Arquitetura, Da Segregação a Composição: COR!

Obra sensacional de Ana Elisa Egreja

Estudo sobre teoria da cor que fiz no Mackenzie entre 2008-09. Como não terminei pretendo continuar agora na Escola da Cidade.


Introdução

O presente trabalho é parte de uma pesquisa mais ampla do grupo Qualiarq. (Qualidade Ambiental e Arquitetura) que tem por objetivo pesquisar qualidade do ambiente urbano construído em seus aspectos socioculturais e psicológicos.

Croqui do arquiteto argentino Clorindo Tesla para a Camara dos deputados de La Pampa

Composição cromática, um tema que por si só inspira poesia. Se é poesia, busca-se uma harmonia. E dessa harmonia nasce um trabalho complexo por questões culturais, psicológicas e físicas dentre outras. Mas a cor na arquitetura parece ser uma poesia a parte que muitas vezes é preferível deixá-lo de lado. Daí nasce um problema. O tema cor é na maioria das vezes um estudo delicado sobre o assunto ou quando, subdividido em inúmeros estudos.

Analisar a cor de forma teórica que a leva a tantos caminhos alguns ainda sem respostas. Há também uma lacuna nas escolas de design, arte e arquitetura. Muitos arquitetos se obstem do uso da cor por falta conhecimento ou um conhecimento superficial, então fica mais fácil para cores “neutras” reinarem para dar lugar à composição das formas, ditando que esse não é apenas o caminho mais seguro, mas às vezes o único

O que torna o uso da cor um assunto de difícil acesso a ponto de ser tabu, mau gosto? Será que simplesmente deixá-lo na natureza, pois, apenas lá a cor é “bela”. Será que estudá-lo como fez Leonardo Davinci, Newton, Goethe ou Paul Klee nos ajudaria a ter mais domínio em sua harmonização, que é um dos motivos do seu “desuso”? Como definir uma harmonização?  Para a colorista e arquiteta Elizabeth Wey a harmonização pode ser compreendida ao observar a natureza. Como estamos em uma cidade onde percebemos uma leve graduação de cinza, fica um pouco difícil olharmos para o concreto e encontrar um púrpura, a menos que tenha sido pintado, o que para alguns arquitetos seria um sacrilégio. “Um “design“ particularmente atraente entre todos os sistemas foi feito por Paul Klee para seus estudantes na Bauhaus. Ele o chamou de Cânone da Totalidade Cromática” (ARNHEIM, 1997, p.336).

Trabalho feito pela Osiarte

Enjoar, palavra tão ouvida pelos que preferem não se meter com cor. Mas, será que o “beginho”, cor dita neutra, as pessoas não enjoam por nem chegarem a gostar. Será que ser indiferente é o caminho certo para não enjoar?

A cor é uma segunda arquitetura, pensa determinados arquitetos, que requer um trabalho tão árduo quanto o objeto tridimensional. Um trabalho de composição que nasce antes, durante ou depois da obra. Para alguns arquitetos como Luís Barragan a cor representa a cultura de um povo, no caso o mexicano. Mas parece serem poucos os arquitetos que têm a cor como elemento tão primordial quanto a obra.

O objetivo principal é pesquisar as principais correntes teóricas de estudo da cor.  Algumas delas imprescindíveis para compreensão como de Issac Newton, Leonardo Davinci ou Goethe. Teóricos contemporâneos recorrem à Teoria das Cores e/ou Óptica – ou um Tratado sobre a Reflexão, a Refração e as Cores da Luz. A principal questão levantada por esse estudo é a harmonização, orientação e domínio sobre a composição cromática. Além da cor, a arte.      Se para alguns arquitetos a forma tornar-se poesia, o que dirá se usarmos as tantas nuances numa obra e até mesmo juntá-la a outras expressões artísticas?

Quando Lúcio Costa, que contava com Oscar Niemeyer e Jorge Moreira em sua equipe, pensou num painel  para o palácio Gustavo Capanema(RJ), convidou Cândido Portinari. Portinari pediu ao amigo Paulo Rossi Osir que executasse os desenhos. Este chamou seus amigos Alfredo Volpi e Mário Zanine, nascendo assim a Osiarte.

