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O abismo da alma

“No fim das contas”, diz ele, “a fotografia tem de transmitir empatia pela humanidade. E eu sempre tentei ficar do lado da humanidade”.

Leia a matéria na integra aqui sobre o trabalho do fotografo Don McCullin

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Galeria

A Cor e todas elas, o Branco

Esta galeria contém 50 imagens.

Há mais de 3 décadas acontece na província da China, Harbin o festival de gelo Harbin International Ice and Snow Sculpture Festival. Pedaços gigantescos de gelo são esculpidos e transportados pelo rio Songhua. Aproveitando as baixas temperaturas do mês de Janeiro … Continuar lendo

Triste engano

Não lembro o que estava lendo na internet, mas lembro da piada. Num anúncio que vi na página me surpreendi com o título do livro. As pessoas que me conhecem sabem que sou apaixonada por cor. Na faculdade tentei uma iniciação cientifica sobre o tema, mas…

Tudo relacionado ao assunto me fascina. Tenho livros, matérias, um banco de imagens, trabalhei com Neza César que admiro… No futuro publico uma matéria sobre ela. Enfim, achei curioso o nome e me perguntei “que tipo de pessoa escreve sobre 50 tons de cinza?” Cai num engano. Mas até aí não sabia que era um engano. Já ouvi falar que os esquimós consegue enxergar mais de 75 tonalidades de branco, então pensei não ser impossível.

50 tons de cinza inovou? Achille Jacques-Jean-Marie Devéria 1800-1857

50 tons de cinza inovou? Achille Jacques-Jean-Marie Devéria 1800-1857

Fui guiada por esse raciocínio que durou pouco tempo, ainda bem, senão poderia ter comprado o livro. Logo fui trazida a realidade. Lendo outra matéria, desse vez lembro bem e era sobre literatura, que falava desse “fenômeno”.  Muitas editoras mandaram voltar livros que estavam quase saindo da gráfica para uma revisão de capa. Elas teriam que seguir a linha “elegante chic” do livro em questão. Textos foram revisados e as editoras saíram a caça de romances ao estilo do “porno para mamães”. Numa entrevista  a convite do G1, Wanderléa de 60 anos descreveu o apelido dado ao livro da seguinte maneira:

“As mães brasileiras da minha geração já não são assim, tão sem cor. Sua sensualidade já é mais exuberante e colorida”.

Ilustração de Achille Deveria, por um sexo mais colorido

Ilustração de Achille Deveria. Por um sexo mais colorido

Colorida. Uma das minhas maiores crises de criação é justamente relacionado a cor. O por que do não uso da cor. Em meados do seculo XX a arquitetura foi se apartando lentamente das nuances, formando um abismo entre essas duas expressões uma artística e a outra física. Os que pouco uso faziam desse elemento natural da luz, tinham uma visão mais voltada para arte. Vide trabalhos de Oscar Niemeyer em parceria com Athos Bulcão e Cândido Portinari (Osirarte) ou mesmo o trabalho do mineiro Éolo Maia. De alguns outros modernistas, ou pôs-modernos como preferir, as cores primarias as vezes apareciam. A arquitetura tomou um distanciamento grande da coloração com o passar dos anos trabalhando a luz apenas na volumetria. A cor tornou-se objeto de mal gosto e cafona. Porém um detalhe foi perdido e não mais recuperado, a composição da cor. Mal gosto, cafona ou incapacidade em executar essa linha de composição?

Hoje nas pálidas faculdades de arquitetura, é um elemento perdido, não recuperado. Pelo simples fato que os professores não são capazes de uma base mínima para uma introdução a luz física, fenômeno do qual descende a cor. Por pura falta de conhecimento grande maioria.

Vemos refletido nisso uma cidade cinza, bege e descorada numa clara afirmativa desse problema. Sim, considero um problema. Você saber usar a cor para composição de um volume ou cenário e optar por não usa-lá é válido. Mas não saber usar e um dia optar por usar é um problema não solucionado por 5 anos de arquitetura.

Na verdade antes de entrar na faculdade, é um elemento perdido quando o ser humano deixa a infância. Seguindo por apatia, falta de conhecimento e por fim receio na fase adulta. Seria isso cromofobia? Não, o nome da doença ou distúrbio é Chromatophobia. Transcrevo a resposta que uma leitora chamada Layla dá à uma internauta do Yahoo:

Medo! Três interpretações de O grito de Edvard Munch (1863-1944). A foto do meio é de autoria do artista italiano Marco Pece onde ele faz releituras de obras de arte conhecidas e filmes com Lego

Medo! Três interpretações de O grito de Edvard Munch (1863-1944). A foto do meio é de autoria do artista italiano Marco Pece onde ele faz releituras de obras de arte conhecidas e filmes com Lego

“Chromatophobia é o nome dado à fobia das cores e é causada por algum trauma do passado. A fobia a cada cor tem o seu próprio nome, por exemplo, medo do laranja Chrysophobia, medo do azul Cyanophobia,…. Existe também outros medos que podem trazer fobia às cores, medo de palhaços pode criar fobia a muitas cores, Coulrophobia, ou o medo de agulhas que pode trazer a fobia do vermelho, por causa do sangue, Trypanophobia, entre outras”.

