Já ouviu Carmen Miranda hoje? Parte 2

Pelé, Santos Dumont, Tom Jobim, dom Pedro 2º, Carmen Miranda, Machado de Assis. Estas são as únicas figuras brasileiras comparáveis a Oscar Niemeyer em matéria de importância histórica e influência nos destinos da humanidade. O arquiteto mais famoso do Brasil foi um mestre em desenhar curvas no concreto armado e levou poesia à paisagem das grandes cidades a partir da década de 1930. Sua extensa carreira foi laureada em 1988 com um Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura, na única vez em que o prêmio foi dividido (no caso, com o norte-americano Gordon Bunshaft).

Pelé, Santos Dumont, Tom Jobim, dom Pedro 2º, Carmen Miranda, Machado de Assis. Estas são as únicas figuras brasileiras comparáveis a Oscar Niemeyer em matéria de importância histórica e influência nos destinos da humanidade. O arquiteto mais famoso do Brasil foi um mestre em desenhar curvas no concreto armado e levou poesia à paisagem das grandes cidades a partir da década de 1930. Sua extensa carreira foi laureada em 1988 com um Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura, na única vez em que o prêmio foi dividido (no caso, com o norte-americano Gordon Bunshaft).

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Quinze perguntas do jornalista e crítico cinematográfico Leon Cakoff à Dulce Damasceno de Brito sobre a personalidade de Carmen Miranda

Ela gostava de repetir algum provérbio em situações difíceis ou alegres? Não. Mas adorava contar piadas

Ela gostava de repetir algum provérbio em situações difíceis ou alegres?
Não. Mas adorava contar piadas “sujas”, mesmo nos momentos mais difíceis.

Usava muita giria? Alguns palavras especiais ou palavrões em português, inglês ou espanhol ou palavras por ela inventadas? Porra, puta merda, puta que pariu, caralho, filho da puta, é uma bosta, na batata, tá no papo, tô de saco cheio, chato pra burro, é uma foda, etc. Em ingles: shit, son of a bitch, fuck yourshelf, holly cow, go to hell, etc. Não usava espanhol, a não ser quando se juntava a sua amiga porto-riquenha, Chita Riviera.

Usava muita giria? Alguns palavras especiais ou palavrões em português, inglês ou espanhol ou palavras por ela inventadas?
Porra, puta merda, puta que pariu, caralho, filho da puta, é uma bosta, na batata, tá no papo, tô de saco cheio, chato pra burro, é uma foda, etc. Em ingles: shit, son of a bitch, fuck yourshelf, holly cow, go to hell, etc. Não usava espanhol, a não ser quando se juntava a sua amiga porto-riquenha, Chita Riviera.

Temperamento emocional, as variações e decorrências? Alegre e divertida e, de repente, lembrando-se do Brasil, amarga e decepcionada. Lamentava-se

Temperamento emocional, as variações e decorrências?
Alegre e divertida e, de repente, lembrando-se do Brasil, amarga e decepcionada. Lamentava-se “Afinal a Greta Garbo e a Ingrid Bergman levaram 20 anos para voltar a Suecia, sua patria natal, e interpretaram personagens inglesas, francesas e americanos e nunca forma criticadas por isso. E eu… Taxada de americanizada, quando nem me naturalizei aqui como Marlene Dietrich que é alemã… Eu não poderia passar o resto da vida só fazendo de brasileira nos filmes, mas ninguém entende isso.

Vícios? Remédios. Era hipocondríaca,

Vícios?
Remédios. Era hipocondríaca, “receitava” para os amigos – a gente chegava lá com dor de cabeça ou de estomago ela abria logo a celebre maleta preta dos remédios e trazia um comprimido. Álcool: uísque puro, enxaguado com água em seguida, ou scotch on the rocks. Quando bebia sentia-se muito sexy e beijava todo mundo especialmente os homens. Também fumava muito, mas com filtro e piteira.

