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K de K7, fita cassete

walkmanQuem foi adolescente entre a década de 80 e 90 lembra bem das fitas cassetes. Lembra que para economizar as pilhas do walkman usávamos canetas presas aos dentes para rebobiná-las. E quando1 enroscava no aparelho de som? Eu ficava desesperada, era sempre a fita que mais gostava. Saia toda amassada, mastigada, um horror! Ainda conservo comigo algumas fitas cassetes. Umas das mais importantes que tenho é de uma entrevista que gravei da Cássia Eller apresentando o CD, LP e K7 Veneno Antimonotonia na extinta Musical FM. Outra é o Paulinho da Viola apresentando seus principais clássicos.

Saudade? Nenhuma. A saudade que tenho é de um tempo em que as pessoas realmente ouviam música e sabiam o que estavam ouvindo.

Categoria: Espaço Carmen Miranda Subcategoria: Subculture Sobre: Rock e música Pop Imagens: Zim and Zou

Categoria: Espaço Carmen Miranda
Subcategoria: Subculture
Sobre: Rock e música Pop
Imagens: Zim and Zou

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Para um amor em Fortaleza

Deveria ter escrito mais cartas…

É tarde, eu já vou indo Preciso ir embora, 'té amanhã

É tarde, eu já vou indo
Preciso ir embora, ‘té amanhã

Tenho todas que ela me escreveu, e agora eu preciso coloca-las em ordem, e pensar que quem me escreveu, não mais escreverá. Talvez essa seja a pior parte, o futuro sem aquela pessoa. Saber que posso rodar o mundo e pô-lo de cabeça para baixo ou do avesso e… nada. E quando, ou se um dia retornar a casa que foi dela, ela não estará. Mas o que é engraçado e que quando ela adormeceu seu rosto apareceu nítido em minha memória, sua voz soou tal como foi em minha memória reproduzida fielmente. Lembro claramente da textura de seu cabelo, de sua pele. Lembro com detalhes de seus dedos, inclusive quando ela segurava as coisas. O sotaque e a forma que chamava a mim ou um dos meus irmãos. Também me lembro da pronuncia dela em chamar cada filho. Nunca realmente me senti longe dela, me sentia mais longe de mim para poder chegar a ela. Dia após dia busco desesperadamente lembranças de minha infância para chegar à conclusão que apenas naquele momento fui feliz, não mais.

Mamãe quando eu saí disse Filhinho não demora em Braçanã Se eu demoro mamaezinha Tá a me esperar Pra me castigar Tá doido moço Num faço isso, não

Mamãe quando eu saí disse
Filhinho não demora em Braçanã
Se eu demoro mamaezinha Tá a me esperar
Pra me castigar Tá doido moço
Num faço isso, não

Moramos entre 1979 e 1985 em Fortaleza boa parte desse tempo no Conjunto Ceará, outra parte na Barra do Ceará. Muitas vezes diariamente vasculho lembranças dessa época. Lembro da casa em que morávamos quando era tempo das chuvas, alagava as ruas que ficavam forradas de sapos e rãs. Os caramujos forravam as paredes. Brincávamos até quase a madrugada na rua, nossos pés tocavam o chão quente de Fortaleza. Afundavam na lama e não tínhamos medo de picho de pé. Eramos resistentes, pois tínhamos ela. Ela cuidava da gente.

Assistíamos muito desenho e series. Os desenhos eram na maioria de Hanna-Barbera, além de Dartacão e os três mosqueteiros e Buggy a jato. Assim fomos embalados no Conjunto Ceará. Lembro que tinha umas duas vizinhas que sempre me arrastavam para praia, de Iracema, Barra do Ceara, Praia do Futuro… e eu adorava.

Quando as coisas ficavam ruins, meu avô aparecia com mantimentos, roupas feitas pela minha avó e brinquedos. Meus irmãos lembram nitidamente peças de roupas costuradas pelas mãos dela.

Um dia as coisas ficaram muito ruins e ele nos arrastou, a todos para casa deles. Não esqueceu nenhum dos cinco. Lá tínhamos conforto. Minha avó acabou fazendo o papel de pai e mãe. Cuidou da gente, deu senso de horário, alimentação nas horas certas. Estudávamos e sabíamos que determinadas roupas deveriam ser usadas apenas aos domingos, as mais bonitas. Minhas tias, Evanilde e Nadir, nos ensinaram a gostar dos livros onde outros mundos surgiram e se misturaram ao nosso.

Alguns cheiros de plantas lembram-me nitidamente momentos e lugares específicos dessa época. Cheiro das extintas mercearias engolidas por supermercados e depois hipermercados, elas tinham um cheiro peculiar. Sabonete e piso de cimento queimado, o cheiro também é peculiar. Carvão queimado, terra molhada, barulho de grilos e mundos tão próximos. Cheiro de Maria fumaça, não sei de onde vinha, mas sabia que era de trem velho.

Minha família é muito grande e conheci parte dos meus primos, e meus tios, a todos, na casa de minha avó. Gostava muito de estar com meus primos, e sempre tive um carinho especial por eles, ter esse sentimento de unidade, de família. Mesmo no Natal tínhamos esse sentimento familiar que pouco conhecíamos.

Vou-me embora, vou sem medo dessa escuridão Quem anda com Deus Não tem medo de assombração e eu ando com Jesus Cristo No meu coração

Vou-me embora, vou sem medo dessa escuridão
Quem anda com Deus
Não tem medo de assombração
e eu ando com Jesus Cristo
No meu coração

Eu devia ter escrito mais, sentido mais, chorado mais…

Sinceramente?

Amo a todos os meus tios, pois são filhos bons de uma mulher especial, que num dia de Domingo foi trilhar um caminho para um mundo mais justo e bonito.

Fernanda, Eleutério, Maurício, Marlúcia e Késia

Categoria: Tia Evanilde Sobre: Literatura e livros Em destaque meus avós Eleutério e Maria Freitas, a doce vó Mariquinha; Na primeira imagem meus irmãos, e entre nós uma prima, a Josiela; Na segunda imagem meus irmãos e minha tia Evanilde falecida em 2010; Em 1976 minha avó embala meu irmão Maurício; As músicas: Para um amor no Recife de Paulinho da Viola e Menino de Braçanã de Luiz Vieira

Categoria: Tia Evanilde
Sobre: Literatura e livros
Em destaque meus avós Eleutério e Maria Freitas, a doce vó Mariquinha;
Na primeira imagem meus irmãos, e entre nós uma prima, a Josiela;
Na segunda imagem meus irmãos e minha tia Evanilde falecida em 2010;
Em 1976 minha avó embala meu irmão Maurício;
As músicas:
Para um amor no Recife de Paulinho da Viola e Menino de Braçanã de Luiz Vieira