O Viado Veste Pra Dá

1Engraçado construir os personagens a partir de um exercício de projeto arquitetônico. Comecei a escrever o livro em outubro de 2009, Elvira e sua família existiam desde 2007. Recebemos a planta de um terreno no bairro da Vila Madalena que estava a venda. Os professores do curso de arquitetura e urbanismo do 4° semestre, como de praxe, marcaram um dia para visitarmos o local. O terreno é médio com mais de 300 m² e um declive “maravilhoso” de mais de 45°, posso estar errada.2

O exercício seguinte era criar uma família e fazer o projeto segundo suas necessidades. Assim no segundo semestre nasceu a família de Elvira. Minha ideia inicial era construir a casa a partir de rampas onde as drag queens Cosma e Damiana disputavam corridas em cadeiras de rodas com o tio Élcio. No caso de Élcio, ele é cadeirante. Obvio, a ideia era inviável. Porém agradeço ao Alexandre, ver dedicatória no livro depois falo mais sobre ele, por ter posto rampas no seu TFG em homenagem as minhas drag e ao professor Élcio.3

Começando por Elvira, ela foi uma cantora de rádio nas décadas de 50. Depois passou a trabalhar como pesquisadora na área de música. Tornou-se uma das mais respeitáveis enciclopédias vivas da música brasileira, em especial da primeira metade do século XX. Sua irmã irmã, Elizete é dançarina de ventre, morou um tempo em Marrocos e quando Elvira seus filhos e seu irmão Élcio foram visita-la, resolveu voltar para o Brasil com eles. Trabalha com a irmã na pesquisa.4

Os gêmeos Ananias e Adamastor são respectivamente, Cosma e Damiana, ator dublador, advogado. São amigos de infância de Augusto e morava na mesma rua em Campos Elíseos. Quando Augusto resolve montar uma peça em homenagem a Carmen Miranda chama os irmãos para interpreta-la. Maria do Carmo fica com Ananias e Carmen Miranda com Adamastor com produção de Levy.5

Dois fatores me chamaram atenção enquanto dava vida a eles, assisti O ultimato Bourne e parte dele se passa em Marrocos. Mas o que chamou mesmo minha atenção foi a biografia surreal de Barbara Hutton que mantinha uma mansão em Tanger, Marrocos. Sou apaixonada por detalhes e aqueles ladrilhos hidráulicos me chamou atenção. Voltei a assistir o filme por causa dos ladrilhos e ainda tinha uma exposição sobre Marrocos. Mas o que me deixou maluca foi Barbara Hutton. Valeu pela estória.

6Nessa mesma época fiz um esboço de algumas linhas para um romance após ler um artigo anunciando um condomínio sobre um shopping. Ali achei que o brasileiro chegou ao ápice do mal gosto matuto e provinciano. Pior, supostamente o prédio seria no estilo neoclássico. Se bem que ele é, no teto. Independente da minha opinião ou da sua o elefante branco surge no céu poluído da amada São Paulo. E olha em completo desdém para nós. Acontece que eu também tenho uma caneta.7

Em 2009 após tentar ler mais um livro de vampiros do qual não estava gostando minha irmã me lançou um desafio. Resolvi voltar àquelas poucas linhas de 2007 e as minhas drags favoritas, depois de Silvetty Montilla. Na verdade Miss Montilla e transformista. Comecei aí o processo de pesquisa, leitura e escrita, nesse tempo acabei perdendo a faculdade. Que uma hora volta pra mim.

O Viado veste pra dar é um curta-metragem estrelado por Thalia Bombinha. Cito-o no livro Passa lá em casa…

Na imagem em destaque, dois ícones da cultura gay paulista, Silvetty Montilla e Thalia Bombinha; Fotos do livro Half Drag de Leland Bobbé

Na imagem em destaque, dois ícones da cultura gay paulista, Silvetty Montilla e Thalia Bombinha;
Fotos do livro Half Drag de Leland Bobbé

 

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