O golpe contra Dilma Rousseff – Página infeliz da nossa história

O afastamento da presidenta é sem dúvida o capítulo mais vergonhoso da história política brasileira

Apoiadores de Dilma Rousseff, nesta quarta em São Paulo. NELSON ALMEIDA AFP

Apoiadores de Dilma Rousseff, nesta quarta em São Paulo. NELSON ALMEIDA AFP

O afastamento definitivo de Dilma Rousseff da Presidência da República é sem dúvida o capítulo mais vergonhoso da história política brasileira. Acusada de praticar uma manobra contábil, as chamadas “pedaladas fiscais”, contra ela não foram levantadas quaisquer suspeitas de enriquecimento ilícito ou aproveitamento do cargo em benefício próprio, ainda que sua vida, privada e pública, tenha sido vasculhada com lupa por seus adversários. Se ela cometeu crime de responsabilidade, também o fizeram e deveriam perder o cargo 16 dos 27 atuais governadores, que usaram o mesmo artifício para fechar as contas em seus estados.

Mas, evidentemente, a presidente Dilma Rousseff não foi levada a julgamento por isso. As manifestações de rua contra seu governo, orquestradas por defensores dos mais diversos interesses, muitos deles espúrios, levantavam bandeiras anti-corrupção porém alimentavam-se de ressentimento. Parte da população, acostumada historicamente a usufruir dos mais amplos privilégios, nunca aceitou dividir espaço com a camada mais pobre, destinada, em sua invisibilidade, a manter-se apenas como uma espécie de reserva técnica de mão de obra desqualificada. As poucas, mas importantes, mudanças nesse quadro, patrocinadas pelos governos petistas, fermentaram uma reação de ódio e intolerância.

Assim, com o claro objetivo de arrancar a qualquer custo o poder das mãos da presidente Dilma Rousseff, as oposições, lideradas nas sombras pelo vice-presidente Michel Temer, passaram a articular demonstrações de força. Por trás dos protestos “espontâneos” contra o governo havia entidades como o Movimento Brasil Livre (MBL), financiado pelo DEM, PSDB, SD e PMDB; Vem pra Rua, criado em 2014 por um grupo de empresários para apoiar a candidatura do senador tucano Aécio Neves à Presidência da República; e Revoltados On-Line, gerenciado pelo empresário Marcello Reis, que não esconde sua simpatia pela ideia de intervenção militar e que possui ligações com o deputado fascista Jair Bolsonaro (PSC-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

O passo seguinte foi dado pelo então presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atualmente afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), alçada na qual é réu por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Cunha tinha interesse em negociar a manutenção de seu mandato, em perigo desde a instauração, no dia 3 de dezembro, de um processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Indignado com a retirada de apoio do PT à sua causa, Cunha deu andamento ao pedido de admissibilidade do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. No dia 17 de abril, o plenário da Câmara, que entre seus 513 membros conta com 53 réus na Suprema Corte, enquanto outros 148 parlamentares respondem a inúmeros crimes em diversas instâncias, antecipou o destino inglório da nação.

Baseado em um relatório de Antonio Anastasia (PSDB-MG), burocrata tornado político pelas mãos do candidato derrotado em 2014, Aécio Neves, o Senado cassou o mandato da presidente Dilma Rousseff. Do total de parlamentares que a julgaram, 60% são suspeitos ou acusados de crimes que vão desde falsidade ideológica até abuso de poder econômico. Um terço da Casa – 23 parlamentares – responde a inquérito em ação penal no STF, entre eles nomes bastante conhecidos como Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Fernando Collor (PTB-AL), Jader Barbalho (PMDB-PA), Lobão Filho (PMDB-MA), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR).

Com uma coragem e altivez poucas vezes vistas na política brasileira, a presidente Dilma Rousseff enfrentou 14 horas de interrogatório nas dependências do Senado. Inutilmente, ela sabia, porque o resultado daquela farsa já havia sido decidido muito antes, nos bastidores, envolvendo as mais inconfessáveis negociações. Sentada em frente ao presidente do STF, Ricardo Lewandowski, Dilma não enfrentava somente o rancor da elite contrariada, mas também todos os preconceitos existentes contra as mulheres, principalmente aquelas que não aceitam submeter-se ao poder patriarcal. Blindada por uma força extraordinária, Dilma ousava afirmar que, como ser humano passível de equívocos, errou algumas vezes durante o exercício de seu mandato. Assentada em utopias, Dilma ousava afirmar que continua acreditando na luta por um Brasil mais justo. Somos medíocres, não atrevemos sonhar; somos hipócritas, não admitimos assumir nossas falhas. Cassar arbitrariamente o mandato da presidente Dilma Rousseff significou um ato de cinismo covarde contra o desejo manifestado nas urnas por 54.501.118 brasileiros. A isso se chama golpe de estado.

