foto: Werner Haberkorn

Categoria: Pilares de Criação Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas Imagem em destaque: Caricatura primorosa de Oscar Niemeyer por Fernandes

Categoria: Pilares de Criação
Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam
Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas
Imagem em destaque: Caricatura primorosa de Oscar Niemeyer por Fernandes

Triste engano

Não lembro o que estava lendo na internet, mas lembro da piada. Num anúncio que vi na página me surpreendi com o título do livro. As pessoas que me conhecem sabem que sou apaixonada por cor. Na faculdade tentei uma iniciação cientifica sobre o tema, mas…

Tudo relacionado ao assunto me fascina. Tenho livros, matérias, um banco de imagens, trabalhei com Neza César que admiro… No futuro publico uma matéria sobre ela. Enfim, achei curioso o nome e me perguntei “que tipo de pessoa escreve sobre 50 tons de cinza?” Cai num engano. Mas até aí não sabia que era um engano. Já ouvi falar que os esquimós consegue enxergar mais de 75 tonalidades de branco, então pensei não ser impossível.

50 tons de cinza inovou? Achille Jacques-Jean-Marie Devéria 1800-1857

50 tons de cinza inovou? Achille Jacques-Jean-Marie Devéria 1800-1857

Fui guiada por esse raciocínio que durou pouco tempo, ainda bem, senão poderia ter comprado o livro. Logo fui trazida a realidade. Lendo outra matéria, desse vez lembro bem e era sobre literatura, que falava desse “fenômeno”.  Muitas editoras mandaram voltar livros que estavam quase saindo da gráfica para uma revisão de capa. Elas teriam que seguir a linha “elegante chic” do livro em questão. Textos foram revisados e as editoras saíram a caça de romances ao estilo do “porno para mamães”. Numa entrevista  a convite do G1, Wanderléa de 60 anos descreveu o apelido dado ao livro da seguinte maneira:

“As mães brasileiras da minha geração já não são assim, tão sem cor. Sua sensualidade já é mais exuberante e colorida”.

Ilustração de Achille Deveria, por um sexo mais colorido

Ilustração de Achille Deveria. Por um sexo mais colorido

Colorida. Uma das minhas maiores crises de criação é justamente relacionado a cor. O por que do não uso da cor. Em meados do seculo XX a arquitetura foi se apartando lentamente das nuances, formando um abismo entre essas duas expressões uma artística e a outra física. Os que pouco uso faziam desse elemento natural da luz, tinham uma visão mais voltada para arte. Vide trabalhos de Oscar Niemeyer em parceria com Athos Bulcão e Cândido Portinari (Osirarte) ou mesmo o trabalho do mineiro Éolo Maia. De alguns outros modernistas, ou pôs-modernos como preferir, as cores primarias as vezes apareciam. A arquitetura tomou um distanciamento grande da coloração com o passar dos anos trabalhando a luz apenas na volumetria. A cor tornou-se objeto de mal gosto e cafona. Porém um detalhe foi perdido e não mais recuperado, a composição da cor. Mal gosto, cafona ou incapacidade em executar essa linha de composição?

Hoje nas pálidas faculdades de arquitetura, é um elemento perdido, não recuperado. Pelo simples fato que os professores não são capazes de uma base mínima para uma introdução a luz física, fenômeno do qual descende a cor. Por pura falta de conhecimento grande maioria.

Vemos refletido nisso uma cidade cinza, bege e descorada numa clara afirmativa desse problema. Sim, considero um problema. Você saber usar a cor para composição de um volume ou cenário e optar por não usa-lá é válido. Mas não saber usar e um dia optar por usar é um problema não solucionado por 5 anos de arquitetura.

Na verdade antes de entrar na faculdade, é um elemento perdido quando o ser humano deixa a infância. Seguindo por apatia, falta de conhecimento e por fim receio na fase adulta. Seria isso cromofobia? Não, o nome da doença ou distúrbio é Chromatophobia. Transcrevo a resposta que uma leitora chamada Layla dá à uma internauta do Yahoo:

Medo! Três interpretações de O grito de Edvard Munch (1863-1944). A foto do meio é de autoria do artista italiano Marco Pece onde ele faz releituras de obras de arte conhecidas e filmes com Lego

Medo! Três interpretações de O grito de Edvard Munch (1863-1944). A foto do meio é de autoria do artista italiano Marco Pece onde ele faz releituras de obras de arte conhecidas e filmes com Lego

“Chromatophobia é o nome dado à fobia das cores e é causada por algum trauma do passado. A fobia a cada cor tem o seu próprio nome, por exemplo, medo do laranja Chrysophobia, medo do azul Cyanophobia,…. Existe também outros medos que podem trazer fobia às cores, medo de palhaços pode criar fobia a muitas cores, Coulrophobia, ou o medo de agulhas que pode trazer a fobia do vermelho, por causa do sangue, Trypanophobia, entre outras”.

