Um arquiteto nervoso

Porcelana Sèvres um dos elementos importantes no estilo Neoclássico. No livro Passa lá em casa, este é um dos elementos da decoração do apartamento de Augusto

Porcelana Sèvres um dos elementos importantes no estilo Neoclássico. No livro Passa lá em casa, este é um dos elementos da decoração do apartamento de Augusto

Estaria muito alem dos limites dos poderes de qualquer individuo tentar reunir ilustrações das inúmeras e tão diversas fases da arte ornamental. Seria um trabalho minimamente possível se empreendido por um governo e, mesmo assim, seria volumoso demais para ser útil de modo geral. Assim, tudo que me propus a fazer, ao formar a coleção que arrisquei chamar de Gramática do ornamento, foi selecionar os tipos mais proeminentes em alguns estilos intimamente ligados

Castelo di Sammezzano

Castelo di Sammezzano

uns com os outros e em que algumas regras gerais pareceram reinar independentemente das peculiaridades de cada um.

Eu me aventurei a desejar, a fazer uma justaposição imediata das muitas formas de beleza de cada estilo de ornamento, poder ajudar deter a infeliz tendência do nosso tempo de nos contentar com a copia, enquanto dure a moda, de forma peculiares a qualquer década passada sem tentar averiguar – e geralmente ignorando completamente – as circunstancias peculiares que tornaram um ornamento belo porque era apropriado e que revela outras deficiências ao ser transplantado, fracassando completamente.

E mais que provável que o primeiro resultado de lançar para o mundo esta coleção seja o considerável aumento dessa tendência, e que muitos se contente em tomar emprestado do passado essas formas de beleza que ainda não tenham sido utilizadas ad nauseam. É meu desejo deter essa tendência e fazer despertar uma ambição mais nobre.

Se o estudante empenhar-se em pesquisar as idéias empregadas em tantas línguas diferentes, ele seguramente pode esperar encontrar uma formula de fluxo continuo em lugar de uma reserva parada e cheia até a metade.

Nos capítulos a seguir tentei estabelecer os seguintes fatos principais:

Primeiro: Sempre que um estilo de ornamento desperta admiração universal, ele esta invariavelmente de acordo com as leis que governam a distribuição da forma na natureza.

Aubusson

Aubusson

Segundo: Não importa quão variada sejam as manifestações em cumprimento dessas leis, as principais idéias que se baseiam são muito poucas.

Terceiro: que as modificações e desenvolvimentos ocorridos de um estilo para outro foram causados pelo descarte súbito de algum impedimento fixo que libera o pensamento por um tempo, até que a nova ideia, assim como a antiga, se torne novamente fixa, dando a luz, por sua vez, a novas invenções.

Porcelana de Sèvres

Porcelana de Sèvres

Ultimo: tentei mostrar, no vigésimo capitulo, que o progresso futuro da arte ornamental pode ser mais bem segurado enxertando na experiência do passado o conhecimento que possamos obter de um retorno a natureza para renovar a inspiração. Tentei elaborar teorias da arte, ou formar um estilo independente do passado, seria um ato de extrema

tolice. Seria, ao mesmo tempo reeitar as experiências e o conhecimento acumulado de milhares de anos. Ao contrario devemos considerar todos os trabalhos bem-sucedidos dos passado nossa herança, sem segui-los cegamente, mas apenas empregando-os como orientações para encontrar o verdadeiro caminho.

Ao encerrar o tema e finalmente submetê-lo ao julgamento do publico, estou totalmente ciente de que a coleção está longe da completude; existem diversas lacunas que cada artista pode, no entanto, prontamente preencher por conta própria. Meu principal objetivo, apresentar exemplo desses estilos lado a lado da melhor maneira para torná-los marcos ou apolos para o estudante em seu próprio caminho, foi, acredito cumprido.

Assim, resta-me oferecer meu reconhecimento a todos os amigos que gentilmente me auxiliaram nessa tarefa.

Na formação da coleção egípcia, recebi a ajuda bastante valiosa de J. Bonomi e de James Wild, que também contribuiu com os materiais para a coleção árabe; sua longa residência no Cairo lhe deu a oportunidade de formar uma coleção bastante grande de ornamentos cairotas, cuja a porção contida nesse trabalho não fornece nada além de uma ideia imperfeita, e espero que um dia ele se sinta estimulado a publicá-la de forma completa.