Manias? Significado e interpretações dos sonhos. Exemplo:

Manias?
Significado e interpretações dos sonhos. Exemplo: “A noite passa, sonhei com um bebe lindo. Hoje não vou ter sorte em nada…” Ou: “Sonhei que estava fazendo cocô. Significa que hoje é meu dia de sorte, my lucky day! Vou telefonar à agência e assinar o contrato em Las Vegas!”

Preconceito? Nenhum. Nem racial, nem religioso. Apesar de muito católica casou com um judeu e se dava muito bem com os negros.

Preconceito?
Nenhum. Nem racial, nem religioso. Apesar de muito católica casou com um judeu e se dava muito bem com os negros.

Manias? Significado e interpretações dos sonhos. Exemplo:

Manias?
Significado e interpretações dos sonhos. Exemplo: “A noite passa, sonhei com um bebe lindo. Hoje não vou ter sorte em nada…” Ou: “Sonhei que estava fazendo cocô. Significa que hoje é meu dia de sorte, my lucky day! Vou telefonar à agência e assinar o contrato em Las Vegas!”

Discussões e opiniões politicas sobre a época vivida. Algum envolvimento emocional? Gostava de homens autoritários na política, mas não dos ditares, apesar de admirar Getúlio Vargas, seu grande fã e com que teve um rápido romance. Adorava o presidente Franklin Roosevelt ( para quem cantou na Casa Branca) e achava o regime democrático norte-americano o ideal do mundo.

Discussões e opiniões politicas sobre a época vivida. Algum envolvimento emocional?
Gostava de homens autoritários na política, mas não dos ditares, apesar de admirar Getúlio Vargas, seu grande fã e com que teve um rápido romance. Adorava o presidente Franklin Roosevelt ( para quem cantou na Casa Branca) e achava o regime democrático norte-americano o ideal do mundo.

Cores preferidas? Vermelho. Seguido do verde-amarelo, que respeitava muito por ser as cores de nossa bandeira. Gostava de cores alegres e berrantes.

Cores preferidas?
Vermelho. Seguido do verde-amarelo, que respeitava muito por ser as cores de nossa bandeira. Gostava de cores alegres e berrantes.

Observações ou críticas aos americanos e a engrenagem de Hollywood? Nenhuma crítica. Adorava o

Observações ou críticas aos americanos e a engrenagem de Hollywood?
Nenhuma crítica. Adorava o “star system” do qual fazia parte “por um milagre de Deus”, como dizia. Mesmo depois quando se tornou “free lancer” – Libertando-se do contrato a que estivera presa e obediente durante sete anos – gostava adulação que recebera como estrela da Fox. Como já havia chegado com nome feito (nos palcos da Broadway), não precisou lutar tanto em Hollywood para vencer (“o estrelato estrelato foi tão fácil para mim!”) e tinha pena das “starlets” ambiciosas que tinham que dormir com os produtores para conseguir algum papel nos filmes

Algum indicio de personalidade feminista? Sim e não. Gostava da mulher emancipada independente, considerando-se uma delas. Mas achava que uma mulher não é completa sem amor e o apoio de um homem. E vice-versa.

Algum indicio de personalidade feminista?
Sim e não. Gostava da mulher emancipada independente, considerando-se uma delas. Mas achava que uma mulher não é completa sem amor e o apoio de um homem. E vice-versa.

Opiniões sobre o sexo e a moral sexual. Supermoderna, liberal e compreensiva com relação a quaisquer tipos de casos amorosos, inclusive os homossexuais, mas no íntimo apegada ainda às convenções por motivos religiosos, respeitando muitíssimo o casamento

Opiniões sobre o sexo e a moral sexual.
Supermoderna, liberal e compreensiva com relação a quaisquer tipos de casos amorosos, inclusive os homossexuais, mas no íntimo apegada ainda às convenções por motivos religiosos, respeitando muitíssimo o casamento “de papel passado” (como fora o seu), que considerava ideal para solidificar o amor. Muito “sexy” e maliciosa.