O jornalismo barnabé e a derrubada de Dilma

Na ruptura institucional de agora, o papel da mídia foi mais relevante que o de Eduardo Cunha

por Mario Vitor Santos
Porto Alegre - Milhares de pessoas tomaram as ruas em protesto contra o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff ( Daniel Isaia/Agência Brasil)

Porto Alegre – Milhares de pessoas tomaram as ruas em protesto contra o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff ( Daniel Isaia/Agência Brasil)

Este golpe não aconteceria sem a liderança da mídia. Ela foi a protagonista de primeira hora. Desde cedo, os jornais se incomodavam com o que consideravam “fraqueza” da oposição aos governos petistas e se dispuseram assim a substituí-la.

Para a ruptura institucional de agora, a mídia foi mais importante do que Eduardo Cunha. Antes de Cunha reunir as condições para desatar o impeachment, a mídia já tinha cerrado fileiras, engatado o revezamento de esforços complementares.

Foi a mídia que, afinal, fustigou o governo na sucessão das manifestações de 2013, orientou seus desdobramentos cada vez mais contrários às motivações iniciais, amplificou e convocou a reação à Copa, encorpou a sublevação contra o resultado das urnas de 2014 e sepultou o período de trégua pós-eleitoral.

Para isso, foi preciso relativizar preceitos capitais do jornalismo, como o de dar voz a todos os lados e, portanto, o da presunção de inocência. Foi nesse ambiente  que necessárias apurações anticorrupção, um tema jornalístico, descambassem para a derrubada do governo eleito, com base em pretextos.

De duas uma, ou a mídia estrutura o golpe ou faz jornalismo, cuja essência, como se sabe, é a reportagem. Faz jornalismo quem tem repórteres para apurar notícias. O trabalho dos repórteres nutre-se da obtenção de informações por meio de investigação independente, desligada de interesses de poderes oficiais e privados.

O trabalho exige a checagem prévia, autônoma e ponderada de informações por meio do confronto com outras informações, chocando e registrando versões muitas vezes contraditórias. Demanda o veto de informações suspeitas ou apressadas, extirpando especialmente as que podem estar contaminadas por viés político.

É por isso que o bom jornalismo é o jornalismo da dúvida. O bom jornalismo se vale de fontes plurais, segue diferentes linhas de investigação, tenta construir um retrato dos acontecimentos e suspeita sempre do que os poderosos, de todos os lados,  pretendem trazer ou ocultar do conhecimento geral. O bom jornalismo age com contenção e toma cuidados.

Não foi isso o que aconteceu no Brasil, como registraram veículos da mídia internacional. Os “furos”, informações exclusivas e inéditas, que são a razão de ser do jornalismo investigativo, não existiram. Os meios de comunicação foram veículos de “vazamentos”, ou seja, de informações obtidas, recortadas e liberadas por três fontes principais, todas oficiais: o Ministério Público Federal, a Justiça Federal e a Polícia Federal.

Em estratégia assumidamente calculada de uso da mídia, eles comandaram o noticiário. O ritmo da cobertura foi ditado pelas autoridades que também regulavam a dosagem, os personagens em foco, o sentido e o contexto.

Para os jornalistas, o grosso do trabalho chegava pronto. Não havia esforço maior de checagem. Repórteres e editores procuravam mostrar-se confiáveis aos fornecedores, que realizavam verdadeiros leilões de vazamentos entre os veículos. Ouvir o outro lado passou a ser um preceito muito subversivo no jornalismo atual. O grande jornalismo brasileiro rebaixou-se. Não é à toa que inexistem profissionais  homenageados na cobertura dessa operação.

Contribuiu ainda para esse desfecho um outro poder tão poderoso como desconhecido do grande público: as empresas de estratégias de comunicação consorciadas ou não com as associações de classe. Ambas constituem em seu conjunto máquinas de influenciar cada vez mais a agenda dos veículos, impor seus temas, agir sobre a temperatura das redes sociais, ditar os humores do país. A busca pela verdade teve diante de si obstáculos inéditos. Fracassou, e o país fica então com as consequências de um jornalismo transfigurado em seu oposto: mera ideologia.