A Osiarte foi um ateliê criado especialmente para atender esse pedido. A azulejaria mesmo com a influência portuguesa é um estilo pouco difundido no Brasil, e nesse sentido o ateliê foi pioneiro. Alfredo Volpi era o “chefe” solucionando problemas plásticos e técnicos. O trabalho era coletivo não existindo nem mesmo paternidade sobre a obra. Segundo a mestranda Izabel Rocha o trabalho foi decisivo para obra de Volpi. Recentemente uma amostra desse trabalho foi exposta em São Paulo. 150 peças que não deram certo e estavam num sítio de um amigo de Osir. Desenhos de Burle Marx, influência de Picasso… Podemos encontrar esse trabalho na Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte, 1944, e o painel da Escola Municipal do Conjunto Habitacional do Pedregulho, no Rio, 1951.

Percebemos a importância que arquitetos como Oscar Niemeyer ou Lúcio Costa dava para as artes, fazendo uso da azulejaria arte tão difundida em Portugal.

Projeto de Legorreta, do livro Legorreta + Legorreta

Daí temos outra questão: será que artistas plásticos poderão servir de referência para arquitetura? Antoní Gaudi nos mostra que sim, Oscar Niemayer sempre se lembrou de artistas plásticos em sua “poesia”. Parece que retornamos a tal composição, à composição arquitetura e arte, que nos leva à cultura de um povo. Tentar abordar a mais variada compreensão sobre o tema. Chegar mais próximo possível de um “equilíbrio” na composição e utilização desse elemento como parte integrante da obra, do conjunto. O estudo que variadas formas de composição se faz necessário frente ao ininterrupto avanço das cores ditas neutras ou “híbridas”.

Pedrosa (1985) em seu livro Da cor à cor inexistente diz: “Mesmo em nossos dias, quando se festeja a negação da beleza como única forma artística válida e até mesmo é declarada sua morte, surgem novos caminhos para a arte contemporânea, e as leis essenciais que regeram as produções renascentistas voltaram tona. Voltam e voltarão sempre, em qualquer época em que se deseje pintar, porque são leis essenciais de pintura e não apenas elementos da técnica pictória”.

Objetivo Específico: após um estudo teórico para um estudo de campo. Por que determinado morador escolheu tal cor para o imóvel? Pesquisar as causas, gosto pessoal, em conjunto, era a tinta mais barata, sabendo que determinadas nuances variam muito de preço, era moda? Não queria chamar atenção, queria chamar atenção? Estudar, pesquisar no ambiente urbano em especial um bairro de periferia, onde os moradores constroem a casa da forma que pode financeiramente ou como bem entendem. Pode-se falar em intuição, preferência, modismo…

Vitrais da estação Pinacoteca, decorados com obra da artista Beatriz Milhazes, foto de Alex Almeida para Folha Imagem. 2008

Referencial Teórico: “os nomes dos três pioneiros da teoria da cor podem ser responsáveis pelos três principais componentes do processo a ser explicado. Newton descreveu as cores como devidas às propriedades dos raios que compõem as fontes luminosas; Goethe proclamou a contribuição dos meios físicos e superfícies encontradas pela luz quando ela viaja de sua fonte aos olhos do observador; e Shopenhauer anteviu numa teoria de imaginação, embora estranhamente profética, a função das respostas da retinianas dos olhos” (ARNHEIM, 1997, p.328).

Os já mencionados Newton e Goethe tinham um estudo primoroso sobre óptica. No caso de Goethe relata um fenômeno já conhecido por outros estudiosos, e mesmo por meio de experiências não conseguiu. Em 19 de junho de 1799 no final da tarde ao passear com um amigo ele o presenciou.

Segundo o historiador, José Meco, esta é uma das obras mais monumentais da azulejaria portuguesa. Encontra-se na Avenida Infante Santo, Portugal. O painel é de autoria da artista Maria Keil – 1959.