Demonstrava alguma preocupação com as variações do seu carisma? Sim, por que embora realizada como artista, era um tanto insatisfeita consigo mesma e esforçava-se para fazer os shows cada vez melhor, ficando deprimida quando achava que não havia dado o máximo

Demonstrava alguma preocupação com as variações do seu carisma?
Sim, por que embora realizada como artista, era um tanto insatisfeita consigo mesma e esforçava-se para fazer os shows cada vez melhor, ficando deprimida quando achava que não havia dado o máximo

Alguma preocupação em investir seus lucros pensando no futuro? Não se preocupava com o futuro e nem com dinheiro. Seu marido e os empresários cuidavam disso. Certa vez no início de sua carreira em Hollywood investiu boa quantia em poços de petróleo e perdeu tudo. Desde então considerava-se uma péssima

Alguma preocupação em investir seus lucros pensando no futuro?
Não se preocupava com o futuro e nem com dinheiro. Seu marido e os empresários cuidavam disso. Certa vez no início de sua carreira em Hollywood investiu boa quantia em poços de petróleo e perdeu tudo. Desde então considerava-se uma péssima “business woman” e recusava a tomar conhecimento dos assuntos financeiros. Só queria saber quanto ganharia, pois orgulhava de ser uma das artistas estrangeiras mais bem pagas dos Estados Unidos

Passava-lhe pela cabeça que a sua imagem era usada como

Passava-lhe pela cabeça que a sua imagem era usada como “prova” da amizade dos americanos com o “exótico” universo latino?
Sabia disso, e francamente gostava da ideia. Dizia “se é verdade que me usam dessa maneira, então devo ser um bom instrumento porque, sendo brasileira, passei a frente das argentinas, colombianas, venezuelanas, mexicanas, peruanas, e porto-riquenhas que falam espanhol – o idioma oficial da América Latina – sendo o Brasil o único de língua portuguesa e, consequentemente, de comunicação mais limitada. É confortante saber que uma simples artista popular como eu possa ter sido usada como arma política. Mas, se não tivesse talento e este carisma que me atribuem, eu não teria sobrevivido, certo?”.

“Comparativamente, a síntese gráfica de suas formas arquitetônicas é semelhante à estilização técnica e gestual da cantora Carmen Miranda, que começou a fazer sucesso nos Estados Unidos exatamente enquanto Costa e Niemeyer construíram o Pavilhão do Brasil na Exposição Universal de 1939, em Nova York. Tanto nele quanto nela, percebe-se uma vocação original para comunicação de massa. Se a extravagancia algo kitsch de Carmen serviria, décadas mais tarde, de inspiração para o Tropicalismo na música popular, Niemeyer não escaparia de ficar associado a um regionalismo tropical, exótico e hedonista, que, no entanto não descreve o aspecto mais importante de sua obra”. - Guilherme Wisnik

“Comparativamente, a síntese gráfica de suas formas arquitetônicas é semelhante à estilização técnica e gestual da cantora Carmen Miranda, que começou a fazer sucesso nos Estados Unidos exatamente enquanto Costa e Niemeyer construíram o Pavilhão do Brasil na Exposição Universal de 1939, em Nova York. Tanto nele quanto nela, percebe-se uma vocação original para comunicação de massa. Se a extravagancia algo kitsch de Carmen serviria, décadas mais tarde, de inspiração para o Tropicalismo na música popular, Niemeyer não escaparia de ficar associado a um regionalismo tropical, exótico e hedonista, que, no entanto não descreve o aspecto mais importante de sua obra”. – Guilherme Wisnik

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Augusto de sapato novo Sobre: Música brasileira - MPB Texto do livro O ABC de Carmen Miranda de Dulce Damasceno de Brito Leon Cakoff, Alepo, 25 de junho de 1948 - São Paulo, 14 de outubro de 2011; Dulce Damasceno Brito, Casa Branca, 1926 — São Paulo, 9 de novembro de 2008; Imagem em destaque: Carmen Miranda entre Dorival Caymmi e Assis Valente