Mídia brasileira construiu narrativa novelizada do impeachment
O ato final de uma pantomima democrática
A nova primeira-dama Marcela Temer gasta com prazer o dinheiro dos outros, segundo jornal suíço
Quem insufla o ódio nos protestos?
As vaias ao presidente e a operação Passa-pano
Enfim Lula: Para que provas quando o MPF pode apresentar um powerpoint?
A cassação de Cunha e o apartidarismo de fachada do MBL
Casos de corrupção envolvendo Michel Temer caem no ostracismo, e eles são muitos
O perigo que se esconde por trás da PEC 241
E se os mais ricos ajudassem a pagar o rombo nas contas públicas?

Categoria: Fogus Factus Sobre: Assuntos relacionados ao Brasil e Mundo Fonte: El País e Carta Capital Mario Vitor Santos é jornalista, Knight Fellow da Universidade Stanford (EUA). Foi ombudsman e secretário de Redação da Folha.

Categoria: Fogus Factus
Sobre: Assuntos relacionados ao Brasil e Mundo
Fonte: El País e Carta Capital
Mario Vitor Santos é jornalista, Knight Fellow da Universidade Stanford (EUA). Foi ombudsman e secretário de Redação da Folha.

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Tapetum Lucidum – Hélcio Aguirra

Você está vivo

Todo meu respeito[1]


[1] A velha mistura – Golpe de Estado;

Pra quem não é perfeito Cheio de defeitos Você esta vivo Todo meu respeito Viver na ilusão, nessa ficção Cheio de luz, nessa escuridão Atrapalham sua oração Atrapalham seu beijo Todo seu desejo A velha mistura Te mata e te cura Te alegra e te deixa com medo A velha mistura te mata e te cura Acaba com você mais cedo Pra todos efeitos Esse seu jeito É também toda sua verdade Sua defesa, sua necessidade Deixar acontecer O que não aconteceu Porque? Cuspir no prato que comeu Procura conforto na hora do aborto Então um aplique a mais Quem sabe você se dá bem É um aplique a mais Compra de uma falsa paz Porque um aplique a mais Se o mundo roda, roda pra traz A Velha mistura - Golpe de Estado

Pra quem não é perfeito
Cheio de defeitos
Você esta vivo
Todo meu respeito
Viver na ilusão, nessa ficção
Cheio de luz, nessa escuridão
Atrapalham sua oração
Atrapalham seu beijo
Todo seu desejo
A velha mistura
Te mata e te cura
Te alegra e te deixa com medo
A velha mistura te mata e te cura
Acaba com você mais cedo
Pra todos efeitos
Esse seu jeito
É também toda sua verdade
Sua defesa, sua necessidade
Deixar acontecer
O que não aconteceu
Porque? Cuspir no prato que comeu
Procura conforto na hora do aborto
Então um aplique a mais
Quem sabe você se dá bem
É um aplique a mais
Compra de uma falsa paz
Porque um aplique a mais
Se o mundo roda, roda pra traz
A Velha mistura – Golpe de Estado

Uma das poucas bandas nacionais que aparecem no livro Passa lá em casa é justamente o Golpe de Estado. Nunca gostei de Legião Urbana e sempre achei, como a maioria dos críticos, que o Golpe não teve o lugar que merece na cena rocker brasileira. A principal trilha sonora é a música brasileira feita na primeira metade do século XX, leia-se: Carmen Miranda, Dorival Caymmi, Lupicínio Rodrigues, Nelson Gonçalves, com raras exceções. The Cure ali, Julian Casablancas acolá. Já tinha finalizado o livro, ou acreditei que tinha, quando ano passado depois de tanto tempo alguém teve a dignidade de tocar Golpe de Estado. Tinha esquecido ou estava inerte em minha mente, o quanto a banda é legal. Sempre gostei de pessoas que tem uma visão lucida do país em que vivemos, Ultraje a Rigor, Ira, Camisa de Vênus, Raul Seixas ou mesmo Cazuza, em doses moderadas é claro.

Mas voltando no dia em que ouvi A velha mistura corri para o livro e assinalei onde a frase ficaria bacana encabeçando um trecho do livro. O subtítulo desse trecho é: Tapetum lucidum 2[1].


[1] Tapetum lucidum, uma capa de células refletoras situadas por detrás da retina. Estas células refletem os raios de luz que não foram absorvidos no primeiro impacto, concedendo assim aos cones e aos bastonetes da retina uma segunda oportunidade. Estes também são os responsáveis de que os olhos dos gatos brilhem no escuro, já que qualquer pequena luz que recebam se reflete pela retina.

