Scissor Sister

Minha criança, os criados saíram e estamos a sós, as portas estão trancadas e atirei a chave pela janela. Você está em minhas mãos... Mas acalme-se não tenha medo - Alfred Musset; Gamiani ou duas noites de excesso (Gamiani, OU deux nuits d’excès) é uma novela erótica publicada pela primeira vez em 1833. Sua autoria é anônima, mas acredita-se que foi escrita por Alfred Musset. A heroína lésbica é um retrato de sua amante George Sand Imagem: Malena Morgan e Natasha Malkova

Minha criança, os criados saíram e estamos a sós, as portas estão trancadas e atirei a chave pela janela. Você está em minhas mãos… Mas acalme-se não tenha medoAlfred Musset;
Gamiani ou duas noites de excesso (Gamiani, OU deux nuits d’excès) é uma novela erótica publicada pela primeira vez em 1833. Sua autoria é anônima, mas acredita-se que foi escrita por Alfred Musset. A heroína lésbica é um retrato de sua amante George Sand

SCISSOR SISTER[1]

Meu conto de fadas particular

Era uma vez uma vampira muito chateada com o fluxo das situações.

Pois ela resolveu dar um tempo para sua própria existência. Foi tomada de solidão e negação. Não aparece gente há muito tempo em seu castelo. Ela não quer ninguém. Apenas isso, sentir dó de si por aquilo. Maldita vampira que destruiu seu grande amor. E segundo disse, foi por amor. Não há amor. Amor era o que ela sentia por Bartira a ponto de deixar o sangue no belo corpinho da mocinha e nunca transferi-lo para o seu. Agora, só Deus sabe. Será isso? É uma opinião.

Quando os olhos de Yvian se abriram pra noite a falta de sangue tirava sua vitalidade. A solidão trazia paz. Foi bem-vinda durante muito tempo. Durante muito tempo não se alimentou.

Diga... Um homem, um amante, o que pode ser, comparado a mim? Dois ou três embates se cansam, no quarto se esgota impotente, dobrado ao espasmo do prazer. É de fazer pena! Eu permaneço forte, a fremir, insaciável. Oh, sim! Sou a personificação do gozo ardente da carne, do gozo que incendeia o corpo; cheia de luxuria e implacável, proporciono um prazer sem fim. Sou o amor que mata! - Alfred Musset

Diga… Um homem, um amante, o que pode ser, comparado a mim? Dois ou três embates se cansam, no quarto se esgota impotente, dobrado ao espasmo do prazer. É de fazer pena! Eu permaneço forte, a fremir, insaciável. Oh, sim! Sou a personificação do gozo ardente da carne, do gozo que incendeia o corpo; cheia de luxuria e implacável, proporciono um prazer sem fim. Sou o amor que mata!Alfred Musset

Bartira tão quente a estremecer ao mínimo toque. Transformada na coisa horrível. Desconfiava que a seu toque ela não mais estremeceria e onde estava agora?

Adivinhando sua saturação em ficar só, elas apareceram.

Três luzes vindas de fora. A janela aberta por ela toda noite. O ar fresco que vinha da floresta. Yvian deixava a brisa entrar. Entraram as luzes. Três pontinhos luminosos. Azul, amarelo e vermelho. Da primeira vez deixou que elas simplesmente dançassem em seus dedos. Iluminavam sua mão. Depois se aproximou para ver melhor. Doeu a vista. Eram igual ao sol.

Todos os dias elas estavam lá, na mesma hora.

As luzes apareceram com um saco a flutuar e uma criança dentro. O saco a flutuar e alguma coisa dentro.

Aos poucos o sangue foi devolvendo a formosura.

Os cabelos pretos brilhavam a menor incidência de luz. A pele branca pálida. Os olhos de um verde translúcido. O sorriso nos lábios voltou pra logo sumir.

Vendo aquelas duas mulheres, nuas, imóveis, suadas, de uma forma que se poderia dizer uma na outra, dir-se-ia que se operava entre elas uma fusão misteriosa, que suas almas se mesclavam em silêncio - Alfred Musset; Ilustração do italiano Milo Manara; No livro Passa lá em casa abro o terceiro volume com uma frase do chileno Alejandro Jodorowsky autor dos quadrinhos Os Bórgias com ilustração do italiano;

Vendo aquelas duas mulheres, nuas, imóveis, suadas, de uma forma que se poderia dizer uma na outra, dir-se-ia que se operava entre elas uma fusão misteriosa, que suas almas se mesclavam em silêncioAlfred Musset;

Lucrezia apareceu.

— Demônia, onde está ela?

— Do que me acusa? Tudo que fiz foi por amor.

— Amor? – deu uma puta gargalhada – onde está o seu amor que não vejo?

— Em meu coração. Quer que o tire para averiguar?

— Pro inferno você e seu coração. No momento estou preocupada com o meu. O que fez a Bartira?

— Querida Yvian, se engana em relação à Bartira. Imagina, mal ela pôs os olhos sobre mim, quis me foder. Eu disse não todas às vezes. Mas não tive escolhas. Fui.

— Mentira. Bartira nada sabia sobre o amor entre mulheres.

— Apenas o que ensinou pra ela. E digo foi uma excelente professora. Apesar de não me sentir atraída. Porém devo confessar que não me decepcionei.

— Ah! – gritou – Eu vou destruí-la.