Associar a cor com a psicologia caminho natural e comprovado. Pfister (1951) em seu livro “O teste das pirâmides coloridas” analisa o ser humano a partir de 24 tons de cores em jogos lúdicos. A arquiteta e pesquisadora Lilian Ried Miller Barros (2006), pode confirmar em seu centro de estudos e pesquisas sobre cores, em São Paulo o Universo da Cor. “Hoje conforme demonstraram os estudos de Pfister e Lüsher, entre outros pesquisadores da área de psicologia, sabemos que a preferência por determinadas cores revelam muito sobre nosso estado de ânimo, que pode ou não se relacionar a um momento pelo qual passamos, indicando predisposições e comportamentos” (BARROS, 2006, p. 80). Outro livro indispensável para compreensão do estudo da cor é A Psicodinâmica das cores, de Modesto Farina que será uma das referências.

A preferência da cor por determinado individuo, pode revelar um comportamento, pode variar dependendo da luz e como e codificada pela retina. Como reter algo aparentemente abstrato?

“Para o nosso presente propósito devemos nos referir a dois princípios subjacentes da ótica, da fisiologia e da psicologia das várias teorias de cor, a saber, as cores primárias e as complementares. Muita confusão tem-se ‘perpetuado devido ao termo ”primárias”, que têm sido aplicado a dois conceitos totalmente diferentes. Deve-se fazer uma distinção nítida entre primárias geradoras e primárias fundadoras. As primárias geradoras referem-se aos processos pelos quais as cores acontecem; as primárias fundamentais são os elementos dos uma psicologia da visão criadora (ARNHEIM, 1997).

Djavan – Matizes, Luanda Records. 2007

A arte: ”… preferência tem pouco a ver com arte. ‘ Que destino miserável para um pintor que gosta de louras’, disse certa vez Picasso a Cristian Zervos, ‘ter de deixar de colocá-las num quadro (ARNHEIM, 1997, p. 361).

Assim como a humanidade necessita da língua para comunicação precisamos da arte como meio de expressão algo que a princípio parece óbvio. Mas quais os artistas que vem a nossa mente, ou melhor, quantos no momento que nos referimos a ela? Quantas vezes vislumbramos a união da arte com a arquitetura e como ela traduz a cultura e necessidade de um povo?  

“A primeira vista, os quadros de Beatriz Milhazes parecem existir numa dimensão puramente estética: explosões de cores e formas finas em si mesmas, cujo elemento narrativo está totalmente ausente. Quando pinta, porem, a artista carioca tem sempre em mente historias: historias simples, encenadas na tela, poeticamente, pelos acordes cromáticos, pelas formas que seguem, nascem umas das outras, aparentemente sem solução de continuidade” (MILHAZES e RENNÓ, 2003, p.72).

Fatores culturais nos levam naturalmente quando se fala de um povo brasileiro lembra-se de miscigenação. O português que aqui chegou encontrou alguém que aqui já existia e residia da África seqüestrou o negro para aqui morar. Será pesquisada literatura sobre o tema.

“Somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra”, tendo contra nós outro clima e outra paisagem. E, além disso, descendíamos de dois países bem pouco europeus, Portugal e Espanha, que eram destacados amantes do personalismo, chegando as raias da anarquia, avessos à instituições solidárias, o que levava à frouxidão da estrutura social e à falta da hierarquia organizada. Desafio para colossos que, entretanto, repousa nos ombros estreitos de todos nós. Ao comentar o destino que previa para os integralistas, uma força política nos anos trinta, foi lapidar e profético ao dizer que eles, como qualquer outro partido que representava interesses ou de ideologia, se estiolariam, pois “a tradição brasileira nunca deixou funcionar os verdadeiros partidos de oposição”.

Fotografia de Lucas Braga

O bairro de Guaianases, extremo zona leste, será pesquisado no referente a relação de cor e cultura. A região era habitada pelos Guaianás que também habitaram o Paraná. No início do século XX já não existiam mais na região.