O texto narra aproximadamente o final ou inicio da década de 40. O lugar é uma praia em Santa Monica na Califórnia. Os personagens são Carmen Miranda, Cary Grant, Marilyn Monroe, Greta Garbo e o mordomo de minha vampira, Albert. Eles acabam se deparando com objetos inesperados encontrados nas águas.

Albert corria de braços abertos para as águas. Ele achou um fêmur.

Carmen corria de braços abertos para as águas. Ela achou uma caveira.

Garbo não corria de braços abertos para as águas. Ela preferia ficar sozinha na areia. E por isso mesmo não achou nada.

O acontecimento não se resume num crânio ou fêmur e sim a quem pertenceu àqueles ossos, coisa que o zumbi Albert sabe ao olhar para proporções fora do normal.

Hélcio Aguirra 03 de Março de 1959 – 21 de Janeiro de 2014

Uma pequena homenagem!

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Sabra Cadabra Sobre: Heavy Metal

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Sabra Cadabra
Sobre: Heavy Metal

Fêmur de Nefilim – Do anjo caído ao anjo materializado

Ele tinha que, tentado

Vencer o mal e o bem,

Antes que, já libertado,

Deixasse o caminho errado

Por que a Princesa vem[1]


[1] Fernando Pessoa

As nove estrelas mais brilhantes nas Plêiades tem os nomes das Sete Irmãs da mitologia grega: Asterope, Mérope, Electra, Celeno,Taigete, Maia e Dríope, junto com seus pais, Atlas e Pleione. Como filhas de Atlas, as híades eram irmãs das Plêiades. O nome do aglomerado é em si de origem grega, apesar da etimologia não estar clara. Algumas derivações incluem: de πλεîν plein, navegar, fazendo das Plêiades

As nove estrelas mais brilhantes nas Plêiades tem os nomes das Sete Irmãs da mitologia grega: Asterope, Mérope, Electra, Celeno,Taigete, Maia e Dríope, junto com seus pais, Atlas e Pleione. Como filhas de Atlas, as híades eram irmãs das Plêiades. O nome do aglomerado é em si de origem grega, apesar da etimologia não estar clara. Algumas derivações incluem: de πλεîν plein, navegar, fazendo das Plêiades “as navegantes”; de pleos, cheio ou muitos; ou então de peleiades, bando de pombas

TRECHO DO LIVRO PASSA LÁ EM CASA

TAPEDUM LUCIDUM 2

Você está vivo

Todo meu respeito[1]

Tem dó Albert

Albert corria de braços abertos para as águas. Ele achou um fêmur.

Carmen corria de braços abertos para as águas. Ela achou uma caveira.

Garbo não corria de braços abertos para as águas. Ela preferia ficar sozinha na areia. E por isso mesmo, não achou nada.

Correndo juntos na areia, Mr. Grant e Mrs. Hutton[2]. Mr. Grant acaba pisando em outra caveira.

Marilyn posava para um fotografo e lamentou a sorte, ela também não achou nada.

Miss Short[3] era observada pelo seu assassino.


[1] A velha mistura – Golpe de Estado;

[2] Barbara Woolworth Hutton se casou com Cary Grant em 1942. Em 1945 se divorciaram;

[3] Elizabeth Short (Hyde Park, perto de Boston, Massachusetts, 24 de julho de 1924 — Los Angeles, 14 de janeiro de 1947) foi uma atriz estadunidense, brutalmente assassinada em 1947. Era conhecida como Dália Negra;

Nefilim, do hebraico נְפִלנ ְפִיל nefilím, que significa desertores, caídos, derrubados, mas tal termo é uma variação do termo נָפַל. Deriva da forma causativa do verbo nafál ou nefal (cair,queda,derrubar,cortar). Conforme encontrado em 2 Reis 3:19; 19:17.Alguns estudiosos da Bíblia sugerem que os nefilins eram anjos caídos, outros afirmam que a derivação do nome se refere apenas a homens iníquos como Caim.