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Augusto de sapato novo
Sobre: Música brasileira – MPB
Texto do livro O ABC de Carmen Miranda de Dulce Damasceno de Brito
Leon Cakoff, Alepo, 25 de junho de 1948 – São Paulo, 14 de outubro de 2011;
Dulce Damasceno Brito, Casa Branca, 1926 — São Paulo, 9 de novembro de 2008;
Imagem em destaque: Carmen Miranda entre Dorival Caymmi e Assis Valente

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Mansardas

O jovem Baco de (1884) de William-Adolphe Bouguereau

O jovem Baco de (1884) de William-Adolphe Bouguereau

Quando comecei escrever o livro Passa lá em casa sabia que tinha que fazer uma pesquisa sobre o neoclássico, um dos assuntos mais controversos da arquitetura contemporânea. Feito uma análise rápida percebi que não existe arquitetura realmente neoclássica, obviamente com raras exceções. O que vemos são edificações com alguns elementos clássicos mal conduzidos em espigões gigantes.

Carruagem desenhada por Percier e Fontaine para o Imperador Napoleão

Carruagem desenhada por Percier e Fontaine para o Imperador Napoleão

Agora o mais engraçado é quando tal elemento se resume a um telhado. Pois é, o cara te vende um edifício onde o “neoclássico” se resume a um telhado. Nesse pequeno estudo sobre a arquitetura e arte me deparei com algumas belezas, caricaturas, verdadeiros cenários no século XX, e erros muito mais que acertos.

desenho de Francisco Carballa

desenho de Francisco Carballa

Porem, vamos pensar na arquitetura neoclássica como ela é. Para isso devemos conduzir nosso olhar para um tempo especifico do mundo ocidental. Situamos o neoclássico entre o final do século XVIII e inicio do século XIX. Somos levados automaticamente para duas revoluções essenciais na historia: Revolução Francesa e Revolução Industrial. Eis o cenário que encontramos o neoclássico. Mas o que o neoclássico tem haver com essas revoluções? Na verdade não muito. A questão da arte esta ligada a um contexto, uma época. No caso a “redescoberta” de Pompeia e Herculano, e a campanha de Napoleão Bonaparte ao Egito. Aqui temos dois detalhes fundamentais para um retorno ao clássico e a incorporação de elementos egípcios, que foi chamado Estilo Império, umas das vertentes artísticas da época. Lendo sobre a iniciação artística de William-Adolphe Bouguereau (1825-1905) percebe a importância dessas descobertas para a arte. Durante seu aprendizado ele viajou para Itália onde teve contato direto com o renascimento. Em seus estudos fazia parte de seu currículo não apenas historia da arte, mas também arqueologia. Temos na obra de Thomas Hope clara influencia egípcia agregada ao clássico, aqui temos o Estilo Império que remete a Napoleão. Percier e Fontaine, dois dos mais importantes design da época, trabalhando para o imperador.

Teatro Municipal de São Paulo de arquitetura eclética. Foto: Daigo Oliva

Teatro Municipal de São Paulo de arquitetura eclética. Foto: Daigo Oliva

Quando comecei a estudar arquitetura foi feita mim uma pergunta sobre a questão do neoclássico. Não que a pergunta fosse assim especifica. Um vendedor de mapas no centro velho de São Paulo me questionou por que a arquitetura antes era bonita e agora é feia. Mostrou um edifício situado na Rua do Arouche. Não tem melhor lugar para levantar questões arquitetônicas. Estávamos a frente de um prédio de uns cinco andares em estilo eclético. Aquilo para ele é bonito. O que tinha a dizer a frente de algo realmente belo? Com frisos, detalhes, janelas verticais…