De tantas cores e receios ficamos apenas com as cores bege, as ditas cores sóbrias,  tonalidades de cinza, amarelinho ou se quiser ousar um pouquinho, um vermelho. Falando sobre o vermelho, hoje ele é considerado cor neutra justamente pela falsa ousadia que ele dá aos muitos usuários que apostam nele.

Pergunto, além dessas cores, quantas cores o ser humano consegue enxergar? Deixo a resposta mais uma vez com um leitor do Yahoo chamado Apolo  onde seu interlocutor faz a mesma pergunta:

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No escuro, nenhuma!

No claro, um monte.

Telefones coloridos

Estive pensando em pôr outras cores aqui – quer dizer, nos telefones. Só tenho telefones pretos. Vai me dar assunto para as noites, resolver as novas cores. Uso tão pouco o telefone que na verdade não tem importância. Mas cada ponto de cor é importante. Talvez eu usasse mais os telefones se fossem coloridos[1].

Greta Garbo numa foto antológica de Clarence Sinclair de 1931. Quando a atriz viu a montagem deu uma gargalhada.

Greta Garbo em uma foto antológica de Clarence Sinclair de 1931. Quando a atriz viu a montagem deu uma gargalhada.

Greta Garbo virou um mito ainda em vida e com apenas 36 anos de idade quando se aposentou e tornou-se reclusa. A frase sobre usar o telefone mostra um pouco disso. Viveu meio século assim. O básico que se sabe sobre Garbo está por aí em dicionários online, nasceu em 15 de Setembro de 1905 em Estocolmo, e morreu em 1990 em NY.

Fifi D'Orsay, uma das amantes de Greta Garbo, entre Cary Grant e sua primeira esposa, Virginia Cherril

Fifi D’Orsay, uma das amantes de Greta Garbo, entre Cary Grant e sua primeira esposa, Virginia Cherril

Quando Barry Paris se preparou para escrever sobre Greta Garbo ouviu dos amigos: Ao fim da pesquisa você vai odia-la. Aconteceu o oposto. Tanto que o livro chama apenas Garbo, e duas imagens da atriz, capa e contracapa.

Sobre o livro e o mito Garbo, Chico Lopes diz:

“Garbo foi vítima precisamente disso, em toda a sua vida. Foi vítima dessa idolatria que sufoca, que interroga desesperadamente, que quer entrar em todos os poros do idolatrado, não deixar um respiradouro para o ser humano, para a pessoa assustada e frágil que pode existir por debaixo do mito. Essa curiosidade sempre a apavorou”.

“É muito boa a parte do livro que cuida de sua infância, quando Paris a mostra como uma menina que parecia ter consciência de que era predestinada a ser uma rainha solitária e mostrava já um enorme medo da fama. Isso não parece charme nem teoria romanesca com fumaça de misticismo adequada à mitificação – Garbo parecia mesmo patologicamente sensível aos terrores da superexposição, e, mesmo com uma vaidade humanamente compreensível, nunca se reconciliou com os preços concretos e inevitáveis decorrentes da fama. Sofreu com essa situação mais que qualquer outra estrela que se conheça, pois foi a mais famosa de todas. Esse é seu maior enigma, e parece uma brincadeira particularmente cruel do Destino que uma mulher tão fóbica a essas coisas tenha se tornado a criatura mais famosa (e exposta) do planeta”.

Greta Garbo

Greta Garbo

O texto na integra pode ser lido aqui.

Ruy Castro em sua biografia sobre Carmen Miranda lembra que uma vez pediu autografo a cantora brasileira e recusou dar autografo a irmã de Carmen, Aurora. Detalhe, Garbo se recusava terminantemente a dar autografo. Em sua vida apenas uma vez cedeu ao que ela chamava de posição subserviente  Foi na Suécia, quando uma menina de 13 anos implorou e chegou até a desmaiar.

Voltando ao telefone, essa frase está na pagina 189 de Passa lá em casa, Greta Garbo costumava ficar horas no telefone com Sam Green, um de seus últimos amigos. A amizade azedou quando ela soube que ele grava todas as conversas para ouvi-las depois. Na verdade Garbo já estava no fim da vida e preferiu se isolar por completo em seus últimos anos.

Se os telefones fossem coloridos talvez soubéssemos um pouco mais desse que foi um dos maiores mitos do cinema.


[1] Greta Garbo

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