Exemplos na arquitetura, nas artes plásticas e em outras expressões artísticas, serão usados para ilustrar ou exemplificar o tema abordado. Não prenderemos a cor a arquitetura, em conceitos particulares, exceto pelo mais amplo. Tão importante quanto o estudo teórico das cores, artes e cultura é o estudo visual. Vamos a ele.

Método

Numa primeira etapa, pesquisar conceitos a partir de leituras programadas de textos de livros, periódicos, trabalhos acadêmicos e sites (endereços eletrônicos).

Temas a serem abordados na pesquisa teórica:

  • Teoria da cor psicologia;
  • Óptica Fisiológica;
  • Óptica Física;
  • Óptica Física – química;
  • Pesquisa de campo: Elaborar um questionário para os moradores submeter ao Comitê de Ética em pesquisa da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
  • Escolher o bairro, selecionar critério para escolha de casas;
  • Na pesquisa de campo, alem do questionário, as casas serão fotografada e cada unidade responderá a um questionário (igual para todos os moradores das casas selecionadas);
  • Discussão sobre os dados coletados onde haverá uma analise comparativa com a pesquisa teórica.
  • A região também será estudada nos seus aspectos históricos e o artesanato que segundo Lina Bo Bardi é arte pura, pois vem da necessidade do individuo sendo acima de tudo funcional
Azulejaria dos artistas plásticos Cris Conde e de seu marido Beto Figueiredo

“Ninguém nega que as cores carregam intensa expressividade, mas ninguém sabe como tal expressividade ocorre. Admite-se, é amplamente aceito que a expressividade ocorre. Admite-se, é amplamente aceito que a expressividade se baseia na associação. Diz-se que o vermelho é excitante porque nos faz lembrar fogo, sangue e revolução. O verde suscita os pensamentos restauradores da natureza, e o azul é refrescante como a água. Mas a teoria da associação não é, neste caso, mais esclarecedora do que em outras áreas. O efeito da cor é demasiadamente direto e espontâneo para ser apenas o produto de uma interpretação ligada ao que se percebe pelo conhecimento”. (ARNHEIM, 1997 p. 358). A associação da cor com um elemento natural, ou quando lhe é conferido uma simbologia pode adquirir significados dos mais diversos

Vídeo

O abismo da alma

“No fim das contas”, diz ele, “a fotografia tem de transmitir empatia pela humanidade. E eu sempre tentei ficar do lado da humanidade”.

Leia a matéria na integra aqui sobre o trabalho do fotografo Don McCullin

Categoria: Pilares da criação Subcategoria: Telefones pretos Sobre: Teoria e estudo da cor

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Subcategoria: Telefones pretos
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Galeria

A Cor e todas elas, o Branco

Esta galeria contém 50 imagens.

Há mais de 3 décadas acontece na província da China, Harbin o festival de gelo Harbin International Ice and Snow Sculpture Festival. Pedaços gigantescos de gelo são esculpidos e transportados pelo rio Songhua. Aproveitando as baixas temperaturas do mês de Janeiro … Continuar lendo

Triste engano

Não lembro o que estava lendo na internet, mas lembro da piada. Num anúncio que vi na página me surpreendi com o título do livro. As pessoas que me conhecem sabem que sou apaixonada por cor. Na faculdade tentei uma iniciação cientifica sobre o tema, mas…

Tudo relacionado ao assunto me fascina. Tenho livros, matérias, um banco de imagens, trabalhei com Neza César que admiro… No futuro publico uma matéria sobre ela. Enfim, achei curioso o nome e me perguntei “que tipo de pessoa escreve sobre 50 tons de cinza?” Cai num engano. Mas até aí não sabia que era um engano. Já ouvi falar que os esquimós consegue enxergar mais de 75 tonalidades de branco, então pensei não ser impossível.