Avenida Paulista com o MASP de Lina Bo Bardi em primeiro plano

Avenida Paulista com o MASP de Lina Bo Bardi em primeiro plano

Disse que assim como ele identificou aquela obra como sendo algo do passado, cada obra deve responder a sua historia. E da historia atual tinha aqueles prédios modernistas que esse homem, que enquanto falava comigo sua dentadura dançava na boca, disse serem feias. Há prédios modernistas no centro velho de São Paulo, e estes anunciava não apenas uma saturação de estilo, mas de falta de espaço humano. Seria o Copan um prelúdio dessa mudança? O centro virou um novo centro na Avenida Paulista. Casarões vieram abaixo para dar espaço aos grandes arquitetos da escola modernista. É não estávamos longe de um Bratke, Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha, Vilanova Artigas…

Os chineses estão chegando na Brigadeiro Faria Lima. Pei Partnership Architects

Os chineses estão chegando na Brigadeiro Faria Lima. Pei Partnership Architects

Saturado uma Paulista ele migrou para região da Avenida Brigadeiro Farias. Lá foram e ainda são erguidas verdadeiras estufas de vidro a gosto contemporâneo. Haja ar-condicionado fodido para o sujeito não virar frango assado. Sobre essa arquitetura o jornalista Andre Barcinski se referiu como feia.

Talvez leigos saibam mais de arquitetura que muitos arquitetos, que parecem que fizeram o curso por correspondência.

Voltando ao neoclássico, alguns arquitetos argumentam que é “caboclo querendo ser europeu”, esquecendo que a arquitetura moderna não é uma corrente nascida no Brasil. Apesar de termos alguns dos mais importantes arquitetos modernistas do mundo, nascidos no Brasil.

O neoclássico hoje é tratado como foi o gótico na Idade Media, onde de forma pejorativa era chamada Idade das trevas. Eu me pergunto, o que se sabe do neoclássico e como ele é empregado hoje? Na verdade, não há como trazer o neoclássico para os nossos dias. A menos que haja outra Pompeia para escavar ou um Egito sendo tomado por um Imperador europeu. Agora espigão com telhadinho europeu em terras brasileiras não dá.

Avenida São João, São Paulo. Foto: Werner Haberkorn

Avenida São João, São Paulo. Foto: Werner Haberkorn

Categoria: Pilares de Criação Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas Imagem em destaque: Caricatura primorosa de Oscar Niemeyer por Fernandes

Categoria: Pilares de Criação
Subcategoria: De quando os arquitetos desenhavam
Sobre: Arquitetura, Construção, Escolas Arquitetônicas
Imagem em destaque: Caricatura primorosa de Oscar Niemeyer por Fernandes

Triste engano

Não lembro o que estava lendo na internet, mas lembro da piada. Num anúncio que vi na página me surpreendi com o título do livro. As pessoas que me conhecem sabem que sou apaixonada por cor. Na faculdade tentei uma iniciação cientifica sobre o tema, mas…

Tudo relacionado ao assunto me fascina. Tenho livros, matérias, um banco de imagens, trabalhei com Neza César que admiro… No futuro publico uma matéria sobre ela. Enfim, achei curioso o nome e me perguntei “que tipo de pessoa escreve sobre 50 tons de cinza?” Cai num engano. Mas até aí não sabia que era um engano. Já ouvi falar que os esquimós consegue enxergar mais de 75 tonalidades de branco, então pensei não ser impossível.

50 tons de cinza inovou? Achille Jacques-Jean-Marie Devéria 1800-1857

50 tons de cinza inovou? Achille Jacques-Jean-Marie Devéria 1800-1857

Fui guiada por esse raciocínio que durou pouco tempo, ainda bem, senão poderia ter comprado o livro. Logo fui trazida a realidade. Lendo outra matéria, desse vez lembro bem e era sobre literatura, que falava desse “fenômeno”.  Muitas editoras mandaram voltar livros que estavam quase saindo da gráfica para uma revisão de capa. Elas teriam que seguir a linha “elegante chic” do livro em questão. Textos foram revisados e as editoras saíram a caça de romances ao estilo do “porno para mamães”. Numa entrevista  a convite do G1, Wanderléa de 60 anos descreveu o apelido dado ao livro da seguinte maneira:

“As mães brasileiras da minha geração já não são assim, tão sem cor. Sua sensualidade já é mais exuberante e colorida”.