De tantas cores e receios ficamos apenas com as cores bege, as ditas cores sóbrias,  tonalidades de cinza, amarelinho ou se quiser ousar um pouquinho, um vermelho. Falando sobre o vermelho, hoje ele é considerado cor neutra justamente pela falsa ousadia que ele dá aos muitos usuários que apostam nele.

Pergunto, além dessas cores, quantas cores o ser humano consegue enxergar? Deixo a resposta mais uma vez com um leitor do Yahoo chamado Apolo  onde seu interlocutor faz a mesma pergunta:

Categoria: Pilares da criação Subcategoria: Telefones pretos Sobre: Teoria e estudo da cor

Categoria: Pilares da criação
Subcategoria: Telefones pretos
Sobre: Teoria e estudo da cor

No escuro, nenhuma!

No claro, um monte.

Telefones coloridos

Estive pensando em pôr outras cores aqui – quer dizer, nos telefones. Só tenho telefones pretos. Vai me dar assunto para as noites, resolver as novas cores. Uso tão pouco o telefone que na verdade não tem importância. Mas cada ponto de cor é importante. Talvez eu usasse mais os telefones se fossem coloridos[1].

Greta Garbo numa foto antológica de Clarence Sinclair de 1931. Quando a atriz viu a montagem deu uma gargalhada.

Greta Garbo em uma foto antológica de Clarence Sinclair de 1931. Quando a atriz viu a montagem deu uma gargalhada.

Greta Garbo virou um mito ainda em vida e com apenas 36 anos de idade quando se aposentou e tornou-se reclusa. A frase sobre usar o telefone mostra um pouco disso. Viveu meio século assim. O básico que se sabe sobre Garbo está por aí em dicionários online, nasceu em 15 de Setembro de 1905 em Estocolmo, e morreu em 1990 em NY.

Fifi D'Orsay, uma das amantes de Greta Garbo, entre Cary Grant e sua primeira esposa, Virginia Cherril

Fifi D’Orsay, uma das amantes de Greta Garbo, entre Cary Grant e sua primeira esposa, Virginia Cherril

Quando Barry Paris se preparou para escrever sobre Greta Garbo ouviu dos amigos: Ao fim da pesquisa você vai odia-la. Aconteceu o oposto. Tanto que o livro chama apenas Garbo, e duas imagens da atriz, capa e contracapa.

Sobre o livro e o mito Garbo, Chico Lopes diz:

“Garbo foi vítima precisamente disso, em toda a sua vida. Foi vítima dessa idolatria que sufoca, que interroga desesperadamente, que quer entrar em todos os poros do idolatrado, não deixar um respiradouro para o ser humano, para a pessoa assustada e frágil que pode existir por debaixo do mito. Essa curiosidade sempre a apavorou”.

“É muito boa a parte do livro que cuida de sua infância, quando Paris a mostra como uma menina que parecia ter consciência de que era predestinada a ser uma rainha solitária e mostrava já um enorme medo da fama. Isso não parece charme nem teoria romanesca com fumaça de misticismo adequada à mitificação – Garbo parecia mesmo patologicamente sensível aos terrores da superexposição, e, mesmo com uma vaidade humanamente compreensível, nunca se reconciliou com os preços concretos e inevitáveis decorrentes da fama. Sofreu com essa situação mais que qualquer outra estrela que se conheça, pois foi a mais famosa de todas. Esse é seu maior enigma, e parece uma brincadeira particularmente cruel do Destino que uma mulher tão fóbica a essas coisas tenha se tornado a criatura mais famosa (e exposta) do planeta”.

Greta Garbo

Greta Garbo

O texto na integra pode ser lido aqui.

Ruy Castro em sua biografia sobre Carmen Miranda lembra que uma vez pediu autografo a cantora brasileira e recusou dar autografo a irmã de Carmen, Aurora. Detalhe, Garbo se recusava terminantemente a dar autografo. Em sua vida apenas uma vez cedeu ao que ela chamava de posição subserviente  Foi na Suécia, quando uma menina de 13 anos implorou e chegou até a desmaiar.

Voltando ao telefone, essa frase está na pagina 189 de Passa lá em casa, Greta Garbo costumava ficar horas no telefone com Sam Green, um de seus últimos amigos. A amizade azedou quando ela soube que ele grava todas as conversas para ouvi-las depois. Na verdade Garbo já estava no fim da vida e preferiu se isolar por completo em seus últimos anos.

Se os telefones fossem coloridos talvez soubéssemos um pouco mais desse que foi um dos maiores mitos do cinema.


[1] Greta Garbo

Categoria: Pilares da criação Subcategoria: Telefones pretos Sobre: Teoria e estudo da cor

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Subcategoria: Telefones pretos
Sobre: Teoria e estudo da cor