O ritual – 1° Parte: Karina Bacchi

DA ÉPOCA QUE FUI ESTAGIARIA DA NEZA CÉSAR EM 2005

Hall da suíte de Karina

Hall da suíte de Karina

Atendi o telefone e do outro lado da linha uma voz rouca dizia que o lustre tinha caído e quebrado. Karina Bacchi queria falar com Neza César, que não estava no escritório no momento. O trabalho no apartamento da atriz no Rio de Janeiro estava acabando. O imóvel de 320m² localizado na Barra da Tijuca, foi o segundo imóvel de Karina Bacchi do qual Neza fez mais uma de suas composições.

Para esse apartamento Neza buscou nas cores fechadas (beaujolais e o berinjela) o amadurecimento da atriz. “São cores que, junto do cinza e do verde-escuro, transformaram-se em novos neutros”, opina a designer. Para contrastar usou o turquesa.

Nesse apartamento foi feito um ritual vastu vidya, com a presença de um shaman. Praticante do hinduísmo e tendo Sathya Sai Baba como guru, Neza prioriza a purificação da morada por meio dessa filosofia que é anterior ao feng shui. Nesse trabalho é observada a mistura de estilos, estampas e cores, algo que Neza César faz como total maestria. Karina Bacchi diz que viu essa tendência em Londres, cidade que Neza morou durante alguns anos.

Repaginando clássicos do design, como a poltrona Egg do dinamarquês Arne Jacobsen, Neza consegue imprimir sua personalidade em cada peça. Boa parte dos tecidos veio de Londres, como o adamasco da sala de jantar. Outra design lembrada foi Tricia Guild, além de uma artista nova formada em arquitetura pelo Mackenzie, Calu Fontes. Com as peças da ceramista, Neza fez um patchwork na cozinha muito antes de virar moda.

Design de Neza César, apartamento de Karian Bacchi

Design de Neza César, apartamento de Karian Bacchi

Sala:

O equilíbrio da cor, branco!

O equilíbrio da cor, branco!

Num giro pela sala, a textura e a cor se fazem presentes - Foto do meio Evelyn Muller

Num giro pela sala, a textura e a cor se fazem presentes – Foto do meio Evelyn Muller

Listras, adamascados e florais se mesclam no living sem causar confusão visual. O motivo? O rosa, o fúcsia e o azul amarram a decoração - Primeira foto de Evelyn Muller

Listras, adamascados e florais se mesclam no living sem causar confusão visual. O motivo? O rosa, o fúcsia e o azul amarram a decoração – Primeira foto de Evelyn Muller

Sala de jantar e copa

Flores

Flores

A sala de jantar com tela de autoria de Isabelle Tuchband. Particularmente não gosto do trabalho dela, mas Neza adora - Foto de Evelyn Muller

A sala de jantar com tela de autoria de Isabelle Tuchband. Particularmente não gosto do trabalho dela, mas Neza adora – Foto de Evelyn Muller

A sala de jantar anuncia a copa em tom turquesa. Neza Cesar, forma um canto quente na cozinha de tom frio, embora vibrante. 'Cruzar' as cores dos ambientes é um recurso de efeito. Colocado na cozinha azul, o móvel pintado de beaujolais, mesmo tom do living, promove coerência cromática - Fotos: Evelyn Muller

A sala de jantar anuncia a copa em tom turquesa. Neza Cesar, forma um canto quente na cozinha de tom frio, embora vibrante. ‘Cruzar’ as cores dos ambientes é um recurso de efeito. Colocado na cozinha azul, o móvel pintado de beaujolais, mesmo tom do living, promove
coerência cromática – Fotos: Evelyn Muller

Vista geral a partir da copa e uma harmonia colorida. Poltronas e mesas Saarinen

Vista geral a partir da copa e uma harmonia colorida. Poltronas e mesas Saarinen

Cozinha:

Mais uma vez o branco é convocado. Uma cozinha pode ser branca e ainda assim reservar surpresas. Observe o patchwork de azulejos decorados, na parede, e o tapete formado por pastilhas coloridas

Mais uma vez o branco é convocado. Uma cozinha pode ser branca e ainda assim reservar surpresas. Observe o patchwork de azulejos decorados, na parede, e o tapete formado por pastilhas coloridas

Detalhe do patchwork da artista Calu Fontes

Detalhe do patchwork da artista Calu Fontes

Dormitório:

Vista do dormitório da atriz e apresentadora

Vista do dormitório da atriz e apresentadora

Em tom aconchegante, quente e romântico

Em tom aconchegante, quente e romântico

Próximo trabalho? O apartamento de Denise Fraga…

No livro Passa lá em casa, Nicolas contrata Neza César para trabalhar no lay out de sua empresa, uma funerária de luxo.