A passagem bíblica a que se refere o termo encontram-se em Genesis 6:1-4, e em Números 13:33. Alguns estudiosos tomando o contexto do versículo 4 afirmam que os próprios nefilins não eram anjos e sim descendentes híbridos resultante do acasalamento em anjos materializados e as filhas dos homens. Portanto os filhos de Deus mencionados em Gêneses 6:2, devem ter sidos anjos espirituais, “filhos de Deus”. Essa expressão é aplicada aos anjos em Jó 1:6; 38:7. Esse contesto é apoiado pelo apostolo Pedro, em 1Pedro 3:19, 20. Judas também fala sobre “os anjos que não conservaram a sua posição original, mas abandonaram a sua própria moradia correta”, Judas 6. Nos textos acima narra que os anjos desobedientes são agora “espíritos em prisão”, tendo sido ‘lançados no Tártaro’ e ‘reservados com laços em profunda escuridão. Tal fato aconteceu após o Dilúvio, que segundo a Bíblia, destruiu os gigantes filhos híbridos de anjos caídos.

Diz a narrativa na bíblia que Deus teria decretado um dilúvio. Atualmente é reconhecido pela ciência moderna que de fato houve algo parecido. No caso relato fala de um dilúvio global eliminando a raça humana juntamente com os Nefilins, os filhos dos filhos de Deus. Por fim, recomeça uma nova humanidade e os genitores dos Nefilins retornam a sua forma espiritual. Diz o livro de Josué 15:14

“E Calebe expulsou dali os três filhos de Anaque: Sesai, Aimã e Talmai, filhos de Anaque”.

Em outras passagens bíblicas encontramos anjos materializados em humanos, com papeis definidos, como no caso de Ló. Os dois anjos entraram em Sodoma e Gomorra para tirar o patriarca dessa cidade condenada.

Obra de Gustave Courbet - Ló e suas filhas

Obra de Gustave CourbetAs filhas de Ló

É interessante notar não apenas essa famoso relato registrado no velho testamento, mas que também é apoiado no novo testamente pelo apostolo Pedro, por exemplo. Onde ele narra que a paciência de Deus esgotou nos dias de Noé, trazendo assim um cataclismo que hoje encontramos provas de sua existência, o Dilúvio. Sobre esse assunto falarei em outro post.

Porem esse relato encontra eco em outras culturas e narrativas. Talvez a mais conhecida por nós seja a Mitologia grega em seus relatos de Deuses e Deusas que coabitaram com humanos e produziram heróis ou semideuses.

Flávio Josefo faz uma distinção entre os gigantes e o fruto das relações entre os “Filhos de Deus” e as “filhas dos homens”, quando afirma em sua obra: “… e os grandes da terra, que se haviam casado com as filhas dos descendentes de Caim, produziram uma raça indolente que, pela confiança que depositavam na própria força, se vangloriava de calcar aos pés a justiça e imitava os gigantes de que falam os gregos.” (Antiguidades Judaicas). Aparece pela primeira vez em Gênesis 6 traduzido como Gigantes, na maioria das versões bíblicas.

Psiquê e Eros, de Jacques-Louis David. Tem coisa mais neoclássica que David

Psiquê e Eros, de Jacques-Louis David. Tem coisa mais neoclássica que David

Eros, que também sofria com sua ausência, não mais suportando ver a esposa passar por tanta dor, implorou a Zeus, o deus dos deuses, que tivesse compaixão deles.

Um dos Anjos mais conhecidos entre as lendas da humanidade é Eros ou Cupido.

Trecho final da narrativa:

“E com a permissão Zeus, Eros tirou Psique do sono eterno com uma de suas flechas e uniu-se a ela, um deus e uma mortal, no Monte Olimpo. Depois deste casamento, Eros e Psiquê, ou seja, o Amor e a Alma, permaneceram juntos por toda a eternidade”.

No livro bastante conhecido Eram os Deuses astronautas, pesquisador suíço Erich Von Däniken foi um dos primeiros defensores modernos, da teoria da origem superior. Tendo viajado meio mundo e dedicado boa parte de sua vida ao estudo das civilizações antigas, como os sumérios, babilônios, hindus, incas, maias e astecas, Däniken é pioneiro na abordagem técnica sobre a influência de seres extraterrestres no desenvolvimento da vida na Terra. À despeito de inúmeras difamações e ataques sofridos, escreveu diversos livros.

Segundo os sumérios, essa raça de extraterrestres eram os Anunnaki (Os Do Céu Que estão Na Terra), que mais tarde foram chamados de Elohim (Senhores do Céu).

O Nefilim alienígena de Roberto Ferri. Por incrível que pareça, é um pintor contemporâneo nascido em 1978...