— Destruir-me? Escuta – a voz virou gutural e estrondosa como um trovão – Como confia numa mulher assim? Eu ao contrário tenho esperado tanto para tê-la em meus fieis braços.

Yvian recuou.

Se eu a aperto assim contra meu corpo é por amor. Eu a amo tanto, minha alma, minha vida. Então, você não me compreende! Bem, eu não sou má, minha pequena, minha querida... Não, eu sou boa, muito boa, já que a amo. Veja em meus olhos, sinta como bate meu coração. É por você que bate assim, só por você. Só quero sua alegria, seu delírio em meus braços

Se eu a aperto assim contra meu corpo é por amor. Eu a amo tanto, minha alma, minha vida. Então, você não me compreende! Bem, eu não sou má, minha pequena, minha querida… Não, eu sou boa, muito boa, já que a amo. Veja em meus olhos, sinta como bate meu coração. É por você que bate assim, só por você. Só quero sua alegria, seu delírio em meus braços

— Basta desse retiro idiota. Nada pode trazer Bartira de volta entenda. Se continuar assim eu vou destruí-la com a ponta do dedo. E terei muito prazer nisso. Sabe que sou mais poderosa que você.

— Sim – um fio de voz.

— Você não imagina do que sou capaz.

— Uma pergunta…

— Sim?

— De quem são as luzes que aparecem aqui todos os dias?

— Vanuccia não esteve aqui inúmeras vezes?

— Sim.

Lembrou. Vanuccia aparecia de uma névoa. Linda com um tecido que mostrava suas formas. Fizeram amor todas às vezes.

Horrível! Horrível! Como posso inspirar tanto horror? Não sou ainda jovem? E bela também? É o que me dizem sempre, em toda parte. E meu coração? Haverá outro, capaz de amar mais do que ele? O fogo que me consome, que me devora. Esse fogo italiano, de incêndio, que redobra o poder dos meus sentidos e me faz triunfar, ali onde todos desistem, esse fogo é então uma coisa horrível?

Horrível! Horrível! Como posso inspirar tanto horror? Não sou ainda jovem? E bela também? É o que me dizem sempre, em toda parte. E meu coração? Haverá outro, capaz de amar mais do que ele? O fogo que me consome, que me devora. Esse fogo italiano, de incêndio, que redobra o poder dos meus sentidos e me faz triunfar, ali onde todos desistem, esse fogo é então uma coisa horrível?

A sereia ofusca a luz vinda da pequena janela.

— Vanuccia…

— Sim?

— De quem são as luzes que aparecem aqui todos os dias?

— Não seria de Lucrezia? Ela a quer viva.

— E você não?

— Eu sei me virar.

Vanuccia beijava cada centímetro do corpo de Yvian.

Lucrezia rasgou a roupa. Jogou Yvian no chão e a despiu. Beijou os seios pequenos com suas aureolas rosadas e bicos pontudos. Ela sugou com delicadeza.

— Vou mostrar a você o que é devoção.

Elas cruzaram as pernas uma sobre a outra fazendo contato. Gritavam e os lobos gemiam longe. As presas feriam seus lábios. As três luzes se multiplicavam em inúmeras luzes. As duas quentes estremeciam a carne. Os dedos de Lucrezia rompiam Yvian.

Qualquer resistência será em vão. Você sucumbira de qualquer forma. Sou mais forte e a paixão me anima. Mesmo um homem não me venceria - Ilustração Edouard Chimot

Qualquer resistência será em vão. Você sucumbira de qualquer forma. Sou mais forte e a paixão me anima. Mesmo um homem não me venceria

Você não vê – me disse ela em uma voz agonizante – que o veneno me atormenta... Meus nervos se contorcem. Vá embora... Esta mulher é minha. Sim! Sim!

Você não vê – me disse ela em uma voz agonizante – que o veneno me atormenta… Meus nervos se contorcem. Vá embora… Esta mulher é minha. Sim! Sim!

Lucrezia prostrada a sua frente fazia do Monte de Vênus sua adoração.

Now the city blacks out the sun,
Is it just me or is everyone hiding out between the lines?[2]


[1] Scissor Sisters significa “irmãs tesoura”, é uma gíria em inglês que designa uma posição sexual lésbica. No caso o tribadismo. É uma forma de praticar o ato sexual lésbico. Termo de origem grega para designar frotação ou esfregação, tem como definição de suas praticantes o vocábulo tríbade. É o ato de roçar ou esfregar sua genitália na genitália da parceira;

[2] Scissor Sisters;

Trecho do livro: Passa lá em casa Imagem em destaque: "roubada" do site Sapatômica Imagens: Malena Morgan e Natasha Malkova, Gerda Wegener, Ilustração do italiano Milo Manara; No livro Passa lá em casa, abro o terceiro volume com uma frase do chileno Alejandro Jodorowsky, autor dos quadrinhos Os Bórgias com ilustração do italiano, Soey Milk, Paul-Emile Becat, Edouard Chimot, Édouard-Henri Avril

Trecho do livro: Passa lá em casa
Imagem em destaque: “roubada” do blog Sapatômica
Imagens: Malena Morgan e Natasha Malkova, Gerda Wegener, Ilustração do italiano Milo Manara,
No livro Passa lá em casa, abro o terceiro volume com uma frase do chileno Alejandro Jodorowsky, autor dos quadrinhos Os Bórgias com ilustração do italiano, Soey Milk, Paul-Emile Becat, Edouard Chimot, Édouard-Henri Avril

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