Categoria: Gardênia, a essência da flor Subcategoria: Fernanda Machado de Farias Sobre: Trabalhos que realizei na área de arquitetura

Categoria: Gardênia, a essência da flor
Subcategoria: Fernanda Machado de Farias
Sobre: Trabalhos que realizei na área de arquitetura

Anúncios

Triste engano

Não lembro o que estava lendo na internet, mas lembro da piada. Num anúncio que vi na página me surpreendi com o título do livro. As pessoas que me conhecem sabem que sou apaixonada por cor. Na faculdade tentei uma iniciação cientifica sobre o tema, mas…

Tudo relacionado ao assunto me fascina. Tenho livros, matérias, um banco de imagens, trabalhei com Neza César que admiro… No futuro publico uma matéria sobre ela. Enfim, achei curioso o nome e me perguntei “que tipo de pessoa escreve sobre 50 tons de cinza?” Cai num engano. Mas até aí não sabia que era um engano. Já ouvi falar que os esquimós consegue enxergar mais de 75 tonalidades de branco, então pensei não ser impossível.

50 tons de cinza inovou? Achille Jacques-Jean-Marie Devéria 1800-1857

50 tons de cinza inovou? Achille Jacques-Jean-Marie Devéria 1800-1857

Fui guiada por esse raciocínio que durou pouco tempo, ainda bem, senão poderia ter comprado o livro. Logo fui trazida a realidade. Lendo outra matéria, desse vez lembro bem e era sobre literatura, que falava desse “fenômeno”.  Muitas editoras mandaram voltar livros que estavam quase saindo da gráfica para uma revisão de capa. Elas teriam que seguir a linha “elegante chic” do livro em questão. Textos foram revisados e as editoras saíram a caça de romances ao estilo do “porno para mamães”. Numa entrevista  a convite do G1, Wanderléa de 60 anos descreveu o apelido dado ao livro da seguinte maneira:

“As mães brasileiras da minha geração já não são assim, tão sem cor. Sua sensualidade já é mais exuberante e colorida”.

Ilustração de Achille Deveria, por um sexo mais colorido

Ilustração de Achille Deveria. Por um sexo mais colorido

Colorida. Uma das minhas maiores crises de criação é justamente relacionado a cor. O por que do não uso da cor. Em meados do seculo XX a arquitetura foi se apartando lentamente das nuances, formando um abismo entre essas duas expressões uma artística e a outra física. Os que pouco uso faziam desse elemento natural da luz, tinham uma visão mais voltada para arte. Vide trabalhos de Oscar Niemeyer em parceria com Athos Bulcão e Cândido Portinari (Osirarte) ou mesmo o trabalho do mineiro Éolo Maia. De alguns outros modernistas, ou pôs-modernos como preferir, as cores primarias as vezes apareciam. A arquitetura tomou um distanciamento grande da coloração com o passar dos anos trabalhando a luz apenas na volumetria. A cor tornou-se objeto de mal gosto e cafona. Porém um detalhe foi perdido e não mais recuperado, a composição da cor. Mal gosto, cafona ou incapacidade em executar essa linha de composição?

Hoje nas pálidas faculdades de arquitetura, é um elemento perdido, não recuperado. Pelo simples fato que os professores não são capazes de uma base mínima para uma introdução a luz física, fenômeno do qual descende a cor. Por pura falta de conhecimento grande maioria.

Vemos refletido nisso uma cidade cinza, bege e descorada numa clara afirmativa desse problema. Sim, considero um problema. Você saber usar a cor para composição de um volume ou cenário e optar por não usa-lá é válido. Mas não saber usar e um dia optar por usar é um problema não solucionado por 5 anos de arquitetura.

Na verdade antes de entrar na faculdade, é um elemento perdido quando o ser humano deixa a infância. Seguindo por apatia, falta de conhecimento e por fim receio na fase adulta. Seria isso cromofobia? Não, o nome da doença ou distúrbio é Chromatophobia. Transcrevo a resposta que uma leitora chamada Layla dá à uma internauta do Yahoo:

Medo! Três interpretações de O grito de Edvard Munch (1863-1944). A foto do meio é de autoria do artista italiano Marco Pece onde ele faz releituras de obras de arte conhecidas e filmes com Lego

Medo! Três interpretações de O grito de Edvard Munch (1863-1944). A foto do meio é de autoria do artista italiano Marco Pece onde ele faz releituras de obras de arte conhecidas e filmes com Lego

“Chromatophobia é o nome dado à fobia das cores e é causada por algum trauma do passado. A fobia a cada cor tem o seu próprio nome, por exemplo, medo do laranja Chrysophobia, medo do azul Cyanophobia,…. Existe também outros medos que podem trazer fobia às cores, medo de palhaços pode criar fobia a muitas cores, Coulrophobia, ou o medo de agulhas que pode trazer a fobia do vermelho, por causa do sangue, Trypanophobia, entre outras”.

De tantas cores e receios ficamos apenas com as cores bege, as ditas cores sóbrias,  tonalidades de cinza, amarelinho ou se quiser ousar um pouquinho, um vermelho. Falando sobre o vermelho, hoje ele é considerado cor neutra justamente pela falsa ousadia que ele dá aos muitos usuários que apostam nele.

Pergunto, além dessas cores, quantas cores o ser humano consegue enxergar? Deixo a resposta mais uma vez com um leitor do Yahoo chamado Apolo  onde seu interlocutor faz a mesma pergunta:

Categoria: Pilares da criação Subcategoria: Telefones pretos Sobre: Teoria e estudo da cor

Categoria: Pilares da criação
Subcategoria: Telefones pretos
Sobre: Teoria e estudo da cor

No escuro, nenhuma!

No claro, um monte.