O Nefilim alienígena de Roberto Ferri. Por incrível que pareça, é um pintor contemporâneo nascido em 1978…

O resultado dessas ousadas experiências foram seres antropomórficos, de aspecto exótico ou monstruoso, que ficaram conhecidos, ao longo da história, como quimeras (centauros, cíclopes, hárpias, tritões, sereias, minotauros, hidras, górgonas, sátiros, etc). Criaturas que possuíam cabeça e tronco humanos e membros inferiores de animais ou as vezes, o inverso, ou uma bizarra combinação de ambos ou de vários animais, ou ainda seres humanos com dois pares de membros superiores. Algumas placas sumérias com anotações de ENKI, à respeito dessas experiências, revelam que muitos tinham sérias disfunções biológicas, mas outros se adaptavam bem e desenvolviam, inclusive alto grau de inteligência. Ao contrário do que se pensa, esses seres não eram meros mitos, mas sim resultado de avançada engenharia genética. A ciência moderna, secretamente, tem dado os primeiros passos em direção à essas atividades (Por exemplo: Transplante de órgãos de animais em seres humanos). O fato é que esses seres fantásticos conviviam com os humanos criados pelos Anunnaki, e foram citados em muitos textos de civilizações antigas, principalmente as greco-romanas e indo europeias. Alguns deles ficaram famosos em seus tempos, como a górgona Medusa, o sátiro Pan e o ser minotauro, da ilha de Creta, ou o homem-pássaro hindu Garuda. Inicialmente eram considerados semideuses, mas à medida que as civilizações iam ficando mais sofisticadas, esses seres passaram a ser vistos como ameaças e foram perseguidos e combatidos por homens como GilgameshPerseu e Hércules.

Também encontramos correspondência na cultura árabe com suas classificações de Ifrit. Os ifrit’s ou djim, são seres miológicos que estão distribuídos em hierarquias. Muitos são antropomórficos e as características de personalidades e atitude lembram os nefilins. Quem nunca ouviu falar de princesas aprisionadas por gênios da lâmpada.

Sobre a cultura europeia vamos exemplificar um acontecimento ocorrido no século 400 A.C.

A visão de Fausto (1880) de Luis Ricardo Farelo

A visão de Fausto (1880) de Luis Ricardo Farelo

Voltando a Grécia, mais especificamente a uma festa em Pireu, na celebração em homenagem a Bêndis, encontramos alguns sábios numa narrativa bastante conhecida, O fim de Atlântida. Sócrates, Platão, Crítias o jovem, Hermócrates. Crítias contou uma historia bastante estranha porem autentica conforme foi qualificada pelo sábio Sólon, o qual outrora a havia trazido do Egito para Grécia.  A narrativa por hora não nos interessa, mas sim um trecho dela.

“Graças a essa mentalidade e a ação continua da natureza divina, com eles tudo progrediu e saiu-se bem… Toda via, quando, aos poucos, sua natureza divina ficou debilitada, por causa da frequente mistura do seu sangue com o sangue de muitos mortais e a natureza humana chegou a neles prevalecer, então começaram a revelar-se incapazes de conviver com as suas riquezas e se tornaram de índole má”.

Continua Crítias:

Pleiade perdida (1884) de William-Adolphe Bouguereau

Pleiade perdida (1884) obra linda e poética de William-Adolphe Bouguereau

“Contudo o deus dos deuses, Zeus, que rege segundo as leis eternas e perfeitamente reconheceu o estado lastimável em que se encontrou essa estirpe, outrora tão capaz, resolveu castiga-la e, para tanto, convocou todas as deidades, em sua morada sublime, situada no centro do cosmo, de onde se avista, tudo que, no decorrer dos tempos, participou do processo de evolução”…

A narrativa se extingue.

Otto Muck comenta:

“Aqui ressurge o motivo idêntico com a motivação do dilúvio bíblico: promiscuidade dos ‘filhos dos deuses’ e das ‘filhas da Terra’. A origem desse paralelo é desconhecida”.

“Castigo’, parece fora de duvida que com isso se aludiu ao dilúvio”.

Aqui temos duas versões para mesma lenda, uma bíblica e outra grega. A quem interessar, a definição física da ilha mítica é detalhadamente descrita por Crítias. Levando a isso milhares de livros sobre o tema Atlântida. Pesquisas e curiosidade a respeito não apenas da ilha, mas de seus habitantes. Vale lembrar que Jacques Cousteau antes de morrer preparava uma missão para encontra-la.

Porem existe mais um detalhe, os sumérios.

Categoria: Fêmur de Nefilim Sobre: Ciências naturais, Ciências especulativas

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Sobre: Ciências naturais, Ciências especulativas