Azulejo da Quinta dos azulejos - Portugal

Azulejo da Quinta dos azulejos – Portugal

Devo a T. T. Bury a placa de vidro colorida. De C. J. Richardson obtive a parte principal dos materiais da coleção elisabetana; de J. B. Waring, os matérias da coleção bizantina, bem como o ensaio tão valioso sobre os ornamentos bizantinos e elisabetanos. Ao dispensar atenção especial aos ornamentos dos celtas, J. O. Westwood ajudou a formar a coleção desse povo e escreveu a tão impressionante historia e a exposição do estilo.

Trabalho de Owen Jones feito em Alhambra

Trabalho de Owen Jones feito em Alhambra

C. Dresser da Marlborough House, forneceu a interessante ilustração do numero 8 do vigésimo capitulo exibindo a organização geométrica das flores naturais.

Meu colega no Crystal Palace, M. Digby Wyatt, enriqueceu essa obra com artigos admiráveis sobre os ornamentos italianos e do período da Renascença.

Sempre que o material reunido de fontes publicadas, elas foram creditadas no corpo do trabalho.

O restante dos desenhos foi executado principalmente por meus discípulos Albert Warren e Charles Aubert, que com Stubbs, reduziram o tamanho dos desenhos originais e os prepararam para publicação.

O desenho sobre pedra de toda coleção foi confiado aos cuidados de Francis Bedford, que, com seus hábeis assistentes H. Fielding, W. R. Tymms, A. Warren e S. Sedgfield, com ajudas ocasionais, realizou as cem ilustrações em menos de um ano.

Devo agradecimentos especiais a Bedford pelo cuidado e pela preocupação por ele revelados, independente de toda consideração pessoal em realizar seu trabalho tão perfeitamente quanto o estagio avançado de que a cromolitografia exigiu; e sinto-me convencido de que seus valiosos serviços serão reconhecidos por todos aqueles que de alguma maneira, estão familiarizados com as dificuldades e incertezas do processo.

William Morris

William Morris

Os senhores Day e filho, editores executivos e, ao mesmo tempo, tipógrafos dessa obra, envidaram todos esforços para sua concretização, e, não obstante o cuidado necessário à sua execução dessa tarefa e a enorme quantidade de impressões a serem realizadas, os recursos de seus estabelecimentos permitiram a eles não apenas que o trabalho fosse oferecido com perfeita regularidade aos leitores, mas inclusive que fosse completado antes do prazo estabelecido.

Owen Jones

9 Argill Place, 15 de dezembro de 1856

Quando Owen Jones resolveu escrever A Gramática do ornamento, o fez por estar indignado com a mistura de estampas e símbolos usados pela burguesia sem qualquer critério ou conhecimento. Esse texto foi extraído do livro.

Categoria: Pilares da Criação  Subcategoria: O menos é mais, CHATO!  Sobre: Artes ornamentais e decorativas  Imagem em destaque: Porcelana japonesa do século XVIII

Categoria: Pilares da Criação
Subcategoria: O menos é mais, CHATO!
Sobre: Artes ornamentais e decorativas
Imagem em destaque: Porcelana japonesa do século XVIII

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Mansardas

O jovem Baco de (1884) de William-Adolphe Bouguereau

O jovem Baco de (1884) de William-Adolphe Bouguereau

Quando comecei escrever o livro Passa lá em casa sabia que tinha que fazer uma pesquisa sobre o neoclássico, um dos assuntos mais controversos da arquitetura contemporânea. Feito uma análise rápida percebi que não existe arquitetura realmente neoclássica, obviamente com raras exceções. O que vemos são edificações com alguns elementos clássicos mal conduzidos em espigões gigantes.

Carruagem desenhada por Percier e Fontaine para o Imperador Napoleão

Carruagem desenhada por Percier e Fontaine para o Imperador Napoleão

Agora o mais engraçado é quando tal elemento se resume a um telhado. Pois é, o cara te vende um edifício onde o “neoclássico” se resume a um telhado. Nesse pequeno estudo sobre a arquitetura e arte me deparei com algumas belezas, caricaturas, verdadeiros cenários no século XX, e erros muito mais que acertos.