50 tons de cinza inovou? Achille Jacques-Jean-Marie Devéria 1800-1857

50 tons de cinza inovou? Achille Jacques-Jean-Marie Devéria 1800-1857

Fui guiada por esse raciocínio que durou pouco tempo, ainda bem, senão poderia ter comprado o livro. Logo fui trazida a realidade. Lendo outra matéria, desse vez lembro bem e era sobre literatura, que falava desse “fenômeno”.  Muitas editoras mandaram voltar livros que estavam quase saindo da gráfica para uma revisão de capa. Elas teriam que seguir a linha “elegante chic” do livro em questão. Textos foram revisados e as editoras saíram a caça de romances ao estilo do “porno para mamães”. Numa entrevista  a convite do G1, Wanderléa de 60 anos descreveu o apelido dado ao livro da seguinte maneira:

“As mães brasileiras da minha geração já não são assim, tão sem cor. Sua sensualidade já é mais exuberante e colorida”.

Ilustração de Achille Deveria, por um sexo mais colorido

Ilustração de Achille Deveria. Por um sexo mais colorido

Colorida. Uma das minhas maiores crises de criação é justamente relacionado a cor. O por que do não uso da cor. Em meados do seculo XX a arquitetura foi se apartando lentamente das nuances, formando um abismo entre essas duas expressões uma artística e a outra física. Os que pouco uso faziam desse elemento natural da luz, tinham uma visão mais voltada para arte. Vide trabalhos de Oscar Niemeyer em parceria com Athos Bulcão e Cândido Portinari (Osirarte) ou mesmo o trabalho do mineiro Éolo Maia. De alguns outros modernistas, ou pôs-modernos como preferir, as cores primarias as vezes apareciam. A arquitetura tomou um distanciamento grande da coloração com o passar dos anos trabalhando a luz apenas na volumetria. A cor tornou-se objeto de mal gosto e cafona. Porém um detalhe foi perdido e não mais recuperado, a composição da cor. Mal gosto, cafona ou incapacidade em executar essa linha de composição?

Hoje nas pálidas faculdades de arquitetura, é um elemento perdido, não recuperado. Pelo simples fato que os professores não são capazes de uma base mínima para uma introdução a luz física, fenômeno do qual descende a cor. Por pura falta de conhecimento grande maioria.

Vemos refletido nisso uma cidade cinza, bege e descorada numa clara afirmativa desse problema. Sim, considero um problema. Você saber usar a cor para composição de um volume ou cenário e optar por não usa-lá é válido. Mas não saber usar e um dia optar por usar é um problema não solucionado por 5 anos de arquitetura.

Na verdade antes de entrar na faculdade, é um elemento perdido quando o ser humano deixa a infância. Seguindo por apatia, falta de conhecimento e por fim receio na fase adulta. Seria isso cromofobia? Não, o nome da doença ou distúrbio é Chromatophobia. Transcrevo a resposta que uma leitora chamada Layla dá à uma internauta do Yahoo:

Medo! Três interpretações de O grito de Edvard Munch (1863-1944). A foto do meio é de autoria do artista italiano Marco Pece onde ele faz releituras de obras de arte conhecidas e filmes com Lego

Medo! Três interpretações de O grito de Edvard Munch (1863-1944). A foto do meio é de autoria do artista italiano Marco Pece onde ele faz releituras de obras de arte conhecidas e filmes com Lego

“Chromatophobia é o nome dado à fobia das cores e é causada por algum trauma do passado. A fobia a cada cor tem o seu próprio nome, por exemplo, medo do laranja Chrysophobia, medo do azul Cyanophobia,…. Existe também outros medos que podem trazer fobia às cores, medo de palhaços pode criar fobia a muitas cores, Coulrophobia, ou o medo de agulhas que pode trazer a fobia do vermelho, por causa do sangue, Trypanophobia, entre outras”.

De tantas cores e receios ficamos apenas com as cores bege, as ditas cores sóbrias,  tonalidades de cinza, amarelinho ou se quiser ousar um pouquinho, um vermelho. Falando sobre o vermelho, hoje ele é considerado cor neutra justamente pela falsa ousadia que ele dá aos muitos usuários que apostam nele.

Pergunto, além dessas cores, quantas cores o ser humano consegue enxergar? Deixo a resposta mais uma vez com um leitor do Yahoo chamado Apolo  onde seu interlocutor faz a mesma pergunta:

Categoria: Pilares da criação Subcategoria: Telefones pretos Sobre: Teoria e estudo da cor

Categoria: Pilares da criação
Subcategoria: Telefones pretos
Sobre: Teoria e estudo da cor

No escuro, nenhuma!