Ilustração de Achille Deveria, por um sexo mais colorido

Ilustração de Achille Deveria. Por um sexo mais colorido

Colorida. Uma das minhas maiores crises de criação é justamente relacionado a cor. O por que do não uso da cor. Em meados do seculo XX a arquitetura foi se apartando lentamente das nuances, formando um abismo entre essas duas expressões uma artística e a outra física. Os que pouco uso faziam desse elemento natural da luz, tinham uma visão mais voltada para arte. Vide trabalhos de Oscar Niemeyer em parceria com Athos Bulcão e Cândido Portinari (Osirarte) ou mesmo o trabalho do mineiro Éolo Maia. De alguns outros modernistas, ou pôs-modernos como preferir, as cores primarias as vezes apareciam. A arquitetura tomou um distanciamento grande da coloração com o passar dos anos trabalhando a luz apenas na volumetria. A cor tornou-se objeto de mal gosto e cafona. Porém um detalhe foi perdido e não mais recuperado, a composição da cor. Mal gosto, cafona ou incapacidade em executar essa linha de composição?

Hoje nas pálidas faculdades de arquitetura, é um elemento perdido, não recuperado. Pelo simples fato que os professores não são capazes de uma base mínima para uma introdução a luz física, fenômeno do qual descende a cor. Por pura falta de conhecimento grande maioria.

Vemos refletido nisso uma cidade cinza, bege e descorada numa clara afirmativa desse problema. Sim, considero um problema. Você saber usar a cor para composição de um volume ou cenário e optar por não usa-lá é válido. Mas não saber usar e um dia optar por usar é um problema não solucionado por 5 anos de arquitetura.

Na verdade antes de entrar na faculdade, é um elemento perdido quando o ser humano deixa a infância. Seguindo por apatia, falta de conhecimento e por fim receio na fase adulta. Seria isso cromofobia? Não, o nome da doença ou distúrbio é Chromatophobia. Transcrevo a resposta que uma leitora chamada Layla dá à uma internauta do Yahoo:

Medo! Três interpretações de O grito de Edvard Munch (1863-1944). A foto do meio é de autoria do artista italiano Marco Pece onde ele faz releituras de obras de arte conhecidas e filmes com Lego

Medo! Três interpretações de O grito de Edvard Munch (1863-1944). A foto do meio é de autoria do artista italiano Marco Pece onde ele faz releituras de obras de arte conhecidas e filmes com Lego

“Chromatophobia é o nome dado à fobia das cores e é causada por algum trauma do passado. A fobia a cada cor tem o seu próprio nome, por exemplo, medo do laranja Chrysophobia, medo do azul Cyanophobia,…. Existe também outros medos que podem trazer fobia às cores, medo de palhaços pode criar fobia a muitas cores, Coulrophobia, ou o medo de agulhas que pode trazer a fobia do vermelho, por causa do sangue, Trypanophobia, entre outras”.

De tantas cores e receios ficamos apenas com as cores bege, as ditas cores sóbrias,  tonalidades de cinza, amarelinho ou se quiser ousar um pouquinho, um vermelho. Falando sobre o vermelho, hoje ele é considerado cor neutra justamente pela falsa ousadia que ele dá aos muitos usuários que apostam nele.

Pergunto, além dessas cores, quantas cores o ser humano consegue enxergar? Deixo a resposta mais uma vez com um leitor do Yahoo chamado Apolo  onde seu interlocutor faz a mesma pergunta:

Categoria: Pilares da criação Subcategoria: Telefones pretos Sobre: Teoria e estudo da cor

Categoria: Pilares da criação
Subcategoria: Telefones pretos
Sobre: Teoria e estudo da cor

No escuro, nenhuma!

No claro, um monte.