desenho de Francisco Carballa

desenho de Francisco Carballa

Porem, vamos pensar na arquitetura neoclássica como ela é. Para isso devemos conduzir nosso olhar para um tempo especifico do mundo ocidental. Situamos o neoclássico entre o final do século XVIII e inicio do século XIX. Somos levados automaticamente para duas revoluções essenciais na historia: Revolução Francesa e Revolução Industrial. Eis o cenário que encontramos o neoclássico. Mas o que o neoclássico tem haver com essas revoluções? Na verdade não muito. A questão da arte esta ligada a um contexto, uma época. No caso a “redescoberta” de Pompeia e Herculano, e a campanha de Napoleão Bonaparte ao Egito. Aqui temos dois detalhes fundamentais para um retorno ao clássico e a incorporação de elementos egípcios, que foi chamado Estilo Império, umas das vertentes artísticas da época. Lendo sobre a iniciação artística de William-Adolphe Bouguereau (1825-1905) percebe a importância dessas descobertas para a arte. Durante seu aprendizado ele viajou para Itália onde teve contato direto com o renascimento. Em seus estudos fazia parte de seu currículo não apenas historia da arte, mas também arqueologia. Temos na obra de Thomas Hope clara influencia egípcia agregada ao clássico, aqui temos o Estilo Império que remete a Napoleão. Percier e Fontaine, dois dos mais importantes design da época, trabalhando para o imperador.

Teatro Municipal de São Paulo de arquitetura eclética. Foto: Daigo Oliva

Teatro Municipal de São Paulo de arquitetura eclética. Foto: Daigo Oliva

Quando comecei a estudar arquitetura foi feita mim uma pergunta sobre a questão do neoclássico. Não que a pergunta fosse assim especifica. Um vendedor de mapas no centro velho de São Paulo me questionou por que a arquitetura antes era bonita e agora é feia. Mostrou um edifício situado na Rua do Arouche. Não tem melhor lugar para levantar questões arquitetônicas. Estávamos a frente de um prédio de uns cinco andares em estilo eclético. Aquilo para ele é bonito. O que tinha a dizer a frente de algo realmente belo? Com frisos, detalhes, janelas verticais…

Avenida Paulista com o MASP de Lina Bo Bardi em primeiro plano

Avenida Paulista com o MASP de Lina Bo Bardi em primeiro plano

Disse que assim como ele identificou aquela obra como sendo algo do passado, cada obra deve responder a sua historia. E da historia atual tinha aqueles prédios modernistas que esse homem, que enquanto falava comigo sua dentadura dançava na boca, disse serem feias. Há prédios modernistas no centro velho de São Paulo, e estes anunciava não apenas uma saturação de estilo, mas de falta de espaço humano. Seria o Copan um prelúdio dessa mudança? O centro virou um novo centro na Avenida Paulista. Casarões vieram abaixo para dar espaço aos grandes arquitetos da escola modernista. É não estávamos longe de um Bratke, Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha, Vilanova Artigas…

Os chineses estão chegando na Brigadeiro Faria Lima. Pei Partnership Architects

Os chineses estão chegando na Brigadeiro Faria Lima. Pei Partnership Architects

Saturado uma Paulista ele migrou para região da Avenida Brigadeiro Farias. Lá foram e ainda são erguidas verdadeiras estufas de vidro a gosto contemporâneo. Haja ar-condicionado fodido para o sujeito não virar frango assado. Sobre essa arquitetura o jornalista Andre Barcinski se referiu como feia.

Talvez leigos saibam mais de arquitetura que muitos arquitetos, que parecem que fizeram o curso por correspondência.

Voltando ao neoclássico, alguns arquitetos argumentam que é “caboclo querendo ser europeu”, esquecendo que a arquitetura moderna não é uma corrente nascida no Brasil. Apesar de termos alguns dos mais importantes arquitetos modernistas do mundo, nascidos no Brasil.

O neoclássico hoje é tratado como foi o gótico na Idade Media, onde de forma pejorativa era chamada Idade das trevas. Eu me pergunto, o que se sabe do neoclássico e como ele é empregado hoje? Na verdade, não há como trazer o neoclássico para os nossos dias. A menos que haja outra Pompeia para escavar ou um Egito sendo tomado por um Imperador europeu. Agora espigão com telhadinho europeu em terras brasileiras não dá.

Avenida São João, São Paulo. Foto: Werner Haberkorn

Avenida São João, São Paulo. Foto: Werner Haberkorn

Categoria: Pilares de Criação Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas Imagem em destaque: Caricatura primorosa de Oscar Niemeyer por Fernandes

Categoria: Pilares de Criação
Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam
Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas
Imagem em destaque: Caricatura primorosa de Oscar Niemeyer por Fernandes