No claro, um monte.

Telefones coloridos

Estive pensando em pôr outras cores aqui – quer dizer, nos telefones. Só tenho telefones pretos. Vai me dar assunto para as noites, resolver as novas cores. Uso tão pouco o telefone que na verdade não tem importância. Mas cada ponto de cor é importante. Talvez eu usasse mais os telefones se fossem coloridos[1].

Greta Garbo numa foto antológica de Clarence Sinclair de 1931. Quando a atriz viu a montagem deu uma gargalhada.

Greta Garbo em uma foto antológica de Clarence Sinclair de 1931. Quando a atriz viu a montagem deu uma gargalhada.

Greta Garbo virou um mito ainda em vida e com apenas 36 anos de idade quando se aposentou e tornou-se reclusa. A frase sobre usar o telefone mostra um pouco disso. Viveu meio século assim. O básico que se sabe sobre Garbo está por aí em dicionários online, nasceu em 15 de Setembro de 1905 em Estocolmo, e morreu em 1990 em NY.

Fifi D'Orsay, uma das amantes de Greta Garbo, entre Cary Grant e sua primeira esposa, Virginia Cherril

Fifi D’Orsay, uma das amantes de Greta Garbo, entre Cary Grant e sua primeira esposa, Virginia Cherril

Quando Barry Paris se preparou para escrever sobre Greta Garbo ouviu dos amigos: Ao fim da pesquisa você vai odia-la. Aconteceu o oposto. Tanto que o livro chama apenas Garbo, e duas imagens da atriz, capa e contracapa.

Sobre o livro e o mito Garbo, Chico Lopes diz:

“Garbo foi vítima precisamente disso, em toda a sua vida. Foi vítima dessa idolatria que sufoca, que interroga desesperadamente, que quer entrar em todos os poros do idolatrado, não deixar um respiradouro para o ser humano, para a pessoa assustada e frágil que pode existir por debaixo do mito. Essa curiosidade sempre a apavorou”.

“É muito boa a parte do livro que cuida de sua infância, quando Paris a mostra como uma menina que parecia ter consciência de que era predestinada a ser uma rainha solitária e mostrava já um enorme medo da fama. Isso não parece charme nem teoria romanesca com fumaça de misticismo adequada à mitificação – Garbo parecia mesmo patologicamente sensível aos terrores da superexposição, e, mesmo com uma vaidade humanamente compreensível, nunca se reconciliou com os preços concretos e inevitáveis decorrentes da fama. Sofreu com essa situação mais que qualquer outra estrela que se conheça, pois foi a mais famosa de todas. Esse é seu maior enigma, e parece uma brincadeira particularmente cruel do Destino que uma mulher tão fóbica a essas coisas tenha se tornado a criatura mais famosa (e exposta) do planeta”.

Greta Garbo

Greta Garbo

O texto na integra pode ser lido aqui.

Ruy Castro em sua biografia sobre Carmen Miranda lembra que uma vez pediu autografo a cantora brasileira e recusou dar autografo a irmã de Carmen, Aurora. Detalhe, Garbo se recusava terminantemente a dar autografo. Em sua vida apenas uma vez cedeu ao que ela chamava de posição subserviente  Foi na Suécia, quando uma menina de 13 anos implorou e chegou até a desmaiar.

Voltando ao telefone, essa frase está na pagina 189 de Passa lá em casa, Greta Garbo costumava ficar horas no telefone com Sam Green, um de seus últimos amigos. A amizade azedou quando ela soube que ele grava todas as conversas para ouvi-las depois. Na verdade Garbo já estava no fim da vida e preferiu se isolar por completo em seus últimos anos.

Se os telefones fossem coloridos talvez soubéssemos um pouco mais desse que foi um dos maiores mitos do cinema.


[1] Greta Garbo

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Subcategoria: Telefones pretos
Sobre: Teoria e estudo da cor